Demons
4 Capitulo 4
Notas iniciais
Colocara algo simples para aquela situação, contentara-se com somente uma blusa de moletom azulado cujo número vinte e sete encontrava-se no meio escrito em branco e linhas pretas contornando-o. Usava uma calça jeans clara, na qual um cinto prata de correntes prendia-se em sua cintura e inclinava-se para seu lado direito, deixando as pontas, onde pequenos pesos prendiam-se, livres.
Passou as mãos pelos seus cabelos castanhos, em um ato de frustação, fechou os olhos acastanhados em desgosto. Murmurara algumas palavras sem nexos, cujas mesmas dirigiam-se ao sádico de seu tutor. Ao menos esperasse que os mesmo não estivesse ouvindo tais praguejamentos.
– Vamos – pode ver Reborn encostado em sua porta, os braços cruzados em frente ao seu corpo, e um sorriso na qual alegava o divertimento ao ver seu aluno em tal estado. Vendo o mesmo gemer em frustação, ergueu-se da cama. Os olhos escuros de Reborn brilharam minimamente quando viu a figura do castanho erguendo-se.
Tsunayoshi algumas vezes conseguia manter-se menor do que já era.
Tal coisa vinha de sua roupa, na qual a mesma conseguia ficar maior em seu corpo do que deveria ser. A face afeminada e o corpo erguido a desanimo também eram uma boa ajuda para tal aparência.
– É mesmo serio? – grunhiu em frustação, esperando que aquilo fosse somente mais uma das brincadeiras de seu tutor. Mas desistiu dessa hipótese quando os olhos onixes de Reborn brilharam em pura malicia.
Sádico filho da puta. Era tudo o que sua mente pensava.
E oras, não iria jogar toda a culpa naquele enviado do inferno. O que seu pai tinha na cabeça ao concordar com um psicólogo? E seu avô? Ele poderia ter parado seu pai! Certo que sua situação não era das melhores e que alguns traumas poderiam retornar a lhe atormentar. Mas era impossível às coisas ficarem criticas daquele jeito! Certo?
Em desanimo, caminhou em direção à saída de seu quarto. Rezava para que de alguma forma, qual quer milagre que fosse, algo o impedisse de ir para aquele hospital.
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Suas preces não foram ouças.
Agora estava em frente ao mesmo prédio branco de portas e janelas feitas de vidro. Um prédio sem graça e sem vida. Cujo mesmo tinha o nome de hospital. Estremeceu por alguns segundos, como se algo relativamente ruim estivesse prestes a ocorrer.
– Com medo? — Perguntou Reborn ao descerem do carro, o sorriso divertido ainda fazia-se presente em seus lábios como se saboreasse a situação na qual o Sawada estava passando. De alguma forma, Tsunayoshi queria retirar aquele maldito sorriso dos lábios do maior.
– Por que estaria? – mentiu, arqueando uma sobrancelha para dar mais ênfase a sua fala. Pode ver Reborn minimamente aumentar o sorriso e jogar a aba de seu chapéu sobre seus olhos negros.
Andaram em passos ágeis e longos pelos corredores do hospital, em algum monto na qual não percebera, Reborn agarra suas mãos, culpando a lerdeza do menor. Não tinha culpa se seu tamanho era de forma, desproporcional a sua idade e que tal fato, atrapalhasse-o em diversas coisas.
Para alcançar os passos de Reborn, tinha mesmo era de correr.
Não demoraram muito para que chegasse a uma sala, cujo nome Vice Diretor, estivesse escrito em uma placa, em tom preto com letras de forma, a mesma encontrava-se pendurada sobre uma porta acinzentada, com a maçaneta prateada. Não tardou para que esse último item, logo fosse tocado por Reborn e consecutivamente, a porta foi aberta.
Suspirou, fechando os olhos por alguns segundos, dois de seus dedos de cada mão, foram em direção as suas têmporas, de cada lado de sua cabeça, massageando-as e de tal forma, vendo se assim, livrava-se da dor de cabeça que começara a surgir em si, desde os primeiros passos por aquele corredor.
Abriu novamente os olhos castanhos depois de um dois segundos de hesitação para engasgar com sua própria saliva. Como se já ter dois Hibari’s em sua vida não fosse o suficiente para sua vida.
Sobre o olhar atento de Reborn e do novo Hibari, sentou-se em uma das cadeiras da sala, esta ao lado de seu tutor. Mesmo depois disso, ainda podia sentir quatro orbes em cima de si. Corou um pouco envergonhado por tal coisa, abaixando a cabeça.
Segundos depois, as vozes poderiam ser ouças pelo cômodo, pareciam estar começando a tratar sobre os assuntos.
... Hibari Kyouya.
Tsunayoshi parecia lembrar-se daquele nome, de a pouco tempo... E de fato, não era somente por que o homem fosse uma copia quase perfeita e mais velha de Hibari Kyoya. Até mesmo os nomes eram quase iguais!
Não duvidaria que os mesmos fossem irmãos, da mesma forma que Fong era irmão de Kyoya.
O nome Hibari Kyouya voltara a martelar em sua cabeça. Precisava se lembrar de onde tinha ouço tal nome... Será que Reborn tinha comentado alguma hora do dia sobre o homem? Sabia que não tinha prestado atenção nas falas do maior, as também não tinha duvidas de que se caso ouvisse o sobre nome Hibari mais uma vez, seus sentidos por reflexo acordariam.
– ... –Ideia Tsunayoshi? – acordara de subido com a última frase proferida dos lábios do Hibari, poderia ver um sorriso de lado brincando nos lábios do vice-presidente, e Reborn de forma, fuzilando tal sorrisinho. Sentiu seu corpo estremecer-se por tal coisa.
– A-Ano... N-Não o-ouvi a ú-ú-última par-parte – gaguejara enquanto tinha seus olhos castanhos vidrados nos seus dedos indicadores, os menos brincavam um com os outros de certa forma, tentando aliviar o constrangimento que a pouco, formara-se.
– Tem algum conhecimento de algum profissional cuja quer usar como psicólogo, Tsunayoshi? – perguntou de uma forma um pouco diferente, entretanto a frase ainda tinha o mesmo significado.
– Hn? – arqueara uma sobrancelha para a pergunta. A poucos segundos ele tinha descoberto que teria um psicólogo, não dera tempo nem dele ver um que lhe agradasse. – Não – seus olhos castanhos, em um ato em vão, fuzilaram Reborn, no entanto, aquilo somente fizera o divertimento do maior aumentar.
– Tem ideia do por que está aqui? – arqueara uma de suas sobrancelhas negras com elegância. Interrogando o menor.
– Sonhos – brevemente respondeu, com o desanimo detectado em seu timbre de voz, jogara a cabeça para trás da cadeira, ainda inconformado com aquilo.
– Tem quantos anos? – perguntara novamente Kyouya, suas mãos estavam entrelaçadas umas nas outras e as mesmas encontravam-se como um apoio abaixo de seu queixo, enquanto seu sorriso de canto, em forma, aumentava cada vez mais ao ver a figura do pequeno castanho.
– Quatorze – respondera, voltando seus olhos castanhos as frias orbes em tons metálicos que o maior tinha. Pareciam tão frias, mesmo com um pequeno sentimento de ternura e sadismo brincando com as mesmas.
Tal vez somente estivesse imaginando coisas.
No entanto, o único sentimento que pudera ver aqueles olhos metálicos abranger, fora uma pequena surpresa, ao comentar sua idade. O castanho respirou fundo passando as mãos pelos cabelos, tinha a impressão de que até mesmo uma geleira poderia ter alguma reação caso sua idade fosse proferida.
– Acho que sem quem posso lhe indicar – comentara Kyouya, o sorriso voltara a brincar em seus lábios e a face sem sentimentos, somente algum divertimento, cuja Tsuna estava alheio a tal diversão, fazia-se presente. – Siga-me – fora a única palavra na qual o Vice Diretor levantar-se de sua cadeira e andar em direção à porta da sala.
O jaleco branco que estava jogado sobre seus ombros fizera uma volta no ar, lembrando bastante a Tsunayoshi, o jeito em que certa cotovia bem parecida, somente em miniatura, também fazia com seu casaco em tons negritos. Suspirou... Quais as possibilidades deles serem irmãos?
Não tardou para que os dois estivessem logo seguindo o Hibari, o mesmo pegara um dos elevadores do hospital, onde clicara no quarto andar. O silêncio fazia-se presente no local, tirando o pequeno aparelho musical, na qual tocava qual quer música calma. Tsunayoshi não pode deixar de pensar em um clima de velório.
Não tardaram a chegar ao seu destino, Kyouya andava a passos rápidos em direção ao seu destino e Reborn rangia seus dentes, não estava nenhum um pouco gostando do jeito independente que o moreno mais novo estava fazendo as coisas.
De fato, o mais velho não fora com a cara de Kyouya desde o momento que a viu. E nunca que Reborn duvidaria de seus instintos.
Pararam em frente a uma porta, cuja marcação era de D-69. Era escrito em tom índigo, na qual pouco se destacava na madeira clara que compunha a porta.
O Hibari deu três batidas na porta, onde não tardou muito para que uma mulher, com a face delicada, um pequeno tapa-olho em seu direito, onde uma flor em tom rubro desenhava-se em meio a espinhos acinzentados e pretos, destacava-se. Seu único olho visível mostrava o tom roxo em suas orbes, seus lábios tinham um pequeno sorriso tímido brincando com os mesmos, na qual o tom acerejado destacava-se. Cabelos arroxeados longos, na qual prendia-se somente a parte central em um rabo de cavalo longo.
Usava uma roupa estilo secretaria. Uma saia cuja terminava em meio a suas coxas em tom preto, uma blusa branco por dentro uma blusa branca de abotoar e um por cima um casaco em tom negrito, cujo rinha somente um único botão, abotoando-o no centro do mesmo. Em seus pés salto alto pretos, simples, mas que dava certo charme ao look.
– Chrome – a voz grossa de Kyouya cortara o silêncio que até poucos minutos fazia-se presente – Avise ao herbívoro abacaxi que tem um novo paciente – e depois d etal frase, sem nem mesmo esperar alguma resposta da roxeada, o moreno de idade intermediaria, saíra do local.
Tsunayoshi resistiu à vontade de bater sua mão contra sua face. Se antes tivesse alguma duvida de que o Vide Diretor do hospital fosse realmente irmão de Kyoya, acabara de perder.
– Você deve ser Sawada Tsunayoshi-kun – sorriu encantadoramente a mulher na qual o Hibari denominara de Chrome, o castanho timidamente acenou com a cabeça, vendo o sorriso de a roxeada aumentar um pouco mais – Sou Dokuro Chrome, pode me chamar de Chrome, podem se sentar aqui – apontara para a sala de recepção do consultório. A mesma tinha um sofá em um tom amarelado mostarda, ao seu lado uma pequena porta revistas, cujas celebridades encontravam-se estampadas na mesma, falando de algumas fofocas e possíveis barracos.
– Obrigado – sorriu o menor, da maneira mais calorosa que poderia fazer, mesmo que nem assim, a tensão pudesse desfazer-se presente de seu corpo.
– De nada, aceitam algo? – perguntara a Dokuro, com o sorriso ainda em seus lábios, Reborn sorriu minimante, jogando a aba de sua cartola novamente contra seus olhos onixes e pedir uma de suas bebidas favoritas. Café expresso. Tsunayoshi limitou-se a balançar a cabeça em gesto negativo. – Claro – acenou a cabeça, em concordância, antes de retirar-se.
Reborn sentara-se no sofá, cruzando as pernas em uma posição que parecia ser confortável para si. Uma de suas mãos pegara qual quer revista aleatória no pequeno portador. Folheara com pouco interesse as paginas, somente a fim de distrair-se do tédio.
O Sawada também não tardou a se sentar, mas ao invés de pegar qual quer revista a sua frente, seus dedos chocavam-se em movimentos ritmados contra o pano claro de sua calça em um barulho irritante para qual quer pessoa, no entanto, parecia acalmar o castanho.
– Dá para parar? – perguntara Reborn com certa irritação na voz. Deveria saber que seu aluno estava um tanto nervoso, entretanto, ele não tinha de seu obrigado a ouvir sons irritantes.
– Eh? – perguntara sem entender, no entanto, segundos depois encabulou-se ao perceber o do por que e Reborn repreender-lhe. Constrangeu-se ao mostrar tão nitidamente seu nervosismo. – Desculpe-me... – murmurou.
E logo após de suas palavras serem proferidas, Chrome retornara a sala com uma xicara de café fumegante em uma bandeja, ao seu lado, adoçante e açúcar, uma colher para mexer o líquido também se mostrava presente.
– Aqui está senhor... – entregou a Reborn a xícara, vendo o mesmo dispensar o açúcar ou qual quer em sua bebida forte.
– Reborn – completou a fala da mulher, apresentando-se de modo rápido. Tsunayoshi deu de ombros, antes de pegar seu celular no bolso de sua calça e procurar alguma coisa para fazer no mesmo.
Reborn continuara a ver a revista enquanto bebia do liquido lhe servido, a Dokuro voltara-se para uma mesa no canto do escritório da recepção, ajeitando alguns papeis.
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– Merda! – soltara baixinho o praguejamento, faltava destruir somente mais um item para que sua missão estivesse completa, no entanto, seus movimentos haviam acabados... Poderia até mesmo usar um dos especiais do jogo, mas a poucos segundos atrás, usara o último. Maldição, tinha de comprar mais depois.
– Tsunayoshi-kun – ouvira logo a voz de Chrome lhe chamando – Mukuro-sama o espera em sua sala – depois de uma demora de aproximadamente vinte minutos, o castanho poderia encontrar-se com seu psicólogo.
Sentiu ânsia em seu corpo, e o mesmo tremer, estava nervoso, o jogo tinha servido para que pudesse momentaneamente esquecer a situação na qual se encontrava. No entanto, levantou-se de seu lugar e acenou com a cabeça, seguindo na direção da porta cuja compunha a sala, era uma porta na qual era feito de aço e rolante, rolava para o lado esquerdo.
– Boa sorte – por um momento quase acreditou nas palavras que Reborn lhe mandara, até ver o sorriso sacana que o mesmo apresentava, nervoso de mais para estressar-se, somente revirou os olhos antes de seguir.
– Boa sorte – sorrira Chrome, de leve depositando uma de suas mãos ao seu ombro, em gesto amigável, Tsuna sorriu para a mulher, antes de entrar na sala.
Reborn olhou, jogara a aba de seu chapéu novamente aos seus olhos, antes de jogar a revista ao seu lado no sofá, perdera o animo, na qual já era pouco, de ler qual quer coisa sobre celebridades.
– Ele vai ficar bem – pode ouvir Chrome falando pa si, com mais um sorriso caloroso enquanto suas mãos, cujas as unhas pintavam-se em preto, trabalhavam habilmente com os papeis em sua mesa.
Reborn suspirou, disfarçadamente, ele também esperava aquilo.
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Abriu a porta e pode ver ao entrar a figura de um médico um tanto quanto peculiar. O mesmo trajava uma calça jeans negra, uma blusa branca de mangas compridas e por cima de tal blusa, outra, até o término dos cotovelos, aveludada em tons negritos. O jaleco médico por cima, encontrava-se até sua cintura e com letras negras, podia ver-se escrito Rokudo Mukuro.
O médico virou-se para porta, onde Tsunayoshi pudera ver melhor sua face, olhos heterocromáticos, brincando no direito em um azul e somente para contrariar, seu esquerdo abrangia um tom rubro. Seus lábios tinha um sorriso sínico e seus cabelos eram em um tom azulado, quase marinho, no entanto, Tsuna julgou como tom índigo. Prendiam-se em um penteado estranho, na qual lembrava ao Sawada, abacaxi.
– Kufufufu – soltara uma risada estranha, ao ver sua nova presa... Paciente... Tanto faz. Para o Rokudo era tudo a mesma coisa. Desde que ele pudesse vier a desvenda-los – Sawada Tsunayoshi, certo? – perguntara o índigo, recebendo um aceno de cabeça como resposta. – Pode sentar-se no divã Tsunayoshi-kun – comentara, enquanto levantava-se da mesa e guiava-se em direção a uma cadeira, ao lado do divã, este último tinha o tom avermelhado, com as bases em tom negros. A cadeira era somente acolchoada, aparentava ser confortável em completo tom vermelho. – Vamos no conhecer por agora Tsunayoshi-kun – continuara Mukuro, depois de sentar-se a cadeira e Tsuna sentar-se ao divã. – Diga-me primeiro seus hobbies – comentara enquanto tinha uma caneta em mãos e do outro lado um bloco de folhas amareladas.
– ... A-Acho que... L-Ler, jogar no celular, conversar pela internet, a-algumas vezes sair... N-No entanto... N-Não gosto muito de a-aglomerações... T-Tenho o habito de treinar com meu t-tutor quando estava na Itália, não sei se aqui m-manteremos tal coisa... M-Mas espero que não – falou a última parte em um sussurro, no entanto, Mukuro pareceu escuta-la, arqueando uma de suas sobrancelhas índigos. Vez ou outra gaguejou levemente em algumas palavras, mostrando sinais de timidez.
– O que treina com seu tutor? – poderia ser uma pergunta somente curiosa ou de conteúdo importante para o Rokudo, somente dependia da resposta do castanho.
– A-Artes marciais... A-Algumas l-línguas entrangeiras... M-Matemática... E a-algumas m-matérias do p-primeiro a-ano do ensino m-médio. – respondera pergunta, encabulando-se mais ao ter os olhos bi colores vidrados tão intensamente em si.
– Primeiro ano? Kufufu, mas você não teria que estar no nono ano? – perguntara voltando a arquear elegantemente uma de suas sobrancelhas.
– E-Era para eu e-entrar no m-maternal, quando m-mais novo, só que... O-Ouve um erro e-entrei no primeiro p-período... – respondeu um pouco mais encabulado que antes, no entanto podia sentir aos poucos a timidez parando de agitar-se dentro de si.
– Kufufufu... Interessante – voltara a soltar a risadinha medonha, enquanto seus lábios aumentava o sorriso malicioso. – Então agora Tsunayoshi-kun... Por que quer ajuda? – perguntara curioso. Podia ver o blush nas bochechas do menor aumentando.
– Sonhos – vagamente respondeu, não estava a fim de lembrar-se dos conteúdos que os mesmos tinham. Estremeceu somente de fazer menção de lembrar-se.
– Sabe dizer sonhos do que? Passado, fantasias, podem vir a ser muitas coisas Tsunayoshi-kun – sugeriu o índigo, ficando mais curioso ainda com o que o pequeno castanho poderia apresentar-lhe. Não pode deixar de sorrir um pouco mais largo.
– S-São d-divididos em du-duas partes... A se-segunda pelo q-que me l-lembro... Tem –haver com meu i-irmão... P-Penso que s-são memorias do p-passaso... N-Não me recordo – murmurou não tendo certeza de suas palavras. Tinha medo de falar sobre tudo o que sonhava. Será que poderia falar realmente para aquele cara peculiar tudo?
– E a primeira parte? – perguntara ficando curioso, com uma avaliação mais clara, talvez pudesse logo ter uma definição melhor de tais sonhos.
– N-Não me lembro! – exclamou enquanto balançava as mãos em frente ao rosto, em um ato desesperado de tentar tirar os pensamentos maliciosos de sua mente. Só pode corar profundamente ao lembrar-se de cada coisa.
– Kufufufu – riu do ato desesperado do menor, de tentar esconder alguma coisa constrangedora para si. No entanto, o Rokudo não poderia vir a achar que aquele algo poderia vir a ser tão constrangedor como outros casos que já vira. Tsunayoshi tinha cara de criança inocente... Encabular-se-ia com pouco. Pobre Rokudo iludido.
– Não me lembro – por fim respondeu, mais calmo, desviando os olhos castanhos da pessoa a sua frente. Mukuro riu mais uma vez, aos poucos, conseguiria a confiança do menor, e quem sabe assim, as coisas poderiam ser mais fáceis.
Começaram a falar de coisas um pouco banais, para aos poucos começarem a construir uma base forte para a confiança. Podia ver o menor encabulando-se realmente fácil. Cada vez, ele ria daquele jeito tímido do Sawada.
– Temos vinte minutos ainda... Quer tentar uma pequena seção de hipnose? – perguntara o Rokudo, vendo o castanho levemente ficar tenso e os cabelos desgrenhados cobrirem seus olhos – Não precisa se não quiser kufufufu... – Mukuro não iria forçar, sabia que cada paciente tinha um limite.
– N-Não... E-Eu qu-quero t-tentar... – inseguro poderia estar, no entanto, quanto mais rápido descobrisse o que lhe atormentava, mais fáceis e menos complicados as coisas seriam e não precisaria voltar a este local tantas vezes.
– Deite-se – ordenou o Rokudo, o castanho logo atendeu ao pedido, vendo o Rokudo pegar um pendulo em cima de sua mesa, o mesmo era ligados aos dedos do índigo por uma corrente prateada, no final tinha um pequeno pesinho, cujo era de prata e parecia ser leve, movimentava-se a um simples movimento – Siga-o com os olhos... – e o Rokudo começara a balançar delicadamente o objeto em suas mãos — Você está em um lugar calmo... – comentou o mais velho, vendo o pequeno sorrir de leve aos lembrar-se de tal lugar.
***
Os braços de sua mãe sempre lhe confortava, sentia a mesma apetando seu corpo em uma abraço aconchegante, enquanto encaixavam-se em uma mesma cama, podia sentir a mais velha brincando em seus cabelos.
Era assim quando o medo estava presente em si, em um único abraço podia sentir o mesmo afastando-se de si, e nesse abraço, sempre acabava por ficar algumas horas no colo de sua mãe.
A mesma brincando com seus cabelos acastanhados eram hipnotizantes e pareciam dar-lhe vontade de dormir.
***
–Suas pálpebras estão pesadas e você quer dormir – pode ouvir de fundo a voz de Rokudo ecoando em seus ouvidos, mas ainda podia sentir a sensação de sua mãe brincando em seus cabelos, os braços quentes da mesma em um abraço... Parecia que tinha voltado para a alguns anos atrás, até a mesma sensação aconchegante do sono abraçava-lhe.
***
Suas pálpebras aos poucos fechavam-se, e os movimentos feitos em seu cabelo por sua mãe iam para o inconsciente, cada vez mais distantes, no entanto, ainda presente.
As coisas ao seu redor começavam a escurecer, e mesmo que de leve, poderia senti-las girando, a escuridão lhe abraçava com uma só e por mais que tentasse abrir seus olhos, não conseguia, parecia faltar uma ordem.
***
– Tsunayoshi-kun, onde você está agora? – a ordem que lhe faltava foi dada, podia ouvir a voz cada vez mais distante de Mukuro, como se ele agora, controlasse cada nervo, cada sentido de seu corpo, no momento, era aquela voz quem lhe guiava e dizia-lhe o que fazer.
***
Estava escuro. Muito escuro, sentia medo do lugar. Um cheiro férrico tomava todos os seus sentidos, não somente o olfato. Realmente eram todos. Podia sentir o cheiro, podia até mesmo distantemente sentir o sabor, sentia seu corpo impregnado com o líquido, mesmo que não tivesse confirmações de que fosse o mesmo líquido, podia ouvido caindo gota em gota por cada lugar. E mesmo que a iluminação faltasse no local, parecia que poderia ver o líquido.
Não era difícil perceber qual líquido lhe atormentava, somente uma vez, ele já tivera aquela sensação, uma única vez na vida, há anos atrás, no entanto, ainda lembrava-se detalhadamente daquela maldita situação.
Luzes que pareciam mais holofotes surgiram na sala. A mesma era cercada de espelhos e por mais que tentasse se ver naqueles espelhos, sua figura não aparecia.
Rodou os olhos castanhos pela sala, a procura de algo, uma referencia. Quando chocou-se com o que vira.
***
– O que vê Tsunayoshi-kun? – perguntara curioso o Rokudo, vendo as pálpebras do Sawada levemente tremerem mais a cada segundo que passava.
– Escuro – começou com o tom de voz em quase sussurro – Muito escuro... Estou com medo – mordera o lábio inferior ao proferir a ultima palavra, suas unhas agarram-se ao divã, suas mãos tremiam de leve, devido à força que agravasse a tecido avermelhado. – Têm sangue nessa sala... Eu não vejo... Mas sinto... T-Têm o mesmo cheiro que antes... Estou com medo – seus lábios agora tremiam, mesmo que não soubesse o que poderia estar ali, algo lhe dizia que não era bom.
– Continue enfrente Tsunayoshi-kun – por mais que a voz do Rokudo suasse em tom de pedido, Tsunayoshi parecia ter que ordena-la, e por tal coisa, não tardou a fazer aquilo. Seguiria em frente, e com tal coisa, algo em suas lembranças pareceu agitar-se, e o escuro tornou-se uma claridade.
Tudo que o índigo pudera analisar de último, foi à face em completo desespero do menor.
***
Era mentira, tinha que ser mentira! Seus olhos castanhos arregalaram-se ao ver a cena de dois corpos a sua frente. Estavam jogados uns do lado do outro.
Uma dama, cuja face delicada sempre fazia-se presente, os lábios rosados sempre sorrindo, algo caloroso, os sentimentos, mãos quentes... Olhos tão calorosos que derretiam gelo.
Agora era somente um cadáver, o corpo manchado de sangue em tonalidades tãofortes, que até por vezes, poderia ver-se em tons pretos. Morrera com um corte em diagonal em sua barriga. Podia ver seu interior, o sangue... Tudo jorrando de dentro de si.
A face morta, os lábios secos, sem cor, quase tom de pele, ressecados, levemente abertos, como se alma tivesse a abandonado pelos lábios. As bochechas não estavam mais delicadas e levemente coradas, mostravam quase os ossos de seu rosto. Os olhos que sempre fora tão vivos, mostravam terror e a própria morte.
Ao seu lado, um loiro, a face praticamente igual ao da ex-doce mulher. O antigo loirinho, cujos olhos sempre estavam divertidos, a face vez ou outra encabulada, lábios carnudos, na qual sempre insistia em mordiscar vez ou outra para descontrair o nervosismo... Tudo acabado, podia ver a morte em seu corpo, tal coisa, provocada por algo em seu coração, que abria até o outro lado de seu peitoral.
– Mama! Gio-nii! – gritara tentando correr em direção aos seus parentes, no entanto, quanto mais corria mais distantes eles pareciam ficar.
Os espelhos ao seu lado pareciam começar a girar, e o seu reflexo estava formando-se aos poucos. Arregalou os olhos quando finalmente sua imagem fora feita.
Estava coberto de sangue, e mesmo que não pudesse ser cientificamente correto saber a quem eles pertenciam, Tsunayoshi tinha certeza.
Sua mão direita tinha uma faca, cujo cabo da mesma era branco, onde um dragão desenhava-se, seu gume era afiado, e refletia pelas luzes dos holofotes, causando-lhe momentaneamente cegueira. Por mais que tentasse soltar a arma não conseguia, ela parecia presa ao seu corpo, como se fossem únicos.
– Não, não, não! Não fui eu! – gritou em desespero para o nada, tentando fazer com que aquela frase, entrasse em sua mente.
***
– Não! Não! Não! – começou a falar repetidamente, seus olhos tremiam, seu corpo tremia, suas mãos cada vez apertavam mais o tecido do divã – Para, para! De novo não! – balançava a cabeça, mesmo que de leve, tentando afastar os pensamentos.
Mukuro arqueou uma sobrancelha, tinha que começar a parar a hipnose de Tsunayoshi, antes que a coisa pudesse a vir ser mais desgastante.
– Tsunayoshi no três, abra os olhos – a voz do índigo soara, de alguma forma, tentando controlar e conter a situação que moreno começava a se encaixar. – Um... Dois... – no entanto, antes que o terceiro número fosse proferido de seus lábios, o moreno teve um espasmo, assustando o Rokudo brevemente.
– PARA! PARA! PARA! É MENTIRA! NÃO! NÃO! NÃO! – começara a gritar junto a palavras desconexas, assustando cada vez mais o Rokudo, que reação agressiva para uma primeira hipnose — Não... Por favor – sussurrou, as lágrimas começavam a descer por suas bochechas – NÃO FUI EU! NÃO FUI EU! – voltara a gritar e com isso, Mukuro pode ver a porta de sua sala ser aberta com tudo.
As trincas das mesmas soltaram-se e isso pouco importou para o homem a sua frente, com a face em pura ira, e com os olhos tampados por sua cartola, escondendo a preocupação.
– O que você vez? – rugira, preocupado andando em direção ao divã da sala, poderia ver o tecido rubro do mesmo sendo puxado por Tsunayoshi, e os dedos do castanho, começando a sangrar devido a força.
– Se o acordar assim, pode ser psicologicamente cansativo e isso é prejudicial – afirmara o Mukuro, vendo Reborn trincando os dentes com o desespero de seu aluno.
– Mukuro-sama, acorde-o – alertou Chrome, vendo o índigo mais uma vez tentar comunicar-se com seu paciente. Os gritos desconexos que o mesmo dava, eram desgastantes.
– Tsunayoshi-kun, vamos de novo – concentrara-se mais o Rokudo, tentando de alguma forma esquecer os gritos – No três – respirou fundo antes de continuar – Um, dois e três – falara de forma rápida, mesmo que pausada, estalando os dedos no final.
Os olhos castanhos abriram-se de súbito, sentando-se ao mesmo tempo em um movimento movido a pura adrenalina em seu corpo, seus lábios tremeram, e antes que mais alguma coisa pudesse ser feita por si, sentira os braços de Reborn apertando-lhe forte.
As lágrimas desceram de seus olhos, grossas e salgadas, junto a palavras desconexas, enquanto o maior fazia igual a sua mãe em suas recordações, brincava com seu cabelos. Era algo que Reborn tivera o habito de fazer, para que em noites de pesadelos, quando Tsuna era mais novo, o mesmo voltasse a dormir.
Agarrou-se a blusa de seu tutor, apertando-a forte, enquanto encharcava-a com suas lágrimas. Os dedos cujo sangue escorria, manchava de leve, em rubro, a camisa amarelada de Reborn.
Foram cerca de cinco minutos assim, sobre os olhos atentos da Dokuro e do Rokudo, fora quando Reborn percebera que não há muito tempo, Tsunayoshi acabara dormindo, ainda agarrado a si.
Soltando de leve o menor de si, e voltando a recoloca-lo no divã, encarou com raiva Mukuro.
– O que você fez? – rugira entre dentes, controlando-se para não agarrar a gola da camisa do médico, aquilo não era feitio de Reborn, no entanto, não podia negar os sentimentos fraternos que tinha por Tsunayoshi, Oras, vira o garoto crescer apegado a si.
– Hipnose, ele concordou – alegou, em defesa.
– Não poderia ter feito tal coisa sem a permissão de um responsável, era obvio que Tsunayoshi iria lembrar-se da morte de seu irmão e sua mãe – suspirou, enquanto uma de suas mãos retiravam sua cartola da cabeça e seus dedos passavam-se dentre os frios negros, puxando-os em quase brutalidade em um ato de frustação.
– Kufufufu – sorriu o Rokudo – Ele não me falou nada – sorrira mais ainda ao ver a indignação na face de Reborn, por frações de segundos.
– Ele é uma criança – rugiu novamente, agora começava a pensar em maneiras sádicas de matar o psicólogo.
– Kufufu – sorriu o Rokudo, Reborn indignara-se mais ainda, pegara Tsunayoshi no colo, em estilo noiva, o garoto era tão leve, que não teria dificuldades de transporta-lo até o carro.
– Reborn-san! – a Dokuro chamara, antes que o mesmo cruzasse a porta do consultório a sala de recepção do lugar – A próxima consulta do Sawada-kun é daqui a cinco dias, no mesmo horário – informou, vendo-o partir depois de tal afirmação.
– Kufufufufu – Mukuro somente sorrira para tal coisa.
Seria um caso interessante.
–----- Sala do Vice Presidente -------
– Então foi isso que ocorreu? – Kyouya tinha seus lábios dobrados em um sorriso sádico, avaliando a situação que a pouco o herbívoro abacaxi acabara de lhe contar.
– Kufufufu, será interessante – sorriu o Rokudo, prevendo que talvez muitas coisas viriam a ocorrer, aquilo só aumentara o sorriso de Kyouya – Se me der licença, kufufufu, vou indo – levantara-se o Mukuro da cadeira, cujo estava sentado, ao outro lado da mesa de Kyouya, de cara para o mesmo.
– Espere – Kyouya agarrara o braço do índigo, antes que o mesmo partisse, levantou-se de sua cadeira também, dando a volta sobre a mesa, ainda com o braço do Rokudo preso em sua mão firme.
Chegara à frente do mesmo, vendo os olhos heterocromáticos brilhando em curiosidade, voltara a sorrir de lado, antes de sues lábios encostarem-se ao de Mukuro, agarrando-o ela cintura em um beijo selvagem e habilmente, encurralara o mesmo contra sua mesa, fazendo-o sentar sobre ela. Sua mão entrou sobre as duas camisas do mesmo, vendo-o arfar entre o beijo a tal movimento.
– Fez um bom trabalho – sussurrou ao separar seus lábios do índigo, vendo-o levemente corado e arfante, enquanto as mãos do mesmo cravavam-se em suas costas, juntando mais os corpos – Vamos nos divertir agora – mordeu a orelha do Rokudo, o mesmo arfou e jogou sua cabeça para trás.
Poderia ser somente uma brincadeira, algo carnal e sexual... Mas nenhum dos dois negava que era divertido fazer aquilo. Não era amor, e nunca seria, era somente sexo. Para aliviar o stress.
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