Delirious

10 10. Não ria na cara do perigo


Notas iniciais
[Nota: Estamos de capa nova.] Olá pessoas. *.*Sentiram minha falta? Hahaha enfim consegui terminar, não postei mais cedo porque aconteceram muitas coisas, hoje foi um dia horrível e eu quase fiquei sem internet então tive que correr para poder trazer este capítulo para vocês. ;) Gente fiquei muito contente com os reviews de vocês no ultimo capitulo. E vou ficando cada vez mais empolgada a cada novo capitulo. Obrigado pelo carinho. Vocês são demais. Boa leitura.

Capitulo 10. Não ria na cara do perigo

Narrado Por Natan:

Dormi mal. Dormi muuuuuito mal.

E eu não tenho insônia! O meu problema se chama: peso na consciência. "Eu não sou gay, eu não sou gay", repetia inúmeras vezes como um mantra ontem de madrugada no banheiro enquanto batia punheta.

Tudo por causa do que o filho do satã fez comigo. Sim, me recuso a dizer que foi por causa dele, realmente não foi por causa dele. Definitivamente não foi por causa dele. Foi porque ele fez aquelas... Coisas comigo enquanto dormia em pé no corredor.

'Véi, da próxima vez que ele vir aqui em casa com intenção de dormir vou lembrar que é sonâmbulo. Ele vai dormir na sala e eu vou trancar minha porta.

Ah se vou!

Sério, ninguém sabe o que é ter sonhos eróticos a noite inteira, revivendo aquele momento no corredor. Que horror foi perturbador. Era um pesadelo atrás do outro, teve uma hora que não aguentei, ajoelhei na cama e rezei muito pedindo para Deus que tirasse aqueles pensamentos pecaminosos da minha cabeça. Fui atendido, mas claro que só depois de uma hora.

Dormi mal e acordei com a visão do inferno. Primeiro fui despertado pelo meu celular tocando sem parar, com muito desgosto peguei a porcaria do aparelho no criado mudo.

Que saco era só uma mensagem. Abri pra ler o conteúdo:

“Acorde Bela.

P.s. seu namorado Punk.”

Aquilo só podia ser brincadeira. Deus, o que eu fiz na reencarnação passada de tão ruim, para que nesta o senhor me castigue desse jeito? Joguei pedra na cruz, foi isso? Se for isso peço perdão com lágrimas nos olhos.

Olhei sobre o ombro e lá estava ele: Miguel Dorneles em pessoa, carne e osso, sentado nos pés da cama, me olhando. Meu coração só faltou pular pra fora da boca quando abri os olhos e vi ele, na minha cama. Desde que horas ele estava ali me observando dormir? Será que gosta de olhar as pessoas dormirem?

Que hobbie estranho é esse?

Minhas últimas impressões sobre esse cara são: ele é estranho, chato, insistente, stalker, tem lábia mansa, doente mental, pervertido, viado, preguiçoso, perigoso e assim vai. É uma lista longa.

— Bom dia, até que enfim acordou. — desejou ele, sorrindo.

— Como conseguiu meu número?

— Até que horas você costuma dormir?

— Não te interessa e não fuja da pergunta: como conseguiu meu número?

— Não passou por essa sua cabeça oca, que eu poderia ter pego o seu aparelho, enquanto você babava aí no travesseiro eu tenha ligado pro meu celular?

Revirei os olhos.

— 'Tá, já entendi, mas apague. Agora!

Ele me olhou sem esboçar nenhum tipo de emoção.

— Pode deixar. — senti certa ironia naquela resposta.

Ah azar. Dei de ombros e me virei, voltando a fechar os olhos.

— Ei, não vai dormir outra vez, né? — ignorei. — Ei, Natan.

Apenas ignorei.

Um minuto de silêncio, sorri com satisfação. Mas um tempo depois meu lençol foi roubado. Me remexi na cama de forma bruscas, me sentando e fuzilei o filho da puta.

— Porra, eu quero dormir!! — gritei puxando o lençol de volta.

— Sabe que horas são? Onze horas.

— E daí?!

— Não sei você, mas eu costumo tomar café, estou acordado desde ás nove. Anda logo e levanta dessa cama!

Resmunguei, mas ele insistia.

— E o nosso tratado de paz? — perguntei.

— O que tem a ver uma coisa com a outra? — ele perguntou fazendo uma cara cômica demais. Sentei na cama outra vez, vencido.

— Não era pra gente se dar bem? Você não 'tá cumprindo. — apontei o dedo na cara dele e levei um tapa.

— Como não? É você que não 'tá cumprindo, fica gritando feito um retardado. — e foi a minha vez de dar um tapa no dedo dele.

— Não me chame de retardado. Retardado é você!

— Ah esquece. Não complique as coisas, te acordar de manhã não tem nada a ver com as coisas que você diz pra me ofender.

Hump.

Virei à cara.

(#)

Encontrei Priscila e a tal da amiga na cozinha, minha irmãzinha falava ao telefone e parecia bem empolgada com alguma coisa.

— Ah sim, vamos! — dizia ela toda sorridente.

Miguel Dorneles estava na sala, debruçado na janela fumando. Agora entendo o seu desespero, ele queria fumar.

A amiga da minha irmã estava sentada na mesa, pitando as unhas de preto, quando me viu entrando na cozinha. Logo perguntou:

— Cadê o cara?

Fiz uma careta de nojo lembrando delas no sofá ontem.

— Bom dia pra você também. 'Tá na janela fumando.

Ela se levantou num pulo e correu pra sala. Fiquei olhando para o nada sem entender aquela súbita reação, dei de ombros. Torço para que seja feliz com o punk, os dois combinam.

Imagina só ele com toda aquela carinha de Leonardo DiCaprio com aquela jararaca do lado?

— 'Eca! Puff. — comecei a rir sozinho, minha irmã me olhou com estranheza. — Ai ai, seria um show de aberrações.

Priscila encerrou a ligação.

— Do que 'cê 'tá rindo, Rato?

— Da sua cara horrorosa que não é.

Ela não deu importância. Fui até a geladeira, peguei leite, queijo, presunto, patê... Será que ele gosta de patê? Azar, peguei mesmo assim. Coloquei essas coisas e outras na mesa. Mesmo irritado por não ter me deixado dormir um pouco mais, tinha que dar razão a ele, estava faminto. Nada melhor que um pão bem recheado com manteiga, presunto, queijo, tomate... Ah tenho que pegar o tomate!

— Então, como foi? — perguntou minha irmã de repente.

— Como foi o que? — quis saber, não entendendo aquela pergunta.

— A noite de vocês, oras. — ela se aproximou de mim, com os peitos quase soltando pra fora.

— O que você quer dizer com isso? — perguntei desconfiado, fui pegar a louça dentro do armário.

— Rato, não se faça de desentendido, 'cê sabe bem do que 'tô falando. — piscou.

— Não sei não.

— Sabe, sabe sim. — riu. Olhei bem sério pra ela. Porra, será que ela ouviu algo ontem a noite?

Ai meu cú! E agora? 'Tô ferrado ela vai espalhar pra todo mundo que o punk 'tá atrás do meu traseiro. Não, não, espera. Acho pouco provável ela ter visto ou ouvido alguma, naquele horário ela e aquele tribufu estavam se comendo no sofá. Mas e se a outra viu, ou ouviu alguma coisa? Pensando bem aquela reação de agora pouco foi bem estranha.

Engoli seco, passei a ignorar suas olhadas maliciosas e voltei a ajeitar a mesa. Ela não parava de me olhar. Aquilo me deixava desconfortável.

— Já tomou café? — perguntei querendo disfarçar meu desconforto. Ela apoiou o cotovelo na mesa ficando a me encarar atentamente. Porra, 'tô corando.

Pri riu de canto e respondeu que não. Droga, droga, droga. Ela vai me torturar o dia inteiro. Despejei o leite dentro da leiteira e coloquei o café pra passar.

Ouvi uma risada alta vindo da sala, era o rascunho do capeta rindo com o neto do próprio capeta. Enquanto ele se diverte lá eu fico aqui me matando na cozinha.

— 'Ô punk! — berrei, mas não obtive resposta o que me deixou irado. Servi um copo de leite gelado pra mim. Minha irmã continuava na mesma posição.

— Hm. Ciúmes? — perguntou ela de repente, engasguei com o leite e comecei a tossir sem parar.

— 'Tá me estranhando? — perguntei depois que a crise passou.

— Ah qual é, Rato, nem vem me dizer que você não sabe que esse cara quer te comer. — ela disse casualmente. Meu queixo foi lá no chão.

Não tive tempo para articular uma resposta pra dar a ela, Miguel Dorneles entrou na cozinha aborrecido com a amiga da Priscila.

Dei as costas, indo colocar o leite no fogo. Depois de tudo pronto tomamos café finalmente, mas minha irmã não desgrudava os olhos de nós dois e eu só pensava em sumir dali.

(#)

— Alô.

— Matheus?

— Não, é o Eduardo, amigo dele. Ele 'tá no banho agora, quem gostaria?

— É o Nat, animal.

— E aí infeliz, o que você quer enchendo o saco essa hora?

— Não encho o saco de ninguém. Estou aqui fora, será que dá pra abrir a porta? Faz décadas que chamo e ninguém me atende. — E o papo não se prolongou por muito tempo, Edu desligou e alguns minutos se passaram até ele me atender no portão da casa do Matheus.

Quando me viu perdeu a cor, parecia que um fantasma estava na sua frente. Revirei os olhos, passei reto por ele, entrando na casa. Reação normal, depois de tudo que aconteceu.

Matheus ainda estava no banho. Fomos pro quarto e como sempre tudo impecável, limpo e organizado. Edu estava jogando um jogo de futebol. Reiniciamos o jogo para jogarmos juntos.

Um tempo depois Matheus apareceu, vestindo uma bermuda preta e uma camisa azul, os cabelos louros molhados caindo nos olhos azul piscina.

— E aí infeliz, pensei que tinha se afogado no chuveiro. — debochou Edu.

— Não, não me afoguei. Eu tava batendo punheta mesmo. — respondeu Matheus como sempre com seu humor afiado.

— Punheteiro, punheteiro, punheteiro. — cantou Edu, levando um tapa na nuca.

— E aí animal! — Matheus me olhou. — Como vai essa perna?

— Vai bem. — respondi, mas não dei muita atenção, estava concentrado no jogo.

Matheus sentou na cama e ficou me observando por um longo tempo, embora estivesse de costas pra ele, podia sentir o peso de seu olhar sobre mim. Comecei a ficar incomodado, mas me fiz de desentendido.

— Natan, a gente precisa conversar. — disse ele de repente. — Né, Edu?

Edu estava mais centrado no jogo que eu e por isso não respondeu de imediato. Matheus franziu a testa, pegou seu travesseiro e jogou longe acertando em cheio o cabeção do Edu.

— Né, Edu? — Reforçou ele alterando o tom.

— O que bosta?! 'Tô jogando, não 'tá vendo?

— Eu 'tava aqui, dizendo pro Nat que a gente precisa conversar.

— Como assim?

Matheus rodou os olhos.

— 'Tá dormindo imbecil?! Larga agora a porra do controle. — berrou e apontou o dedo pro controle e depois olhou pra mim. — Você também, larga essa merda!!

— Coisa chata. — resmungou Edu.

— Eu ouvi! — interceptou Matheus.

Encarei os dois. Pelo jeito sério e a expressão preocupada, Matheus ia começar a uma longa conversa.

Largamos o controle a contragosto e esperamos ele começar a falar.

— Nat, tem uma coisa que 'tá me incomodando, ontem nós falamos sobre isso e o Ed-

— Ah não, vamos falar sobre aquilo de novo?

Pronto, fechei a cara. Edu parecia saber de mais coisas que eu. Pode parecer idiota, mas eu fico chateado quando dois começam com os segredinhos.

— Vamos, vamos sim. Não é justo isso que 'tá acontecendo. — Matheus parecia realmente aborrecido. — Se você não se importa fique quieto e apenas ouça.

— Vocês dois vão enrolar até quando? — perguntei me irritando com aquele mistério todo.

— Voltei. — a porta se abriu. — desculpa a demora, 'tava falando com minha mãe no telefone e aproveitei pra fumar.

O ar chateado em volta de Matheus mudou completamente, agora ele sustentava um ar de hostilidade.

— Ah nem esquenta, entra aí e senta. — disse Edu sorrindo como um idiota.

— Ninguém sentiu sua falta. — falei com um enorme bico no canto da boca. Recebi um olhar fixo e aborrecido.

Olhei pra cara de poucos amigos do dono do quarto e disse:

— Ah foi mal Theus, me esqueci de avisar que esse loucão vinha comigo.

— Podemos conversar a sós Nat?

A pergunta foi feita pra mim, mas os olhos estava direcionado à Miguel Dorneles. Miguel era bem desligado e naquele momento não tinha percebido nada, estava ocupado demais de frescura com Edu, na verdade era o contrário: Edu estava de frescura com ele. Todavia quando ele percebeu aquela hostilidade toda vinda de Matheus, passou a corresponder na mesma intensidade.

— Sim, podemos. — interferir com desespero e já fui me preparando para sair do quarto. Girei a cadeira e segui até a porta, Matheus me seguiu.

No corredor ele começou a empurrar a cadeira.

— Ei, pra onde vai me levar? — perguntei.

— Vamos pra sala, aqui eles podem ouvir.

— O que você tem de tão importante pra dizer que eles não podem ouvir?

— Natan, cala a boca um segundo, por favor. Não consigo ouvir meus pensamentos.

Fechei a cara, mas matei aquele sentimento no peito.

Chegamos na sala e Matheus parou a cadeira no meio do caminho, contornou-a ficando na minha frente. Ele colocou as duas mãos nos encostos dela e forçou contato visual comigo. Me senti um pouco esquisito.

— Primeiro: me diz como você consegue ter tanta cara de pau de trazer o inimigo pra dentro da minha casa?

— Inimigo? — ergui uma sobrancelha. — Nem sabia que vocês dois eram inimigos.

— 'Tá brincando? Olha esse hematoma no canto da minha boca, ele não te diz nada?

— Foi o Vinicius quem fez não o Miguel. — resmunguei.

— Pablo. — corrigiu.

— Ah que seja, são tudo farinha do mesmo saco. — falei gesticulando os braços para o alto.

Matheus ergueu-se ficando em pé, colocou as duas mãos na cintura, massageou a ponte do nariz e me olhou sério.

— Então é verdade?

Rodei os olhos.

— O que, inferno? — perguntei.

— Sobre... Vocês dois?!

Droga, tinha me esquecido da conversa no bate-papo. Agora a porra ficou séria.

Virei o rosto sem coragem de encará-lo: eu não podia dizer simplesmente que estava dentro de um acordo com o filho do satã, afinal para onde ia o meu orgulho?

Além do mais, eu conheço o Sr. Castanheli com a palma da minha mão e sei que ele vai pirar quando descobrir a verdade. Provavelmente vai querer arranjar briga com o maldito Dorneles.

E eu não quero isso.

— B-bom... Ah pára com isso, ontem nós falamos sobre esse assunto, chega dessa conversa.

— Responda sinceramente, Nat.

— Não vou. — falei ficando aborrecido com sua insistência sem fim. — Pensei que isso tinha ficado bem claro pra você ontem.

Forçou o maxilar para o meu desespero.

— Então é verdade? Mesmo? — não respondi, fiz uma careta de chateação.

O silêncio fez sua presença entre nós dois. E de repente comecei a achar tudo aquilo estranho, era como se estivéssemos no meio de uma DR e aquilo não era nada bom.

Não conseguia dizer uma palavra sequer. E Matheus parecia querer falar um monte de coisas, mas estava decepcionado demais pra falar, o que deixava o clima cada vez mais tenso.

— Nat, olha só... Não consigo engolir essa história. Até ontem você odiava o cara e hoje traz ele pra dentro da minha casa como se fossem amigos. Me desculpe mas eu sinto que tem algo errado nessa história.

Não falei nada. Mordi o lábio inferior e meus ombros começaram a pesar. Porra, é muita pressão.

— Fale a verdade, confie em mim, eu sou seu amigo, não sou? — Assenti. — Então, me conte a verdade!

— Mas não tem mistério, Matheus. Ah, tipo, sei lá... Apenas mudei de ideia, conheci o cara melhor, ele é bacana. — falei. — Sabia que ele até tem uma banda?

Matheus me olhava, mas não parecia dar importância as coisas que eu dizia. A desconfiança estava nítida em seu rosto.

— Hm. É mesmo?

— Aham! — sorri amarelo.

Ele ficou um tempo me olhando, parecia que via através de mim. Bufou vencido.

— Tudo bem Nat, vou deixar passar, mas só por enquanto. Fique você sabendo que não vou ficar de braços cruzados vendo você se ferrar sozinho. Cedo ou tarde eu vou descobrir a verdade.

Engoli com aflição. Sempre quando Matheus colocava algo na cabeça, não tinha como tirar.

O resto da tarde passamos só jogando game, foi bem divertido, fora alguns momentos tensos entre Matheus e Miguel, foi divertido. Fazia tempo que não me divertia tanto.

A noite caiu tão rápido que nem percebemos. Edu nos acompanhou novamente até o portão, pois Matheus estava no telefone com a “quase namorada”.

(#)

Miguel foi empurrando minha cadeira na calçada, acendeu um cigarro. Ele estava bastante calado, não questionei nada sobre aquilo, quanto menos falar melhor.

Fiquei jogando no meu celular, cantando Kicking & Screaming do Sebastian Bach e aproveitando a leve brisa que batia no meu rosto.

— Nat. — começou Miguel, parecia hesitar.

— Não me chame assim, não te dei intimidade já disse isso várias vezes. — resmunguei. — Vem cá, você tem algum tipo de problema nos neurônios?

— E porque aquelas duas antas podem te chamar assim e eu não?

— Aquelas "duas antas" são meus amigos, pessoas importantes pra mim. Você não.

De repente a cadeira parou. Desviei minha atenção a contragosto do celular e girei o pescoço para olhá-lo.

— Que foi? — perguntei.

Miguel estava com uma expressão séria no rosto, o cigarro está lá, preso nos lábios e o olhar duro. Parecia chateado.

— Nada. — disse apenas. — Eu cansei de te levar, se vire sozinho.

Meu queixo foi lá no chão. Miguel fez um contorno pela cadeira, passando reto por mim, com as duas mãos no bolso da calça. Continuei sem entender nada enquanto olhava suas costas e a fumaça do cigarro em volta dele.

Mas que inferno?

— O que deu em você? — perguntou, mas fui ignorado. — Miguel volta aqui, merda. Você sabe que eu não consigo manejar isso aqui sozinho, meu braço 'tá enfaixado porra. — Gritei frustrado, ele continuou me dando gelo, chamei mais duas vezes, mas nada do Miguel me olhar. — Idiota!!!! — berrei.

Ele estacou no meio do caminho.

Ah me ouviu!

Uma nuvem de fumaça se formou em volta dele. Porra o cara fuma pra cacete. Girou os calcanhares e veio se aproximando de mim.

— O que quer agora? — Perguntou.

— Quero que empurre a cadeira.

— Como se diz? — rodei os olhos e bufei.

— Por favor.

— Hm. Não! — Fiquei boquiaberto com aquela resposta.

— Porra, cara qual é o seu problema?! — perguntei.

— Quer mesmo saber?

— Na verdade não, mas fale mesmo assim. — respondi sinceramente.

Ele hesitou um pouco.

— Seu amigo é o meu problema.

Agora fiquei sério e estreitei os olhos.

— Que amigo?

— Aquele que apanhou do Pablo. — Sabia que era do Matheus que ele falava.

— O que você quer dizer com isso?

Miguel não respondeu de imediato e eu percebi que havia certo receio em seus olhos.

— Aquele cara quer te comer.

Fiquei em estado de choque, sério. Como ele podia dizer algo assim de forma tão natural? Não, não. Eu devo ter ouvido errado, ele não pode ter dito aquilo.

— Não entendi, p-pode repetir? — perguntei pausadamente tentando me manter calmo.

— Aquele cara te olha como se você fosse um pedaço de carne.

— Vai pra puta que te pariu!!!! — berrei depois de um tempo em silêncio.

— Sabia que não ia acreditar em mim.

— Se estiver brincando, por favor, pare. Pois está passando dos limites.

— Não estou brincando, eu sei quando um cara quer transar com outro, acredite: aquele cara quer te foder.

— Engraçado, minha irmã disse o mesmo sobre você.

Ele sacudiu os olhos.

— Deixa ela falar o que quiser, pelo menos eu assumo minhas broncas já o seu amigo...

— Mais uma palavra e eu esfolo tua cara!

— Pode vir.

A tensão pairou. O minutos foram passando e parecia uma eternidade. Aquelas acusações eram muito sérias, eu não suporto quando alguém fala mal dos meus amigos. Podia aceitar tudo menos aquilo.

Notas finais
Quem acompanhou minha semana corrida sabe os motivos do meu afastamento essa semana. Peço desculpas pela demora para atualizar. O capítulo saiu um pouco grandinho para compensar essa semana de provas. Espero que esteja do agrado de vocês. ;) Vou tentar postar o outro amanhã, mas não posso prometer porque tenho outras histórias para atualizar. Comentem, deixem suas opiniões, vou ler todas com carinho e responder. Um grande beijo.