Delirious

9 09. Pizza, coca cola, gaydar e filme de terror


Notas iniciais
Oi, presente de páscoa adiantado. Hahaha ;)Eu pensei com muito carinho em vocês e cheguei a conclusão (sem dificuldade) que eu estava sendo malvada e que vocês mereciam outro capítulo. Lembrando se encontrarem erros apontem.Ainda não pude responder os reviews, pois estava escrevendo este capitulo, mas vou respondendo ao pouquinhos. Obrigado. Não deixem de comentar, ok? As coisas vão ficar quentes neste capitulo hahahaha ~ Boa leitura.

Capítulo 09. Pizza, coca cola, gaydar e filme de terror

Narrado Por Miguel:

Forcei o maxilar contraído para as figuras desnudas na revista da playboy. Não gosto nada disso, e eu não falo dessas minas' seminuas que ocultam as partes baixas dos olhos alheios, mas sim do silêncio incômodo no quarto.

Estou aqui mais de vinte minutos.

Geralmente sou um cara preguiçoso, descaso só funciona quando sou eu que uso não aceito que ninguém use comigo. Sério.

— Aquela é sua irmã? — perguntei folheando a revista.

Estou me esforçando para engolir o fato de estar sendo ignorado por ele.

— É. — ele só usava "É; hm; aham; sim e não", e isso estava começando a me tirar do sério de verdade.

Natan ainda está muito emputecido com a surpresa que lhe fiz. Agora se encontra sentado na frente do computador de conversa fiada em alguma sala de bate papo com seus amigos idiotas.

— Ela é sua cara.

— Eu que sou a cara dela. — corrigiu usando um tom alterado.

— Tanto faz. — dei os ombros. Houve um pequeno intervalo de silêncio, algo que pra mim parecia uma eternidade. — O que vamos comer? — perguntei desviando meus olhos da figura nua na revista, fitando suas costas.

— Não sei... — respondi. Suspirei diante daquela resposta desanimada.

Eu preciso ser paciente com esse moleque ou as coisas nunca vão mudar. E daí que meus métodos foram cruéis? Quando quero algo, eu consigo e ponto. Bem que tentei um método mais pacífico no início. Fui paciente, fiquei três dias tentando conversar numa boa com ele, entrar num acordo, mas não dava chances.

Azar foi o dele oras, sofreu o pênalti. Mas também as circunstâncias me levaram para este caminho. Não deu para evitar.

Ah que se foda.

Me levantei num pulo, ele não moveu um músculo, mas começou a rir de alguma idiotice que algum espertinho deve ter escrito no bate-papo. Me aproximei do gabinete do computador e desliguei o estabilizador sem pensar duas vezes.

Ele ficou um tempo parado encarando o monitor sem entender nada daquilo. Depois que se tocou me olhou e estreitou os olhos furiosamente em minha direção

— Porque você fez isso? — gritou me encarando.

— Porque senti vontade. — respondi cruzando os braços acima do peito.

Vi sua face ganhar uma tonalidade avermelhada intensa e se contorcer inteira. Ele tentou ligar outra vez, mas fui mais rápido e desliguei da tomada.

— Vai se fuder! — Berrou furiosamente.

— Vai você. — rebati.

— Te odeio. — ralhou e mostrou o dedo do meio pra mim.

— Que infantil.— fiz uma careta incrédula censurando seu gesto.

— Vai no tomar no cú!

— Vai você!

— Vai você. — devolveu.

Rodei os olhos e suspirei. Aff! Coloquei as duas mãos na cintura pedindo paciência aos céus. Eu precisava de muita.

— Anda levanta daí, vamos comer alguma coisa. — falei voltando a usar o usual tom preguiçoso.

— Não quero!!!

— Mas eu quero! — E novamente alterei a voz.

— Você não manda em mim!!

Pronto, adeus autocontrole de vez.

Peguei ele pelo braço erguendo-o da cadeira, ele fez várias tentativas de me socar com o braço bom. Sentei-o sobre a cama a contragosto. Me sentei no chão ficando na sua frente, peguei o celular no bolso da minha calça, nele vasculhei os contatos, quando encontrei aquele que procurava coloquei pra chamar.

Natan começou a gritar, mas eu o ignorei.

— Alô é da pizzaria? — perguntei e uma mulher respondeu que sim. — Ótimo. Quero uma pizza tamanho família pra tele-entrega!

— Que sabores, senhor?

— Só um momento. — tirei o celular do ouvido e voltei minha atenção para a criatura rubra de ódio sentada na cama. — Que sabor você quer?

— Pro infer-!! — Tampei a boca dele.

— Calabresa, frango e alho e óleo. — respondi para a atendente.

— Mais alguma coisa?

— Sim e uma Coca-Cola.

— Endereço? — dei o endereço. — Certo, estaremos enviando nosso motoboy em menos de trinta minutos.

Desliguei.

Natan ainda me olhava com aquela áurea assassina em volta de si. Estalei meus lábios chateado. Peguei meu cigarro pra tentar relaxar um pouco.

— Ei, não pode fumar aqui. — ele disparou apontando pro meu cigarro. Encarei-o com os olhos arregalados surpreso com aquilo. Voltei a guardar o cigarro.

Bufei e encarei seu rosto ainda rubro e cheio de sardas.

Porra, até nessas horas consigo achá-lo fofo.

Corri meus olhos pelo corpo pequeno e bombadinho. Que desgraça. Fui me apaixonar logo por um macho metido.

E muito macho por sinal.

— A gente precisa conversar. — falei. Ele me olhou franzindo a testa desconfiado. — Não me olhe com essa cara.

Deu os ombros.

— Do jeito que 'tá não dá pra continuar. — comecei sendo imediatamente interrompido.

— STOP! — exclamou. — Pode parando aí mesmo. Nem vem usar esse tom como se a gente estivesse no meio de uma DR.

Rodei os olhos.

— Estamos tendo uma DR, você querendo ou não. — falei. Seu rosto inteiro enrubesceu bruscamente, mas ele não falou nada e assim prossegui: — Será que a gente pode tentar se dar um pouco melhor? — perguntei.

— Mas eu te odeio! Como fazer isso? É impossível.

Parecia que tinha levado um soco na boca do estômago. Eu também tenho sentimentos, sabia?

— Me ature! — falei seco. Ele me olhou com cara de idiota. Suspirei e me logo tratei de me corrigir. — Quer dizer... Não é bem isso.

Cocei a cabeça procurando um jeito de convencê-lo a ser um pouco mais... Delicado comigo.

— Como você diz que me odeia com tanta convicção se nem me conhece direito? — perguntei.

— Você roubou minha mina! — apontou usando um tom de acusação.

Agora quem ficou com cara de idiota fui eu.

— De novo isso? — ele virou o rosto e fez um enorme bico. — Quantas vezes vou ter que repetir que eu e a Marcela não temos nada

Silêncio.

— Esquece essa garota, ela é encrenca. Vai por mim!

— Não fale assim dela. Você não tem moral pra falar dela! — Apontou o dedo na minha cara.

— Falo como eu bem entender! — E novamente me via alterando meu tom de voz. — 'Tá, esquece a Marcela só agora. — na verdade eu prefiro que esqueça totalmente. — Então, vamos tentar se dar bem. Sabe, pode não parecer, mas eu sou um cara bacana...

— Realmente não parece. — resmungou com o rosto virado.

Ignorei.

— Gostaria que você conhecesse meu outro lado. Eu juro que não vou fazer nada que te deixe irritado.

Ele voltou a me encarar e hesitou um pouco.

— Jura? — Perguntou e eu assenti. — 'Tá bem.

— Vamos nos dar bem? — Estendi minha mão, ele olhou com desgosto, mas no fim apertou.

Ouvimos a voz de sua irmã um tempo depois no lado de fora da porta avisando que a pizza tinha chego.

(#)

Sentamos na cozinha pra comer. Convidei as meninas para se juntar a nós, elas pareciam legais, principalmente a irmã do anão.

— Então, de onde você surgiu, eu nunca te vi aqui antes?!

— D-do colégio. — respondeu Natan com um sorriso amarelo.

— Mesmo? — insistiu ela desconfiada olhando de um pro outro, analisando nossas reações.

— Sim. — Ele afirmou ficando nervoso.

Priscila continuou nos encarando com o mesmo olhar desconfiado.

De repente um sorriso estranho se desenhou no canto da boca dela. Não sei porquê, mas fiquei intimidado com aquele sorriso. Mulheres me assustam. Elas possuem um estranho poder de vidência. Marcela é uma, tudo que aquela retardada prevê, acontece.

Pablo vive dizendo que ela possui um tal do gaydar dentro dela, todo cara misterioso é gay, segundo ela. E o pior é que sempre acerta em suas suposições.

— Vai dormir aqui hoje? — perguntou um tempo depois sem deixar de me olhar. Natan mordia um pedaço de pizza e não percebia as olhadas da irmã.

— Vou. — respondi sério demais.

— E ele vai dormir onde Rato?

Rato?

O suposto “Rato” respondeu de boca cheia e ninguém entendeu bulhufas.

— Quê? — questionou ela sem entender o que dizia.

— No meu quarto oras, onde mais?

A irmã ergueu uma sobrancelha e sorriu maliciosamente e só eu vi aquele sorriso. Droga, minha cara 'tá ardendo, não acredito que estou corado na frente dela.

Porra com certeza fui descoberto.

— Hm... — Ela resmungou divertindo-se com o meu desconforto. Mas não tardou a voltar a comer sua pizza. Ok, retiro o que disse ela só parece ser legal. Só parece!

A outra menina me olhava com estranheza.

— Não sei porque, mas acho que te conheço de algum lugar... — disse ela com os cotovelos apoiados na mesa.

Não sei se ela era loura ou morena, pois tinha o cabelo raspado nas laterais e um enorme e espetado moicano tingido de verde no meio da cabeça. Tinha uma porção de piercings.

'Tá uma porção é exagero. Tinha dois no queixo, um no nariz e outro na sobrancelha, ah e tinha na língua também. Era toda tatuada e se chama Debora.

Dei os ombros.

— Você deve frequentar lugares que costumo ir. — falei. — ou talvez conheça minha banda Bitch please!

Ela arregalou os olhos.

— Porra sabia que te conhecia, então é isso. Puta que pariu, haha. Não acredito você é do Bitch Please?

— Você tem uma banda? — perguntou Natan mordendo um pedaço de pizza.

Assenti.

— 'Véi, já vi vocês tocarem. É legal o som de vocês, curti.

Ela comentou cheia de empolgação.

— Valeu. — ri de canto.

— Você tem mesmo uma banda? — ele perguntou novamente parecendo impressionado.

— Tenho. Não é grande coisa. — bebi um gole da coca do copo dele. Era um beijo indireto e ao contrário do que pensei ele não se irritou.

Recebi um cutucão na canela e sabia de onde vinha. Olhei para a irmã com tédio e ela riu com malícia.

Droga essa mulher vai ficar me enchendo o saco pelo resto da vida?

— Uau! — ele exclamou atraindo nossas atenções. — E o que você toca?

Fiquei um pouco curioso, surpreso também com aquela reação. Por outro lado não consegui controlar a imensa felicidade que se apossava de mim por estar sendo o centro de sua atenção naquele momento.

— Guitarra. — respondi ainda surpreso com seus olhos brilhantes me olhando.

Droga vai ser fofo assim lá no inferno!

— Nossa que foda. Porque nunca me disse?

Porra acho que estou corando agora mesmo.

— Por que... ? Ah sei lá, apenas não tive a oportunidade.

Recebi outro cutucão na canela, fuzilei a mulher ruiva.

— Será que dá pra parar de chutar minha canela?!! — Berrei.

Natan puxou a barra da minha camisa, voltei a encará-lo.

— Um dia você me leva pra ver uma apresentação sua?

Não. Eu queria dizer. Sei lá, eu ia morrer de vergonha, mano'.

— L-levo. Porque não?

Seu sorriso fez minha cara inteira queimar.

(#)

Depois da pizza, Priscila colocou um filme de terror O grito. Fiquei com a impressão de que o filme foi uma desculpa esfarrapada para que assistíssemos as duas se comerem em cima do sofá.

Natan olhava de boca aberta a cena. Boladão.

Enquanto eu apenas assistia ao filme, podia até não ser lá as grandes coisas, mas era melhor que ver aquelas duas daquele jeito. Não era saudável. Principalmente quando eu tinha aquele anão pavio curto do meu lado.

Sério mano, a carne é fraca eu podia cometer um crime, portanto, era recomendável apenas assistir o filme.

Porém nem terminamos de ver o filme inteiro. Natan me puxou pelo braço e nós voltamos para o seu quarto.

(#)

Vai parecer muito idiota o que vou dizer agora. Mas nunca imaginei que um dia estaria escovando os dentes junto com esse anão pavio curto e principalmente no banheiro da casa dele. Ainda é difícil de acreditar.

Na hora de dormir Natan me indicou os lugares onde podia encontrar o que era preciso para fazer uma cama no chão. Depois arrumei a cama dele.

Ele foi o primeiro a deitar.

Apaguei a luz, mas fiquei um tempo parado em pé olhando como um idiota para o corpo pequeno e coberto pelos lençóis na cama.

Sorri.

Que porra de felicidade é essa? 'Tô me sentindo o maior idiota da face da terra.

Retirei minha camisa e deitei na cama feita no chão, ele estava virado para a parede, ou seja, de costas para mim. O silêncio me incomodava, estava sem sono. A felicidade era tão grande que não queria dormir naquela hora.

Deitei cruzando os braços atrás da cabeça, ficando de barriga pra cima.

— Ei, Nat?! — chamei encarando o teto.

— Não me chame assim. Não te dei intimidade. — resmungou com chateação.

Ignorei.

— O que vamos fazer amanhã? — perguntei.

— Você, eu não sei. Mas eu vou na casa do Matheus jogar vídeo game.

— Ah é mesmo? — questionei, aquilo me chateou.

— É. — respondeu.

— 'Hm... Eu vou junto então.

— QUÊ? — ele olhou sobre ombro. — Mas eu não te convidei. — dei os ombros.

— Azar, eu vou igual.

Ele se calou depois. Acho que já sabe que não adianta discutir comigo. Eu sempre faço o que quero.

O silêncio se fez presente outra vez entre nós.

— Gostou da pizza? — perguntei por falta de assunto.

— Hm... É até que era boa.

— É né? — ri. Ele se remexeu na cama.

— Do que você 'tá rindo? Não foi você quem fez!

Dei os ombros, novamente houve um pequeno intervalo de silêncio entre nós. Era incômodo pois eu queria ouvir mais sua voz.

— Que tipo de música sua banda toca? — fiquei surpreso pelo fato de ele ter puxado assunto.

— Punk. — respondi sem rodeios. Ele riu e eu gostei daquilo.

— Sabia! Quem é o vocal? — interressou-se;

— Ah você não conhece.

— Hm...

Silêncio outra vez.

— Onde estão seus pais?— perguntei.

— Ah porra, vai dormir. Coisa chata!

— Não quero. — respondi sem me abalar. Achei até engraçado.

— Estão viajando, eles sempre somem nos fins de semana.

— E você não sente falta deles?

— Sinto, mas fazer o que?!

Deu de ombros.

Depois disso não dissemos mais nada. Um tempo passou, fiquei olhando para o teto, pensando que ele tivesse dormido.

Acabei tendo uma ideia e sorri no escuro. Era arriscado, mas dane-se eu queria fazer aquilo.

Me levantei, andando meio débil. Virei pra sua cama e me joguei sobre seu corpo.

— Mas qu-? Ei, Miguel o que 'tá fazendo, infeliz?

Não respondi, não podia fazer se não a brincadeira não teria graça.

— Miguel! — chamou de novo. — Miguel? — ele se moveu virando para me encarar, fechei os olhos imediatamente. — Ai Deus, não diga que esse imbecil é sonâmbulo?

Ele se ergueu com dificuldade, me cutucou com o braço bom.

— Ei punk. Acorde! — deu tapinhas no meu rosto. — Porra!! Ele não acorda.

Me levantei ainda de olhos fechados e comecei a rodar pelo quarto.

Ele se levantou notando que "meu corpo" estava querendo sair do quarto. Mas não chegou a tempo de me impedir.

No corredor ele mancava e puxava minha camisa, murmurava meu nome com desespero, pedindo para que voltasse para o quarto.

Continuei caminhando até o final do corredor, ele se postou na minha frente e seu perfume impregnou minhas narinas.

Supostamente hipnotizado prensei seu corpo contra a parede.

— Porra 'véi, agora a porra ficou séria! — choramingou. — Ei, maldito acorda!

Queria demais rir. Postei uma de minhas pernas no meio das suas, escorri minhas narinas no seu pescoço aspirando sua essência e... Cara, eu precisava acrescentar algo que deixasse ele puto da vida.

— Nanda. — sussurrei morrendo de vontade rir.

Não faço ideia de quem seja Nanda na verdade.

— Que Nanda o que?! Ei! Onde pensa que vai enfiar essa mão, filho da put-!

Apalpei seu traseiro. Porra e não é que ali tinha bastante carne?!

Ah droga isso tá ficando perigoso. Mas tá bom!! E eu não quero parar agora.

Ainda de olhos fechados. Fechei meus dedos nos fios do moicano e enfiei minha língua para dentro de sua boca.

Natan empurrava meu peito com a mão boa, tentava em vão virar o rosto. Ofegava dentro do beijo, reclamava e suplicava para que eu parasse com aquilo. Aquela suplica sussurrada parecia um convite tentador. Instigava minhas vontades.

Droga, eu tô' com um tesão filho da puta no meio das pernas.

O beijo durou uma eternidade. Matei ele no cansaço, tanto a ponto de estar me correspondendo sem que realmente quisesse fazer.

Quando desfiz o contato, soltei ele a contragosto. Cambaleando, voltei para o quarto e ainda fingindo deitei na cama de qualquer jeito. Por último virei para o lado.

Ele apareceu alguns minutos depois. Ficou em pé na frente da porta aberta, estático, ofegante e me olhando.

Eu via tudo o que fazia, pois estava espiando. Ele arregalou os olhos e correu mancando para o banheiro.

Quando ouvi o barulho da porta sendo fechada, me sentei na cama com os olhos abertos em dobro de tamanho e um sorriso besta na boca.

Ele...! Porra, ele ficou duro?!

— Só com aquilo?!



Notas finais
Feliz sexta feira santa. Muitos peixes e chocolates para vocês. Beijão.