Delirious

1 01. Beijo com gostinho de cigarro e vodka.


Notas iniciais
Boa leitura.

Capítulo 01. Beijo com gostinho de cigarro e vodka.

Narrado por Natan:

Como aquilo foi acontecer? Ah, cara, eu não acredito que aquilo aconteceu justo comigo. Alguém, por favor, me mate?! Tem alguém aí querendo me matar, hein?! Eu aceito numa boa.

Ele me beijou! Aquele punk filho da puta me beijou e foi na frente de metade da escola, inclusive da garota que eu gosto desde que me conheço por gente. Fracamente, o que ele tem na cabeça, merda no lugar do cérebro? Ou será que comeu “merda” no café da manhã daquele dia? Porra, eu senti a língua nojenta dele adentrar minha boca e aquele gosto de cigarro misturado com bebida. Quis morrer, sinceramente eu quis morrer. Quis muito!

Imagino o que você, caro leitor, deve estar pensando agora, provavelmente é: “que dramalhão!" não é mesmo? Mas não lhe culpo por pensar assim, afinal não era você que estava lá, sendo beijado pelo cara que é considerado pelo colégio como “o punk louco”. Ah, bem na verdade a culpa é um pouco minha, confesso... Afinal eu que comecei tudo, mas oras, ele roubou minha mina, então... tava pedindo por uns petelecos bem dados.

Aquele era pra ser o dia mais feliz da minha vida, eu parecia uma biba feliz e saltitante, tamanha era a alegria, pois finalmente tinha tomado coragem de me declarar para a garota que amava.

Joguei um aviãozinho de papel pra ela durante a aula de sociologia escrito: “Me encontre atrás do bar no intervalo.” Daí soou o sinal pro recreio e eu fui com toda a coragem que tinha para o lugar marcado. Fui com as pernas tremendo, com o coração dando trancos fortes no peito e me declarei. Disse tudo que sentia por ela desde a primeira série, disse que queria convidá-la pra sair e tudo o mais.

E adivinhem?

Fui rejeitado!

Nossa, que novidade! Ela se chama Marcela Freitas, lindinha, loura de olhos verdes e cabelos encaracolados. Oh, nina hermosa essa. Ok, parei! Eu pareço feliz pra quem levou um fora, não é mesmo? Pois é, mas na hora eu fiquei muito mal, meu mundo tinha definitivamente acabado e tudo só piorou quando ela disse que gostava de outra pessoa... E que o sentimento era recíproco e etc. Até aí tudo bem, porém quando citou o nome do dono do seu coração... o maldito Miguel Dorneles... O bicho pegou! Ah, véi, me emputeci, não quis ouvir nem uma palavra a mais, simplesmente lhe dei as costas saindo a passadas largas.

Durante o caminho, sem querer, esbarrei em alguém que vinha conversando amistosamente com uma dupla de caras, e que destino filho da puta este, viu? Porque logo a pessoa em que esbarrei tinha que ser Miguel Dorneles?

Porque meu Deus? Por quê?!

Ele era a última pessoa na face da terra que eu queria ver. Quando nossos olhares se encontraram, fui consumido pela raiva e pelo ciúme, perdi a cabeça e agarrei o desgraçado pelo colarinho. De início não falei nada apenas rosnava igual um tigre furioso, enquanto ele me encarava com aqueles grandes olhos verdes confusos. A comoção dos outros estudantes foi geral, uma roda se formou em volta de nós, incentivando a briga, fiquei alarmado com a falação deles e afrouxei o agarro quase o soltando sem me dar conta disso.

O maldito filho do satã notou minha distração e se aproveitou da minha fraqueza, riu pelo nariz... E só eu, o idiota, que não percebi suas intenções, só fui me dar conta quando senti suas mãos nas laterais do meu rosto e em seguida a língua dentro da minha boca.

Oh, Deus... aquilo durou uma eternidade.

Fiquei estático na hora, não conseguia reagir, só "acordei" com os gritinhos histéricos das meninas. Desfiz o contato bruscamente e acertei em cheio seu rosto com um soco, depois saí de lá correndo, sem olhar para trás. E foi assim que tudo aconteceu.

Agora eu corro feito um retardado mental, querendo o quanto antes chegar em casa. E quando chegar vou lavar minha boca com sabão, esfregar bem! Vai saber o que aquele desgraçado andou fazendo com aquela boca.

Ah, não quero ir a aula amanhã... Sinceramente acho que não vou não.