Delicate Sound of The Thunder
2 Se Você Soubesse
Adora estava caminhando pela floresta. Dia radiante, tudo calmo, tudo perfeito. Ela contemplava a natureza e olhava de longe o castelo de Bright Moon. Eram tempos de paz aqueles. Adora foi ate a beira do rio, passou a mão pela água cristalina e depois se levantou. Voltou a caminha pela floresta lá estava Swift Wind fazendo várias poses enquanto conversava com outras princesas. Todos estavam sorrindo e conversando. Depois de caminhar um pouco, Adora encontrou alguém familiar. Essa pessoa estava na árvore, sentada em um galho. Era Catra.
— Bom dia Catra.- Adora acenava. – Achei que estivesse no castelo.
— Eu estava, mas prefiro ficar por aqui.
— Entendo. Bom, você vai ficar ai em cima o dia todo ou eu tenho que ir te buscar? – Adora deu um sorriso malicioso.
— Não vou impedir você de tentar. – E deu uma piscadela.
— Desce logo. – Ela riu. – Por favor.
— Ta bom então. – Catra desceu da árvore e se aproximou de Adora. – E então? O que faremos agora?
— Que tal darmos uma volta? O dia ta bonito.
— Por mim tudo bem.
Elas sorriram e começaram a caminhar. De vez em quando comentando as coisas que viam na floresta, ou falando sobre como tudo estava diferente. Conversando como tudo estava normal. Depois de caminharem um pouco elas se deitaram no chão, olhando o azul do céu, poucas nuvens. Agora elas estavam de mãos dadas, sorrindo, rindo um pouco.
— Eu sempre quis que esse momento acontecesse, Catra. Não sei expressar o quanto eu estou feliz. –
— Faço das suas palavras as minhas. É bom estar aqui, de verdade. – Elas sorriram.
— Fico feliz em saber! – Disse Adora com muito entusiasmo. – Quero que você esteja sempre aqui. Catra?
Adora se virou e Catra tinha sumido. Tudo estava em silêncio. Ela saiu correndo floresta adentro e as princesas, incluindo Swift Wind, também tinham desaparecido. Adora começou a gritar o nome de todos enquanto corria. Começou a chorar quando parou de gritar ate que, de repente, o chão começou a tremer e a rachar. Ela caiu em um buraco no chão e foi caindo. Acabara de acordar e Glimmer estava ao seu lado, segurando sua mão. Sentia o coração bastante agitado e a respiração pesada. Um maldito pesadelo.
— Adora você está bem? Eu estava passando e ouvi gritos, corri pro seu quarto!
— Um pesadelo, apenas um pesadelo. – Glimmer a abraçou. – Tudo parecia bem no ínicio e, do nada, do nada, as coisas começaram a desandar.
— Como foi o pesadelo? Me conta!
Adora então abraçou Glimmer e começou contar como foi, detalhe por detalhe. Glimmer ficou meio tensa com o desfecho.
— Nossa. Eu ficaria numa agonia enorme se estivesse nesse sonho.
— E como eu estou? Acordei muito assustada mesmo com você aqui, segurando a minha mão. Mas o seu abraço me acalmou mais. Obrigado Glimmer.
— Estarei sempre aqui. Afinal posso me teleportar. – Elas riram um pouco.- A Catra ainda mexe muito com você?
— Bastante. Eu tento evitar mas... É difícil. O que eu faço Glimmer?
— Você não pode deixar isso te consumir ou tomar conta de você. – Glimmer sentou na cama ao lado de Adora.- Esse sonho que você teve pode se repetir, eu acho.
— Será que eu vou ter outro sonho assim? Queria saber o que isso pode significar pra mim.
— Os seus sentimentos ainda estão feridos em relação a ela. Vocês cresceram juntas, treinaram, e lutaram juntas. Esse rompimento não está sendo fácil.
— Verdade. Sabe, a Catra, quando eu a conheci, ela era muito assustada e tensa sabe. Sempre evitando contato e sendo um pouco arisca. Acho que eu fui à única pessoa que conseguiu se aproximar direito dela. Mesmo até antes de eu vir pra Bright Moon, ela sempre foi de ter poucos amigos.
— E sempre foi durona com todo mundo?
— Também, mas comigo ela era diferente sabe. – Adora estava sorrindo.- Acho que de certa forma eu a acalmava ou fazia ela se sentir bem. Ela parece alimentar um ódio esses tempos. Ainda deve achar que eu a traí ou algo do tipo.
— Mas não foi isso!
— Eu sei, Glimmer. Mas ela é teimosa e cabeça dura. A Catra não quis me escutar sempre que eu tentei explicar como eu vim parar aqui.
— Ela acha que você a abandonou, correto?
— Sim, e que eu a traí. – Adora suspirou pesadamente e apertou os joelhos enquanto encarava o chão. – Mas eu não a traí, eu não traí a Catra!
— Eu sei que não! Mantenha a calma, por favor. – Glimmer foi se aproximando, ficando agachada em frente a Adora. – Ela também está passando por momentos difíceis.
— Está? – Ela levantou a cabeça e encarou a amiga.
— Sim. Do mesmo jeito que você está sofrendo, ela também está. Vocês sempre foram amigas desde que se entendem por gente.
— Bem, mesmo que tanto eu como ela, sejamos órfãs, ela sempre se sentiu mais sozinha do que qualquer outra pessoa que já encontramos. Ela é realmente um gatinho assustado. – riu-se Adora lembrando um pouco do passado. – Até o fato dela ser meio brava e durona me fazem achar isso.
— Você ter deixado ela, causou uma ferida enorme nela. Não vai sarar agora. Ter meio que “perdido” você pra quem ela chama de inimigos, foi a gota d’água.
— Realmente. Eu não tinha pensado nisso. Digo, até cheguei a pensar, mas não fui tão afundo. Obrigado, Glimmer. – Elas se abraçaram por um breve momento.
— Eu sou sua amiga, estarei aqui. Conte comigo sempre.
— Digo o mesmo. Bom, é melhor irmos dormir. Me sinto melhor agora.
— Fico feliz em ouvir isso! Bom, até amanhã.
De volta à cama, Adora ficou abraçada no travesseiro. Pensativa. Recordando de alguns momentos, um dele bem especial. Lembrar dele fazia o seu coração disparar e dar o mais sincero dos sorrisos. Era uma das coisas que fazia essa relação com Catra ter sido tão especial apesar de não estarem mais próximas uma da outra.
“Se eu fosse uma flor crescendo selvagem e livre
Tudo que eu gostaria é que você fosse minha doce abelha
E se eu fosse uma árvore crescendo verde e alta
Tudo que eu gostaria é que você fosse minhas folhas para fazer sombra”
All I Want is You – Barry Louis Polisar
Catra e Adora estavam jogando conversa fora após o treino. Os demais já tinham ido embora. O papo era sobre quem “venceu” quem durante aquele treinamento. O assunto já vinha gerando pequenas apostas e muitas risadas.
— E como eu ia dizendo, é claro que eu sou a mais ágil e habilidosa aqui. – Catra tinha um sorriso radiante, e fazia uma pose com as mãos na cintura. – Concordam?
— Você até pode ser a mais ágil – disse um deles. – , mas, a Adora é a mais habilidosa.
— Quê? Ta ficando maluco garoto? – Adora e alguns caíram na gargalhada.
— Calma Catra, calma. É só uma conversa boba. Todos nós aqui reconhecemos as habilidades uns dos outros, não é gente? – todos falaram em uníssono “sim”. – Isso não é uma competição.
— Deixa de ser sem graça. Se eu quiser competir com você, tenho certeza que vai topar. – A expressão de Catra era maliciosa. – Não vai?
— Eu toparia pelo desafio. O que você tem em mente?
— Correr pela base. Ganha a mais rápida, topa?
— Bom, — e Adora foi se aproximando. – por mim tudo bem.
— E o que o vencedor leva?
— Tanto faz, o que ele quiser. Mas sem exageros.
— Certo!
Então elas começaram a correr pela base. Era uma disputa incrível, mesmo sendo de brincadeira. Cada uma usando suas habilidades pra cruzar a base correndo e tentando passar a outra. Alguns minutos depois elas estavam bem emparelhadas, por muito pouco uma conseguia ir mais adiante, mas depois, ficava para trás. Pouco tempo depois pararam em alguma sala enorme e, Catra acabou vencendo. Agora estavam ambas ofegantes. Adora deitada e Catra sentada.
— Haja fôlego, nunca pensei que eu conseguiria correr tanto. – Adora olhava pro teto só com um dos olhos abertos. – A sua velocidade é algo absurdo.
— Eu te disse. Foi divertido no final das contas.
— Foi mesmo, e eu não quero me levantar daqui tão cedo.
— Nem pra me dar o meu prêmio? Não esqueça hein. – Catra arqueava as sobrancelha. – Ou vai amarelar?
— Ta bom, ta bom. – Adora se levantou um pouco e ficou sentada ao lado de Catra. – Que prêmio eu poderia lhe oferecer ó grande vencedora?
— Você disse algo não exagerado. Deixe me ver.
— Tem isso também, sem exageros.
— Pode ser qualquer coisa? Tipo mesmo? Mas algo bem simples, digo.
— Sim, isso mesmo. Algo desse tipo – por um momento desviou o olhar enquanto pensava a respeito, que fora surpreendida. Catra se aproximou sorrateiramente e lhe deu um Selinho. – Oi?
Tudo pareceu ter ficado mais devagar, ou que tinha parado, elas não tinham certeza. Ficaram se encarando, ouvindo o coração bater rápido e com o rosto meio vermelho e quente. O que acabou de acontecer?
— Você disse sem exageros. Pois bem. – Catra gaguejou um pouco e foi se levantando. – Temos que voltar. Vai ficar ai sentada o dia todo?
— Eu, quero dizer. – era como se ela tivesse levado um choque que a deixou paralisada, mas conseguiu reunir forças para se levantar. – Vamos logo. Ou você vai ficar para trás!
Elas saíram correndo em silêncio. Apesar de ter sido algo bem inesperado, aquilo deixou algo em seus corações, e em suas mentes. Aquilo jamais iria sumir de suas memórias.
Algum tempo depois, Adora se viu abraçada bem forte no travesseiro enquanto se recordava desse dia na Fright Zone. Era uma de suas melhores memórias.
— Espero que lembrar disso me ajude a dormir.
“E vou me arrepender por agora
Que não pude estar por perto
Às vezes as coisas se recusam
A seguir o caminho que planejamos
Oh, vou me arrepender por agora
Que não pude estar por perto
Haverá um dia
Que você vai entender
Você vai entender”
Sorry For Now – Linkin Park
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