Notas iniciais
Ainda está sujeito a correções ninjas, na surdina, na calada da noite. APROVEITEM~

Noite de chuva e céu sem lua. Tudo nublado. Apesar disso, tanto a Horda quanto a Rebelião, seguiam lutando quase que diariamente. Todos estavam lutando naquele dia. Alguns separados, outros juntos, seja em trio ou em dupla. Bow e Swift Wind formaram uma boa dupla fazendo ataques aéreos em tropas da Horda. Pela costa, Sea Hawk, Mermista e Frosta derrotaram vários soldados inimigos, e também alguns robôs feitos por Entrapta. A noite ainda estava bem longe de terminar. Seria uma tarefa branda para todos eles.

Enquanto isso, Adora estava em uma cidade próxima ao castelo de Bright Moon. Aquela cidade vinha sendo atacada várias vezes no decorrer do mês e já não tinha como se defender sozinha. Se ela fosse tomada, seria um excelente ponto estratégico para Hordak. Ficando praticamente do lado do inimigo.

— Ele não larga o osso mesmo. Temos que deixar a cidade segura para que ele, e as suas tropas, e robôs, jamais retornem!

Era incrível ver Adora na forma de She-Ra. Lutando como se não houvesse amanhã. Alguns ficavam intimidados, outros não. E os que não se intimidaram até que deram um pouco de trabalho. Bow e Swift Wind haviam chegado para dar suporte, eles tinham conseguido, com muito êxito, expulsar a Horda da floresta.

— Eu odeio não odiar a Entrapta. – Bow parecia feliz e frustrado ao mesmo tempo.

— Por que? Não entendo o que quer dizer. – riu-se Swift Wind.

— Pensa comigo. Ela criou robôs praticamente indestrutíveis, mas, com o jeito certo, nós podemos derrotar e até destruir eles.

— Ta, mas e a outra parte?

— Ela agora faz parte do time inimigo.

— Posto dessa forma tenho que concordar.

— Eu também acho isso. – disse Adora enquanto acabava de defletir o tiro de um soldado. – Vamos pessoal, temos que nos separar. Vocês dois vão até o centro da cidade. Eu cuido dessa parte. Entenderam?

— Você é quem manda! – ambos falaram ao mesmo tempo. E saíram voando em direção ao centro da cidade.

She-Ra (Adora) saiu cidade adentro lutando com todos que encontrava, incluindo os robôs. Os que tinham se acovardado tinham retornado, e com mais “amigos” para entrar na luta. Isso não a intimidou. Estava mesmo determinada. Quando se deu conta, estava um pouco longe de onde encontrou Bow e Swift Wind. A cada inimigo derrotado ela ajudava algum morador da cidade, sempre pedindo para que se escondessem. Andou mais um pouco e já estava quase fora da cidade. O clima era de vitória para ela. Ela se virou e contemplou a cidade, que já estava se vendo livre das garras de Hordak.

— Agora as coisas ficarão tranqüilas aqui por um tempo. – enquanto falava, saiu da forma de She-Ra. – Preciso encontrar aqueles dois logo.

— Olha só o que o gato trouxe.

Adora se virou olhando em direção a floresta e não viu ninguém. Apenas ouviu uma voz familiar, familiar até demais.

—Quem está aí?! – agora estava de espada em punho. – Vamos apareça!

— Não seja dramática. – e da escuridão dois olhos apareceram, um de cada cor. E, aos poucos, saindo das sombras, era Catra. – Te assustei?

— Até parece. – Catra se aproximou um pouco e não continuou ao ver a postura de Adora com a espada na mão. – O que faz aqui?

— Pilhar, saquear e destruir. O de sempre.

— Eu não esperava te encontrar, não hoje, e nem aqui.

— E aqui estamos. Você – e ela encarava as próprias unhas enquanto falava. – veio sozinha aqui ou com alguns daqueles seus novos amigos?

— Vim sozinha. Mas depois eu tive companhia, e demos cabo da situação.

— Estou vendo. – Catra abria bem as mãos, como que fazendo um gesto irônico. – E estão fazendo um ótimo trabalho. Bem, vamos ficar aqui paradas e conversando amistosamente ou o quê?

— Quer brigar? Se for, pode vir, com ou sem isto – e ela apontava a espada de She-Ra em direção a Catra. – não tenho medo de lutar contra você. Mesmo que...

— O quê? Termina a frase vai. – e ela foi se aproximando devagar.

— Mesmo que tenhamos estado do mesmo lado. Eu lutaria contra você se precisasse, e eu tenho feito isso!

— Então por que exitou por um momento? – abria um sorriso cínico ao dizer isso. – Hein Adora? Tem algo incomodando você?

— O quê? NÃO! – Adora segurava com mais firmeza a espada, fechando um pouco os olhos com força, sacudindo a cabeça. – Você não vai me abalar com essa conversa. Venha e lute!

— Se é o que pretende. – Catra preparou suas garras e partiu pra cima e, enquanto se defendia usando a espada, Adora se transformou em She-Ra mais uma vez.

Elas lutaram ali na saída da cidade e foram floresta adentro. Pulando em árvores, lutando no chão, quase lutando no ar quando saltavam e se golpeavam ao mesmo tempo. Catra, em alguns momentos, conseguiu surpreender Adora quando esta a golpeava, e ela ficava fora de sua vista por uns instantes. Mas esta estratégia não durou muito. Estavam bem sérias, mas, mesmo assim, algo ainda as incomodava durante o confronto. O tempo foi passando e Adora começou a pressionar mais Catra, e, aos poucos, ela ia recuando mais e mais. A vitória de Adora estava próxima.

— Até quando vamos lutar, Catra? – e ela ia abaixando a espada. – Me dói muito por dentro passar por isso, mas eu quero saber. Ainda vamos ter que lutar uma contra a outra?

— E temos escolha? – Catra estava ofegante encostava em uma árvore. – Afinal de contas, estamos em times diferentes se me lembro bem.

— Mas não tem que ser assim. – o olhar de Adora era triste, por muito pouco lágrimas não brotaram. – Você sabe que não precisa ser assim.

— Sei? Eu sei? Quem foi que me traiu e fugiu pro covil do inimigo? Ah é – ela deu um longo suspiro. -, foi você.

— Não distorça as coisas, Catra.

— Distorcer? Me poupe. Achei que éramos amigas, aliadas. Desde que você foi pro lado dessas princesas, e essas coisas com a She-Ra, eu tenho minhas dúvidas.

— Dúvidas sobre o quê?

— Acho que não era pra ser, sabe. – Catra estava se abraçando e abaixando um pouco a cabeça. – Sempre achei que era outra coisa.

— Do que você está falando?

— Da nossa amizade, oras. Pensei que estaríamos sempre juntas, lutando, treinando, rindo.

— Eu também achava isso. Também queria que você estivesse ao meu lado agora, queria mesmo. – Adora voltou a sua forma normal e Catra agora a encarava.

— Os nossos destinos se cruzam e nos separam.

— Catra... – Adora se aproximou. – Espero que me entenda um dia.

— Entender? Entender o quê exatamente? – mesmo estando as duas bem próximas, Catra não fez nenhum movimento brusco.

— Entender os meus motivos. Mesmo que seja o nosso destino ou não, quem iria adivinhar a situação atual?

— É, talvez.

— Eu quero muito você ao meu lado, por favor. – Adora colocou a mão sobre o ombro de Catra. – São tempos difíceis para todos nós.

— O que quer que eu faça? Abandonar a Horda e se juntar a você e as princesas?

— Seria um começo pra falar a verdade, e um ótimo começo.

— Ah por favor. – ela desviou o olhar, e ao fazer isso, sentiu a outra mão de Adora tocar a sua bochecha direta. – Adora? – elas agora estavam se encarando profundamente.

— Eu nunca irei te abandonar, eu prometo. – as lágrimas que ela tanto relutou para segurar finalmente desabaram.

— Adora eu... – não conseguiu terminar a frase tudo que viu foi Adora aproximar o rosto e lhe dar um beijo bem longo.

Que sensação era essa? Boa, maravilhosa, e até fazia a menina felina ter algumas lembranças. Não tinha como elas duas descreverem aquele momento, não havia tempo nem espaço para elas ali na sombra da árvore.

— Me perdoa por não estar mais com você, me perdoa. – sorriso e lágrimas estampavam o rosto de Adora. – Você não é a única que está sofrendo.

— Eu, bem. Me deixa em paz garota! – Catra a empurrou e saltou pra árvore. Ficou encarando Adora por um momento e sumiu nas sombras. Apesar de ter saído às pressas, ela não conseguiu esconder que também estava chorando durante aquele momento.

Adora correu de volta pra cidade, Bow e Swift Wind estavam se preparando para voltar. Algumas perguntas foram feitas. Ela contou que foi até fora da cidade lutando contra vários soldados do Hordak, e que alguns robôs deram trabalho. Mencionou que viu Catra, mas omitiu algumas coisas do encontro.

— Então ela estava na cidade? – indagou Swift Wind.

— Sim, só a encontrei quando já estava na floresta. Mal nos falamos e trocamos alguns olhares. Sabe como é, ela é um pouco marrenta.

— Um pouco? Adora, eu sei que ela já foi sua amiga, mas não precisa ser gentil. Ela é perigosa. – Bow parecia meio tenso. – Aconteceu mais alguma coisa?

— Nada, não aconteceu nada. Falamos bem rápido e ela sumiu nas sombras da noite.

— Certo. Bem, é hora de irmos.

No caminho pra casa Adora ficou absorta em seus pensamentos. Por que beijou Catra? Nem ela sabia. Mas, lá no fundo, ela gostou. Como seriam as coisas daqui pra frente ela não tinha como prever, ou imaginar. Ela mal dormiu desde que tinha retornado ao castelo.

Enquanto isso na Horda, Catra ainda estava meio atônita com tudo isso. Os seus sentimentos ainda estavam frágeis, tal qual um machucado que mal acabou de cicatrizar e ainda doía em volta. Tudo naquele momento, incluindo a cereja do bolo, o beijo de Adora, ainda fazia ela ficar passando a mão nos lábios e pensando em tudo no que elas duas passaram juntas.

“Quando esta febre vai acabar?
Acho que aguentei mais do que qualquer homem pode suportar
Me sinto um cachorrinho perdido de amor seguindo você
Oooh, e está tudo bem
Saltando de nuvem em nuvem
Sinto como se eu nunca fosse descer
E se eu dissesse que não gostei, então você saberia que menti”

Why Don’t You and I – Santana & Alex Band

Notas finais
Nem eu me aguentei escrevendo. MUITOS FEEEEEEEEEEEEEEELINGSDHASDLASJDHAS Até a próxima -Q
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!