Delicadamente Intocável
12 O Destino Não Permite Interferências
Notas iniciais
POV Scorpius
A manhã de domingo se arrastava em cada segundo interminável para mim. Desde o final do passeio que culminou em um beijo entre Rose e eu, confesso que não a vi mais. Primeiro achei que ela deveria estar cansada e pensando em como mandar todos os presentes para a família, depois quando o domingo amanheceu eu corri para o Salão Principal buscando ela, mas Rose não aparecera para o café, nem nos jardins. E agora, perto do meio dia, eu já estava ficando preocupado.
Sentei-me nos degraus que davam acesso a entrada do castelo e fiquei olhando o jardim, sem saber onde procurar, ou mesmo o que pensar.
- Oi. – Luke sentou ao meu lado e apesar do cumprimento estava silencioso demais
- O que foi? – franzi as sobrancelhas para ele, não havíamos conversado desde o dia anterior
Luke chegara tarde ao dormitório, deitou-se totalmente quieto e quando acordei esta manhã, ele já não estava na cama.
- Tenho que lhe contar uma coisa e acho que você nunca vai me perdoar por ter escondido por tanto tempo. – ele olhava a frente, mas parece que não enxergava nada
- Você está me deixando preocupado Luke! O que você aprontou? – eu me voltei totalmente para ele, o moreno suspirou e abaixou a cabeça
Ele estava cansado, como se não tivesse dormido a noite inteira. Como se um peso enorme estivesse sobre ele nesse momento. Ele era meu melhor amigo. Eu queria ajudá-lo, mas não sabia como. Eu jamais o vi assim.
- Eu não sei se devo soltar a bomba assim sobre você, ou se conto como tudo começou. – ele engoliu em seco, não me encarou ainda
- Você fez algo contra mim? – eu já estava preocupado, não pensei que ele tivesse me prejudicado, mas queria demonstrar que ele podia confiar
- Não. – ele negou com um balançar de cabeça também
- Então não tem porque ter medo da minha reação! – eu suspirei e coloquei uma mão sobre seu ombro
Então ele me encarou, seus olhos estavam escuros, quase não se via mais o verde presente neles. Ele estava angustiado, preocupado e com medo. Meu melhor amigo, aquele que sempre me protegeu de tudo e de todos, estava com medo. Eu não conseguia acreditar.
- O que você diria se eu te contasse que vou ser pai?
Ele soltou a bomba assim, sem mais nem menos. Sem um prólogo ou uma introdução. E eu acabei agindo da maneira como eu sabia que iria reagir, mas parece que ele esperava algo mais. O silêncio que se seguiu entre nós dois foi longo, ele acabou respirando profundamente e voltou a olhar para o horizonte, sem esperar mais nada. Eu olhei o chão sem saber o que falar para ele, mas de qualquer maneira, Luke sempre sabia que estaria ao seu lado em qualquer situação.
- Como isso aconteceu? – perguntei por fim
- Bom, sexo sem proteção eu acho! – ele foi irônico, não quis agir daquela maneira comigo e eu pude ver isso em seus olhos
O Luke Zabine que me fazia rir e estava sempre pronto a aprontar comigo ou me ajudar em algo, não estava ali. Agora só existia o meu melhor amigo adulto.
- Você nunca cometeu um deslize assim antes! – eu soltei o ar que eu praticamente prendia desde que ele me contara – Você sempre se cuidou!
- É claro! Até deixar o sentimento falar mais alto que a razão! – ele soltou o ar também, pareceu mais calmo – Você vai me matar quando eu contar tudo!
- Talvez você não precise me contar tudo! – eu disse de modo paciente, ele me encarou, confuso – Eu sempre vou estar aqui, não vou? – dei de ombros
Luke sorriu, sincero e acenou agradecendo em silêncio.
- O que você vai fazer agora? – eu olhei a frente, assim como ele estava fazendo
- Vou ficar ao lado dela! Ela está com medo, mais do que eu até. Não vou deixá-la! – ele deu de ombros – Apesar da hora ser imprópria, não consigo ver meu filho como se fosse um erro ou uma fatalidade do destino! Eu quero tê-lo, Scorpius. Quero ter meu filho comigo um dia.
- Você gosta da mãe dele? – eu compreendia tudo o que ele me dizia, só uma coisa não me entrava na cabeça
- Eu acho que a amo. – ele disse simplesmente e um sorriso feliz se insinuou por seu rosto
Nós ficamos em silêncio por um tempo novamente. Então eu respirei profundamente e tomei coragem para comentar o que me parecia mais confuso em toda essa história.
- Achei que você gostasse da Potter! – eu o encarei, mas fiquei mais confuso ainda quando ele me lançou um olhar angustiado
- Achei que era mais esperto Scorpius! – ele pareceu deixar o cansaço vencer ele – A mãe do meu filho é a Lylian!
E naquele momento eu não sabia o que responder a não ser a verdade. E ele sabia o que eu iria falar, já esperava por isso.
- Você está ferrado!
***
Eu não sabia bem o que pensar depois daquela conversa com o Luke. Nós nos despedimos logo depois, ele foi atrás da Lylian para ver se ela precisava de algo e eu corri pelo castelo todo em busca da minha ruiva. Agora mais do que tudo, eu precisava dela. Precisava conversar. Afinal, o bem estar dela era o meu bem estar. E eu sei que a notícia da prima a chocaria.
Não a encontrei na primeira busca pelo castelo e nem pelo resto da tarde, foi só quando resolvi procurá-la novamente perto do horário do jantar é que vi a cabeleira ruiva dela por uma esquina do corredor do sétimo andar. Eu corri para chegar até ela e percebi que ela ouviu meus passos, pois se voltou para mim rapidamente.
- Oi! – eu estava esbaforido, apoiei minhas mãos nos joelhos para descansar
Ela não me respondeu, ao contrário, ficou me olhando como se não me conhecesse ou não me visse há muito tempo. Eu estranhei aquele ato e por um momento eu até achei que tivesse haver com a Lylian.
- Aconteceu alguma coisa? – aproximei-me mais dois passos dela, mas ela andou dois passos para trás – Rose?
Ela não me respondeu de novo, só fechou os olhos. Seu rosto adquiriu a mesma fisionomia de quando Erick a tocou e ela quase teve aquela crise estranha. Eu procurei nem me mover para ela não se assustar. O que estava acontecendo com ela? Ou melhor, o que estava acontecendo entre a gente?
Ela começou a torcer as mãos à frente do corpo, seus braços tremiam. Eu abri a boca para falar, mas temi assustá-la. A verdade é que eu não sabia o que fazer. Jamais imaginei que isso aconteceria comigo.
- Não vou me aproximar de você! É só se acalmar! – tentei parecer firme, mas não consegui, ela continuava do mesmo jeito – Rose, o que eu fiz para você ficar assim?
E então veio a lembrança como uma flecha. O beijo. Ela estava com medo de mim porque nos beijamos no dia anterior.
- Eu vou me afastar tudo bem? Abra os olhos, não vou tocar em você! – eu suspirei e comecei a andar para trás
Ela abriu os olhos bem lentamente. Parecia querer se controlar para não ter uma crise. Em seus olhos eu podia ver o medo e a tristeza. Ela também não queria agir assim comigo, mas era inevitável.
- Tudo bem agora? – eu fiquei a mais de um metro e meio dela, Rose acenou com a cabeça e deixou uma lágrima escorrer pelo seu rosto
Eu resisti ao impulso de abraçá-la e limpar eu mesmo a lágrima. Mas eu precisava manter o foco se quisesse continuar ao lado dela sem ela ter uma crise.
- Você não consegue falar? – perguntei tentando fazer com que ela prestasse atenção no assunto e não em mim, ela apenas negou com a cabeça – E por isso se escondeu o dia inteiro?
Ela voltou a acenar, mas agora confirmando. Eu suspirei pesadamente. Eu sabia o que tinha que fazer, mas estava com medo de perdê-la.
- Quer um tempo para pensar? – minha voz saiu quase num sussurro
Ela abriu a boca para responder, eu fiquei esperançoso para ouvi-la falar, mas ela apenas confirmou com a cabeça. Eu concordei em silêncio e ela se afastou mais alguns passos.
- Vai voltar a me procurar, não vai? – minha pergunta saiu em um impulso, infantilmente
Ela deixou mais uma lágrima descer pelo rosto dela e deu de ombros. Então me voltou às costas e desapareceu no corredor. Eu fiquei ali por um longo tempo, quase em transe, pensando em tudo o que ocorreu naquele dia. Parece que quando é para algo dar errado na vida das pessoas, tudo acontece ao mesmo tempo.
- Você deveria estar no Salão Comunal!
A voz era da Alyss, ela estava ali, a varinha em punho por causa da monitoria, mas ao seu lado e segurando sua mão livre estava Alvo Potter. Ele me encarava de forma intrigada.
- Ela quase teve uma crise comigo! – eu disse de repente, eu queria que ele me explicasse o que havia acontecido
- Ela está bem? – ele perguntou simplesmente, parecia compreender minha situação mais do que eu mesmo
E então eu me lembrei que foi assim com ele. Ele tentou abraçá-la, um afeto do seu amor por ela e no entanto, ela teve uma crise diante disso, quando ele só queria amá-la.
- Eu me afastei antes que acontecesse realmente! – eu suspirei – Nem cheguei a tocá-la!
- Você disse ou fez algo diferente? – ele perguntou, intrigado
- Eu a beijei. – eu disse, simples assim, engraçado como passei a confiar nele dessa maneira em questão de segundos
- E ainda pergunta por que ela quase teve uma crise? – ele pareceu se enfurecer rapidamente – Você é maluco?
- Nós nos beijamos ontem e estava tudo bem! Hoje eu não toquei nela! – eu me exasperei e então o encarei, finalmente percebendo os detalhes – Mas por que esse drama todo por um beijo? Quando eu a toco ou a abraço, você não fala nada!
Ele pareceu se afastar de mim, encolher-se. E então eu vi em seus olhos, ele tinha a resposta para o que eu precisava saber, só não queria contar.
- Você sabe o que aconteceu com ela! Você estava lá e ninguém mais sabe disso não é? – perguntei só para confirmar minha suposição
Ele respirou fundo e diante dos olhares preocupados meu e da Alyss, ele confirmou com um aceno de cabeça.
***
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