Delicadamente Intocável
31 Bônus – Alvo e Alyss – Ela faria valer à pena!
Notas iniciais
POV Alvo
Eu olhei a volta estranhando tudo aquilo. Não parecia ser algo real ou ter haver com a minha vida, parecia algo de um sonho, um sonho ruim e grotesco.
O local era pequeno e escuro, as paredes eram pintadas de cinza, mas só para esconder as grandes marcas negras e sulcadas feitas pela umidade. O teto era baixo e marrom escuro de madeira mal encaixada. Os cômodos eram todos do mesmo tamanho, com exceção do banheiro. Havia uma cozinha, uma sala, um quarto e um banheiro pequeno. Nada de luxo, nada de coisas alegres e luz.
- Você vivia em uma mansão, não é? – sua voz baixa e cristalina chegou até mim
Ela não andara pela pequena casa como eu, continuava na sala com a bolsa sobre o sofá e os olhos fixos em mim. Não estava decepcionada ou com medo, só estava com pena eu acho.
- Você também vivia em uma mansão! – eu voltei para a sala lhe lançando um pequeno sorriso
- Aquilo não era uma mansão...na verdade aqui é bem melhor! – ela olhou a volta, sorrindo
Ela tinha um sorriso lindo, acho que foi isso que me encantara nela. Talvez nem ela soubesse porque eu tinha feito tudo isso por uma garotinha.
- Como é ser criada por uma comensal? Pela Pansy? – pergunte de repente ficando sério
Ela voltou seus olhos claros para mim e ficou em silêncio por um tempo. Receava contar, mas eu podia ver em seu olhar que ela receava mais ainda que eu me pusesse dali para fora.
- Eu sei torturar. – ela disse simplesmente e voltou às costas sentando no sofá
Eu esperei paciente para que ela continuasse, sentei-me ao seu lado olhando a frente como ela fazia e fiquei em completo silêncio.
- Eu treinava em aranhas...até em elfos quando precisava. Quando matei minha primeira aranha, ela quis testar em um trouxa, mas o Draco não deixou, ele disse que daria muito na vista do Ministério. – ela sorriu de lado – Naquela noite ele subiu até o meu quarto, eu tinha nove anos, ele me disse uma coisa que mudou tudo para mim.
- O pai do Scorpius me surpreende cada vez mais. – eu brinquei rindo
Ela riu baixinho e relaxou mais. Eu consegui perceber que ela admirava o pai do Scorpius, de alguma maneira ele a ajudou a passar por tudo isso.
- Ele me disse que eu só conseguiria matar alguém com o Avada Kedavra se realmente quisesse, que não é só lançar uma maldição e ela vai ter o efeito que queremos. Ele disse que precisamos desejar a morte de alguém, que precisamos odiar muito aquela pessoa ou ter um motivo muito forte para fazer tal ato. – ela continuou sorrindo, relembrando – Eu disse que odiava aranhas por isso matei aquela. Ele riu e disse que eu jamais odiaria alguém para querer matar e que ele não deixaria chegar o dia em que eu precisasse testar isso.
- Você era apenas uma criança, ele te tratou como tal! Com Pansy deveria ter te tratado! – eu me voltei para ela e segurei sua mão – Você não teve uma família!
- E ninguém gostaria de ser minha família! – ela suspirou – Olhe de quem sou filha, todos que souberem irão se afastar!
- Acho que você não conhece os Weasley, os Potter e os Malfoy então! – eu sorri para ela – Nós vamos estar ao seu lado! Eu estou aqui, não estou?
- Já viu tudo que terá de deixar para trás? – ela hesitou, mas continuou falando – Sua família, seu dinheiro! Terá de viver nessa pobreza e fingindo ser um trouxa!
Ela fechou os olhos por uns segundos, sua voz embargou e eu pude ver uma lágrima escorrer.
- Você não precisa ficar, vou me virar sozinha agora. – ela soltou rapidamente a minha mão
Eu continuei em silêncio, não havia palavras para aquilo. Não agora. Ela abriu os olhos lentamente me fitando com eles cheios de lágrimas. E tudo o que eu fiz foi beijá-la, beijá-la para que todas as suas dúvidas sumissem, para que ela entendesse que a partir do momento em que me apaixonara por ela, eu jamais a deixaria. Jamais.
Deitei-a calmamente para trás ficando por cima dela, suas mãos seguraram fortemente a gola da minha camisa impedindo que eu me afastasse do beijo. Puxei sua perna até que ficasse encaixada em minha cintura. Meus beijos desceram para seu pescoço enquanto meus dedos abriam lentamente os botões da sua blusa, mas eu parei imediatamente quando ouvi seu suspiro.
Sentei rapidamente bagunçando meus cabelos. Aquela loira me deixaria louco.
- O que foi? – ela pediu ficando de joelhos ao meu lado
- Temos que tomar cuidado. – eu olhei para ela, sério
Mas vê-la ofegante, com a boca vermelha e a blusa aberta mostrando o sutiã rendado quase me fez perder o controle novamente.
- Nos nossos documentos, sou seu irmão mais velho Alyss! E no mundo dos trouxas ainda falta dois anos para que você atinja a maioridade! – eu puxei sua mão novamente e entrelacei nossos dedos – Se qualquer pessoa aqui ver a gente se beijando ou qualquer outra coisa, vamos colocar tudo a perder!
- Isso quer dizer que não vai me beijar? – ela suspirou pesadamente fazendo biquinho
Ela estava de brincadeira comigo, não é? Eu escondi meu rosto nas mãos tentando manter o controle.
- Justo agora que tive certeza que me ama e não preciso mais ficar me esquivando de dar um passo a mais no nosso relacionamento... – ela continuou com uma voz marota
Olhei rapidamente para ela, mas foi quase a minha perdição. Ela havia aberto botão por botão da blusa revelando os seios firmes sob o sutiã, a cintura delgada, a barriga lisa...
- Já que é meu irmão, não preciso ter vergonha, não é? – ela levou as mãos ao botão do short jeans
Eu pulei em cima dela segurando suas mãos acima da sua cabeça. Ela realmente queria me enlouquecer.
- Escute bem Alyss! – eu sussurrei muito perto da sua boca e acabei por lhe dar um selinho – Vamos viver na mesma casa, é lógico que vou te beijar! Você é minha namorada e nada vai mudar isso, nem mesmo nossa situação aqui! Mas vamos nos cuidar durante o dia, tentar impressionar os vizinhos, viver normalmente, pelo menos até que tudo se resolva na Inglaterra! – ela sorriu acenando como uma criança que acabava de descobrir o prazer de ler – E quando a noite chegar, quando estivermos trancados em nosso quarto, você não me escapa, ouviu bem?
Ela riu gostosamente e me deu um selinho. Talvez não fosse tão ruim mudar completamente de vida. Ela faria valer à pena.
- O que acha de darmos cor a isso? – perguntei sorrindo – Tenho algum dinheiro, podemos comprar algumas coisas e arrumar nós mesmos! Vamos?
Ela sorriu e levantou voltando a ajeitar a blusa, eu peguei sua bolsa sobre o sofá e me dirigi a porta esperando-a.
- Somos irmãos, mas vou ser um irmão muito ciumento! – sussurrei para ela enquanto trancava a porta
A rua onde morávamos era calma, o bairro era pobre e logo na outra esquina começava uma daquelas feiras de rua que abrem todos os dias. Era o modo de ganhar a vida da maioria das pessoas ali. Nada anormal só alegre e encantador. Foi o que eu mais gostei ali.
- Você é a mulher da casa, o que acha que precisamos? – perguntei andando calmamente até a feira
- Bom, eu acho que podíamos começar com algumas toalhas para a mesa a para a louça, capas para o sofá e almofadas! E flores! Muitas flores! – ela sorria radiante enquanto passava por entre as bancas
- Está realmente feliz? – perguntei sorrindo levemente
Depois de tudo o que aconteceu, era a primeira vez que eu a via viver.
- Eu me sinto livre e...estou com você! – ela parou e me encarou, agora séria, parecia ter sido repreendida
- Ei, volta a sorrir! – eu fui até ela e deslizei meus dedos por seus lábios formando novamente um sorriso – Vamos ser felizes aqui, eu sei disso! Continue, o que mais precisaremos?
- Roupa de cama e toalhas de banho! – ela lembrou rapidamente – Quadros também! Podemos colocar um quadro da sua família! – ela piscou para mim
Comunicação. Ela não queria viver completamente afastada do mundo bruxo.
- E louças! Poucas porque somos só em dois, mas vamos precisar de algo! – ela parou pensativa – Temos dinheiro para tudo isso?
- Não se preocupe. Nós temos dinheiro, pequena! – eu sorri – Agora escolha, não sei fazer isso!
Ela sorriu mais ainda e me beijou a bochecha deixando-a formigar gostosamente. Eu queria era agarrá-la ali mesmo e beijá-la.
***
A tarde não demorou a passar, quando deu meia-noite nós dois nos jogamos cansados sobre o sofá sorrindo. A casa estava mais legal agora, as paredes continuavam cinzas, mas eu prometi pintar. A diferença é que agora havia quadros enfeitando-a, flores nas janelas e vasos coloridos nos cantos da sala. Havia uma toalha xadrez amarela e vermelha com flores na mesa da cozinha e capas floreadas nos sofás, com almofadas também coloridas.
- Eu nunca tive uma casa assim! – ela comentou sorrindo enquanto colocava o prato com bolachas sobre a mesa de centro
- Assim como? – eu franzi o cenho e peguei uma bolacha
- Colorida, alegre... – ela se voltou para mim sorrindo, mas então seu sorriso sumiu
Olhei para trás de mim vendo o relógio na parede, era meia-noite e quinze.
- Tenho de falar com Rose e Scorpius! – eu me adiantei para a lareira e peguei o vaso com pó de flú – Se acontecer alguma coisa me chame ouviu?
Ela confirmou sorrindo e sentou ao meu lado, sua mão se apoiava em meu braço, calmamente.
- Hogwarts, Sala Precisa, Sala de estudos para amigos! – eu disse baixinho e coloquei minha cabeça nas chamas verdes sendo direcionado para a nossa sala de estudos em Hogwarts
- Alvo! – Rose se adiantou para a lareira e se ajoelhou na minha frente – O que aconteceu? Onde você está?
- Se acalme! – ouvi a voz de Scorpius e logo o loiro estava ao lado dele – Está tudo bem por aí? Seu pai não nos disse muita coisa na carta que nos mandou! Só pediu que viéssemos aqui!
- Está tudo bem sim! – eu sorri – Alyss está comigo e estamos bem!
- Onde estão? Por que sumiram? – Rose pareceu ficar mais calma agora
- Estamos na Alemanha, Rose! – vi seus olhos se arregalarem – Meu pai me procurou no hospital, disse que depois do que aconteceu ao Scorpius, eles iriam prender a Alyss por motivos de segurança! E pelo que meu pai sabia os Inomináveis estavam sendo chamados! Sabe o que acontece quando eles vêm!
- Eles queriam a Alyss sumisse, não é? – Scorpius suspirou – Para que não precisassem se preocupar com ela futuramente!
- Isso! – eu confirmei – Meu pai conversou com a diretora, eu fiz minhas provas para me formar e ele conseguiu também documentos trouxas! Ninguém vai nos encontrar aqui! Não dessa forma!
- Ela é menor de idade! – Rose ressaltou – Não pode ficar com ela!
- Eu sei, nos documentos sou seu irmão mais velho! – fiz uma careta – Mas vai dar certo! Meu pai disse que quando ele conseguir resolver tudo isso no Ministério, nós podemos voltar!
- Vamos tentar ajudar no que pudermos! – Scorpius sorriu
- E como você está? – perguntei olhando-o atentamente – Ficaram cicatrizes?
- Ficaram sim! – ele sorriu de lado – Maldição da família Malfoy com os Sectusempra!
- Foi meu pai que lançou! – eu disse rapidamente
- Foi seu pai? – Scorpius perguntou arregalando os olhos – Eu não sabia!
- Eles brigaram no banheiro uma vez, meu pai não sabia o que fazia o feitiço e resolveu testar! Então lançou o Sectusempra no seu pai! – eu fiz uma pequena careta – Acho que eles já superaram isso!
Scorpius riu baixinho.
- É, eles tinham que superar mesmo! – sua mão segurou a de Rose de maneira delicada
Eu sabia que ninguém iria conseguir separar aqueles dois.
- E Lylian? – olhei para Rose, preocupado agora – Nenhum sinal?
- Nada. – Rose negou com a cabeça – Mas Lana está cada dia melhor! É uma bonequinha!
- Tem que trazer ela para eu conhecê-la! Vocês dois e o Luke! – eu disse sorrindo, mas triste pela minha irmã – Lylian vai voltar, ela não vai deixar a menininha dela e nem o Luke sozinho!
- Todos acreditamos que sim! – Rose sorriu fracamente – Se cuide Al, por favor!
- Pode deixar! – eu sorri – E loiro, cuide da minha ruiva! – eu brinquei com Scorpius
Ele acenou sorrindo e eu desapareci daquela sala voltando para minha casa. Alyss continuava no mesmo lugar sorrindo para mim agora.
- Tudo bem com eles? – ela pediu baixinho
- Sim, estão bem! – eu a encarei, sério
- E Lylian e Lana? – ela pediu novamente colocando a mão em meu rosto
Eu respirei fundo. Sentia falta da minha irmã, sentia muita falta.
- Lana está melhorando bastante, mas a Lylian ainda não deu sinal de vida. – eu suspirei pesadamente
Alyss não me disse que ela ficaria bem, nem tentou me consolar com palavras, ela só puxou meu rosto de encontro ao dela e me beijou calmamente os lábios. Depois me deixou deitar em seu colo e ficamos ali em silêncio por muito tempo ainda.
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