Delicadamente Intocável
32 Nosso futuro...
Notas iniciais
Beijos
POV Rose
Aquela noite em que vimos o Alvo pela lareira da Sala Precisa, foi a última que Scorpius e eu passamos juntos. No dia seguinte começaram as provas teorias na parte da manhã e as práticas à tarde. No sábado então já pegaríamos o trem para casa.
Não era como se não quiséssemos nos ver, até nos víamos nas horas das refeições e ele geralmente me levava até o quadro da mulher gorda após o jantar, mas não ficávamos mais que cinco minutos sozinhos. O cansaço e a preocupação nos venciam. De uma forma aquela semana seria responsável pelo resto das nossas vidas.
Então, quando finalmente aquele sábado chegou, eu estava extremamente feliz. Não porque sairia de Hogwarts e só voltaria para a minha formatura, mas sim porque finalmente eu teria um tempo para mim e claro, para ele.
O mais estranho foi que não o encontrei no Salão Principal tomando café, nem me esperando na entrada. Ele simplesmente parecia não estar na escola. Senti-me estranha, como se estivesse sendo rejeitada, como se ele não quisesse me ver tanto quanto eu o queria. Segui em uma carruagem para estação, completamente sozinha, deixando todos que me viram curiosos para saber o que havia acontecido.
Entrei no trem já quase lotado, puxei meu malão vagarosamente pelo corredor, não porque não queria achar uma cabine, mas porque não tinha certeza do que pensar. Por que Scorpius estava fazendo aquilo comigo? Eu não tinha a mínima idéia.
Até na noite anterior estávamos bem.
– Rose! – senti suas mãos segurarem minha cintura e me voltarem para ele
Scorpius estava ali, mais afobado do que o normal, tinha um ar de riso.
– Você estava entrando no último vagão! O vagão dos banheiros! – ele sorriu de lado – O que houve com você? Demorou demais!
– O que houve com você, seria a pergunta certa! – eu retruquei me desvencilhando dele – Sabe quanto tempo fiquei te procurando pela escola? Pensei que ao menos tomaríamos o café da manhã juntos!
O sorriso sumiu do seu rosto de repente. Ele voltou a me segurar pela cintura, mas com certo cuidado agora.
– Desculpa! Não achei que fosse ficar tão magoada! – ele focava meus olhos – Eu estava excitado demais com outra coisa que não pensei em como te avisar que não esperaria por você!
– Bom saber disso agora que já perdi tempo te procurando! – eu fiquei séria, tentei parecer brava, mas estava mais interessada em saber o que o excitara tanto – Que coisas são essas que te fizeram se esquecer de mim?
– Está parecendo uma garotinha mimada! – ele sorriu deixando até seus olhos se iluminarem, então me puxou para ele colando nossos corpos – Essas coisas não fizeram com que eu me esquecesse de você, na verdade, elas são para você!
– Para mim? – eu estranhei, ele não havia me dito nada antes
Ele sorriu enigmático e segurou meu malão.
– Venha comigo! – então me puxou pelo corredor até o vagão anterior
A última cabine estava com as cortinas cerradas e a porta, eu verifiquei quando ele tirou a chave do bolso, estava trancada. Mas ele não abriu, simplesmente se voltou para mim.
– Feche os olhos.
Eu hesitei, mas ele rolou os olhos impaciente, então fiz o que mandou e senti ele me guiar para dentro da cabine.
– Posso abrir? – pedi, um sorriso já se formava em meus lábios, era impossível ficar brava com ele
– Espera eu guardar seu malão! — ele estava sorrindo, eu podia sentir, ouvi um barulho e então ele me enlaçou pela cintura por trás – Pode abrir agora.
Meus olhos tremeluziram por causa da pouca claridade, mas assim que me acostumei fiquei sem ar. A cabine estava toda decorada com fotos nossas em todos os momentos possíveis, até quando nem éramos namorados ainda. Havia uma foto até do momento em que eu o abracei pela primeira vez depositando toda minha confiança nele.
– Como conseguiu tudo isso? – pedi sorrindo e olhando foto por foto
– Bom, foi bem difícil conseguir retirar minhas lembranças, vê-las como um simples observador e tirar fotos, mas o professor de feitiços me ajudou! – ele deu de ombros – Você gostou?
– Se eu gostei? – me voltei para ele, sem conseguir parar de sorrir – Essas fotos são todas minhas?
– Espera que deixasse apenas uma comigo! – ele sorriu
Eu me voltei para a foto que eu o abraçava pela primeira vez e retirei da parede, depois voltei até ele e lhe entreguei.
– Eu gosto dessa. – eu sorri – Quero que fique com ela porque assim jamais vai se esquecer desse momento!
– E por que quer que eu me lembre dele? – ele perguntou ainda olhando a foto
– Porque aí você pode ver uma garota desesperada, agarrando-se não a um garoto em que pensava confiar, mas sim no único garoto que ela sabia poder amar em sua vida. – quando terminei de falar ele me encarou, havia lágrimas em seus olhos
E eu percebi que ele esperava por esse momento desde que começamos a ficar juntos, não porque esperava que eu confiasse nele, mas porque queria que eu o amasse acima de qualquer coisa, de qualquer pessoa e de qualquer outro sentimento. Não importava mais a confiança que ele conquistara com tanto cuidado, agora importava o amor que eu sentia por ele.
Amor este que existia por simplesmente ser ele, por existir, por me olhar, por me venerar, por me amar. Amor que existia porque seus olhos me tiravam do chão, seu carinho me elevava aos céus, seus beijos conseguiam me aquecer e suas palavras tinham o dom de governar todo o meu mundo.
– Eu amo você. – sussurrei vendo uma lágrima descer pelo seu rosto
Ele me abraçou apertado de repente, com medo que eu não fosse real. Eu deixei que ele ficasse por minutos incontáveis. Era assim que eu me sentia bem, que eu me sentia segura. Em seus braços.
– Tenho mais uma coisa para você. – ele disse baixinho, sem me largar – Eu pensei que como vamos viajar juntos durante alguns meses e tudo mais, nós podíamos oficializar o que temos de uma forma mais...importante...se é que posso dizer assim.
– O que está tentando dizer? – eu sorri ainda com a bochecha encostada em seu peito
Vi ele remexer no bolso da calça e então retirar a mão fechada, fiquei olhando para a mão dele e o senti prender a respiração por uns segundos.
– Daqui alguns anos, quanto tempo quisermos, você se casaria comigo? – ele pediu abrindo a mão de forma vagarosa
Dentro dela havia um anel delicado de ouro, uma única pedra brilhava ao centro. Era puro, simples. Como nosso amor. Perfeito.
Eu me afastei tomando consciência do pedido dele, olhei em seus olhos sem saber como responder ou ao menos o que dizer. Ele estava apreensivo, seus olhos ainda úmidos, mas nem um momento eu vi ele fraquejar.
– Você sabe que sim. – eu sorri deixando agora que as lágrimas tomassem conta do meu rosto – Odeio quando me faz chorar assim!
– Por quê? – ele sorriu – Creio que é de felicidade!
Senti o anel deslizar pelo meu dedo e o admirei. Eu me senti completa com ele.
– Porque você me ajudou a descobrir minha força e agora pareço fraca! – eu sorri de leve
– Você não está sendo fraca, precisar de alguém não é fraqueza! – ele segurou meu rosto – Eu espero que você sempre precise de mim como eu preciso de você!
Então ele me beijou, um beijo doce e calmo, cheio de amor que transbordava de nós dois. Tudo aconteceu muito rápido, de forma muito abrasadora, mas sabíamos que nada mudaria o que tínhamos.
– Seu pai vai me matar! – ele riu se afastando – Desculpa, mas não consegui parar de pensar nisso!
– Ele não vai matar você, talvez só te azarar! – eu sorri e sentei no banco
Ele sentou ao meu lado e passou um braço pelos meus ombros.
– Tem que almoçar com os meus pais. – ele disse pensando no futuro
– Eu irei. E você tem que pedir formalmente para que me case com você! Em um jantar na casa dos meus pais, com toda nossa família!
– Sério, não pode ser só meus pais e os seus? E seu irmão? – ele me olhou, alarmado – Sua família é enorme, se for azarado por todos os homens, com certeza vou morrer!
– Deixa de ser medroso! – eu ri e encostei minha cabeça em seu ombro – Eu te protejo!
– Espero mesmo que sim. – ele fingiu estremecer
– E vamos visitar o Al, assim que sair nossas notas! – eu me afastei apenas para encará-lo – Por favor?
– Não precisa nem pedir! – ele sorriu – Mas temos que esperar a Lana ficar bem para que possamos levá-la junto! Por falar nisso, Luke nos convidou para padrinhos!
– Sério? – senti meu sorriso ficar enorme e meus olhos brilharem – Eu vou ser uma madrinha muito querida! Vou fazer tudo o que ela quiser!
– Luke vai ter sérios problemas conosco então! Tudo o que ele educar, nós vamos deseducar! – Scorpius riu com gosto – Também vou mimá-la muito! Quero só ver quando os nossos chegarem!
– Ainda somos novos. – eu ressaltei – Mas quero um menino primeiro! Dizem que o homem decide o sexo do bebê, então já sabe! Mas se vier uma menina eu ficarei igualmente feliz!
– Estamos discutindo sobre filhos e nem bem deixamos a escola! – ele balançou a cabeça negativamente – Acho que somos loucos!
– Eu não acho! – eu o reprovei, mas continuava sorrindo – Acho que nos amamos simplesmente!
Pude ver em seus olhos, antes que ele me beijasse, que concordava completamente comigo.
Fale com o autor