Delena - You Found Me (Completa)
22 O estripador e o homem que não sabia amar
Notas iniciais
― Rebekah. Acorde, irmãzinha. ― Klaus disse no tom mais doce possível vindo dele.
Ela tinha quase a perfeição de um anjo. O cabelo loiro, que mais pareciam fios de ouro, liso escorria pelos seus ombros. A pele branca como a neve, as pequenas sardas no rosto, quase invisiveis, somente um minimo detalhe. Ela dormia, como um anjo adormecido. Mais uma vez entre tantas outras ela estava de volta a vida, seu corpo que descansava no espaço do caixão de luxo em que ela havia ficado adormecida desde o dia em que falhou na missão de trazer Katherine Pierce viva para seu irmão. A mancha vermelha em seu peito de destacava, o lugar onde até agora pouco a adaga de prata descansava.Klaus admirava a beleza da irmã, um pequeno sorriso no canto da sua boca e ele sabia, ela estava de volta.
― Abre seus olhos, coração, eu sei que está chateada.
― Nik.
Sua voz angelical e com um sotaque fluente soou no momento em que ela abriu os olhos. O azul vivo que eles tinham iluminava a sala escura onde os dois se encontravam, nada era mais azul do que os olhos dela.
― Bem vinda de volta ao lar. ― Klaus sorriu, gentil.
― Onde estamos? ― Rebekah ainda parecia sonolenta e perdida.
― Mystic Falls, coração. Hora da reunião de família.
...
música: http://www.youtube.com/watch?v=VwnhnRJGZKI
Meu coração estava partido, quebrado em um milhão de pedaços. As palavras que ecoavam na minha cabeça. Eu me importava com Stefan, mas não conseguia me imaginar amando ele. A sua cabeça te confunde para te proteger da dor, essas foram as últimas palavras de Damon. Agora eu sabia que a cada dia que passava eu ficava mais perto de perdo-lo. Relembrando tudo que eu havia passado até agora, nada era mais triste do que não tê-lo. Perder minhas memórias, não saber quem eu sou, as vidas que destruí. Pode soar egoísta, mas, era exatamente isso que eu sentia, tudo que eu sentia era por ele, ou na verdade, por Stefan.Me arrastei até a cama, sem vontade alguma de fazer coisa nenhuma, eu não queria nem respirar naquele momento. Meus sapatos que ficaram espalhados pelo meio do quarto, eu me joguei na cama de bruços e fechei os olhos, sentindo o quente das lágrimas molhando meu rosto. Eu queria sumir.
...
― Vai passar a eternidade ai? ― Ric perguntou.
Damon estava jogado na poltrona, com um copo quase vazio. Enquanto Ric estava no outro sofá, apenas o observando.
― Eu bem que gostaria, anda, me trás a garrafa. ― Damon resmungou.
Ric se levantou e caminhou até a mesa de bebidas.
― Você pode culpar o destino, a má sorte, as escolhas erradas. Ou você pode lutar, mas pra isso ― Ele fez uma pausa para abrir a garrafa de whisky. ― você precisa se levantar dai.
― Eu vou culpar a má sorte, Stefan nasceu com a bunda virada para a lua. ― Damon deu um sorriso irônico e bebeu o restinho de liquido no seu copo.
― Você está sempre bebado?
― É claro. Assim eu posso culpar a má sorte. O tempo está acabando, que má sorte.
― É como eu disse. Você faz as suas escolhas, escolhas boas, vida boa. Escolhas ruins, vida ruim. Basta você fazer a sua escolha Damon e ficar ai não ajuda muito. Felicidade não vem barata, se viesse, todos nós estariamos sorrindo.
― Nada disso adianta agora, Ric. Ela tem no máximo duas semanas e quando tudo acabar, ela novamente vai voltar a ser quem ela sempre foi.
― Ela nunca deixou de ser ela, a única coisa com isso é que, ela tem sua humanidade de volta. Katherine perdeu muita coisa, uma delas foi a sua humanidade. Ela nunca mais a encontrou, por isso ela se tornou tudo aqui, mas... em momento algum nós desistimos dela, certo? Porque apesar de toda dor, raiva e coisas ruins que ela carrega, no fundo ela tem um coração enorme, Damon. Você só precisa mostrar a ela o caminho certo, porque feitiços não mudam sentimentos, eles só deixam as coisas confusas. O amor ainda está lá, basta achar um lugar certo para colocar ele.
― Você acha isso possível? ― Damon se sentou ereto na poltrona.
― O que?
― Um amor que seja tão forte, que mude a lógica de tudo que nós conhecemos.
― É claro que sim, eu não sai da onda hippie ainda. ― Ric riu.
...
― Isso vai parecer nojento, porém, eu adoro salada de manhã. ― Caroline disse dando outra garfada no prato bem na sua frente.
― É, isso foi nojento. Especialmente para um vampiro.
― Eu sei. ― Os dois riram.
― Então, me conte mais sobre as suas histórias. Eu gosto de ouvir. ― Caroline disse esperando que Stefan continuasse falando.
― Um dia você vai ter que me contar as suas histórias também. ― Ele piscou gentilmente para ela.
― Quem era aquela garota que estava com você na noite em que eu me transformei? Ela parecia... assustadora. ― A loira entrou no assunto inocentemente.
Stefan fechou a cara e ficou em silêncio por um momento.
― É Rebekah.
― Ela parecia ter um tipo de poder sobre você, foi tipo... muito esquisito.
― E ela tem. ― Stefan abaixou um pouco a cabeça, envergonhado. ― Ela é uma original.
― Original?
― É, uma vampira original. A primeira de todos.
― Então ela é tipo, a mais forte de todos os vampiros? ― Caroline deixou o garfo de lado e ficou atenta a Stefan.
― É, mas entre os originais. Rebekah é a mais... doce. Ela é a mais nova dos irmãos originais.
― Irmãos originais? Quantos originais existem?
― Rebekah, Kol, Finn, Elijah e Klaus.
― Ah, Klaus, ele é simpatico. ― Caroline disse em tom brincalhão. ― O que você e Rebekah tem?
― Como assim? ― Stefan forçou as sombrancelhas sem entender.
― Ah, por favor! Eu vi a tensão sexual entre vocês dois. Estava tão explicito quanto se vocês dois mandassem ver ali mesmo. ― Stefan ficou envergonhado, suas bochechas ganharam um tom rosa. ― Desculpe, só... eu já tinha esse temperamento de falar demais e me transformando isso piorou muito. Vamos, conte-me mais sobre ela.
Stefan olhou para Caroline e engoliu em seco.
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Stefan se lembrava daqueles tempos como se fossem ontem. Tantas memórias de alegria e dor juntas em uma só época, havia muita história para se contar. Os anos vinte, os gloriosos anos vinte. Talvez uma das melhores épocas de Stefan, como um estripador, é claro. Dias e noites de um rei, ao som de música boa, roupas engraçadas e um clima de romance.Ele ajeitou a roupa uma última vez, o cabelo bem aparado e penteado com gel. A maior parte dos olhares eram direcionados a ele. A beleza, o charme, as vestes, Stefan era o homem perfeito.
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― Anos vinte? ― Caroline perguntou mais do que empolgada. ― Isso sim deve ser sexy. Eu adoraria ter vivido isso, os anos vinte são tipo, tudo!
Stefan deu uma risadinha.
― Realmente, os anos vinte foram incríveis. Mas... não foram os meus melhores anos. Porém, foram nos anos vinte que conheci Rebekah.
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Rebekah era a mulher mais bela daquele bar. Ela chamava a atenção de todos ali. A sua graça e delicadeza enchiam os olhos de quem olhava cada movimento que ela fazia. Ela era uma Lady. Assim como todos os homens no recinto, Stefan também se encantou pela jovem garota.Os de um conquistador barato encontraram sua proxima vitima, mal sabia Stefan quem ela realmente era. Mais uma vez, ele botou o sorriso confiante no rosto e caminhou na direção dela, pronto para jogar o seu melhor charme.Tudo começou com uma simples dança.
― Guarde uma dança para mim.
Esse foi o pedido de Stefan a Rebekah naquela no noite, mas.. quando a madrugada se inicicou, relutantemente ela se deixou levar pelos braços do estripador e pelo seu charme. E ele, pelo dela.
― Você é uma ótima dançarina. ― Disse Stefan.
― E você é um conquistador barato, Stefan. ― Rebekah sussurou em seu ouvido.
O amor florescia ali, entre os dois. Rebekah tinha uma enorme inocencia, que a fazia se apaixonar com facilidade. E estar ali, nos braços de Stefan a fazia se sentir viva.
― Irmã, é hora de ir.
Ele estava postado ao lado dos dois, que se afastaram pelo menos alguns centimetros ao ouvir a voz dele. Niklaus. O seu rosto era o mesmo, o olhar que descrevia a maldade ainda estava ali.
― Nik, modos. ― Rebekah sorriu. ― Esse é Stefan Salvatore.
Os dois se encaram, quase uma desputa na troca de olhares, eles apertaram as mãos. Klaus deu um pequeno sorriso de canto.
― Eu ouvi bastante sobre você, Stefan. O estripador.
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― Então, você e Klaus já foram amigos? ― Caroline perguntou surpresa.
― Melhores amigos.
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Ali, havia começado a se construir a amizade mais cruel de todos os tempos. O estripador e o homem que não sabia amar, eles pareciam até irmãos de outra vida. Klaus era o fã número um de Stefan, e Stefan o mesmo sobre ele. Os dois aterrorizavam as noites da cidade de Chicago juntos, enquanto Stefan e Rebekah levavam cada vez mais adiante esse romance.
― Estão com inveja! Sua família te quer morto porque nunca serão o que você é.
― O que? Uma abominação?
Os dois estavam sentados no bar, bebendo e jogando conversa fora como verdadeiros cavalheiros.
― Não, amigo. Um rei. ― Stefan lhe deu um tapinha nas costas. Os dois sorriram, em tom brincalhão.
― Olhe só para nós. Dois órfãos tristes. ― Eles deram mais um gole em seus copos. ― Minha irmã gosta de você. Mas... devo avisar, Rebekah não faz nada em velocidade média. Isso inclu se apaixonar. Então, tenha cuidado. Ela é totalmente louca. ― Os dois riram.
― Agradeço pelo conselho, amigo.
― Então quando ela deixar você, é simplesmente quem ela é. Não parta seu coração por algo tão estúpido. ― Os dois ficaram em silêncio por um momento.
― Você é um bom amigo, Nik. Estou feliz em ter te conhecido. ― Stefan levantou seu copo.
― Á amizade! ― Klaus brindou com ele.
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― Ele era um bom amigo, apesar de ser cego por poder e ódio. ― Stefan continuou.
― Você a amou? ― Caroline o olhou atentamente.
― Rebekah? Um dia sim. Mas... tudo acabou tão rápido quanto começou. ― Stefan ficou com o olhar distante.
...
― Sofrendo antes da hora?
Eu ouvi a voz de Ric e sai do meu transe. Eu estava deitada na cama e me sentei assim que o vi parado em pé bem na minha frente. A porta do quarto estava fechada e eu nem tinha ouvido ele entrar, seus olhos pareciam preocupados. Eu o olhei e tentei sorrir, mais não consegui.
― Eu não sei mais o que fazer, Ric. Eu não sei o que pensar e nem ao menos sei o que eu sinto. Tudo está uma bagunça.
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