Deku: O Espetacular Homem-Aranha Temporada 2 "A"

43 Capítulo XLIII: Mais uma Vez de Volta ao Lar


A noite continuava rumo ao seu fim, dias haviam se passado desde a notícia de que a namorada de seu filho havia acordado e partido... Inko Midoriya estava onde sempre esteve desde então.

Em frente aos portões da UA, com os dias de chuva há algum tempo sendo deixados para trás, um grande nevoeiro passava pelo local, o amanhecer não demoraria de chegar e lá estava ela.

—... -Izumi assistia de pé, bem longe ali com Eri nos braços, a sua mãe sentada em uma cadeira de praia.

—... -A mais nova olhava para sua mãe adotiva preocupada.

“ELA O QUE?!”, foi o que ela disse quando descobriu e quando ela pediu para dar uma pausa e Izumi estando sem entender ela apenas disse, “Eu vou ficar aqui, se ela partiu... Talvez possa comprovar que consiga sempre encontrá-lo...”

Izumi caminhou com Eri até onde sua mãe estava, ficando lado a lado com ela.

—... -Izumi fechou os olhos lembrando-se do que sua mãe disse logo em seguida e falando com todo o coração- Camie, contamos com você... Traga o Izuku de volta, por favor...

Naquele momento em que abriu os olhos, ela viu Eri tentando ver alguma coisa ao longe e assim que viu Inko fazendo o mesmo, ela foi fazer a mesma coisa e se espantou.

Os primeiros a chegar conforme o nevoeiro se dissipava era Camie e ela não estava sozinha, ao lado dela estava alguém especial... Aquele ao qual as três mais queriam ver do que qualquer outra pessoa.

—... -Izumi estava em choque, Eri comemorou e assim como ela a irmã mais velha sorriu emocionada, Inko por sua vez estava se recuperando do choque.

—... -Lágrimas desciam de seus olhos, ela estava trêmula, ela se levantou para dar dois passos.

—Oi mãe... -Ouvir a voz dele a fez chorar como uma criança.

—Izuku... IZUKU!! -Inko não perdeu tempo e foi abraça-lo, também envolvendo Camie que estava bem do lado dele- Obrigada, obrigada!

—... -Camie assim como Izuku havia retribuído o abraço enquanto Izumi e Eri iam se juntar a eles, o restante do grupo vinha logo atrás e quem estava de dentro dos muros indo ver o que estava acontecendo completamente curiosos.

Izuku Midoriya... Voltou pra casa...

Ele nunca vai se esquecer daquele dia em que tudo havia mudado, que deixou a UA e nunca vai se esquecer de quando voltou para ela.

Voltar para ele era complicado, não que ele fosse alguém que tivesse tido problemas ali ou com quem estivesse ali, o real confronto era consigo mesmo pois ele pensava que poderia ser um imã para problemas.

“Vamos... Você consegue”, Camie havia segurado a sua mão quando estavam bem longe dos muros, “Eu vou com você”

Sua família estava lá, esperando por ele... Chorando bastante e bem alto e ele se deixou levar da mesma forma.

—MEU FILHO... -Inko gritou em prantos.

—IDIOTA... IDIOTA!! -Izumi o abraçou.

—... -Eri em silêncio o abraçava bem forte.

—... -Izuku não pôde deixar de se sentir mal quando as três se afastaram dele e de Camie.

Inko o sacudiu, tanto ela quanto Izumi estavam ávidas por explicações, elas tinham lido sua carta, mas precisavam ouvir tudo.

—... -Itsuki apareceu em frente a ela, sendo conduzido por Shouto junto de Lady Nagant.

Ele e Inko trocaram olhares, era óbvio para a mais velha a sensação de familiaridade ela estranhou tanto o uniforme de Izuku sendo usado por ele, ou melhor, uma cópia como o olhar de desconforto e desconfiança vindos dele enquanto com Izumi ele ficou em guarda.

—É uma longa história -Izuku suspirou- Mãe... Esse é o...

—Midoriya, o líder deseja vê-los -Um dos guardas que era um herói profissional estava vigiando tudo do alto dos muros havia alertado.

Infelizmente o momento deles precisaria acabar, afinal Izuku precisaria resolver todos os assuntos pendentes com Nezu.

—... -Tanto ele quanto sua mãe estavam na sala do diretor, com ele e Aizawa observando o esverdeado em frente ao mesmo.

—É bom te ver -Nezu desabafou.

—Eu não esperava aquilo de você, tanto a história de origem quanto a ação -Aizawa o observou.

—Diretor, Aizawa-sensei... Eu queria dizer que sinto muito -Izuku se levantou de sua cadeira e se curvou- Creio que com tudo que disse e fiz, ocultando toda essa minha história de vocês, ficar ofendidos deve ter sido eufemismo...

—... -Inko olhava para ambos os lados preocupada.

—Está tudo bem Midoriya, sua namorada veio conversar conosco sobre tudo... E apesar de não termos Toshiko aqui ou a Shield para falar... Temos certeza que está do nosso lado -Nezu orientou- Tanto pelas suas ações dentro e fora da UA quanto pela dos vilões

—...

—Não vamos nos prolongar muito, não pense que perdeu nossa confiança ou algo assim -Aizawa ressaltou.

—Eu conversei com Aizawa, e dado todo o contexto entendemos seu lado -Nezu orientou- Eu mesmo sei como é ser o experimento de pessoas cruéis...

—... -Izuku abaixou a cabeça.

—E fico orgulhoso de saber que você assim como eu não se deixou ser influenciado por essas pessoas ruins -Nezu comentou- Você sempre foi e será bem-vindo para ficar aqui Izuku Midoriya, uma vez admitido, os alunos sempre ficam sob nossa proteção.
—... -Izuku sorriu animado ao levantar a cabeça enquanto Inko ficou emocionada.

—Agora por favor, precisamos de sua ajuda também... -Nezu comentou- Sem segredos nem nada do gênero, confie em nós, entendido?

—Você tem a minha palavra diretor -Izuku comentou.

—Me chama de Nezu, a UA nem está existindo mais como instituição no momento! -Nezu comentou.

Não era preciso dizer que o que Izuku explicou sobre tudo que passou e acabou vendo durante seu tempo de vigilante havia chocado os três ouvintes, certo?

—Jesus... JESUS... -Nezu completamente trêmulo bebeu água para se acalamar.

—Meu Deus do céu... -Inko comentou.

—O mundo lá fora não está nada bem pessoal, o pós-guerra despertou o pior em boa parte das pessoas e as que não vão querer ficar aqui ou em qualquer outra zona segura só vão permanecer os mesmos ou piorar... -Izuku explicou.

—... -Todos o olharam.

—Eu estive lá... Tentando ajudar, as vezes conseguindo e as vezes falhando, e isso é só uma parte de tudo que está rolando pois só estou falando as coisas do MEU ponto de vista -Izuku ficou pensativo- Lá fora, tem muitas histórias acontecendo, enquanto estamos aqui conversando.

—...

—E não é só isso... -Izuku apontou- Eu estive fazendo o que posso para decifrar a estratégia de Lápide e entender como vai ser o seu comportamento.

—Você se infiltrou no esconderijo dele?! -Inko perguntou.

—Não, mas suas decisões por meio de seus capangas e estratégias me permitiram especular quais seriam os seus próximos movimentos -Izuku respondeu.

—...

—Para ele é conveniente o estado de anarquia atual, mas não vai demorar até ele se colocar como a autoridade suprema que deve estar acima de tudo e todos -Izuku narrou- Ele nesse meio tempo não estava apenas de férias se é que me entendem

—Ele estava analisando e estudando junto de seus capangas mais inteligentes como prosseguir -Nezu reagiu.

—Exatamente -Izuku comentou- Só o fato de ter executado um golpe de estado já é algo ao qual precisa ser considerado, ele vai precisar organizar... Vai levar tempo, vai precisar nomear pessoas para funções de comando e administração para cada ilha do nosso arquipélago que o Japão, resolver tudo com as outras organizações malignas que possam substituir os heróis e sem falar da situação internacional.

—Parando pra pensar enquanto a Liga dos Vilões seria o equivalente a um governo com estatais e tudo, as outras organizações poderiam ser consideradas empresas privadas -Inko analisou- Com suas próprias “leis” e regras, porém sempre subordinadas ao governo e pagando seus impostos.

—Eles não vão se revoltar contra ele pois não tem poder de fogo e tão pouco vão ter auxílio da população, pois estariam trocando um governo de vilões por outro.

—Você viu os heróis do exterior atuando por aí? -Nezu perguntou.

—Um ou dois, mas não tive tempo de conversar... O ritmo não favoreceu, eu estava no estilo antissocial e o máximo que pude fazer era observar de longe -Izuku respondeu- Assim como os demais heróis

—Obviamente ele vai querer que as pessoas voltem a viver normalmente de um jeito ou de outro e não vai tolerar interferência de outras nações e tão pouco de opositores, ele vai querer estabilizar as coisas para produzirem comida, roupas, entre outros coisas... A sociedade precisa continuar... A única diferença é que todos deverão adorá-lo como o ditador que ele é...

—E a gente pensando que ele no máximo iria querer suceder o All for One no submundo -Inko reagiu.

—All for One tinha o Japão na palma da sua mão antes da All Might voltar, ele muito provavelmente não fez o que Tomura fez por puro capricho -Nezu comentou.

—E Tomura não é assim -Aizawa comentou.

—Lápide é alguém revoltado, obcecado por mais e mais poder, sem falar que ele mesmo disse que queria destruir toda a sociedade, e já que alguma coisa precisaria ser reconstruída no lugar por quê não ele ser aquele que vai reconstruir tudo a sua imagem? -

—Outro ponto é que os heróis serão caçados como uma praga e quem iria proteger a população seriam eles mesmos -Izuku analisou- Ou pagando outras pessoas para protege-los, no caso além dos impostos que poderiam pegar deles, eles poderiam cobrar mais para proteger os cidadãos.

—Por que não cobrar junto do imposto? -Inko analisou.

—O imposto é mais para ter o direito de viver nas terras dele, e se todos quiserem usufruir de qualquer outro serviço que pague outras pessoas para fazer ou a própria organização dele -Aizawa respondeu- O que ele quer é que todos continuem vivendo como sempre fizeram, se virando de qualquer jeito e que continuem o obedecendo, de resto podendo fazer o que bem entenderem.

—Não tendo nenhum sistema de punição para os criminosos

—Apenas para opositores, de resto imagino que as cidades ou comunidades tenham tribunais privados e decidam o que pode ser ou não feito, elas só não vão se opor ao próprio Shigaraki e seus associados por medo e razões óbvias, agora bandidos comuns de outras organizações que não são a liga...? -Aizawa riu levemente.

—O governo de Tomura não é diferente de uma máfia que se apoderou de um bairro ou de uma cidade, a diferença é que não tem um estado para combater e que agora a influência é todo um arquipélago -Izuku concluiu- Ele quer se aproveitar da fragilidade das pessoas, ele quer torna-las seus reféns e a partir desse ponto subjuga-las.

—E não tem nada que possamos fazer? -Inko perguntou.

—Os heróis vão ser caçados mas apenas em duas situações: Os que estiverem na lista negra dele e companhia ou caso não estejam, mas ainda sim sendo oposição -Nezu comentou.

—E nós temos motivos com o que nos preocupar, certo? -Izuku perguntou- A UA é o local onde a All Might trabalhou e fomos nós que enviamos a Melissa para longe do alcance dele...

—He he he... -Nezu comentou- Calma garoto, tudo está aos poucos sobre controle.

—Em abril nós vamos finalizar o projeto que esteve em construção desde o início desses tempos loucos -Aizawa respondeu.

—A UA não se trata apenas de um abrigo para uma pequena parcela da população, assim como as outras escolas estamos reunindo o máximo de heróis, aspirantes a heróis e recursos para torna-la uma fortaleza impenetrável.

—...! -Izuku se surpreendeu.

—HÁ HÁ HÁ! Te surpreendemos não? A Barreira UA é o nosso trunfo na manga, com um sistema de segurança que garantirá que todos aqui estejam seguros -Nezu continuou- Talvez com ela e mais alguns upgrades até mesmo possamos ser promovidos de uma pequena comunidade a uma mini cidade próspera graças a ela enquanto essa era terminar.

—Mas e se formos atacados ou invadidos? E se a barreira for insuficiente? -Izuku perguntou preocupado.

—Temos um sistema de evacuação para os civis enquanto aqueles que irão lutar precisarão dar tempo para todos escaparem -Nezu explicou- A UA está por exemplo se conectando com a Shiketsu por essas mesmas vias e caso uma seja atacada a outra poderá servir como refúgio e se ambas forem atacadas os civis poderão ser enviados para outro lugar que estratégico que ainda estamos finalizando toda a construção.

—E as outras escolas? -Izuku perguntou.

—Estivemos analisando sobre como conectar com a UA e a Shiketsu, não é fácil conectar duas grandes escolas que estão literalmente em lados opostos da cidade com um sistema de labirintos para confundir os vilões imagine envolver as demais escolas -Nezu comentou.

—Compreensível -Izuku comentou.

Mais ou menos em Abril, Maio deve ficar tudo pronto... Por hora teremos que nos contentar com o que temos -Nezu comentou- E enviar ajuda a quem ainda precisa.

—O objetivo é: Assim que terminar a barreira, reunir o número máximo de pessoas que podemos suportar e fechar nossas barreiras, só poderá entrar e/ou sair pessoal autorizado, ou seja, heróis que sairão em missões tentando recuperar as terras perdidas -Aizawa comentou.

—Aproveitando para perguntar, eu gostaria de saber como vai ser a situação dos alunos como heróis e aqueles que foram os desistentes -Izuku comentou.

—...

—Os traidores estão presos e não podemos confiar, temos a polícia para ajudar a garantir a segurança... Os desistentes não podemos confiar muito pois eles podem nos abandonar em mais uma situação crítica e a população não apoiaria ser protegida por eles, mas apesar de tudo são cidadãos que precisarão de ajuda para sobreviver -Aizawa orientou.

—Cada escola tem um número escasso de heróis, os estudantes praticamente tiveram uma formatura antecipada e para manter a segurança do local e garantir os heróis estarão sempre descansados e dispostos precisaremos fazer um rodízio de quem vai trabalhar dentro, fora e descansará, algo normal -Inko comentou.

—Os prédios para os civis já foram construídos pelo Cementoss, logo o prédio principal estará livre... O prédio será a sede da “prefeitura”, reuniões dos líderes e dos heróis, será onde todo o suporte poderá ser dado aos heróis além de salas médicas para cuidar dos heróis e civis e qualquer outra coisa complementar -Nezu bebeu um copo da água por não aguentar mais ficar falando.

—... -Izuku sorriu tranquilo.

—Viu? Não precisará mais se preocupar com nada... Estará tudo bem e só precisará entrar e sair quando estiver em missões -Nezu orientou- Só precisará antes descansar e depois voltar a ativa.

—E fazer uma prova ou outra, para não acabar repetindo de ano -Aizawa comentou.

—O que? -Izuku perguntou.

—Sua colega Melissa Shield e outros fora do Japão continuam sua educação como heróis... Precisaremos ter certeza que vocês estão mesmo preparados para a vida como heróis também -Inko continuou- Ou seja, vocês terão o equivalente ao ensino a distância para matérias comuns e um treinamento que substituirão as aulas do curso de herói para complementar com o conhecimento que já adquiriram.

—Você não acha que já sabe de tudo que é preciso para ser um herói, certo? -Nezu brincou.

—Suas aulas e treino se darão da manhã a tarde, poderão trabalhar como heróis da tarde ou a noite e descansarem durante o tempo livre -Aizawa orientou- Você continuará na 2-A e terá alguns colegas antigos ainda na classe, enquanto Camie e alguns colegas da Shiketsu que estão aqui serão transferidos assim alguns colegas que foram transferidos para outras escolas passarão a estudar aqui de novo dado que eles e suas famílias se refugiaram aqui durante o início do pós-guerra.

—Bem... Eu tava com saudades da vida de um estudante do ensino médio -Izuku riu.

—A propósito, temos que discutir quanto ao caso da Sabre de Prata e seu amigo... -Aizawa lembrou.

—Poxa vida... Quem é ele? -Inko perguntou, já que Izuku ainda não havia contado e só havia dado detalhes de como estavam as coisas do lado de fora.

—... -Izuku se preparou para contar.

Posteriormente...

—....... -Toda a sala ficou em silêncio.

—ELE O QUE?! -Inko se levantou assustada.

—É... Você é mamãe de novo -Izuku falou em uma tentativa de descontrair.

—... -Inko estava ainda digerindo tudo que aconteceu.

—Experimentos capazes de retirar, colocar, transferir individualidades... Criações de monstros, clones e simbiontes... O que falta pra esse cara fazer? -Nezu se questionou.

—O Itsuki, ele está preso, mas... Ele não tem culpa, tipo: Ele nasceu e só tentou me matar, mas... Ele o tempo todo foi manipulado por Garaki, não estou dizendo que ele não sabe o que é certo ou errado, ele sabe, apenas disse que ele foi realmente criado pra ser um vilão -Izuku ficou de cabeça baixa- Mas ele me salvou, ele por um momento mostrou que queria acreditar no que eu disse, ele mostrou que lá no fundo era de fato “eu” em essência... Será que eu posso ser responsável por ele? Em tentar inseri-lo na sociedade?

—... -Todos ficaram em silêncio.

—... -Inko abaixou a cabeça completamente impactada com tudo aquilo.

—Ele é só alguém confuso, uma vítima infeliz assim como todos os outros demais experimentos... E pode ser a chave para enfim acharmos o filho da puta do Garaki, se Izuku é o único que tem chance com ele, então temos que dar uma chance -Aizawa analisou- Para acabar de uma vez por todas com esse ciclo que seu criador criou desde o início de tudo...

—Por favor, ele precisa de mim -Izuku implorou.

—... Acho que ele estar do nosso lado não é nem só por conta do quão poderoso ele pode ser, certo? -Nezu analisou- Droga... Eu realmente tenho coração mole com meus semelhantes...

—E-Então eu posso?! -Izuku perguntou.

—Pode, mas se não der, não terá nada que possamos fazer... -Nezu comentou- A não ser que ele possa ser reinserido, será melhor que ele permaneça preso...

—Obrigado pela chance -Izuku comentou.

E assim Izuku seguiu podendo ficar tranquilo junto de sua mãe para seu quarto, onde uma longa conversa seria feita entre eles e nesse meio tempo de descanso, uma jornada para compreender Itsuki estaria para começar.

Continua...