Logo após ficar vendo os golfinhos, eu tinha aquela imagem ainda na minha... Bom, na verdade a imagem travada em minha cabeça era do sorriso do capitão, mas eu ainda queria pintar os animaizinhos lindos que estavam ao lado do barco. Então me dirigi para o meu quarto, mas não completei o caminho. Ao passar pelo quarto do capitão, eu vi uma vela acesa e a curiosidade me ganhou. Olhei para os lados, tentando ser discreta, assobiando, e só vi alguns homens jogando cartas, e o capitão estava bem na frente concentrado no mapa. Entrei ainda olhando para trás com Chopper aos meus pés, também entrando de costas.

Na primeira vez que entrei lá, eu olhei para o quarto, mas não vi, realmente, o que estava lá. Bem no canto do quarto, uma cama ligeiramente grande demais, no centro, uma mesa cheia de papeis e um que se destacava no meio, com dois castiçais nas extremidades (era deles que vinha a luz), e em um canto havia uma poltrona com uma pilha de livros em cima.

Me aproximei e olhei no papel. Era uma planta de uma enorme mansão. E havia rabiscos nela. Li as palavras “cofre” e alguns nomes, que reconheci pois eram os nomes de homens da tripulação. Era um esquema! Eles iriam roubar aquele cofre!

Mas ao invés de me desesperar ou fazer algum tipo de escândalo, olhei mais atentamente para o papel. Reconheci aquela planta.

—Eu gostaria de recorrer ao sarcasmo. Mas vou ser simples: O que quer aqui? –Falou uma voz bem atrás de mim. Me virei em um pulo e lá estava capitão.

—O que vocês estão fazendo? –Falei me virando de volta para o papel.

—Nós temos a política de “tirar dos ricos para dar aos pobres”, e como pode ver, esse homem é financeiramente poderoso. –Falou ele andando em minha direção. –Esse mapa nos leva até o dinheiro dele, mas ainda não descobrimos como pega-lo e sair sem sermos vistos por ninguém.

—Eu posso ajudar. –Arrisquei.

—Como? –Ele perguntou.

—Foi meu tio quem construiu esta casa. Ele me mostrou a planta quando eu ainda tinha uns 12 anos. –Sorri.

—E como, exatamente, isso ajuda? –Ele perguntou. Usando um tom extremamente curioso.

—Meu tio me perguntou para dar-lhe alguma ideia. E eu falei “Passagens secretas”, ele riu e disse: “Muito bem, aonde as colocaria? ”. E eu disse que colocaria uma perto ao quarto, que levasse para fora.- Indiquei a parede ao lado do quarto.- Para que se houvesse algum problema acontecendo no andar de baixo a pessoa que estivesse no quarto pudesse sair ilesa. E outra na cozinha.- Indiquei um canto na planta- caso incêndio ou a vida de alguém corresse risco, pudesse sair da casa vivo.

—E ele fez mesmo as passagens?

—Sim. E ainda me pediu para escolher os quadros que as encobririam. Ele pintou cada quadro, sem deixar passar um detalhe.

—Isso é verdadeiramente útil.- Falou ele, com uma cara de surpresa.- E como são os quadros?

—Bom, eu não sei onde ele colocou qual. –Falei balançando os ombros. –Mas eu me lembro... Um era de uma ruiva de cabelos longos, estava em meio a uma tempestade, trovões a deixavam mais pálida e em sua mão havia um bastão de um dois metros, azul. Eu a nomeei de “Deusa do Tempo”, e é isto que está escrito em baixo.- Sorri tristemente- A outra era de uma mulher de cabelos negros e olhos azuis. Deitada em um campo de flores de cerejeira e vários braços saindo do chão segurando uma garrafa, um livro ou um leque... Eu tinha uma imaginação fértil. –Eu fechei os punhos, os olhos lacrimejando sobre a planta.

—Tudo bem. Depois eu vou chamar todos para uma reunião sobre isso, você tem de vir também! E por favor, volte para o seu quarto. Fico ligeiramente sem rumo quando vejo uma mulher aos prantos. — Eu comecei a rir. Balancei a cabeça e me retirei.

Depois de ficar uma hora chorando memorias de meu amado tio, fui chamada a comparecer no convés. Mas ao descer o capitão me chamou para ficar ao seu lado acima das escadas. Ele falou sobre o plano: deveriam entrar na casa no dia do aniversário do filho e roubar o cofre do pai rico enquanto a festa rolava no andar de baixo. E a questão da saída já tinha sido resolvida.

—Bom, agora vou distribuir os papéis.- Falou o capitão e eu logo interrompi.

—Papéis? O que quer dizer?

—Bom, em outros saques nós sempre fingimos ser alguém, pois somos piratas procurados. Bom, para começar tenho o prazer de anunciar que alguns vão se vestir de mulheres.- Falou ele com um largo sorriso no rosto.

—NÃOOO! – Gritou Castiel. –São sempre os mesmos... senhor. –Acrescentou rápido.

—Exatamente! –Falaram os gêmeos. –Por que o senhor, James e Carl não vão desta vez? –Soltou um deles. E o capitão levantou a mão em pedido de silencio.

—Precisamos de mulheres atraentes e um homem gorducho (sem ofensa) e um peludo como um lobo (sem ofensa) não dariam conta do recado. –Eu, que estava comendo uma maça, ri e ele continuou.- Portanto os que reclamaram e mais alguns vestirão melões e perucas. –A maioria riu. -Timber e Gabriel serão as próximas meninas. –Esses dois pararam de rir imediatamente. –O resto, vistam smokings.

—E quanto a mim? –Perguntei.

—Você vai cuidar do barco. –Respondeu ele com um sorriso. Eu esmaguei a maça meio comida e a joguei para trás caindo no mar.

—Sabe, meus peitos grandes podem ajudar a nos conduzir para o quarto. E uma mulher, uma mulher de verdade, tem meios próprios de persuasão. –Agora um encarava o outro de frente.

—Você pretende fazer o que? Seduzi-lo e então? Você e muito frágil e não sabemos o que vai acontecer. Aquele homem é chefe de uma guarda inteira! –Ele foi alterando a voz, e eu perdi a cabeça. Dei-lhe uma joelhada no estomago (nunca percebi como perco a paciência facilmente) e quando ele se ajoelhou peguei o braço e o segurei nas suas costas, ameaçando quebra-lo e disse:

—Se você me chamar de frágil outra vez, juro que você perde o braço e as bolas! –Os homens lá em baixa sessaram os risos. E eu o soltei e ele ficou de frente para mim.

—Ótimo! Você pode ir, mas se algo acontecer a você... eu não me responsabilizo.

—Ótimo. –Falei com desdém.

—Ótimo. –Retrucou ele.

—Ótimo!

—ÓTIMO! –Berrou ele.

—Ó-TI-MO! –Agora nossos narizes estavam a poucos centímetros de distância. Me virei atirando os cabelos longos na cara dele e desci até a cozinha. Peguei um rum e sentei a mesa.

—Que porra! Quem aquele filho da puta acha que é? –Falei com Chopper. –Puta merda! –Tomei mais um gole. Ouvi passos e com um som forte coloquei a garrafa na mesa com raiva. Era o capitão. –Veio aqui me lembrar que eu tenho seios? Órgãos femininos? Ou que eu sou fraca e estou abaixo da coragem masculina?

—Eu gostaria de pedir desculpas. –Falou ele. –Sei que não fui justo, mas eu conheço a cabeça dos homens. E se ele tentar alguma coisa enquanto você está longe de nosso olhar? Além disso, ele é velho, isso seria uma experiência muito desconfortável para você.- Disse isso e se sentou na minha frente.

—Vamos fazer assim: Você cuida do seu traseiro e eu do meu. –Falei, e me sentei na mesa colocando as duas pernas em torno dele, apoiando os braços nos joelhos com a garrafa de rum pendendo na mão direita. Tomei um gole.

—Desculpe por me preocupar, mas sinto isso por todos meus companheiros. –E tirou a garrafa de minhas mãos.

—Sente atração física por seus companheiros?

—Quando eu disse...?

—Eu acho que estou começando a ficar bêbada! –Ri alto.