Notas iniciais
Eu nem sei o que dizer....

Capitão:

Quando estava no corredor ouvi Alicia pedir para chamar a três garotas que cuidaram de mim, e depois um grito. Comecei a sorrir como um tolo ao simples fato de achar que ela poderia estar com ciúmes. Porém a verdade recaiu sobre mim e admiti que não era isso... Eu acho.

Eu e Jorge ficamos na fonte um bom tempo, então quando ele disse que as nossas pontas dos dedos estavam ficando enrugadas, saímos. Eu estava terminando de me vestir quando ouvi um grito agudo e reconheci a voz. Vinha do outro lado do muro, onde ficavam as mulheres. Um pensamento horrível me ocorreu. “Alicia! ”.

Corri na direção dos gritos. Vi um homem, na parte feminina das fontes, ele puxava uma mulher nua, com longos cabelos castanhos, pelos pulsos. Eu reconheceria ela em qualquer lugar. O nojento estava tirando Alicia, nua, da água. Já ressaltei o fato de ela estar nua? Pelada? Sem roupas? Nadinha? Pulei em cima dele, sem pensar duas vezes. Agarrei seus pulsos e o joguei no chão. Não dei uma única chance para ele se defender, foram socos atrás de socos. Ele estava com o rosto tomado por sangue. Meus homens chegaram um pouco depois, me tirando de cima daquele parasita repugnante. E se não fossem por eles, aquele... monte de merda, estaria morto.

Olhei para Alicia, ela estava enroscada em si mesma. Tremia, me olhava, cravava as próprias unhas tão fortemente nas costas que chegou a sair um pouco de sangue. Seus joelhos estavam bem firmes junto aos... peitos... eu estava corado pela raiva, mas ao vê-la, corei... por outro motivo...

—Nós tomamos conta dele. –Falou alguém a minhas costas.

Tirei o casaco, a cobri e a levantei do chão. A olhei enquanto perdia consciência. Nos poucos momentos de lucidez, ficou quieta e extremamente pálida.

Levei Alicia a meu quarto e solicitei uma bacia com água quente. Ao deita-la, não tirei o casaco, apenas coloquei um cobertor sobre a mesma. Quando toquei sua pele, percebi como ela estava fria. Sua expressão de dor, só me fez sentir pior. Sentei-me ao lado dela. Alguém bateu a porta e uma bela moça me entregou uma bacia com água quente. Como não sabia direito o que fazer, peguei uma toalha e a mergulhei na bacia, depois a depositei na testa de Alicia. Sua expressão e estado atual, me deu vontade de protegê-la contra todo o mal do mundo, ao pensamento de o que a fez ficar desse jeito, vulnerável, a raiva fez meu sangue ferver.

—Capitão? –Um dos homens estava a porta. Abri e vi Carl.

—O que foi?

—O homem está sob nossa custodia. Não sabíamos se gostaria de fazer algo com ele. –Disse ele, estralando os dedos. Sorri maliciosamente e ele me retribuiu o mesmo tipo de sorriso.

—Claro... –Fomos até a sala de refeições e mandei Jorge cuidar de Alicia. Assim que ouviu isso ele estufou o peito e correu até o quarto.

O homem estava sentado em uma cadeira, as pernas e mãos amarradas. Sua camisa branca aberta, hematomas no rosto, causados por minhas mãos. Porém os machucados em seu tórax, não tinham sido feitos por mim.

—O que ocorreu com o corpo dele? –Perguntei, não exatamente para algum deles, mas para todos. Todos olharam em uma direção diferente e alguns deles até assoviaram. Sorri. –Então... vai nos dar um motivo ou...? –Me dirigi a escória. Ele levantou a cabeça, me encarou e abriu a boca. O soquei mais uma vez. Tossiu e cuspiu sangue. – Desculpe, é mania. Continue.

—Fazem três meses... que não fico com uma mulher. O senhor deve entender, -Troquei olhares, confusos, com os homens, mas nenhum deles entendia o que aquele homem falava. –E então vi sua vadia nas águas e pensei que o senhor não iria se incomodar. –Paralisei.

—Minha o que?! –Me exaltei. Alguns homens deram um passo à frente, mas fiz sinal a eles para ficarem em seus lugares.

—Capitão...! –Exclamou um deles.

—Se acalmem. Do que você a chamou?

—De... de sua... vadia? –Ele respondeu em pausas. Comecei a rir, uma gargalhada que apenas minha tripulação conhecia, por isso me acompanharam. Já o homem, riu sem graça. Quando coloquei minha mão em seu ombro ele também começou a rir. Tirei minha faca e a enfiei em sua perna. Ele gritou, minha raiva era evidente, pois agora eu o encarava sério e todos ao meu redor também.

—Você me enoja. –Falei encarando seus olhos cheios de lagrimas, e cuspi em sua cara. Soquei-o mais uma ou duas vezes e disse: -Ele está sob seus cuidados meninos. Se divirtam. –Me dirigi a saída, a tripulação se aproximando dele, e por último, apenas ouvi um grito.

Quando abri a porta do quarto, Alicia estava acordada com Jorge nos braços. Ele dormia e ela olhava para fora da janela. Bati a porta e recebi um olhar da mulher deitada a cama. Cheguei bem perto, ela voltou a encarar a vista da cidade, por cima da colina onde se situava aquela pousada.

—O que aconteceu? –Me perguntou em um sussurro.

—Você foi atacada..., mas já cuidamos de tudo. –Voltou a me encarar.

—Como assim, cuidaram? –Fiz uma cara de culpa. –Meu Deus! Vocês...

—Eu não sei. Deixei os homens cuidando dele.

—E Chopper?

—Acho que ele também tinha algumas coisas a acertar com aquele filho de uma... –A essa altura, continuávamos cochichando. Ela sorriu. Fiquei confuso. Mas então Alicia virou o rosto e eu me sentei em uma poltrona ao lado da cama. Fiquei ali, observando-a. Até que caísse no sono novamente.

Fiquei me perguntando como seria se eu a tocasse naquele momento, como ela ficaria vermelha e constrangida. Como seria ser tocado por ela. E também me perguntei se eu não a tivesse ouvido naquele momento. O que aconteceria com ela? Tentei imaginar os meus dias sem a presença dela... seriam doloridos e vazios. Pensei também em outro homem a tocando... meu estomago deu um nó... nunca senti essas coisas por outra pessoa... O que será que está acontecendo comigo?

Notas finais
bjs, comentem etc...