Deixe-me pinta-lo, Capitão
21 Capítulo 18
Notas iniciais
Já vestida, estava de volta ao barco, e a única coisa que consegui fazer foi deitar em minha cama e sentir raiva de mim mesma. Não podia acreditar que deixei a raiva subir à minha cabeça e assustar aquelas garotas, tanto; pois elas abusaram de um homem incapacitado, e isso foi errado. Mas o pior, foi eu ter me deixado ficar vulnerável. Que raiva! Não consigo acreditar que deixei um homem nojento me imobilizar, e a forma como gritei?! Como uma fraca! Humilhação de mais para um ano.
Acordei com uma forte agitação no barco. Minha escrivaninha ia e vinha, assim como minhas telas, espalhadas pelo chão. Jorge estava ao meu lado, encolhido, abraçando os próprios joelhos.
— Hey, você está bem? –perguntei.
—S- sim – e então um raio de luz entrou pela janela e pelas aberturas na parede, seguido de um enorme estrondo.
— Chopper! – bati com a mão no colchão e sai do quarto, deixando Jorge agarrado em Chopper.
Ao chegar ao lado do leme, consegui abrir os olhos. Uma tempestade devastadora se encontrava diante de meus olhos. Não haviam homens à vista. Meu coração começou a acelerar. Virei-me e comecei a bater fortemente na porta do quarto ao lado do meu, um pouco sega pela chuva. A porta abriu e uma mão me puxou para dentro.
— O que você está fazendo?!
— Pão! –respondi bruscamente. – O que você acha que eu estou fazendo? Acordei assustada pela tempestade e não encontrei uma alma viva!
— Se sabia que era uma tempestade, deveria ter ficado no quarto!
— Eu tinha que ver se tudo estava bem!
— Somo homens do mar, estamos acostumados!
— Bom, eu não estou! Pode parar DE GRITAR?!
— NÃO ESTOU GRITANDO!
— PARA!
— Tudo bem. Tudo bem. Me desculpe. Mas é perigoso ficar fora em uma tempestade em alto mar –não respondi. – Como você está?
— Por que?
— Por tudo que aconteceu...
— Vou para meu quarto –não conseguiria encara-lo pensando naquele momento. Abri a porta, mas a mãe de capitão a fechou bruscamente. Seu peitoral estava escorado em minhas costas.
— O que aconteceu não foi culpa sua.
— Eu sei.
— Não estava me referindo aquela gárgula ter te atacado. Você estava cansada, e o vapor costuma deixar as pessoas zonzas. Naquele momento sua pressão estava baixa, nem James conseguiria se defender. Você não é fraca. Em situações normais, teria acabado com aquele cara em segundos –sorri e me virei. Seu rosto estava muito perto da minha nuca. Ficamos nos encarando, no escuro, onde os únicos raios de luz vinham da tempestade.
— Tenho que ver como Jorge está –e sai.
Ao entrar em meu quarto, percebi a silhueta de um cão e um menino, abraçados, em sono profundo. Deitei e adormeci.
Quando acordei, a tempestade já havia passado e Jorge e Chopper haviam descido. Fiz o mesmo. Como sempre, ao chegar na cozinha, todos me cumprimentaram, alguns perguntaram como eu estava e depois, as conversas voltaram como sempre.
Logo após a refeição, permaneci em meu quarto, pintando e afinando meu violino. Chopper dormiu em minha cama, Jorge ficou no andar de baixo, jogando com as outras “crianças”, pude ouvir suas badernas a manhã toda. Estava tão concentrada, que ao ser chamada para o almoço, pedi para que alguém o trouxesse para mim e não o comi. Terminei os acabamentos no quadro dos golfinhos; pintei Chopper brincando com gaivotas; Jorge dormindo ao lado de Chopper; uma mulher usando o vestido azul e preto; Castiel e Z.S; Chopper de barriga para cima no deck, rodeado por pés masculinos; a noite de tempestade; e afinei as cordas de meu violino.
Quando terminei, estava coberta de tinta, até no cabelo, então, pensei que era hora de ir até a cozinha e pegar um pouco de água para me lavar. Porém, quando abri a porta, me deparei com James, que ao me ver deu um salto em susto.
— Senhorita! –falou com susto. –Não pode sair agora.
— Do que está falando? Saia da minha frente.
— Ordens do capitão, senhorita. Sinto muito.
— James! Saia! –James ficou confuso, não sabia a quem obedecer. –Por favor, olhe para mim. Nunca estive tão suja.
— Ordens diretas, senhorita Alicia. Por favor, me perdoe –botei as mãos em seus ombros e olhei em seus olhos.
— Eu entendo, James. E agora, espero que você possa me perdoar –antes que ele fizesse qualquer pergunta, chutei sua virilha. Quando ele se ajoelhou, sai correndo até abaixo do deck.
A cozinha estava completamente vazia. Peguei um balde, mergulhei-o no barril com água, tirei a camisa e comecei a me lavar. Peguei uma toalha que estava por perto, me sequei e, como a blusa ficaria meio transparente, coloquei a toalha na frente e subi. James estava me esperando.
— Isso foi maldade, senhorita.
— Me perdoe, James. Ao menos estou limpa agora.
— Capitão deixou um presente para a senhora no andar de cima –ele me levou até o quarto, onde um conjunto novinho me esperava na cama. Era lindo. Uma blusa do azul mais lindo que já havia visto, de mangas longas e bufantes, com os ombros de fora, que era meu detalhe favorito, um colete preto com detalhes em linhas de ouro, juntamente a uma calça nova, ainda preta, mas nova, com detalhes dourados nas laterais, que caia perfeitamente em meu corpo, botas novas, pretas e com um salto um pouco maior, uma maravilhosa gargantilha de ouro com uma safira no meio e uma sacolinha de pano, que quando abri, revelou-se um pequeno baú de tesouros. Haviam anéis, colares, braceletes, gargantilhas, brincos, broches e joias soltas. Fui até a porta e a abri:
— James? –ele se virou. –O que é isso?
— O capitão pede que se vista e desça. Por favor –fiquei meio surpresa, mas fechei a porta e coloquei minhas roupas novas e soltei os cabelos ainda molhados.
Quando reabri a porta, James não estava mais lá. Fui até o lado do timão e olhei para baixo. Capitão estava lá, de costas para mim, apreciando a bela noite; a lua estava enorme, e as estrelas nunca brilharam tanto. Haviam mais lampiões acesos do que nas noites anteriores, com flores pendendo das laterais, na verdade, haviam flores por todos os lados, inclusive dentro dos canhões. Todos os canhões da parte de cima estavam virados para dentro do barco, com flores e garrafas dentro. Sentado nas escadas à minha esquerda, estava um dos gêmeos, tocando alaúde*. Desci as escadas.
— Boa noite, mademoiselle—falou o homem de olhos dourados, que se virava para me encarar.
— Boa noite, monsieur. O que é tudo isso? –falei me escorando em um dos canhões. Ele se aproximou de mim, e retirou uma garrafa de dentro do canhão.
— Achei que poderíamos ter um momento de paz –falou indo em direção à escada, de onde, ao se levantar, tinha dois cálices em mãos. Jogou um deles para mim. –Vinho –serviu um liquido purpura e bebemos. Depois, capitão me estendeu a mão, e começamos a dançar. Lentamente.
— Você é estranho –ri.
— E você... fica linda de azul –falou me puxando de um giro.
A noite continuou assim: conversando, rindo, bebendo e dançando. Após terminar a garrafa segunda garrafa, tentamos dançar mas caímos no chão. E foi quando percebemos que não havia mais música, Oscar havia descido.
— Não acredito que passou por nós duas vezes e não percebeu nada –riu o capitão.
— Bom, na primeira vez e estava com pressa e distraída pela tinta em meu cabelo, na segunda, estava tentando esconder minha camiseta molhada. Então me perdoe por não perceber –ele riu mais ainda. –Onde estão Jorge e Chopper?
— No seu quarto. Carl carregou Jorge, já adormecido, para lá enquanto você estava tirando tinta do cabelo –agora eu ri.
— Nem vi que ele estava lá. Acho que estava muito cansada e... mesmo assim, aproveitei muito está noite. Obrigada –virei para encara-lo e ele fez o mesmo.
Capitão pegou minha mão e levantou, me puxando junto. Apagamos as velas, o que demorou um pouco, e fomos até o quarto do capitão.
— Aqui. Vista –falou o mesmo, atirando para mim uma de suas camisetas. Ficamos de costas, e quando me virei, ele estava sem camisa com os botões da calça aberta, e a camisa que eu usava não ficava nos dois ombros ao mesmo tempo.
Deitamos. Eu estava de costas para ele, podia sentir seu coração, o calor de seu corpo, sua respiração. Meu corpo se mexia sozinho, não conseguia ter o controle, principalmente de meus quadris, e quando mais os movia mais sentia seu corpo. Então, sua mão começou a subir pela minha coxa, entrando pela camisa e abraçando minha barriga. Adormecemos de mãos entrelaçadas e com as temperaturas corporais muito elevadas.
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