Deixe-me pinta-lo, Capitão
12 Capítulo 10
Notas iniciais
—Capitão! –Ouvi esse vocativo juntamente com uma batida forte na porta.
—Estou sonhando? –Falei, meio sonolenta.
—Não, mas ignore que eles vão embora. –O homem ao meu lado respondeu.
—CAPITÃO! –toc-tocs, viraram BUM-BUMs.
—O QUÊ?!-Falamos em uníssono, nos sentando na cama.
Sabe aquele tipo de pessoa que pensa junto, fala junto? Acho que Sen era essa pessoa para mim. Pois, veja bem, nos levantamos juntos e cada um pegou seu revólver.
Abrimos a porta e cada um apontou a arma para frente. E falamos de novo:
—O QUÊ?! –O vento me pegou desprevenida.
Em nossa frente estavam Carl, James e Timber. James e Carl na verdade estavam segurando Timber pela gola da camisa. E assim que nos viram o jogaram aos nossos pés. Percebi que ainda estava escuro.
—E-ele t-t-tem alg-go a di-dizer. –Falou Carl, muito nervoso. Percebi que eram as armas, então abaixei a minha e fiz com que o capitão fizesse o mesmo.
—Eu achei isso na casa daqueles supostos senhores. –Ele levantou um papel acima da cabeça.
—Um convite para um maldito baile? –Falou Sen com raiva.
—É de uma família tão rica quanto aqueles que roubamos da última vez. E como ele escondeu isso de vocês, achamos que seria melhor lhe informarmos logo, pois é amanhã e já estamos em alto mar. –Explicou James.
—Mas nós nem sabemos onde procura por ouro nessa casa. –Falei. –Mas como estão tão interessados podem ficar à noite inteira acordados pensando sobre isso. –As minhas emoções foram dominadas pelo sono.
—E mudem de direção. Vamos até essa festa. E coloquem à todo vapor, Alicia precisa de um vestido novo.
—Mas a Alicia não quer um vestido novo. –Falei.
—Que pena, pois você vai ganhar um. – Ele virou o rosto para mim e sorriu. -E vocês não se atrevam a cair no sono. -Disse se virando para os três patetas.
—Vamos deixar vocês se aproveitarem. –Falou Carl sorrindo e corando.
—Vai tomar no seu cu. –Respondi e me virei, para ir deitar novamente.
As portas se fecharam atrás de mim, largamos nossas armas.
—Sabe, eu queria dizer para ele darem meia volta, mas aí lembrei que você é que manda aqui. –Ri ao falar isso.
—Se eu fizer de você minha “primeira”-
—Primeira? Sua imediata?
—Sim.
—Ok, a escolha é sua. Mas por agora, podemos dormir? Ainda está escuro lá fora.- Disse enquanto bocejava. Ele concordou e nos deitamos de novo. Dessa vez, eu servi de travesseiro para ele. Sua cabeça estava na minha barriga. Aproveitei e coloquei minha mão em seus cabelos. Caí no sono...
Dessa vez eu fui a primeira a acordar. Puxei, com carinho, um de seus fios de cabelo.
—Acorda. –Falei com aquela voz matutina e sonolenta.
—Por que? Deixa eu ficar mais um pouco assim. –Ele disse e se esfregou na minha barriga.
—Sai, seu pervertido. –Falei sentando e empurrando sua cabeça para o lado.- O navio está parado.
Ficamos de pé e eu saí, pois precisava me trocar.
Entrei no quarto e Jorge e Chopper haviam sumido, mas como o menino deveria estar com o meu confiável cãozinho, não precisava me preocupar.
Fui até o baú. Vi algumas roupas. Achei um lindo macacão. Tinha bolsos, era tomara-que-caia em forma de coração. Coloquei, juntamente com uma bota que ia até as coxas. Fiz um rabo bem alto, deixando a franja cair. O cinto, com o revólver, deu aquele toque especial, juntamente com a pulseira com uma bússola implantada.
Desci até o convés.
—Bom dia, rapazes.
—Bom dia, senhorita. –Falaram alguns.
—Bom dia, senhorita Alicia. –Complementaram outros.
Fui tomar meu café. Capitão, Jorge, Chopper, Castiel e Z.S estavam lá. Ri ao pensar que os três tivessem atrapalhada um “daqueles momentos” entre Castiel e Z.S.
—Alicia! –Falou o pequenino menino correndo ao meu abraço, ao lado de Chopper, que veio em receber também.
—Olá. Castiel eu estou faminta, tem algo aí para mim?
—Sanduíche de carne e café? –Perguntou ele. –Foi isso que dei ao Capitão.
—Sim. Pode ser. –Disse e sentei à mesa, ao lado de Z.S. –Então, Z.S, o que está fazendo aqui em baixo? –Ele tossiu a água do copo. –É, eu sabia que essa seria sua resposta. –Comecei a rir e ele me deu uma cotovelada, enquanto Castiel, que me servia, ficou tão vermelho quanto um tomate.
—Acabe logo de comer. Temos que ir à cidade. –Falou capitão.
—Tudo bem, tudo bem. –Pensei que deveria me desculpar pela pequena brincadeira com os pombinhos, então: — Que tal você subir e levar Jorge com você? Veja quem vai ficar no barco, e deixe-o sobre os cuidados dessa pessoa.
—Você fala como se fosse minha chefe.
—Eu sou sua chefe. –Ele riu e foi para cima. Mas dessa vez, Chopper ficou comigo.
—Hey, vocês não ficaram chateados né? Foi apenas uma brincadeira.
—Não. Eu achei engraçada. –Falou Castiel.
—Fala isso porque não foi você que quase morreu engasgado.
—Tudo bem. Vou dar a vocês uma privacidade. Até depois meninos. –Falei e subi as escadas para o convés.
Os homens estavam em formação. E em um canto separado estavam Eric, Jonathan e Igor, com Jorge.
—Estávamos a sua espera. –Capitão estava usando um longo casaco, que ia até suas canelas, nos ombros. –Eu gostaria de anunciar que de hoje em diante, Alicia será nossa imediata. Alguma objeção? –Urros de alegria foram largados. –Cruzei os braços, o vento levantou meus cabelos.
—Bom, se isso é tão importante posso ter um desses casacos? –Perguntei e Isaac e Sebastian foram pegar um para mim ao estralar de dedos do capitão. –Tenho a leve impressão de que isso é um modo de chamarmos atenção...
—Você tem um bom instinto. –Sen e eu fomos a frente.
—Nós poderíamos voltar a casa daqueles idiotas. –Falei.
—Por que faríamos isso? –Ele me perguntou.
—Pois poderíamos roubar dele, ao invés de tirar dinheiro do nosso próprio bolso.
—Viu? Foi por isso que tornei você minha “primeira”*.
—Ahan, só por isso. –Alguém falou atrás de nós.
—Calado. –Dissemos em uníssono (de novo).
Andamos pelo mesmo caminho de ontem. Eu estava tão cansada.
—James? –Falei.
—Sim, senhorita?
—Me carregue? Por favor.
—Tudo bem. –Ele falou meio hesitante. Subi em sua garupa.
—Você tem pernas para quê, certo? –Disse o capitão com desdém.
—Para idiotas perguntarem para o que elas servem. –Retruquei de olhos fechados.
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