Deixe-me pinta-lo, Capitão
5 Capítulo 4
Acordei com uma forte batida na porta, levantei meio sonolenta e atendi. Era Eric. Somente pelo fato dele ter me olhado e logo ruborizado, percebi que minha camisa estava meio aberta. Como estava apoiada na porta, ajeitei a postura imediatamente.
— Sim? –Disse eu.
— Ah... –ele ficou meio sem jeito. -O capitão deseja a lista de lugares bons para comprar –eu me virei rapidamente e peguei a listinha que tinha feito na noite passada.
— Aqui –entreguei a lista, sorri e fechei a porta.
Um tempo depois, ouvi os homens combinando algumas coisas e então, somente o silêncio. Abotoei a camisa, calcei uma bota e sai.
Não havia ninguém. Éramos só eu e Chopper. Caminhei sobre o convés, examinando-o. Fui até a proa me virei para fitar o navio inteiro. Havia um pequeno degrau que servia para diferenciar a parte da frente com a do meio. O alçapão que levava para a cozinha e para as redes de descanso, estava ao meio. Tinha uma escada que levava até o leme e logo atrás, os dois quartos. Caminhei um pouco e os esperei retornar.
Avistei-os de longe. Seguravam caixas pesadas e só então percebi. O barco estava ancorado no porto. Lancei a tábua para que eles pudessem subir. Eu ofereci minha ajuda, mas James disse que estava muito pesado para mim. Eu o chutei na canela e peguei a caixa.
Todos ficaram incrédulos por eu conseguir levar aquela caixa, e, de fato, ela era muito pesada, mas eu consegui leva-la para a cozinha. Ao subir, fui me recostar da proa e fiquei vendo o movimento. O capitão gritou:
— Recolher âncora –e todos começaram a correr. Três deles foram recolher a primeira âncora e outros dois a segunda. Me virei e olhei a ilha começar a se afastar. Dava para ver minha casa, a casa que era de meus tios e antes de meus amados pais. Segurei com força a borda do navio, abaixei a cabeça e senti meus olhos arderem.
— Eu consegui, papai. Eu consegui –sussurrei para mim mesma. Levantei a cabeça e dei uma última olhada em minha antiga vida. E me virei, para dar uma olhada em minha nova vida. Todos estavam caminhando ou sentados no convés, mas quando me viram mirando-os pararam e se fixaram em mim. E, do nada, todos sorriram ao mesmo tempo. Até o capitão que estava no leme olhou para mim e deu um sorrisinho satisfeito. Sorri de volta e fui ver se alguém precisava de minha ajuda. Carl me chamou para uma partida de xadrez e fomos jogar.
Sentei em um banquinho, Carl sentou à minha frente. Gabriel colocou o tabuleiro na mesa e começamos. Como não tinha muita coisa a fazer, todos foram assistir ao jogo, exceto o capitão, que ficou cuidando de nossa direção. Prendi o cabelo, e comecei. Meu tio havia me ensinado, e ele era o campeão da vila. Se eu consegui vencer o melhor da minha cidade, eu poderia vencer Carl. Já haviam se passado dois minutos e ele estava com dois peões e minhas torres, eu estava com um de seus cavalos, um bispo e quatro peões. O jogo encerrou quando consegui encurralar seu rei com minha rainha e meu bispo.
— Xeque Mate –os homens ao meu lado vibraram e eu os vi trocando moedas, com os que estavam do lado de Carl. –Vocês estavam apostando? –Eles olharam para os pés. –Eu que merecia essas moedas, me deem metade- e sem hesitar, cada um me deu uma moeda. –Alguém quer tentar? –E um dos gêmeos se sentou em minha frente -Qual deles é você?
— Oscar, senhorita Alicia.
— Quais as apostas? –Perguntou Z.S. Eu ouvi alguns falarem meu nome e outros Oscar.
Dez minutos depois, eu gritei Xeque Mate. Depois, joguei contra Igor e ganhei mais moedas. Nenhum deles quis jogar mais. Então ouvi o capitão chamar Sebastian. Ele desceu e se sentou na minha frente.
— Eu serei seu oponente –no começo me senti incrédula, mas a ficha caiu rápido. Os homens não sabiam em quem apostar. Então eu disse.
— Sem apostas, garotos.
O jogo começou bem. Mas ficava cada vez mais difícil. E não era fácil para ele também. Ficamos jogando durante um longo tempo até que Castiel surgiu do alçapão e disse que o almoço estava pronto. Todos descemos.
Sentei no mesmo lugar onde estava na outra noite. Ao meu lado estava Eric. Fiquei olhando onde o capitão iria sentar e, para minha surpresa, ele pegou o prato que estava em frente a sua cadeira e o colocou em minha frente. Como na noite anterior, ele estava olho a olho comigo.
— Quem quer Rum? –Perguntou Castiel, erguendo uma garrafa no ar. Todos levantaram os copos e urraram. Fiquei meio sem rumo, não sabia o que fazer.
— Quer experimentar senhorita? –Perguntou Isaac. Nesse momento vi que todos perceberam que eu nunca havia provado rum. Assenti com a cabeça. Castiel pegou meu copo e despejou o liquido em meu copo. Senti o cheiro e virei a cabeça.
— É meio forte. Se não quiser não precisa tomar -falou James. Senti que ele estava me subestimando. Tomei tudo em um gole. Tossi e senti o interior do meu corpo queimar. Deveria ser parecido com o inferno. Todos eles aplaudiram e vibraram tomando um gole.
— Vocês tomam isso no meio-dia? –Perguntei.
— Tomamos sempre –falou Isaac.
Após o almoço, voltamos ao jogo. Venci após só termos sete peças no tabuleiro. Ergui as mãos no ar e me espreguicei.
Fui até a borda quando alguns deles se retiraram para tirar um cochilo. Fiquei sentindo o vento nos cabelos. Olhando para o horizonte admirada. Era lindo. Completamente azul, azul infinito, somente azul. Me senti tão livre. Então senti uma presença atrás de mim. Lá estava o capitão.
— É lindo, não? –Ele perguntou.
— De fato. Nunca me senti tão confortável como estou agora –falei, enquanto tirava minha atenção do oceano e acariciava Chopper.
— Veja isso –ele pegou minha mão e eu senti um formigamento. Ele me levou até um dos lados do navio. Eu poderia chorar. Sentei na borda e me apoiei na corda. Minhas pernas estavam viradas para dentro do navio. Ouvi ele dizendo que eu poderia cair, mas a imagem que estava diante de meus olhos me deixou imune a sons. Três golfinhos pulando e fazendo gracinhas bem perto de mim. Não pude acreditar. Me virei e vi o capitão me olhando, com um sorriso maravilhado.
— Que foi? –Perguntei.
— Você fica muito bonita quando está encantada com alguma coisa -disse.
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