Notas iniciais
Eita gente, estou numa correria. Aqui está mais um ep fresquinho hehe Agora correr para terminar. Boa Leitura

Meu coração ainda martela em meu peito, bombardeando desespero. Apenas depois de realizar esse feito é que me dou conta da gravidade da situação. Culpa invade-me como ácido e queima em meu peito. Lágrimas escorrem, silenciosas através das minhas bochechas e cubro minha boca com as mãos. Sinto um tremor agir em minhas pernas e dou uma última olhada no corpo que jaz lá embaixo.

Eu fiz.

Balanço a cabeça, incrédula diante de tudo isso. Não consigo compreender, apenas sentir. Dou alguns passos inseguros para trás e quando me viro em direção ao portão do terraço, fico paralisada.

Amit me fita de olhos arregalados. Uma expressão de horror cobre-lhe a face e posso ver como ele está assustado. Acabei de matar a sua mãe. Ao seu lado Seth permanece impassivo, seu olhar não revela nada do que se passa, porém não creio que ele tenha esquecido a nossa conversa anterior.

– O-o que... o que você fez? – As palavras trêmulas de Amit, contrastam com o lado dele que conheci. Não haverá mais sorrisos.

Não possuo a força para responder sua pergunta. Cerro os punhos numa tentativa frustrada de me acalmar. Respiro fundo. Toda a determinação e força que possuí na hora de pôr um fim na Ava mais velha, se esvaiu, deixando apenas um rastro de fraqueza. Tal fraqueza que ameaça me esmagar.

– Sinto muito, Amit. – Ergo o olhar do chão e encaro-o de maneira abatida. Sua palidez me assusta.

– V-você a matou... – Os olhos do antes animado Amit, se enchem de lágrimas e pela primeira vez, desde que cheguei neste futuro louco, o vejo chorar.

Sinto uma dor em meu coração. Eu sou a que carrega todo esse fardo. Ainda assim, Amit não sofrerá por muito tempo. Em breve ele deixará de existir também. Algo se clareia em minha mente desnorteada e lembro do que preciso fazer agora. Está na hora de ir para outro ano. Preciso fugir, talvez eu possa ser presa por assassinato. Tenho que continuar o que comecei.

Passos partem a minha concentração e tenho o vislumbre de uma Makayla ofegante. Seus olhos profundos se voltam em minha direção, enquanto ela descansa as mãos no joelho.

– Precisamos ir, Mak. – Aviso a ela.

– Ir? – Amit agora soa transtornado – Aonde você pensa em se esconder, depois de cometer tal ato horrendo? Pensa que vai escapar disso? Veio até aqui para matar... – Sua voz se perde um pouco, até que ele retoma a fala e me encara com ódio – Você é horrível.

Abro um sorriso triste, para me tornar capaz de aturar tais palavras. Posso entender o meu filho. Ele está devastado e não há nada que se possa fazer. Olho para Seth que agora me fita de maneira compreensiva.

– Seth, precisamos voltar ao DeLouren.

Com um aceno ele faz um sinal para que eu me aproxime. Makayla se agarra ao meu braço, sem nem entender ao certo o que acabou de acontecer. Antes de chegarmos ao centro do salão, Amit se vira revoltado.

– Seth?! O que está fazendo? – A decepção é perceptível – Como pode ajuda-la depois do que fez?

Seth me encara de modo tranquilizador e em seguida se vira para Amit.

– Ela carrega mais peso no ombro do que se pode imaginar – Então ele acrescenta num tom baixo – Você deveria tratar melhor a sua mãe.

Minhas expectativas sobre a reação de Amit me pareciam óbvias. Eu esperava vê-lo responder com desprezo e já havia me preparado para suas palavras. Mas a realidade é muito mais cruel. Meu interior é perfurado pelos estilhaços da culpa, quando vejo Amit abrir um sorriso triste e melancólico em minha direção. Seu olhar afiado e envolto por lágrimas. As palavras, lançadas feito pedras.

– Pessoas como você deviam morrer.

Makayla aperta-me de maneira tão firme que chega a doer, em claro sinal de descontentamento. Peço para ela se acalmar e abro um último sorriso para o meu ex futuro filho, antes de seguir Seth.

– Então seu desejo será concedido.

~

Depois de uma longa jornada em silêncio, de volta à casa de vidro do Seth, ele resolve quebrar a tensão.

– Você fez o que precisava, Ava. Lide com as consequências, não adianta se debater com questões que já foram resolvidas.

Enquanto caminho pelo jardim e sinto o amanhecer se aproximar, fecho a minha mão ainda mais forte contra a mão de Makayla. Ele não devia falar de coisas que não é capaz de entender. Ninguém é capaz de entender pelo que estou passando. No fundo, sei que ele também me odeia pelo que fiz. Tenho certeza de que “A senhora Mees” fez parte de seus dias. De sua vida.

E agora ela está morta.

Por minha causa.

Como ele pode não me odiar?

Permaneço quieta, até que avisto o carro prateado ao longe. Acelero o passo para alcança-lo, molhando minha panturrilha no gramado. Projeção estúpida. Mundo estúpido. Não vai me enganar. Isso não é real. Paro a alguns metros de distância do DeLorean e me viro para Seth.

– O que foi? – Indaga Ava, olhando para mim.

– Você verá. – Respondo rispidamente – Seth, poderia desligar o projetor por um instante?

O olhar perdido de Seth me revela que ele não entende o que desejo obter com isso, ainda assim ele acena de forma positiva e se aproxima da sua casa. Aguardo, enquanto o vejo desaparecer atrás da casa. Makayla ainda me encara com um olhar duvidoso.

– Estou cansada dessa farsa. – Estou irritada. Não entendo verdadeiramente o motivo, porém sinto que algo ferve em mim. Não quero ver mais nada desse fajuto 2020, mas antes de ir, quero ver com meus próprios olhos se o que Seth me contou é verdade.

Espero alguns instantes, tentando limpar a minha mente e organizar os meus pensamentos embaralhados.

Então acontece.

Por um segundo, toda a perfeição, todo o impacto e a beleza da paisagem, do ambiente que nos envolve, desaparece. Tudo se esvai, revelando a terra áspera e infértil. O real futuro que nós humanos conquistamos, graças a nossa negligência.

Depois tudo volta ao normal e me dou por satisfeita. Posso finalmente dar adeus a esse futuro idiota.

– Por que ficou tudo tão feio? – Pergunta Makayla, se aproximando do carro, confusa.

Arregalo os olhos e encaro o verde projetado sob meus pés. Por que eu requeri isso? Qual a necessidade de uma confirmação? Por que me sinto assim? Cerro os dentes e cubro o rosto com as mãos. Eu sei. Eu sei. Estou tentando não me importar, estou tentando conviver com a minha ação. Porém toda vez que lembro do olhar da Ava, implorando para não morrer, sinto-me horrível. Como se uma podridão se apossasse de mim. Me sinto suja e feia.

Fiquei tão irritada com a suposta perfeição desse futuro e não pude aceitar. Eu queria deixa-lo tão feio quanto eu me sinto. Foi esse o objetivo.

– Ava, você está bem? – Makayla soa preocupada e forço um sorriso em sua direção, repousando uma mão sobre a sua cabeça.

Não, penso. Estou péssima. Ainda assim não tenho a coragem de proferir tais palavras. Seth retorna com passos pacientes. Em seguida ele para ao meu lado e me analisa. Respondo às suas indagações silenciosas com um aceno e vou em direção ao DeLorean. Abro a porta esquisita e um arrepio me percorre, quando entro em contato com seu material.

Apesar de ser uma invenção estranha, é uma peça de casa. De certa forma, considero esse fato reconfortante. Makayla se apressa e adentra o veículo, entusiasmada. Reviro os olhos para tal agitação. Provavelmente ela ainda vê tudo isso como um sonho.

Suspiro ruidosamente e sinto a brisa que se joga contra meus cabelos. Fecho os olhos por um instante, abro-os e olho para Seth, que me encara firmemente. Seus olhos refletem tristeza.

– Acho que é hora de eu ir. – Anúncio.

– É o que parece. – Seu olhar desce até o chão.

– Acho que isso é um Adeus, então. – Afasto o olhar e retomo a minha tentativa de agradecimento – Obrigado por tudo que fez por mim até agora. Quando cheguei aqui, perdida. Quando confessei o que realmente vim fazer aqui. Quando fiz você acreditar em viagens no tempo. Sinto muito por tudo.

Ao invés de revidar algumas palavras, Seth ergue a cabeça irritado. Bruscamente ele se aproxima e agarra a minha mão. Seus olhos se prendem aos meus e ele prossegue.

– Não precisa se desculpar, Ava. Você é estranha. Causou uma grande turbulência por aqui e mesmo não aceitando, mudou o meu futuro. Eu não me esquecerei de você. Eu agradeço por ter confiado todas as suas angústias a mim e espero que você consiga realizar a tal missão da qual falou. – O aperto se intensifica e ele abre um pequeno sorriso.

– Por que está dizendo isso? Você é louco? – Tento desvencilhar-me de seu aperto, sem sucesso.

– É por que eu gosto muito de você – fico paralisada com essas palavras e o fito, incrédula – Prometo, que se for possível, esperarei por você no futuro.

– Mas eu estarei morta. – revido.

O sorriso assume uma tonalidade triste.

– Eu sei. – Seth dá um passo para trás – Espero que um dia reencontre aqueles que ama.

Inclino a cabeça para o lado e forço um sorriso. Ele é idiota?

– Eu também. – Me afasto e adentro o carro. Posiciono o controle na mão e o encaro antes de fechar a porta. Obrigada por não me odiar. — Adeus, Seth.

~

Foi como num piscar de olhos. Em um momento eu ainda vislumbrava as imperfeições acobertadas do ano 2020 e no seguinte, fui tomada pelo brilho intenso. Invadida por uma realidade completamente diferente. E pelo que li na nota deixada por Emmett, meu atual destino é o ano 2000. Preciso me preparar para outra experiência horrenda e assustadora.

Eis o impacto.

Fecho os olhos e quando os abro, tento me acostumar à luz. Aparenta ser de manhã, posso ouvir pássaros e vozes ao longe. Olho para Makayla, que se encolheu em seu assento.

– Mak, está tudo bem? – pergunto.

– Sim... – Lentamente, Makayla se vira para encarar-me – O que vamos fazer agora?

Dou um pequeno sorriso e abro a porta, deixando a brisa matinal envolver-me.

– Vamos descobrir.

~

Depois de caminhar por um bom tempo, pude notar diferenças. As ruas asfaltadas não diferem muito das que conheço, porém, as construções me lembram que eu não estou em casa. Respiro o ar fresco e então escuto muitas vozes ao longe. Elas parecem celebrar algo. Convenço Makayla e nos aproximamos da fonte delas.

Ao chegar lá descubro que é um casamento. Os convidados repousam em assentos acolchoados. Os pratos que estão sob uma mesa no canto direito contém bolo e uma pílula parecida com a que tomei em 2020. Será que esse experimento ainda está em desenvolvimento? É tão estranho.

Mas é quando eu volto o meu olhar para as cortinas brancas que enfeitam o centro, que fico incrédula. Makayla parece notar minha reação, pois me encara confusa. De pé posso reconhecer os cabelos negros de Cody, em frente ao altar. E ao seu lado, uma linda mulher de vestido branco. Eu.

A próxima “eu” que terei de matar.

Seus cabelos loiros pendem, longos, pelas suas costas. Um véu elegante lhe enfeita a cabeça e um sorriso radiante está entalhado em suas feições. Aparento bem feliz, confesso.

O noivo possui um brilho incomum nos olhos e um sorriso tímido em sua expressão serena. O terno lhe cai bem e sinto o meu coração acelerar. Acho que eu poderia desmaiar.

Estou me casando com o Cody! Estou me casando com o Cody!

A felicidade e satisfação momentânea, logo dão lugar à melancolia e tristeza. Essa poderia ter sido a minha realidade. Na verdade, seria se eu não tivesse alguma anomalia idiota. Pensar nisso me causa dor e respiro fundo para recompor-me.

– Está tudo bem, Ava? – Makayla me fita preocupada.

Aceno com a cabeça, enquanto o “sim” de ambos ecoa. Minha cabeça parece explodir de pensamentos, enquanto os recém-casados trocam um beijo apaixonado em meio ao júbilo dos convidados.

~

Melodias entoam pelo ambiente, exposto ao ar livre. Tenho uma sensação estranha no peito e suspeito que isso seja causado pela minha impressão. Isso não parece tão diferente do passado. Como pode tudo mudar tão bruscamente daqui a 20 anos? Tal fato intrigante se expande entre meus pensamentos e encaro os convidados, que agora se servem das bebidas oferecidas. Ainda parece haver comida por aqui. O futuro é realmente um mistério, não consigo compreender o mecanismo com o qual as coisas se alteram. Decido deixar de pensar nisso e fazer o que preciso.

Passo a mão sobre a cabeça de Makayla.

– Eu já volto, pode me esperar na entrada do campo? – Sussurro delicadamente.

Com um aceno de cabeça, Makayla segue o meu pedido. Agora preciso me aproximar da noiva.

Dou uma rápida olhada nas minhas roupas imundas e me controlo para não enrubescer, diante desse aspecto. Talvez eu deveria ter usado roupas um tanto conservadoras antes de viajar para o futuro. O que visto, não aparenta adequado a uma festa de casamento. Não é como se eu tivesse tido uma escolha, relembro. Meu plano não era me meter nesta enrascada.

Com um suspiro caminho até uma das mesas. Prendo a respiração e com relutância, pego uma das facas disponíveis. Torço para ser discreta. Minhas mãos tremem em contato com o objeto e procuro acalmar-me. É para o bem de todos, Ava. Ao redor do campo, onde a festa está ocorrendo sob uma tenda, avisto como uma Ava de 32 anos se apoia contra um belo e forte Cody. Não evito o sorriso que surge em meus lábios. Esse futuro me parece suficiente. Ah, como eu queria poder vive-lo. O que fiz de tão errado para merecer tudo isso?

Suspiro e lágrimas ameaçam se manifestar. Respiro fundo para afasta-las e aguardo, enquanto observo a dança cautelosa que faço com Cody, meu marido. Ele é realmente lindo. Não posso acreditar que ele gosta de mim também. Só de pensar nisso o meu coração turbina em meu peito. Ele não gosta de mim. Gosta dessa Ava. Essa que está prestes a desaparecer.

Com um aperto no coração, sinto as lágrimas brotarem. Se controle, penso. Não há como desistir agora. Um estranho pensamento me ocorre. Não vi Cody em 2020. Talvez não tenha ficado tempo o suficiente. Por outro lado, minha irmã e meus pais, também não apareceram durante a minha visita. Nem se encontram nessa cerimônia.

Analiso todo o local com paciência, desprendendo-me do meu objetivo por um momento. Não os encontro em lugar algum. Apesar de achar estranho, decido voltar a me concentrar no importante. A outra Ava está sozinha agora. Começo a caminhar em sua direção, vagarosamente. Seus olhos azuis me fitam à medida que caminho. Apesar de surpresa, um sorriso caloroso se abre em sua expressão alegre. Me assusto com essa recepção, ela parece tão diferente da versão fria e amargurada que encontrei em 2020. Essa é a Ava que matei? Essa sou eu?

– Obrigada por ter vindo!

Forço um sorriso sem graça.

– Ah...

– Eu realmente não consigo acreditar que finalmente consegui... – Ela suspira, mas parece falar consigo mesmo.

– Meus parabéns. Foi difícil conquista-lo? – Me sinto idiota por fazer essa pergunta desnecessária.

Uma risada ecoa e ela me encara mais intensamente.

– Nem tanto, querida. Eu sempre o amei em segredo e por isso fiquei surpresa quando ele se declarou no meu aniversário de 17 anos. – Responde animada – Não conte a ele que lhe falei. Pode não parecer, mas Cody é bem tímido.

Não consigo criar uma resposta. As palavras estão presas em minha garganta e se recusam a deixa-la. Uma dor fina perfura meu coração. Agarro o meu peito. O que é isso? Quando menos espero, lágrimas começam a refrescar meu rosto.

Ele sempre me amou da mesma maneira. Lembro dos olhares que ele me presenteava. Eu nunca imaginei o significado por trás desses olhares. Como sou idiota! Como eu sou uma tremenda idiota! Não contenho o choro e gemidos me escapam. Eis o destino, brutalmente esfregado em minha cara. Sinto-me pesada. 17 anos. Minha festa de 17 anos. Meu desejo ia ser realidade. Eu iria conseguir a vida que sempre almejei. Casaria com Cody, teria um filho gentil como o Amit. Por quê? Escondo o rosto entre as mãos. Por quê?

– Por que está chorando? – A minha própria voz, envelhecida, entoa num claro tom de preocupação.

Porém me tornaria uma pessoa amargurada, ecoa um pensamento. Arregalo os olhos e soluços incontroláveis não cessam. Minha versão mais velha me toma em seus braços, me envolve num abraço reconfortante. Mal tem ideia de que abraça uma versão assassina de si.

– Venha se acalmar e então me conte o que houve. Você ainda é jovem, sorria. – Ela me guia para um local vazio, atrás da enorme tenda que abriga a festa.

Acalmo os meus soluços e sinto o peso em meu peito. Preciso continuar, por mais que doa, preciso continuar. Respiro fundo diversas vezes, antes de encarar a Ava radiante diante de mim.

– Pode me dizer o que a deixou assim? – Ver a sua feição sorridente dificulta ainda mais.

Me desprendo de seu abraço e a encaro firme. Analiso os traços maduros do meu próprio rosto. Isso é realmente uma droga. Não posso chorar agora.

– Desculpe. – murmuro com um sorriso triste, lembrando da faca que possuo em minhas mãos.

– Como? – Ava parece não ter compreendido minha fala.

Com olhos marejados, fito à calorosamente.

– Obrigada por ter sido feliz.

Confusão se expande em seu rosto e não permito que ela responda. Com a faca que empunho, perfuro-a no ponto vital mais acessível. Seus olhos se arregalam em choque e tristeza se infiltra em meio ao sentimento de dor que ela demonstra. O vermelho se espalha. O vermelho me assombra. A dor me assombra. O vazio que sinto, quando o corpo caí ao chão. Mergulhando a grama num tom de vermelho. Os olhos azuis abertos para o nada.

Ela se foi.

Lágrimas me deixam outra vez. Tudo que posso fazer é aceitar esse destino e ser grata pela felicidade que eu teria sido capaz de possuir. Essa é a única coisa que evita que eu me despedace. Fugir. Escapar. É tudo que eu quero, enquanto corro com todas as minhas forças para longe daquele pesadelo. Ouço os gritos vindo do local, onde antes entoavam risadas. Estou manchada pelo meu próprio sangue.

Alcanço Makayla e adentro o carro sem responder as suas perguntas. Com a visão embaçada me preparo para viajar outra vez. Makayla desiste de tentar arrancar respostas. Me preparo em silêncio para prosseguir a lista. Este é o último ano de risco. Poderei voltar para casa depois, uma última vez.

Meus olhos enchem de lágrimas e foco meus pensamentos na paisagem, antes de empunhar o controle.

Será que ela é real ou fruto de uma projeção?

Quem sabe.