Deixe-me Ir
10 Uma Última Música...
Notas iniciais
"Uma última música..."
– Você está o que? – Perguntou Ellen, incrédula. Como ela poderia estar grávida?
– Sim! – Respondeu Sarah, ainda chorando.
– Ellen? – Disse Charles, aparecendo de repente ao lado da porta do quarto, fazendo Ellen e Sarah pularem sobre a cama assustadas. – Está tudo bem?
– Sim! – Disse Sarah, rapidamente.
– Estamos ótimas! – Disse Ellen, com há voz um pouco alterada.
– Certo! – Disse Charles, um pouco confuso. – Vamos, Ellen! – Disse, gesticulando com sua mão.
– Para onde? – Perguntou Ellen, se levantando da cama, e caminhado em direção á Charles.
– Para casa... – Disse, olhando para Sarah. – Para nossa casa.
– Mas... – Disse Ellen, tentando falar algo para Sarah, mas, foi impedida por Charles que a puxava para fora do quarto.
– Charles. – Disse Ellen. Ao andar em direção à porta, Ellen pôde dar uma rápida olhada em volta do apartamento. E percebeu a ausência de Victor. Charles parou e se virou para encará-la.
– Sim? – Perguntou Charles.
– O que você fez com Victor? – Perguntou Ellen.
– Por que está tão preocupada com ele? – Perguntou Charles, ficando vermelho. Por que ela se preocupava tanto com aquele verme? Ele era um idiota!
– Por que... – Disse Ellen, fazendo uma pausa. Por que ela estava preocupada com ele, afinal? – Porque ele é a única pessoa que pode me ajudar... Que pode nos ajudar!
– Mesmo? – Perguntou ele.
– Como assim? – Disse, ela tentando disfarçar o que estava evidente... Que ela se importava com Victor.
– Como se você não soubesse... – Disse Charles, saindo do apartamento. Seguido de Ellen. – Só... Vamos para casa, tudo bem?
– Sim... – Disse Ellen. – Mas, antes... Diga-me o que fez com Victor...
– Nada. – Disse Charles. Ellen o olhou incrédula. – Mesmo! Não fiz nada. Apenas o mandei ir embora.
– Você sabe onde fica a casa dele?
– Não. Mas, ele me deu o endereço. Caso você quisesse ir vê-lo.
– Ainda bem!
– O que? – Disse Charles, alterando seu tom de voz.
– Nada!... – Disse Ellen, rapidamente. – Vamos? – Disse gesticulando com a mão.
– Sim...
•~~ § ~~•
De volta á velha casa... Charles gostava dela. Era simples e velha, mas, confortável e aconchegante também.
Diferente do apartamento de Sarah. Há casa um dia já cheirou a peônias brancas, mas, agora cheirava a mofo e poeira.
Charles abriu a porta para Ellen.
– Obrigado. – Disse ela.
Ele entrou na casa logo em seguida, caminhando em direção á sala onde o piano ficara. Ellen o seguiu.
– Por que me trouxe até aqui? – Disse Ellen, encostando-se no portal de madeira da porta.
– Por que... – Disse Charles, em busca de palavras. – Eu precisava de um momento a sós com você. – Disse, abrindo um armário de madeira, e retirando de dentro dele, um violão preto.
– Não entendi... – Disse Ellen, confusa. Charles se aproximou dela, fazendo seu coração disparar. Por que ela estava assim?
– Sei que você quer ir... Sabe-se lá para onde... Eu só queria... – Disse Charles, sacando um papel velho e dobrado de seu bolso esquerdo. – Uma última música... – O rosto de Ellen se acendeu. Ele era tão romântico. Como poderia ir, e deixar um homem como Charles aqui? O que ela estava fazendo?
– Sim... – Disse Ellen, sorridente. – Uma última música! – Disse, pegando o papel da mão de Charles.
Ellen caminhou até o piano, se sentando em um pequeno banco, que parecia ter sido feito para ela. Apesar de toda a casa estar coberta por poeira. O piando estava incrivelmente limpo.
– Eu sempre o limpo. – Disse Charles, como se estivesse lendo seus pensamentos. – Não poderia deixá-lo sujo...
Ellen deu um pequeno sorriso. Charles puxou um banco de madeira, com a almofada gasta, e sentou-se nele apoiando o violão em suas pernas.
Os pés de Charles bateram o chão três vezes, fazendo um barulho alto e claro. Ellen ajeitou seus dedos, quando Charles bateu o chão pela última vez, e começou a tocar, assim como Charles. Depois de algumas notas, sua voz completou a música. A voz de Ellen era firme, rouca e doce, ao mesmo tempo. Era perfeita.
– Love that once hung on the wall
Used to mean something
But now it means nothing
The echoes are gone in the hall
But I still remember, the pain of December
Oh, there isn’t one thing left you could say
I’m sorry it’s too late
I’m breaking free from these memories
Gotta let it go, just let it go
I’ve said goodbye, set it all on fire
Gotta let it go, just let it go
Oh, (oh), oh, (oh)
Depois de Ellen, foi à vez de Charles. Sua voz era rouca e sexy. Bem diferente da voz de Ellen.
– You came back to find I was gone
And that place is empty
Like the hole that was left in me
Like we were nothing at all
It’s not what you meant to me
Thought we were meant to be
Oh, there isn’t one thing left you could say
I’m sorry, it’s too late
Ellen continuou a cantar, Charles estava fazendo a segunda voz. Suas vozes completavam uma a outra.
– (And let it go) and now I know
(A brand new life) is down this road
(And when it’s right) you always know
(So this time) I won’t let go
Ellen continuou. Os sons dos instrumentos pararam, como se eles quisessem ouvir a voz, incrivelmente bela, de Ellen.
– There’s only one thing left here to say
Love’s never too late
Charles continuou completando a voz de Ellen.
– I’ve broken free from those memories
I’ve let it go, I’ve let it go
And two goodbyes led to this new life
Don’t let me go, don’t let me go
Oh, (oh), oh, (oh)
Don’t let me go
Won’t let you go
Don’t let me go
A música acabou com o tom mais alto da voz de Ellen. Charles parou o violão, e caminhou na direção de Ellen. Ela olhou para ele, com os olhos ardendo.
– Não... – Disse Ellen, sentindo uma lágrima descer de seus olhos. – Me deixe ir...
– Como poderia fazer isso? – Disse Charles, segurando o rosto de Ellen. – Não deixaria você ir... Não irei te perder novamente.
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