Deixe-me Ir
11 Eu Te Amo!
Notas iniciais
"Eu te amo!"
– Sobre... – Disse Ellen, enterrando seu rosto no peito forte de Charles, ele pousou seu rosto sobre a cabeça de Ellen. – Sobre o incêndio...
– Sobre isso... Quero que saiba... Que... – Disse Charles. – Eu sinto muito...
– Não, Charles... – Disse Ellen, afastando-se dele. – Eu me lembrei como tudo aconteceu.
– Como assim?
– Charles... Você tentou me salvar. Mas eu estava presa em um círculo de livros. Você me disse para esperar. Para ficar calma. Por que você ia buscar ajuda. Mas... Você caiu na porta... Tinha inalado muito fumaça... Assim como eu...
Fleches de lembranças tomaram conta da mente de Charles.
– “Fique ai!... – Disse Charles, gritando. O lugar estava coberto por fogo. O cheiro era horrendo. A cada respiração de Charles, seu nariz doía, por causa da fumaça. Felizmente, a porta estava livre dos livros queimados, que formavam labirintos sem saída. – Eu vou buscar ajuda. Coloque a mão na boca. Respire o menos possível. – Ellen assentiu. Ele estava caminhando na direção da porta. Estava a poucos centímetros dela, estava prestes a sair daquela sala, do fogo quando... Caiu... Ele estava prestes a desmaiado. Virou-se para olhar para Ellen. Ela também havia desmaiado. Os olhos de Charles arderam, e se fecharam“.
– Não senti dor alguma. – Continuou Ellen. – Minha morte foi indolor.
– Mas, mesmo assim... Morreu... – Uma lágrima rolou sobre o rosto de Charles.
– Charles... – Disse Ellen, beijando-o. Sentia falta daquilo. Seus lábios tocando os de Charles. Como ela poderia pensar em deixá-lo?
Charles a trouxe para mais perto, beijando-a com delicadeza e grosseria ao mesmo tempo. Levantou-a do banco do piano, ele se deitou com ela no chão. Para a surpresa dos dois, o chão, ao contrário do que esperavam, estava quente, como seus corpos. Charles virou-se, ficando sobre Ellen. Seus dedos deslizaram sobre seu corpo em busca dos laços de seu vestido.
– Eu te amo! – Sussurrou Charles, no ouvido se Ellen, em meio às mordidas, que dava em seu pescoço.
– Eu também te amo! – Disse Ellen, tirando a blusa de Charles e jogando-a para cima.
•~~ § ~~•
Quando Ellen se acordou, já era manhã. Eles haviam dormido durante todo o dia?!... Era de se esperar. Fazia horas que Charles não dormia. Ele merecia seu sono.
O sol entrara pelas brechas da cortina pesada. Eram que horas? Ellen olhou para o lado e viu que Charles não estava lá. Havia um cobertor bege sobre ela. Ela se lembrava daquele cobertor. Era seu preferido, na verdade. Olhou para o lado, e viu suas roupas jogadas em cima de piano. Ela se levantou e as vestiu.
– Você já acordou? – Perguntou Charles, aparecendo na porta do cômodo, com uma bandeja de café da manhã.
– Sim... – Disse Ellen, sorrindo. – Por que não me acordou?
– Você estava tão linda dormindo... – Disse ele, sorrindo. – Não iria me perdoar se acordasse você.
Ellen deu um pequeno sorriso, em seguida olhou para a bandeja que Charles carregara.
Tinha algumas frutas cortadas em formas de corações e flores. Um copo de suco, ovos mexidos em uma tigela, uma panqueca recheada com algo que Ellen não conseguia identificar, mas, que estava com um ótimo cheiro, um pão que emitia um cheiro adorável, como se tivesse acabado de ser retirado do forno. E havia um pequeno jarro de vidro, com água até sua metade e uma única flor nele. Uma peônia branca. A flor favorita de Ellen. Como ele poderia ser tão fofo?
– Eu não acredito! – Disse Ellen, segurando e cheirando a flor. Era a mais bela peônia que Ellen já vira. – Onde a conseguiu?
– Não importa. – Disse Charles, beijando-a delicadamente. – O que importa é que estamos juntos. – Disse, beijando-a novamente. – Novamente.
– Com certeza! – Disse Ellen, retribuindo o beijo. – Vamos ver se você ainda sabe cozinhar bem.
– Antes de tudo. – Disse Charles, levantando seu dedo. – Quero que saiba que... – Disse Charles, se lembrando que ainda não havia contado a Ellen que estava com Sarah. Mas, para quê? Os dois estavam juntos novamente. E, embora doesse bastante, deixar Sarah. Ele amava Ellen mais tudo. Não precisava contar para Ellen, Sarah iria entender.
– O que? – Perguntou Ellen.
– Nada... – Disse Charles. – Apenas me diga que está tudo ótimo.
Ellen riu alto, em seguida fez o que Charles pedira.
– Está tudo ótimo! – Declarou Ellen, sorrindo. – Se sente melhor agora?
– Muito! – Disse Charles.
Ellen olhou em volta. Estava tudo uma bagunça. Roupas espalhadas por todo o cômodo.
– Isso aqui está uma bagunça. – Disse Ellen, terminando seu café da manhã.
– Com certeza. – Disse Charles, se levantando do chão. Ele estava apenas de cueca preta, com seus músculos definidos á mostra. Charles estava tão...
– Eu fico com a cozinha. Você limpa aqui. E depois, lavamos as louças. – Disse Charles, caminhando na direção da cozinha.
– Feito! – Disse Ellen. Ela rapidamente procurou seu vestido preto e o vestiu, tendo um pouco de dificuldade com as amarras nas costas. Começou a recolher as roupas. Quando ela sacudiu o casaco de Charles, dois papéis caíram de seu bolso. Um continha um endereço. Provavelmente o de Victor. E o outro, uma foto de Ellen, Sarah e Charles. Ela se lembrava de quando aquela foto havia sido batida. Eles estavam na festa de formatura de Charles. Aquela tinha sido á primeira e única vez que Ellen ficara bêbada, e foi uma das melhores sensações de sua vida. Lógico, até a manhã seguinte, quando acordou com a cabeça explodindo. Argh!... O que ela estava fazendo? Charles estava com Sarah agora. E ela estava morta!
– Ainda? – Disse Charles, aparecendo de repente na porta do quarto.
– O que? – Disse Ellen, assustada. – Ah... Sim. Eu só estava... – Disse, olhando fixamente para a foto. Charles se aproximou dela. Ele deu um pequeno sorriso.
– Lembra dessa noite? – Disse, ficando vermelho. – Você ficou bêbada.
– Sim, eu me lembro. – Disse Ellen, rindo.
– Bêbada, não... Insana!
– Verdade! – Disse Ellen.
– Você subiu no balcão do bar, e ficou dançando. Tiveram que chamar os seguranças para te tirarem de lá. – Charles riu alto. – Depois, seguiu até o poli dance e deixou os homens loucos!... Os seguranças não saíam de perto de você. – Charles riu mais alto ainda. – Você... Você jogou um copo de bebida na cara de um dos seguranças, por que ele não te deixou deslizar de joelhos sobre o balcão. Caiu diversas vezes. E levou vários escorregões. Um mais engraçado do que o outro.
– Perdi minha dignidade naquela noite! – Disse Ellen, ainda rindo.
– Você acabou virando a atração principal da festa.
Ellen se lembrava de cada minuto daquela festa. De cada tombo. De cada mico. Mas... Sarah o merecia... Não?...
– O que houve? – Perguntou Charles, como se estivesse lendo seus pensamentos.
– Eu... – Disse Ellen, fazendo uma pausa e tomando coragem. – Eu sei de tudo... Sei que está com a Sarah...
– Oh meu Deus! – Disse Charles. – Me desculpe. Eu sinto muito. Eu deveria ter te contado, mas...
– Eu não quero te perder... – Disse Ellen, sentindo seus olhos arder, uma lágrima rolou pelo seu rosto. – Mas... Também nunca iria me perdoar.
– Não precisa se preocupar! – Disse Charles, puxando-a para mais perto. – Sarah irá entender. Falarei com ela...
– Tem certeza?
– Claro! Eu e você já tivemos uma história. Eu e Sarah começamos há apenas seis meses.
– Mas... E a criança? – Perguntou Ellen, sentindo uma forte dor em seu coração. Não queria ser a responsável por separar um pai de um filho.
– Quê? – Disse Charles, afastando-a. – Que criança?
– Oh meu Deus. – Disse Ellen, elevando suas mãos á cabeça. – Você não sabe... Por isso está aqui... Por isso quer se separar dela...
– Ela... Ela está grávida?
– Eu sou uma estúpida... – Disse Ellen, chorando. – Por quê? Por que ele não me deixou morta? Eu mereço isso...
– Não... – Disse Charles, se aproximando de Ellen. – Olha... – Disse, tentando abraçá-la.
– Não! – Disse Ellen, se afastando dele. – Não me toque. Não... – Ela fez uma pausa. – Não se preocupe. Irei resolver isso. – Ellen soltou a foto, e apertou com firmeza o papel que continha o endereço de Victor. Rapidamente saiu correndo na direção da porta.
– Espere Ellen! Aonde você vai? – Disse Charles, correndo atrás de Ellen, mas, ele parou na porta da casa. Estava apenas de cueca, não podia correr atrás dela daquele jeito. – Ellen! – Gritou.
•~~ § ~~•
O lugar era bonito e moderno. Bem diferente da casa dela e de Charles. A casa de Victor era linda! A mais bonita que Ellen já vira, pelo menos, do lado de fora. Era de se imaginar. Com tantos aqueles “negócios”, era de se esperar que ele fosse meio “rico”.
Ela tomou coragem e tocou a campainha. Alguns segundos depois, Ellen ouviu sons passos se aproximando da porta.
Victor estava... Ele estava sem camisa, mostrando sua boa forma.
– Ellen? – Disse Victor, surpreso. – Pensei que Charles não iria deixá-la vir até aqui.
– Preciso que me leve de volta. – Disse Ellen, rapidamente. – Agora!
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