Deixe-me Ir
12 Saúde!
Notas iniciais
"Saúde!"
– O que?... Como... – Disse Victor, confuso. – Por que não me explica melhor? Vem. Entra. – Disse, gesticulando com sua mão.
A casa de Victor não era apenas bonita por fora, mas, por dentro também. Era luxuosa e linda. Os móveis tinham um acabamento impecável, combinavam com a pintura e a decoração da casa.
Victor guiou Ellen até a sala. E pediu que ela esperasse ele trocar de roupa, para conversarem. Ellen sentou-se no sofá. Era macio e confortável.
– Então... – Disse Victor. – Sarah está grávida?
– Sim. – Respondeu Ellen.
– Quem ele pense que é? – Murmurou Victor, baixinho.
– O que?
– Nada. – Disse Victor, rapidamente. – Se você... Você...
– O que disse? – Perguntou Ellen, se aproximando de Victor para poder escutá-lo melhor.
– Você pode ficar aqui, na minha casa, até descobrirmos como levá-la de volta. – Disse Victor, falando o mais baixo possível. – Se você quiser, é claro.
– Sim, sim. – Disse Ellen, sentindo suas bochechas arderem. – Acho que seria bom!
– Certo. – Disse Victor, colocando a mão atrás do pescoço. – Você quer um chá, ou... Você quer alguma coisa?
– Um chá? Não, nesse momento estou mais para uma bebida. – Disse Ellen.
– Claro. Você é das minhas! – Disse Victor, rindo. – Que tal um uísque?
– Ótimo! – Disse Ellen.
Victor se levantou, caminhando em direção á uma mesa com algumas garrafas, e vários tipos de bebida sobre ela. Victor derramou o conteúdo de uma das garrafas, em dois copos, entregando um á Ellen.
– Obrigado! – Disse Ellen, quando recebeu a bebida.
– Saúde! – Disse Victor, batendo, delicadamente, seu copo no de Ellen.
– Saúde! – Disse Ellen. Victor á olhou incrivelmente sexy. – Então... – Disse, quebrando o silêncio. – Como irei voltar?
– Bom... – Disse Victor, colocando o copo sobre a mesa de centro. – Eu acho... Que se fizermos um contra feitiço, podemos te levar de volta.
– Como assim? Não era o Charles que tinha que me levar de volta?
– Sim. Mas, ele nunca ira deixá-la ir.
– Tem certeza? – Disse Ellen, sentindo uma lágrima cair sobre seu rosto. – Ele... Não se importa mais comigo. Deixar-me ir, será fácil.
– Mesmo depois de tudo que você me contou. Eu acho... – Disse Victor, tentando esconder a verdade. – Eu...
– Viu? – Disse Ellen, gesticulando com sua mão. – Vai ser fácil.
– Só se for para ele. – Disse Victor.
– Então... – Disse Ellen, sorrindo. – É só ele deixar de me amar?
– Mais ou menos isso. – Disse Victor. – Olha... – Disse se aproximando de Ellen. Ele ficou tão próximo que Ellen conseguia ouvir as batidas de seu coração acelerando a cada segundo. – Eu sei que esperá-lo ira te machucar bastante... Então, sugiro que façamos o feitiço.
– Tudo bem! – Disse Ellen. Victor não era aquele cara frio e sarcástico, que ela pensava. Ele era bom, se importava com ela. Charles estava errado sobre ele, talvez, ele fosse melhor que Charles para ela. Só, talvez.
•~~ § ~~•
– Sarah... – Disse Charles, chorando. Ele nem sabia como havia chegado naquele lugar.
– Sim? – Disse Sarah, confusa após abrir a porta.
– Eu... Eu soube que você está... Está grávida... – Disse Charles. As palavras que saiam de sua boca eram pesadas e dolorosas.
– Sim. – Disse Sarah, cabisbaixa. – Sobre isso... Eu irei entender se preferir ficar com ela. – Disse ela. Uma lágrima caiu sobre seu rosto.
Sem pensar duas vezes, Charles á abraçou fortemente. Sarah mal conseguia respirar, ele á envolvia em seus braços cada vez mais forte. Era possível ouvir seus batimentos do coração em sincronia, parecendo haver apenas um.
– Nem pense nisso. – Disse Charles, beijando-a.
– O que? – Perguntou Sarah, incrédula.
– Nem pense... – Disse Charles, sussurrando em seu ouvido. – Nem por um segundo. – Ele se distanciou dela. – Que irei te deixar. – Sarah o olhou com um brilho magnífico em seus olhos, e o sorriso mais lindo foi aberto. Charles á tomou em seus braços novamente, a beijando com uma paixão que nunca tinha sentido por Sarah antes.
– E... – Disse Sarah, se afastando de Charles, fazendo suas testas permaneceram juntas. – Ellen?
– Meu Deus! – Disse Charles, elevando suas mãos á cabeça. – Ela foi atrás do Victor. Quer dizer... Eu acho... – Disse, se lembrando do por que ele foi até Sarah. – Ela levou o endereço dele. Pensei que, talvez, pudesse me ajudar.
– Claro! – Disse Sarah, buscando seu computador. Ela era a corretora de imóvel mais famosa da cidade. Ela poderia ter vendido à casa de Victor á ele, ou algum de seus empregados. Com certeza tinha o registro da venda. – Achei! – Disse, mostrando o endereço á Charles.
– Ótimo! – Disse Charles, correndo na direção da porta.
– Espera! – Disse Sarah, correndo atrás dele. – Tem certeza que não quer que eu vá com você?
– Sim! – Disse ele. – Tenho que fazer isso sozinho.
– Tenha cuidado. – Disse Sarah, beijando Charles. – Principalmente com aquele Victor. Ele é perigoso!
– Eu sei! – Disse, retribuindo o beijo. – Por mim. Ele já estava morto! – Disse, saindo pela porta.
•~~ § ~~•
– Eu encontrei esse livro, que meus avôs escreveram. – Disse Victor, mostrando á Ellen um velho livro, com uma capa preta, o título “The Warren” era branco e tinha uma fonte linda. – Precisamos de três ingredientes para o feitiço. – Disse, lendo o livro. – “Um pedaço da madeira do caixão de foi enterrada”. “Algo que una você e Charles”, um objeto simbólico. E por último. “Seu DNA”, pode ser um fio de cabelo, um pedaço de unha, sangue...
– Acho que um fio de cabelo é melhor. – Disse Ellen.
– Eu também. – Respondeu Victor, rindo.
A campainha da casa interrompeu as risadas de Victor e Ellen.
– Com licença. – Disse Victor, caminhando em direção á porta.
– Certo. – Respondeu Ellen.
Após abrir a porta Victor não acreditava no que estava vendo. Como Charles poderia ser tão baixo? Como... Como ele... Tinha coragem de ir até ali, depois de tudo que ele fez?
– Victor... – Disse Charles, com um desprezo em sua voz. – Onde está Ellen? Vim aqui para falar com ela. Não com você.
– Você está insano? – Disse Victor, empurrando Charles com força, fazendo-o cair sobre os degraus na porta da casa.
– Você... – Disse Charles, se levantando com dificuldade. – Você quer brigar? Achei que tinha dito que não queria machucar ninguém.
– E não quero. Mas... – Disse, fechando a porta atrás dele. – Você esta merecendo. Já a magoou demais.
– Eu? Você que a trouxe de volta. Não eu. Você que fez isso com ela. – Disse, se aproximando da casa. Mas, Victor o impediu de avançar mais. – Agora. Deixe-me passar.
– Não. – Respondeu Victor, calmamente. – Eu fiz isso com ela. Mas, foi para lhe ajudar. Você estava acabado, pedindo para morrer. Fiz um favor á você. – Disse, apontando para Charles. – Nunca pensei que seria este verme. Acha que não me arrependo de deixá-la em suas mãos?
– Em “minhas mãos”? – Disse Charles, colocando as mãos sobre o peito. – Não venha dar uma de “mocinho” agora.
– Eu não sou! – Respondeu, aumentando seu tom de voz. – Mas procuro ser.
– Você? – Disse Charles, soltando uma gargalhada. – O cara que realiza o desejo das pessoas, e tira proveito disso. Cobrando um “cachê”?
– Eu sei que o que eu faço não é... Digamos, “correto”. Mas... – Disse Victor, fazendo uma pausa. – Tento fazer ás pessoas felizes. Não cobro esse “cachê” para todos.
– Me desculpe, mas, como isso deixa as pessoas felizes?
– Algumas, sim. – Disse, olhando para trás. – Agora vá embora. Antes que eu perca a cabeça.
– Não! – Respondeu Charles, aumentando seu tom de voz. – Não sairei daqui até falar com Ellen. E convencê-la de ir embora comigo.
– Acha mesmo que depois de tudo que você fez. Ela vai voltar para você?... Acha que eu irei deixar você levá-la?
– Ela é minha esposa...
– Ela era sua esposa. – Disse, interrompendo Charles. – Até você á trair com a sua melhor amiga.
– O que? – Perguntou Charles. – Ela estava morta. Você queria que eu lamentasse a sua morte para sempre?
– Sim. – Respondeu. – Mas, não estou falando do tempo em que ela estava morta. Você á traiu com Sarah, antes mesmo de ela morrer. E quando aconteceu... Você se sentiu culpado. Culpado porque ela morreu sem saber que não foi fiel á ela. Culpado por derrubar aquela vela, e queimar toda á biblioteca.
– Pare com isso! – Disse Charles.
– Mas, Sarah estava lá para esquecer, não é? – Disse Victor, com um sorriso maléfico. – Pelo menos, não sou eu quem usa a morte de alguém para ir para a cama.
– Pare agora! – Gritou Charles.
– Você usou Sarah. E a coitada nem percebeu. Você apenas queria alguém para esquentar seus lençóis.
– Cala a boca...
– E agora que você não soube se proteger. Ela está grávida. E você á “ama”, não é? Afinal... Ela lhe dará um filho. – Victor fez uma pausa. – Parabéns! Você destruiu o coração da única mulher que realmente amava. – Era possível ver o rosto de Charles ficando vermelho de ódio. – Você usou Sarah, como se ela fosse uma vagabunda.
– Cala a boca! – Gritou Charles, tentando socar o rosto de Victor, que apenas segurou forte a sua mão, contorcendo-a. Era possível ouvir os gritos de dor abafados de Charles.
– Você não vai machucar Ellen, mais do que já machucou. – Disse Victor, elevando seu tom de voz, e, se aproximando do rosto de Charles. – Não dentro da minha casa! – Victor rapidamente soltou a mão de Charles, e, entrou na casa, fechando a porta com força. Ele deu um longo suspiro encostando-se à porta, fechando seus olhos. Após alguns segundos ele abriu seus olhos escuros, levando um susto logo em seguida. Ellen estava parada á sua frente, olhando-o fixamente. – Ellen?... Você... Você escutou? Tudo?...
– Sim... – Respondeu Ellen.
– Olha me desculpe. – Disse Victor. – Eu não queria machucá-lo. Mas ele... Ele estava pedindo mais que uma simples torção no pulso. Eu não queria fazer aquilo, só agi por impul... – Antes de Victor poder terminar de falar. Ellen tampou sua boca, aproximando-se dele.
– Obrigado! – Disse Ellen, sorrindo, e, retirando sua mão da boca de Victor.
– O que? – Disse Victor, confuso. Ele havia entendido o agradecimento, mas, ela estava tão próximo que ele não conseguia pensar direito.
– Eu disse... – Disse ela, se aproximando mais ainda. Ela estava praticamente beijando Victor. – Obrigado...
– De nada. – Respondeu Victor, sorrindo. Ellen deu um pequeno sorriso, e se afastou de Victor, caminhando na direção do sofá.
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