Defying Gravity

8 Vá para o inferno... dançando.


Notas iniciais
Então gente, voltei da viagem e só assim consegui postar o capitulo, lá não deu.Pegação is back! xD rsrs Mas relaxem nos assentos ok? Eu disse que ia começar a esquentar, e não que pegaria fogo na hora rsGente tem quase 30 pessoas acompanhando a fic T__T que emoção! Obrigado, muito mesmo... mas gente, cade esse povo todo que eu nao vejo????Quero saber se os personagens ainda estão dentro dos moldes ou se enlouqueceram. Quero saber se ta muito lento, ou muito rapido. Gente! Quero saber se o povo ta gostando ou se estão lendo por ler!!!! Digam alguma coisa aí, for god's sake!!!!Então, é isso aí. Amo ocês.Kissu ne!!

Now I lay me down to sleep

Agora eu me deito para dormir

Blah, blah, blah my soul to keep

Blah, blah, blah minha alma guardar

If I die before I wake

Se eu morrer antes de acordar

I'll go to hell for heaven's sake

Eu vou pro inferno, pelo amor de deus!


(Go to Hell – Megadeath)



Ok, Ciel havia aceitado as aulas de Sebastian, afinal não tinha outro jeito de preparar-se devidamente para a última missão que recebera da rainha, mas o infeliz precisava mesmo divertir-se tanto as suas custas?

–- Não consigo fazer isso Sebastian, droga! Não é possível treinar dança sozinho! – Disse errando o compasso musical.

–- Certamente que não está conseguindo, dança Debussy com o movimento de pés de Tchaikovsky. – O mordomo balançou a cabeça tristemente.

O garoto se irritou! Não era bom naquilo, mas ainda sim iria fazer direito. Parou de se movimentar e bateu o pé irritado, por que mover-se naquele ritmo cadenciado era tão difícil?

–- Consegui dançar com Elizabeth muito bem. Você é que está ensinado errado. – Fulminou o outro! Sebastian tinha uma expressão peculiar, como se decidisse provoca-lo ou humilha-lo, e era bom ele não fazer nenhuma das duas coisas.

–- Não é culpa do professor se o aluno não possui talento algum – Deu de ombros – E o que dançou com Lady Elizabeth foi uma melodia completamente diferente, uma valsa simples. – Ergueu o dedo – Os Cinco Poemas de Baudelaire não é nada semelhante a isso. Observe por favor.

O mordomo andou até o centro da sala e Ciel abriu espaço, o viu fechar os braços como se abrigasse um par, seus pés moviam-se com graça e leveza, a cabeça erguida e os olhos fechados. Por que aquele desgraçado tinha que ser tão bom em tudo? Teve vontade de por o pé em seu caminho, mas não o fez, seria muita infantilidade, apenas ficou a se roer de raiva.

Sebastian terminou o terceiro giro e virou-se sorridente para o menino.

–- Agora repita Jovem Mestre, vinte vezes.

–- Você deve estar brincando. – Retrucou mal humorado – Já sei dançar a valsa, não entendo por que não podemos apenas melhorar alguns passos desta. – Disse turrão, encarando o demônio.

–- Não entende? — O mordomo respirou fundo discretamente, atendia um pedido do pequeno insolente e este ainda era teimoso – Querido Mestre, não há na França uma única dama que não saiba dançar as melodias de Debussy, como quer passar-se por uma parisiense se movendo como um primata? – Alfinetou com um meio sorriso, mãos atrás das costas.

Os ombros de Ciel retesaram e seus olhos estreitaram. Primata? Ora, como ele ousava... Mordomo desgraçado.

–- Está bem então Sebastian, mostre-me, ensine-me, se eu não conseguir será culpa de sua incompetência. – Disse apoiando as mãos nos quadris “ E não da minha”.

O Conde praticamente cuspiu as palavras sobre o mordomo, não assumir-se-ia incapaz de aprender dança, que o outro se esforçasse então! Mas suas palavras fizeram os olhos castanhos tremularem, incompetência era uma palavra que Sebastian não conhecia, tudo que fazia ficava perfeito, e o menino deveria saber disso.

Foi ao toca musicas e reiniciou a melodia, preferia músicos reais, mas o jovem Mestre jamais se exporia dessa maneira, pode sentir um arrepio percorrer sua pele, estava ansioso e era uma delicia a sensação, mas deveria controlar-se ou ficaria muito obvio ao menino. Havia uma maneira muito mais fácil de ensinar, a teoria nem sempre era entendida por ser abstrata, mas a pratica era absorvida pelos poros.

Virou-se para o conde e este ainda o olhava com determinação e despeito, aproximou-se a passos lentos e cingiu-lhe a cintura, pressionando levemente a mão em suas costas, o olhar azul não mudou, com a esquerda tomou-lhe a mão, mesmo naquela posição o menino não lhe parecia frágil ou feminino.

–- Você ira aprender Jovem Mestre, eu lhe asseguro. – Sorriu e soube que Ciel veria o prazer sádico que sentia refletido nessa ação.

Sebastian era enorme em comparação a si, sempre foi difícil dançar com ele por isso, difícil e até um pouco constrangedor, mas o sentimento que lhe invadiu quando sentiu a mão enluvada em suas costas foi diferente. Certificou-se que não transparecia nada, contudo ao ver o sorriso rasgado no rosto do demônio não pode ter certeza de que conseguira.

Sebastian moveu-se para trás, puxando o garoto consigo e para frente, fazendo-o mover os pés. Estalou a língua, não estava bom. Movimentou-o dois passos para a esquerda e voltou ao centro, trazendo-o, mas ele tropeçou nos próprios sapatos. Seria cômico se não fosse desastroso, desse jeito não seria possível ensina-lo até sábado. O menino olhava para baixo, para os lados, para qualquer lugar que não seu rosto... sorriu, talvez esse fosse o problema.

–- Jovem Mestre... – Disse sem interromper as passadas, mas mal conseguia dar dois passos antes de Ciel pisar em seus pés – Ainda se move como se tentasse dançar Tchaikovsky, diga-me, está comparando essa dança a sua valsa com Lady Elizabeth?

Ciel embaralhou os pés mais que antes, quase perdendo o sapato, e encarou o maior.

–- E se eu estivesse? Não é lógico que eu busque parâmetros em uma experiência anterior? – Disse confiante, mas algumas borboletas voavam dentro de sua barriga.

–- Oh sim, em situações normais, contudo... – Firmou mais a mão na lombar do menino e o puxou um pouco para si, diminuindo a distancia – Eu não sou uma dama e a dança não é algo lógico. – Abaixou um pouco o rosto, encarando profundamente a Iris Royal – Esqueça Lady Elizabeth. – Soprou rouco, intenso – Apenas por um momento – Sorriu.

Ciel sentiu a pressão em suas costas aumentar e firmou o braço, o que Sebastian estava fazendo? Mas não pode impedi-lo de diminuir a distancia entre os corpos, apenas evitou que se encostassem, e então os olhos levemente rubros invadiram os seus, a voz profunda do demônio fez que com que perdesse o raciocínio por um momento, o qual o mordomo aproveitou para dar um giro completo e rápido, retirando seu equilíbrio. Fechou os olhos tentando recuperar a noção de espaço, mas era forçado a se mover para frente e para trás, para lados e girar, de novo e de novo. Abriu os olhos e encarou o mordomo, este mantinha seu sorriso sádico, infeliz, devia estar se divertindo! Tentou parar, mas ele não permitiu.

–- Não Jovem Mestre, continue. Não se interrompe uma dança, a menos que por um motivo relevante.

Ciel estava desorientado, constrangido, irritado, cansado e seu coração batia descompassado. Os acordes eram como pinças em seus ouvidos e o tom “profissional” de Sebastian dera-lhe vontade de pisar, dessa vez por querer, em seu pé!

Quando a musica terminou, e que inferno de musica longa, o menino separou-se do servo quase com violência. Virou-se de costas e caminhou para a porta.

–- As aulas acabaram-se por hoje. – Pontuou tonto e irritado.

–- Muito bom Jovem Mestre, já houve algum progresso! – Respondeu feliz, e esse tom fez Ciel quase ter ânsias de atirar algo no demônio – Creio estar no caminho certo.

O Conde não viu a expressão do mordomo e nem queria ver, pois sabia muito bem que encontraria o sorriso irônico em seus lábios, os olhos fechados e o dedo em riste. Maldito. Saiu, batendo a porta e deixando um solitário e satisfeito mordomo dentro da sala de musica.



***



Ciel chegou ao quarto ofegante, ainda podia sentir a pressão da mão de Sebastian em suas costas, a camisa de seda grudava-se a seus braços. Andou ate a cama e se sentou encarando o inicio de noite, já passara um pouco da hora do jantar. Fechou os olhos, estava irritado! Tinha tentado dançar, estava se esforçando até o desgraçado deixa-lo sem chão! Qual o problema em compara-lo com Lizzie?

Então o menino visualizou os olhos intensos e a voz rouca, os passos firmes, a presença esmagadora... não, realmente não mais pensaria em Lizzie quando fosse dançar com Sebastian. Imagens mentais da loira em seus vestidos de babados, sendo conduzida levemente por sua pessoa, não o ajudaria em nada.

Soltou o tapa olho e puxou o laço verde do pescoço, seu coração ainda não tinha estabilizado e ainda sentia o corpo mais quente que o normal. Respirou fundo e sacudiu a cabeça, mas que droga estava fazendo?

Ouviu duas batidas na porta antes do mordomo entrar.

–- Jovem Mestre, peço imensas desculpas por ter atrasado o jantar. – Disse ele, envergando o corpo em uma profunda reverencia – Vim banha-lo para que possa se alimentar.

As borboletas no estomago de Ciel bateram as asas e ele se impediu de corar.

–- Não tem problema Sebastian, não é como se fosse culpa sua... – Pigarreou, era impressão ou sua voz estava tremendo? Apertou a mão nos lençóis. – E não se preocupe com meus banhos, vou toma-los sozinhos nesse período, não poderá fazê-lo dentro da mansão Druitt, então terei de me virar.

Ciel viu a expressão cética do demônio e abaixou o rosto.

–- Não poderei? Mas Jovem Mestre em todas as outras ocasiões eu consegui... – Foi cortado –

–- Não quero correr o risco Sebastian, não me questione. Deixe tudo no banheiro que eu o chamarei para me vestir.

O mordomo sorriu. “Que péssima desculpa Jovem Mestre, sabe mentir bem melhor que isso.”

–- Como quiser. – Curvou-se – Estarei esperando seu chamado. – Disse e saiu.

Ciel não sabia onde enfiar a cara. Desde quando evitava encarar o demônio? Desde quando baixava a cabeça para esconder seu constrangimento? Desde quando não conseguia encarar de frente alguma situação? Estava ficando patético, olhou para o banheiro e para o vapor d’água que escapava, mais patético ainda seria ele tentando se banhar sozinho. Teve vontade de praguejar alto.

–- Mas que inferno! – Cuspiu entre dentes.



***



Quase quarenta minutos depois, a água já fria, todo o banheiro molhado e também parte da roupa de cama, chamou o mordomo. Fingiu não perceber o riso de deboche que este escondia com a mão parcialmente fechada e não respondeu a provocação quando Sebastian encontrou sabão em suas orelhas. Seu humor estava péssimo! Pediu o jantar no quarto e comeu rápido sob os olhares do outro.

Sebastian levou a prataria e voltou para fechar as janelas e cortinas, cobriu o pequeno e desejou boa noite, curioso acerca do que o menino faria dessa vez.

–- Não se esqueça de deixar o candelabro. – Sussurrou o garoto arrancando mais um sorriso do mordomo.

–- Não me esquecerei, afinal não preciso dele, certo? – Disse ainda sorrindo por detrás dos dedos fechados, depositando o objeto na mesa ao lado da cama.

–- Hunf... – O conde limitou-se a bufar e a fechar os olhos, não explicaria seus motivos, de forma alguma.

O demônio observou a cena singela: seu pequeno mestre deitado, olhos cerrados, vulnerável, o vermelho do fogo colorindo sua pele, mudando seus tons, transformando-o, projetando sombras sobre seu corpo e aumentando exponencialmente sua silhueta nas paredes.

–- Jovem mestre, se teme a escuridão não deveria usar o fogo para afugenta-la, ele somente deixa as sombras ainda mais densas, apenas as aproxima mais de você. – Disse reflexivo, pois Ciel já estaria dormindo aquela altura e foi com surpresa que ouviu uma resposta.

–- É exatamente assim... tem que ser... é desse jeito... eu quero... Sebastian, o fogo é você... e a escuridão.

A recíproca não foi clara, saiu sussurrada e partida, nebulosa, Ciel afinal já estava dormindo. O sorriso no rosto do mordomo sumiu e ele se abaixou para retirar algumas mechas cinzentas do rosto do menino, queria que ele abrisse os olhos, queria encara-los agora. Aquela alma era sua refeição, não podia mudar isso, era um fato, mas fato também era que ela se transformara em um pedaço importante de sua vida, um pedaço que talvez não quisesse perder.

Ciel não ouviu o que ele mesmo proferiu, nem a porta se fechando um pouco antes do sol nascer.



***



Uma nova manhã, o mesmo Sebastian e um dia a menos até sábado.

Ciel já acordara levemente irritado, em seus sonhos ele rodopiava vezes sem fim ao som de uma única nota de piano até tropeçar nas próprias pernas e cair sentado aos pés do demônio, que lhe encarava superior, enorme e debochado.

Seu café da manha foi engolido sem nem ser sentido, detestava comer assim, mas era preciso. Teve aulas de francês, ou melhor, de sotaque francês, e teoria da moda antes das dez da manha, tomou um chá que nem se lembrava do gosto e ficou ate o meio dia aprendendo regras de etiqueta francesa. Um monte de inutilidades.

O almoço foi qualquer coisa pastosa, talvez um creme de lagosta, o engolira do mesmo jeito do café e rejeitara a sobremesa, se recusava a desperdiçar um doce dessa forma, estava se alimentando tal qual um animal. Teve aulas sobre cânones da moda até as três, não sabia como Sebastian conseguira aprender tudo aquilo em um único dia, e agora viriam às aulas de dança, novamente. Sentiu um calafrio.

Estava sentando na sala intima tentando sentir o gosto do chá que tomava, não poderia fazer o intervalo das cinco da tarde, então adiantara o lanche para as três, mas sua ansiedade não permitia que aproveitasse o Earl Gray como era devido. Quase derramou o chá quando ouviu o mordomo chama-lo, virou o liquido e se levantou.

–- Já terminei Sebastian, vou espera-lo na sala de musica. – Disse passando por ele com passos duros.

–- Claro Jovem Mestre, não demorarei nada... – Ciel pode ouvir o sorriso em sua voz.



***



Quando Sebastian entrou no cômodo, o Conde já havia posto a musica para tocar e mantinha os olhos fechados, concentrado na melodia.

–- Muito bom! Ajuda se conhecer o tempo, os movimentos acompanham o fluir da musica. – Disse o mordomo, parando a frente do menino.

Ciel abriu os olhos e encarou o outro, estava mesmo prestando atenção à mudança de tons, esperava que fizesse alguma diferença.

–- Imaginei, porém dessa forma só saberei dançar musicas que conheço. – Comentou insatisfeito.

–- Sim, e exatamente por isso não estou me limitando a fazê-lo ouvir composições. – Sebastian curvou-se levemente, estendendo a mão – Vamos começar? – Sorriu suave.

Ciel corou com o gesto. Uma estupidez corar por um motivo tão ridículo e totalmente inapropriado. Disfarçou pigarreando.

–- Não faça esse tipo de coisa Sebastian, não e necessário. – Disse aceitando a mão estendida e dando um passo a frente.

–- Não só é necessário, como educado e nobre cortejar a dama. – Manteve o sorriso, passando a mão pela cintura do pequeno, assumindo a posição de cavalheiro.

A face de Ciel corou ainda mais.

–- Não sou uma dama seu estúpido! – O menino abaixou a cabeça, constrangido.

–- Mas será na mansão Druitt, estão acostume-se. – Seu sorriso aumentou mais, era por demais divertido ver as reações do infante, seu orgulho ferido era lindamente puro.

A musica completou um arco e Sebastian aproveitou a deixa para entrar no ritmo, moveu-se para o lado sentindo o garoto atrapalhar-se com os pés, tentou mais duas vezes e obteve o mesmo resultado. Ciel conseguia fazer alguns movimentos, porém desprovidos de ritmo, aparentemente a criança continuava tentando aplicar a lógica na dança. Sorriu, fazê-lo esquecer do raciocínio analítico seria interessante. Tudo se resumia a um jogo certo?

A melodia fez uma parada brusca e o mordomo lançou o peito do garoto para trás.

Ciel foi pego de surpresa e sentiu um dos pés deixar o chão, seu corpo ficou completamente apoiado no braço do demônio. Como reflexo sua mão esquerda apertou mais a que segurava e o menino arregalou o olho azul ao ver o mordomo achegar-se a ele, curvando o tronco por sobre o seu.

–- Respire. – Disse o demônio sorridente a um palmo do rosto infantil e surpreso.

Sebastian sorria satisfeito, o movimento tivera o efeito esperando, derrubara a linha de pensamento e as barreiras do garoto.

Ciel não notara que havia suspendido a respiração, puxou o ar quando o mordomo sugeriu e, pela proximidade, sentiu na língua uma nota amadeirada que fez sua garganta secar. Antes que pensasse em alguma ação, Sebastian o puxou, colocando-o de pé novamente, a mão em sua lombar segurou-o firme nos dois giros que o mordomo deu com ele, fazendo sua cabeça girar novamente. Por que ele girava tão rápido? Fechou os olhos como da primeira vez, atrapalhando-se um pouco com os pés, já nem sabia o que estava fazendo com eles! Moviam-se sozinhos.

O menino estava indo bem, funcionava quando ele não estava pensando, mas o mordomo viu ele se atrapalhar e fechar os olhos numa tentativa de recobrar o controle. Porem não seria uma tentativa bem sucedida, seu sorriso rasgado aumentou.

A mão enluvada na cintura fina ficou mais exigente e aproveitando-se da tontura do outro, Sebastian trouxe o pequeno corpo para colar-se ao seu. Ouviu um ofego quando o rosto do infante chocou-se contra o seu abdômen, para evitar que os pés do garoto esbarrassem nos seus pôs sua perna entre as dele, pressionou mais os corpos, evitando que o pequeno Conde pudesse fazer qualquer movimento voluntario. Tudo sem parar de dançar.

Ciel não estava acreditando, fora muito rápido! De repente estava sendo apertado contra o mordomo! Sua bochecha estava colada ao fraque negro, podia sentir a mesma nota amadeirada de antes, vinha da pele dele e lhe lembrava dias quentes, o crepitar do fogo, chocolate deslizando pela língua. Seu corpo arrepiou e esquentou quando a mão do outro o apertou mais, moldando-o as formas do maior. Sentiu o tecido do fraque contra suas pernas, entre suas pernas, e sua cabeça girou, a respiração que havia ficado suspensa de novo, agora descompassou enlouquecida.

Seus quadris estavam apoiados no joelho direito do mordomo, e este o forçava a realizar os movimentos da dança, suavemente friccionando e empurrando suas pernas e quadris para um lado e outro durante os passos. A velha angustia brotou-lhe no peito e um gemido quase lhe escapou pela boca. Serrou os lábios e olhos, sua face queimava e a mão que segurava a do demônio só não escorregou, pelo suor, pois a do outro estava com a luva. Ciel ouvia os acordes misturados à bateria que era seu coração e a respiração calma do servo, aglutinando tudo numa composição só.

Sebastian pensava satisfeito que havia conseguido, o menino dançava agora sem errar nenhum passo, tinha o rosto escondido no colete do fraque, o corpo pressionado ao seu, que assim seguia todos os seus movimentos, não havia erro. Contudo ele ouvia também, o coração acelerado da criança, sentia o cheiro doce que se desprendia dele, cada vez mais, a temperatura do pequeno corpo aumentando proporcionalmente aos movimentos que fazia. Via a franja colar-se a testa alva e percebia o estremecimento que perpassava os membros do Conde e que por fim passaram para os seus.

Tsk, tinha que manter-se impassível, mas não era possível! Ciel por vezes apertava as pernas contra a sua, inconscientemente talvez, mas o fazia, e podia ouvir a respiração difícil deixar os lábios infantis. Só agora percebera que o braço que o Conde deveria estar mantendo sobre o seu, estava esticado rente ao corpo. Sorriu novamente, merecia sua alcunha, era terrivelmente perverso.

Girou uma, duas, três vezes e quando viu o menino desencostar a cabeça de seu tronco para recobrar o equilibro, curvou o corpo ate que sua boca ficasse próxima do ouvido do infante.

–- Minha Dama, é uma falta de educação que não tenha seu braço junto ao meu. Acaso não está gostando da dança? – Sussurrou maroto, mas sua voz já adquiria um tom pouco mais rouco.

O corpo de Ciel sofreu um espasmo com a voz tão próxima do demônio, sua cabeça ainda girava e no giro ela misturou as coisas, pode ouvi-lo dizer seu nome em um sussurro, após um beijo sobre a cama. Os lábios do pequeno que já estavam abertos pelo ofegar, abriram-se ainda mais, secos, desejosos. Os olhos azuis entreabertos enxergavam outra cena, onde os castanhos estavam intensamente rubros e luxuriosos. O Conde mordeu a ponta do lábio inferior quando numa passada mais longa o mordomo empurrou seu quadril para trás com mais força, e deixou escapar seu nome num sussurro baixo, perdido em lembranças.

Sebastian percebera que algo tinha acontecido, esperava que o menino respondesse mal educado a provocação que fizera, mas ao contrario disso, tinha ficado ainda mais absorto. Fazia ideia do que acontecia e dividia-se entre aproveitar a situação, que admitia ter estado esperando e temendo ao mesmo tempo, ou afastar-se do menino quando o ouviu quase gemer seu nome. Inspirou fundo aproveitando todo o delicioso aroma do Conde, apertou-o um pouco mais contra si, decidindo-se por aproveitar, sentindo-o estremecer e ofegar mais alto ao fazê-lo, os joelhos do pequeno apertavam sua perna e o menino quase não mexia mais os pés, a musica estava acabando, mas Sebastian não queria o fim da dança.

Com um movimento de cabeça do demônio a vitrola estalou e voltou a tocar, outra melodia de Debussy, ainda mais despojada que a anterior. Arrastou a mão pelas costas do menino e fez um giro completo, empurrando insistentemente o pequeno quadril, com seu joelho, para que se mexesse.

Ciel sentia-se queimar novamente, aquela sensação desesperadora e deliciosa que já experimentara, o ‘perfume’ do mordomo, a nota amadeirada, estava mais forte, parecia sufoca-lo, sentia o gosto na língua, o ar estava carregado... era almiscarado, forte e envolvente. E o tempo todo o demônio não o soltava, esfregando-se m seu corpo, podia jurar que sentia cada milímetro de pele, e cada um deles estava sensível ao toque. Não ouvia mais musica alguma, suas pernas tremiam e a cada vez que Sebastian movia as pernas o Conde achava que ia perder a razão, nem ao menos tinha forças para manda-lo parar com aquilo!

Parar... queria parar? Obvio que queria! Ou era para querer, ao menos era pra estar pensando nisso enquanto estava ali, apertado contra o corpo esguio do akuma. Suspendeu o braço pendente, e agarrou a manga preta do fraque, deixando o braço onde sempre deveria ter estado, tentando segurar-se melhor.

Ciel mantinha-se heroicamente em pé quando o mordomo, num movimento mais brusco, empurrou o joelho com ímpeto contra o seu quadril. Três estrelas explodiram na frente dos olhos do garoto e ele lançou a cabeça, com força, para trás, sem ar, sem palavras, num grito mudo que chamava o nome de Sebastian.

Por todos os demônios, o que era aquilo? Os deis pensaram em sincronia.

Ciel nunca tinha sentido nada parecido, talvez tivesse, naquele dia, naquela cama, mas achava que agora estava pior, a angustia em seu peito aumentara terrivelmente, seu corpo formigava e queria muito alguma coisa que não fazia ideia do que era. Pontos brancos dançavam em sua vista e o nome do demônio tinha sabor em sua boca.

Sebastian nunca vira o arrogante conde com aquela expressão, todo o orgulho e prepotência tinham o abandonado, ele estava entregue e desesperado, por mais, por qualquer coisa que fizesse, ah... e queria fazer tanta coisa. Seu corpo se contraiu em expectativa, as roupas que usava lhe eram incomodas, queria tocar a pele suave e alva do menino. Lambeu os lábios, Ciel tinha a cabeça jogada para trás e seu nome estava congelado na boca malva. Correu a mão pela cintura estreita, envolvendo-a com o braço, suspendeu o corpo frágil até que o peito do infante estava colado ao seu, os pés do menor pendiam soltos no ar.

Ciel demorou a entender que fora suspenso, apenas quando percebeu que não se movimentava mais notou que a respiração de Sebastian roçava seu queixo, ergueu novamente a cabeça e focalizou o rosto do demônio a poucos centímetros do seu. Seu olhar ficou fixo, primeiro, nos olhos vermelho-sangue, depois desceram para os lábios úmidos e entreabertos, e o conde desejou-os tanto que suas mãos moveram-se por vontade própria para o rosto do mordomo.

Sebastian sentiu-se arrepiar sob o olhar intenso do menino, poucas coisas causavam-lhe reações corporais, ainda mais reações prazerosas, mas Ciel o fazia com frequência. Os lábios em botão do pequeno estavam tão próximos que já podia sentir a essência dele, e o desejo do menor era tão grande que alimentava o seu próprio. Viu-o trazer as mãos para seu rosto, o azul de seu olhar brilhava, mas antes que ele fizesse o que imaginava, avançou os centímetros que os separavam e mordeu a pele sensível abaixo da orelha da criança, Ciel gemeu e suas mãos pararam nos ombros do mordomo. Passou languidamente a língua pelo maxilar firme do menino e o ouviu suspirar alto.

–- Shii Jovem Mestre, está chamando muita atenção. – Sua voz estava rouca e penetrante, não gostaria de estar dizendo isso, na verdade ouvir o Conde daquela forma era extasiante.

–- Ah... ah... Seba- Interrompeu-se, estava gemendo o nome do mordomo? Como assim? Mordeu o lábio inferior.

Um arrepio poderoso correu pelo demônio ante aquela visão. Estava sendo cuidadoso, por diversos motivos, mas daquele jeito...

Sebastian estava fazendo o que Ciel imaginava ter sido um sonho, ilusão ou alucinação. Ele estava fazendo o que o menino achava que ele jamais faria e o Conde estava ali, se sujeitando aquela situação que ele nunca se permitiria, mas era mais forte que ele, era impossível não se deixar ali! Como se as sensações que o estiveram assombrando tomassem seu corpo de assalto, e o fizessem desejar o que ele jamais quis! Lembrar-se de imagens não era nem de perto o mesmo que senti-las!

A língua quente do demônio passando por sua pele dava-lhe a sensação que podia derreter-se ali, devido o calor. Quanto mais o mordomo lhe apertava contra si, mais ele queria estar perto. Como podia ter duvidado da intensidade daquilo? Queria alcançar a boca do akuma, sentia-se sufocar, salivar. Voltou a correr as mãos pelos ombros dele, alcançou suas bochechas e por um instante assustou-se com a temperatura de sua pele, era quente, muito quente, suspirou. Como devia ser senti-la contra si? Seu corpo entrou numa combustão espontânea, abriu ainda mais a boca, completamente sem ar. Puxou o rosto do outro, que lhe encarava intenso, milésimos antes de alcançar sua boca, a porta abriu-se.

E Ciel se viu no colo de Sebastian, deitado em seu ombro. Milésimos de segundos! Ainda sentia o aroma de seu halito e a textura de seus lábios, nem seu cérebro fora mais rápido.

Sebastian estava com problemas. Queria Ciel Phantomhive. Não estava se referindo a sua alma apenas, naqueles instantes que o menino o puxava inconsciente, sendo dirigido por suas vontades, o demônio soube que desejava o corpo, a personalidade, a teimosia e os olhos azuis daquela alma. Isso era um problema e tanto. Queria tomar a boca do conde, mas não podia, não agora que se descobrira um estúpido incoerente. Não era a toa que não beijava os mortais com os quais por ventura teve que se relacionar, não era apenas asco. O beijo do demônio não vinha recheado com amor e carinho, era o meio dele se alimentar, era o beijo da morte.

Contudo Sebastian não era bom em negar suas vontades, sua vida resumia-se a satisfazer-se! Permitiu que o menino o puxasse, o fato de ser Ciel quem desejava ardentemente, instigava-o ainda mais.

Porem duas batidas soaram na porta, o pequeno conde não ouviu, riu-se por dentro, ele não ouviria nada naquele estado, então ela se abriu. Milésimos de segundos para sentir o gosto do garoto, milésimos de segundo essenciais que lhe foram tirados, milésimos de segundos para consertar a situação.

Mas afinal se ele, como mordomo dos Phantomhive, não pudesse fazer isso, o que faria então?

Passou o braço pelas pernas do pequeno, girando-o para a horizontal, aconchegando-o em seu colo. Retraiu-se ao ter que afasta-lo um pouco de si, principalmente porque suas bocas tinham começado a se tocar e por sentir o garoto resistir ao afastamento. Teve ânsias de matar quem quer que fosse o intruso. Deitou o rosto do infante em seu ombro e moveu-se rápido para perto da porta. Assim Príncipe Soma os encontrou.

Mas Ciel demorou bons minutos para que seu corpo percebesse a mudança da situação. A ânsia em seu peito ainda o sufocava, contorcia-se nos braços do mordomo, tinha o nariz apoiado em seu pescoço e o cheiro era tão delicioso que sentia vontade de fazer com o outro como este tinha feito consigo.

–- Ah! Vocês estão ai! – Soma deu dois passos para trás ao encontrar Sebastian, já não gostava dele, mas naquele momento parecia que ele realmente ia estripa-lo. Credo! Não sabia como Ciel conseguia!

–- Sim, príncipe Soma, deseja alguma coisa? – Disse entre dentes, quase um rosnado.

–- Ah, é bem, a senhorita Elizabeth chegou e estava procurando o Ciel. Eu só estava ajudando a procurar. – Disse ele levantando as mãos em defesa própria. Somente depois percebeu o quadro todo. – Hei, aconteceu alguma coisa com o Ciel?!

–- Ah, não se preocupe, ele apenas esta cansado. Tem se esforçado muito em suas lições. – Não conseguiu conter a ponta de ironia quando disse a ultima palavra. – Vou leva-lo para se- — Interrompera-se, na verdade, quase engasgou quando um arrepio poderoso passou por seu corpo, porém em um segundo, possivelmente menos, se refez, talvez tivesse sido imperceptível para o humano – seu quarto. Com sua licença.

O demônio saiu sem esperar a resposta do outro, um sorriso imenso e provavelmente assustador enfeitava seu rosto. Percebera o quão agitado Ciel ainda estava, remexia-se em seu colo, pressionando o lado do corpo a seu peito, ainda estava ofegante e quente, mas não esperava que o menino fizesse o que fez. O garoto sempre o surpreendia.

Ciel não resistira, seu organismo ainda não se conformara em ter sido afastado tão bruscamente, e aquele aroma! Não se conteve e passara suavemente a ponta da língua pela curva do pescoço do mordomo e como imaginara, sua pele era mais deliciosa que qualquer doce que jamais provaria.

Sebastian percorrera a distancia ate os aposentos particulares do Conde, de forma rápida, não precisava que Lady Elizabeth o visse agora, então Ciel não teve nenhum tempo para se acalmar antes que a porta de seu quarto fosse fechada e ele se visse sentado na cama.

O mordomo estava em pé a sua frente, olhando-o, esperando. Sabia como devia estar, vermelho, desgrenhado, suado, extremamente envergonhado. Olhava os próprios joelhos. O que foi que fizera? Estava maluco? Sua cabeça ainda estava aérea, sua boca seca, seu peito apertado, seus músculos era um nó de tensão, e seu corpo ainda reclamava insistentemente a proximidade do outro! Por todos os demônios do inferno, o que foi que fizera???

–- Jovem Mestre? – Perguntou Sebastian, o menino parecia estar resolvendo se ainda estava excitado ou se entrava em choque. Era engraçado. – Está tudo bem?

–- Como pode perguntar isso? Não é obvio? – Respirou fundo e ergueu a cabeça. – Quero uma explicação, agora!

O demônio viu o olhar azul ainda enevoado de desejo, se demorando em detalhes de seu rosto, porem também cheio de uma autoridade fria, a despeito das maças do rosto coradas. Seu sorriso cínico desabrochou, sim, aquele era o conde que conhecia.

–- Uma explicação? Não é obvio? – Riu-se, imitando o tom e as palavras do outro.

–- Vá para o inferno Sebastian!! – Gritou encolerizado, constrangido.

–- Oh não, não Jovem Mestre. Não pretendo visitar meus parentes tão cedo, mas obrigado por lembrar-se deles. – Sua expressão transbordava sarcasmo, estava mesmo sendo muito divertido.

Ciel fechou os punhos com ódio, estava com raiva, muita raiva e nem isso impedia seu corpo de desejar o demônio. Mas o desgraçado iria explicar, detalhe a detalhe, que diabos estava acontecendo, porque agora a única certeza que tinha era que aquele maldito sonho, não fora sonho merda nenhuma!



Notas finais
Entao gente, por favor, se nao for pedir demais, o pessoal que tem lindamente me dado a honra de ler minha historia humilde e doida, apresentem-se �/