Defying Gravity

9 Lady Elizabeth, um amor...


Notas iniciais
Laliho xD!!Eu sei! *desvia das pedras*Não me matem xDEntão apareceu a margarida com mais um capitulo... na verdade mais 2 eeee ^^Estou postando esse agora, mal corrigido pacas e vou colocar o outro amanha de manha porque nao vai dar pra corrigir agora ok?Estive ocupada com muita coisa, aconteceram uns imprevistos pessoais. Me desculpem, serio. Como oferenda eu estou entregando 2 caps de uma vez ^^Pessoas que querem limes, por favor nao me matem xD Está chegando ok? A paciencia do Sebby também está acabando, assim como a do Ciel, enfim... mas por voces e Somente por vcs coloquei uma peguex a mais que não ia ter ^^Como disse, muita Lizzie para a felicidade da nação *SQN kkkk ¬¬Bom, 2 caps com muita lizzie (depois disso tenho certeza q vão haver mtos bonecos voodos loiros >_

Where were going

Para onde estamos indo

We dont need no breaks

Não precisamos de freios

Can’t wait to see your face

Mal posso esperar para ver a sua cara

When your front windows break

Quando suas janelas se quebrarem

And I come crashing through

E eu chegar destruindo tudo

Fire Bomb — Rihanna



Estava com os punhos cerrados em volta de grumos de lençol fazia meia hora e achou, inocentemente, que se desse um tempo se acalmaria. Achou errado. Enquanto isso o desgraçado esteve ali parado na sua frente, seus olhos estavam fechados, mas sabia que ele estava na sua frente, mais ou menos uns dois passos de si, sentia essa distancia na pele.



Outro arrepio subiu pela sua espinha, devia ser o septuagésimo nono já!!! Sua cabeça doía com o esforço de lutar contra as imagens, sensações, vontades...

“Que inferno!!”

Tinha vontades, muitas vontades! Engoliu em seco. Não queria ter, não era pra ter, não tinha... ou achava que não tinha, até pouco tempo! Mas agora o aroma do demônio estava no quarto e em seu nariz, sim porque parecia que mesmo segurando a respiração, sentia seu cheiro embriagante.

Sacudiu a cabeça. Queria gritar e espancar o mordomo negro a dois passos de si, mas achava que se fosse aproximar-se dele, o tiro acabaria saindo pela culatra.

Queria algumas explicações e as teria! Contudo ficaria sentado, sim, esse seria seu desafio: Ficar ali, sentado e parado, longe do demônio.

–- Sebastian, você vai me dizer o que está acontecendo. – Deu uma tragada longa de ar e continuou ainda de olhos fechados e cabeça baixa, tremia imperceptivelmente.

–- Acredito que essa não é uma pergunta, certo Jovem Mestre? – Seu tom era irônico e cômico, sua situação só não era pior que a do pequeno Conde. Abafou o riso e viu os pequenos ombros se retesarem de raiva contida. Limpou a garganta. – Pois muito bem, o que posso dizer? Estava lhe ensinando apenas, a partir do método que achei mais eficiente. – Um esgar travesso delineou seus lábios.

Ciel apertou mais as cobertas.

–- Não me diga que estava apenas dançando? – Sua voz alterou-se levemente, mas ele tratou de se controlar, não perderia a luta, não ainda.

–- Não era o que parecia? – Fingiu um tom inocente que pareceu falso até para seus próprios ouvidos, e a vontade de rir era imensa, o pequeno nem lhe encarava.

–- Não, não era. De qualquer jeito não dance comigo como dança com todos. Não permito e não aceito isso. – Mas não era disso que queria falar, o akuma estava fazendo-o se perder. Na verdade, que porcaria foi essa que tinha dito?

–- Todos? – A sobrancelha de Sebastian levantou incrédulo. Aquele pirralho arrogante achava mesmo que teria todo esse trabalho com qualquer um? Dançar com todos? Podia contar em uma mão com quantas pessoas havia dançado ate hoje e todas já estavam mortas, ou quase todas. Olhou serio na direção do menino.

–- Jovem Mestre não sei se está subestimando a si mesmo ou a mim, de qualquer forma não tendo a perder meu tempo, dessa maneira, com qualquer um. – Disse, mantendo agora suas mãos para trás.

–- E por acaso você não o fez com seus outros “mestres”? – Ciel não estava acreditando no que estava dizendo. Porque não estava interrogando o maldito sobre o que acontecera, e todo o resto? Porque estava perguntando a ele sobre seu passado? Isso era um assunto que nunca trataram... mas que droga! Arrependeu-se na hora que as palavras deixaram sua boca.

A testa de Sebastian franziu-se tamanha a confusão que lhe tomou, do que aquele garoto estava falando afinal? Queria saber de seus outros “mestres”, do que fazia com eles, o que ele tinha com isso? Algo passou por sua cabeça, uma sugestão, um palpite que não quis alimentar.

–- Esqueça Sebastian... – O nome pronunciado lhe trouxe outro calafrio. Seus dedos torceram o lençol. – Agora me diga de uma vez o que esta acontecendo aqui!

O mordomo voltou a sorrir, os nós dos dedos do menino estavam brancos e seus ombros tremiam, o pequeno ainda travava uma luta interna, porem sua voz estava mais controlada. Ah como gostaria de saber o que se passava agora na cabeça do Conde.

–- Bem, posso dizer que aparentemente o Jovem Mestre está evitando a todo custo agir por impulso, correto? – Seu sorriso irônico tinha voltado, continuaria mesmo fugindo do assunto? Por quê? Por que não contar a Ciel? Talvez fosse ele mesmo quem estava tentando não agir por impulso.

Viu o corpo do menino sacudir levemente outra vez, a imagem mexia consigo, era quase como um pires de leite ao alcance de um gato sedento, mas de repente o Conde se pôs de pé e ergueu a cabeça com violência, os punhos continuavam trancados, encarou seus olhos e praticamente gritou.

–- É uma ordem Sebastian! Esta entendendo? Quero saber o que você fez! – Disse de um fôlego só. Tinha reunido coragem para deixar o constrangimento de lado e peitar o demônio, porque, pelo visto, ele não diria nada se não fosse forçado.

E Sebastian ficou preso no que viu: Os cabelos cinza em desalinho, os olhos faiscante do menino com ódio e desejo, a pele corada, os lábios úmidos e a respiração ofegante. Ciel tinha o peito cheio de orgulho e duvidas, unia a coragem de encara-lo de cabeça erguida ao constrangimento de ter perdido o controle. Era único, era especial, não mentiria a ele, não apenas pelo contrato, mas também porque não era justo, não tinha qualquer desculpa razoável na cabeça agora.

–- Está bem... – Suspirou pesadamente e encarou a Iris azul – Me diga o que quer saber? Mas não conclua que tenha sido obra minha.

Ciel engoliu em seco, bem, agora era o momento das duvidas, das perguntas sem resposta que vagueavam por sua cabeça nos últimos três dias. Era o momento crucial, tinha de ser capaz de falar, precisava! Mas parecia quase impossível se continuasse perdido nos olhos do mordomo, desviou o olhar para o chão e tomou fôlego.

–- Os sonhos que tive, eles foram... – Começou.

–-Não foram sonhos. – Cortou seco, já tinha imaginado que o menino pensaria assim ao acordar, mas acreditava que isso não fosse mais uma duvida. Seria complicado, talvez deliciosamente complicado, conteve um sorriso de expectativa.

Ciel gelou. Não foram sonhos hein? E as imagens rolaram como um filme por sua cabeça, a pele voltou a esquentar ele lutou contra mais um maldito arrepio! Apertou os olhos, aquilo tinha mesmo acontecido então? Sebastian e ele? Sua boca secou e ele tentou engolir. As pupilas vermelhas lhe seduziam a partir de suas memórias, sacudiu a cabeça e voltou a olhar o tapete sobre o qual se encontrava de pé. Tão interessante as tramas de linho...

–- Então você me salvou... – Disse as palavras pausadamente, como se não soubesse mais como compor frases.

–- Sim. – Foi direto, tinha de ser.

–- E por quê? – Estava confuso com muitas coisas.

–- Como assim Jovem Mestre? É meu dever protegê-lo. – Não entendia o questionamento, achava que ia receber perguntas de outro teor, mas afinal era de Ciel que estava falando e ele nunca agia de acordo com as expectativas.

–- Porque não me deixou morrer? Não teria sido culpa sua, teria minha alma e não precisaria mais seguir qualquer acordo. Porque não me deixou morrer?

Se Ciel estivesse olhando para o demônio veria que seu rosto tinha ficado sem expressão. Sebastian não sabia. Não sabia por que tinha se dado ao trabalho, está bem que levava muito a serio seu senso de estética, mas fora uma excelente oportunidade. Por que não a tinha aproveitado? Bem, seria mentira dizer que não havia pensado nisso, contudo apenas o pensamento de perder seu pequeno Conde lhe causou um tremendo desconforto, encher a barriga não era uma troca equivalente a perder a companhia de Ciel.

Era isso, não quis trocar seu pequeno mestre por sua saciedade, no fim tinha agido a partir de... Oh diabos, não queria dizer, nem pensar nisso, mas tinha sido movido por sentimentos.

Não quisera perder Ciel. Não podia dizê-lo, também não podia mentir. O que fazer?

–-...

–- Não vai responder? – Porque o mordomo hesitava tanto? Não era típico dele isso.

–- Não. – Afirmou – Não pretendo mentir.

Ciel precisou de um tempo para engolir essa, se ele respondesse seria em falso? Então não fora por um motivo qualquer? Não teria essa resposta, mas havia outras, muitas...

–- Está bem. – Respirou fundo, não acreditava que ia perguntar aquilo, mas tinha! Tinha que entender e não sabia se torcia para ele responder dessa vez, ou não. – E quanto ao resto? – Seu rosto queimava tanto que poderia fritar ovos nas bochechas.

–- Resto? – Levantou o supercílio e engoliu o riso – O Jovem Mestre estaria se referindo a sua recuperação? – Disse na melhor voz indiferente que conseguiu produzir.

RECUPERAÇÃO?!! Ele chamava o que aconteceu de recuperação? Só podia ser brincadeira!! Ciel trincou os dentes, não sabia o que era maior, se sua raiva ou a vergonha que sentia! O demônio maldito falava como se não fosse nada! Talvez não fosse mesmo, para um akuma de sei lá quantos milênios! Mas para o menino não funcionava assim.

–- Sebastian – Disse perigosamente – O que você fez comigo enquanto eu estava desacordado? – Era bom que a raiva o tomasse por completo e apagasse a sensação de calor na boca de seu estomago ao se lembrar bem do que o mordomo tinha feito com ele.

–- Bem Jovem Mestre, lembro-me de ter explicado e avisado que não gostaria de me repetir, mas abrirei uma exceção já que se encontra tão confuso. – Apertou suavemente as mãos atrás das costas, podia sentir o calor emanando do pequeno corpo e as notas de alcaçuz perfumavam o ar – Apenas contive sua alma no corpo para que não falecesse prematuramente.

–- NÂO ESTOU FALANDO DISSO! — Disse sem pensar e assustou-se com o tom de sua voz, não era dado a griteiros. Pigarreou e pensou em se desculpar, mas... pro inferno com as desculpas, a situação já estava mesmo totalmente fora dos padrões.

Sebastian sorriu, até aonde instigaria o garoto? E qual seria o sentido disso se no fim...

O mordomo foi pego de surpresa em seus pensamentos quando o Conde levantou a cabeça decidido, porém com olhos inseguros, e dando um passo a frente foi o mais direto que conseguiria.

–- O que você fez comigo para que eu fizesse... – Se cortou assustado com o que estava afirmando e seu olhar vacilou para os lados- ... para que eu permitisse... – Sacudiu a cabeça com violência e tentou de novo – O que você fez para que eu sentisse aquilo?!

Teria sido engraçado, realmente, o inquerimento confuso do menino se os olhos quentes do infante não tivessem revolvido as lembranças do mordomo. Ah, ele não tinha nenhuma vontade de rir e o garoto estava mais perto...

–- Eu não fiz absolutamente nada com você Jovem Mestre, sua alma ficou exposta por um tempo e isso o tornou mais suscetível aos seus reais desejos, sem amarras sociais... – Sua voz estava mais grossa, tentou modula-la, mas não foi feliz.

–- Mentira! – Disse raivoso, o demônio não podia estar falando a verdade – Eu jamais quis aquilo, eu... – Pode ver os olhos castanhos avermelharem aos poucos, o tom vinho já era bem perceptível e isso matou as palavras que tinha pensado em dizer, seu coração perdeu o compasso.

–- Eu não minto. – Deu um passo a frente diminuindo a distancia, agora de dois passos – E caso não se recorde eu só obedeci a ordens. – Não havia um sorriso em seu rosto nesse momento.

O corpo do garoto estremeceu violentamente ao lembrar-se da ordem dada. Ele tinha mesmo feito aquilo? A intensidade da ânsia daquele dia o acometeu e quase pode sentir a vibração das palavras repetidas em sua cabeça

“Me beije Sebastian, é uma ordem”

Salivou, era absurdo, mas tudo que podia sentir agora eram os lábios do mordomo a sua frente e este estava chegando mais perto. Encarava os olhos vinho que reluziam suavemente e sentia seu gosto, aquela nota amadeirada e de almíscar, a força de suas mãos. A cabeça rodou, não reparou, mas sua respiração saía apressadamente, recuou um passo e procurou com as mãos algo em que se apoiar. Tinha que manter a cabeça no lugar!

–- É disso que estou falando! Por que estou me sentindo assim?! – Disse de sobressalto, ofegante e o mordomo deu mais um passo a frente. A angústia crescia em seu peito.

Sebastian quase lambeu os lábios, o delicioso aroma que vinha do menino lhe envolvia e este se encurralava entre seu corpo e a cama. Possivelmente não deveria estar se aproximando e sim lhe dando espaço, havia hospedes na casa, nenhum relevante, contudo, não para que se detivesse. Procurava motivos para recuar e a cada um que arrumava, sua cabeça rebatia com um para continuar.

–-Sentindo? Então me diga como está se sentindo? – Perguntou malicioso, ainda havia dois passos entre eles e a pupila azul agora lhe encarava.

Ciel calou, o que diria? Que seu corpo queimava a cada vez que pensava ou vislumbrava o mordomo? Que seu nome secava-lhe a boca e seu andar lhe tirava toda a atenção? Que de repente descobrira no maldito demônio um cheiro impossivelmente melhor que chocolate suíço? Que não havia nada que pudesse fazer para impedir sua cabeça de pensar nele? Que seu estomago pesava e seu peito se contraia de expectativa esperando que o desgraçado entrasse no cômodo onde estava? Que só conseguia dormir com o reflexo do fogo desde que o reflexo dos olhos vermelhos tinha ficado impresso em sua retina? Que desejava ardorosamente repetir tudo aquilo todos os minutos do dia, e que tudo o mais fosse para o inferno?

Não diria! Seu coração batia atropelado.

–- Que inferno!! – Baixou a cabeça revoltado! Era culpa de Sebastian, sabia que era! Alcançou o dossel e apertou o poste de madeira, batendo com os calcanhares na perna da cama.

O mordomo observou o olhar desejoso de Ciel variar entre a ternura, a raiva incontida, a confusão e a luxuria inconfessável. O menino não estava sabendo lidar, e como saberia? Ele era somente isso, um menino, mas ainda sim... Sebastian correu os olhos pelo pequeno corpo envolto na casaca verde-escuro, atrai-lhe muito. Talvez não por seus dotes, dotes que os mortais exibiam como pães numa vitrine, mas sim por sua inocência sobrevivente á lascívia de outros, por seus movimentos decididos e tez alva, sublime. Transpôs os dois passos quando ouviu o som dos pequenos pés contra a madeira, sua mão alcançou a ponta do laçarote de seda no peito infantil no momento em que baixou o tronco a fim de deixar sua boca próxima ao ouvido do jovem Conde.

Ciel assustou-se ao sentir o mordomo a sua frente tão rápido quanto uma piscadela, abriu os olhos tenso, o rosto do demônio estava colado ao seu. Engoliu.

–- Não pense que fui culpado, eu lhe disse que não fizesse, avisei que sua inocência não lhe salvaria... – Sussurrou no ouvido no menino ouvindo resfolegar e segurar a respiração – Alertei sobre as consequências e mesmo assim você quis, você. Eu apenas obedeci. – Sorriu.

Ciel estremeceu violentamente, o halito do demônio soprava em seu ouvido e era mais significativo do que suas palavras. Ele quisera. Ele, não o demônio, era o culpado. Como podia não sabia, mas era o fato e sabia disso graças a vontade quase incontrolável de gemer o nome do maldito quando sentiu sua respiração quente contra o rosto.

Sebastian não estava fazendo nada de estranho, o problema era com ele! Sim que o mordomo não devia estar tão perto tomando liberdades, mas ELE não devia estar estremecendo e suspirando como uma dama! Mas podia sentir o peso insignificante da mão enluvada sobre seu peito, o leve puxão que ameaçava soltar o laço em seu pescoço lhe agoniando, o calor que emanava do maior, o cheiro... ainda não acreditava no que estava acontecendo.

Consequências? O que sentia era a tal consequência? Sua cabeça já começa a zumbir.

–- Isso que estou sentindo é a consequência da qual falou? – Disse completamente corado, seu rosto estava tão quente que seus olhos e orelhas ardiam.

–- Mas Jovem Mestre, como posso saber? Não me disse ainda o que está sentindo e por sua obstinação vejo que não dirá, vejamos, posso adivinhar? – Perguntou matreiro, podia ou vir claramente o coração da criança bater acelerado.

Ciel não ousou responder, se xingasse novamente apenas estaria afirmação sua confusão, o demônio já tinha optado por não responder uma vez, faria o mesmo.

O sorriso do demônio rasgou sua face, enorme e satisfeito, seus olhos já brilhavam um vermelho suave e quase podia sentir na língua o gosto doce do menino. Puxou a fita colorida, vagarosamente.

–- Sei que está agitado e nervoso, seu coração está fora de passo e o sangue corre mais rápido em suas veias – Sussurrou vendo o menino se retesar, sorriu ainda mais – Suas mãos estão suando e seu rosto vermelho diz que está constrangido? Por quê? – Acabou de desatar o laço e deixou que a fita escorregasse para o chão, abriu os dois primeiros botões da gola de babados e alcançou a garganta do infante, envolvendo-a – Sua boca está seca, desejosa, é difícil engolir? – Perguntou ao perceber o estremecimento do menor e seu engolir seco, arrastou os dedos até os pequenos lábios entreabertos e ofegos, que foram fechados de pronto – Quer ajuda?

A mão que agarrava o poste de madeira, também agarrava os resquícios de sanidade de Ciel, por todos os círculos do inferno, Sebastian o estava seduzindo? Se estava não era nada justo!Justo? Já encarava isso tão bem? Tinha que fazer o maldito parar! E ele mal lhe tocava, seu corpo queimava, tremia sem parar agora. Estava difícil respirar com a boca fechada e ainda mais difícil estava mantê-la fechada. As palavras do mordomo pareciam estar sendo ditas dentro da sua cabeça.

–- Seu corpo está quente, não está? E talvez seja difícil pensar, não se preocupe essa não é a consequência. O que está sentindo é típico de mortais na sua fase de crescimento, contudo... – Deteve-se e acariciou os lábios malva sob sua luva, sentindo-os estremecer –

Queria ver os olhos do menino quando explicasse, qual seria a reação de Ciel? Não fazia sentido ter expectativas com a criança, ele nunca as correspondia, porem em tanto tempo que não era possível contar seu peito não apertava desse jeito, ele poderia acusa-lo de quebrar o contrato? Possivelmente. Poderia se afastar, temer, voltar atrás? Sim, ainda que não houvesse mais salvação para sua alma, contudo tinha a impressão, talvez fosse somente sua vontade, de que não aconteceria isso, essa não seria a atitude do Phantomhive que conhecia.

Sebastian recuou o rosto e encarou a pupila azul, insegura e assustada, aquela versão do menino que só ele conhecia, mas ainda cheia de um desejo liquido, transformando a safira dura no quente mediterrâneo. Aproximou o rosto do dele deixando entre as faces três dedos de distancia e pode vê-lo resfolegar novamente, o azul não decidia se focava em seus olhos ou lábios. Sorriu refletindo o desejo não admitido do menor, que agora entreabria discretamente a boca.

–- Minha boca provou da sua... – Um arrepio passou por Ciel e sua mão afrouxou no dossel — ... nesse momento eu provei sua alma, consumi uma ínfima parte, contudo duas coisas podem acontecer nesse processo. Se eu não tivesse obtido seu consentimento você agora seria um joguete para mim, uma marionete ligada por fios de ódio, porém... – O sorriso rasgado em seu rosto aumentou suavemente deixando entrever os caninos brancos – Você me surpreendeu mais uma vez e estou diante de algo raro. Tenho um pedaço seu permanentemente e sua alma desejará reavê-lo, para sempre, reforçando nossa ligação até que toda a sua alma seja minha.

Ciel estava tentando absorver o que estava ouvindo, tinha perdido um pedaço de sua alma? A boca de Sebastian estava tão próxima que sentia a vibração das palavras em seus próprios lábios e respirava seu sopro afrodisíaco. Ele tinha quebrado o contrato? Mas tinha permitido não era? Sua cabeça estava enevoada e sua mão agora escorregava pelo dossel e agarrava o tecido dos shorts em sua coxa, desejando estar em outro lugar.

Piscou algumas vezes, sua alma estava incompleta, para sempre, e tentaria conseguir de volta sua parte perdida? Mas Sebastian a consumira, não podia ser devolvida, então era como uma vingança? Os olhos vermelhos esperavam que digerisse a informação e não conseguia sentir um pingo de remorso, revolta ou perda pela fração de alma que não possuía mais. Fazia falta? Nenhuma. Já a tinha vendido na verdade, era o que? Quase como uma amostra grátis.

Então não funcionava como uma vingança? O rubro ficou impaciente, pode notar e para mostrar diminuiu a distancia em dois dedos. A respiração do menino enlouqueceu e seus lábios entreabriram mais, em busca de ar e da outra boca. Ciel quis apertar os olhos, mas os vermelhos não permitiram, lhe encaravam decididos com uma pergunta a ser respondida. A história toda rodava na cabeça do menino como os giros da valsa, rápidos e complicados demais. Se devia odiar Sebastian, isso não mudaria nada, pois já o odiava, mas o que mais era pra acontecer? Era normal sentir-se desse jeito? Cada pedaço seu gritava pelo demônio a sua frente, isso não era normal e não se assemelhava em nada com o sentimento de vingança que guardava no peito.

–- Jovem Mestre? – Sebastian estava esperando, impaciente na verdade, pressionara o garoto para ver sua decisão, mas ele não parecia chegar a nenhuma. Diversas emoções passaram por seu olhar confuso, mas nenhuma tinha permanecido além do desejo.

A respiração do moreno transformou as informações rodopiantes em um turbilhão sonoro sem significado, a boca do menino abriu-se desejosa quando a nota almiscarada envolveu seu paladar, lembrando a prova que teve poucos momentos atrás, a mão soltou o short e agarrou o fraque negro num deja’vu. Não importava, nada importava a não ser aquele momento, seu peito parecia pesar uma tonelada.

O sorriso do demônio mudou e aumentou ao que parecia, Ciel não conseguiria pensar daquele jeito, mas Sebastian também não gostaria de perder tempo pensando, a pequena mão lhe puxando para perto aguçava sua memória. Com uma mão no peito do menino o guiou até que suas costas apoiassem no poste de madeira e em nenhum momento o azul deixou seus vermelhos.

Esticou a língua, passando novamente a ponta pelos lábios abertos, provando a iguaria que tinha para si. O menino suspirou alto e jogou a cabeça para frente ao mesmo tempo em que a porta do quarto era escancarada.

Mas não era possível! Deus resolvera salvar aquela alma em particular, era isso?! Apiedara-se do alto de seu trono egoísta ou apenas resolvera sacanea-lo? Sebastian passou a mão nervosamente pelo cabelo ao confirmar se estava tudo bem com o jovem Conde, arremessara o pequeno na cama cobrindo-o rapidamente com a coberta grossa momentos antes de a porta abrir. O cheiro doce e enjoativo do perfume da loira o advertira que era ela quem atrapalhava dessa maldita vez! Ou talvez sempre tenha sido ela! Tinha os punhos apertados atrás das costas.

–- Ah Ciel! Que bom que eu te achei! Ah não me diga que já vai se deitar! Não acredito! – Disse Elizabeth entrando a todo vapor no quarto, vendo Ciel na cama com Sebastian ao seu lado.

Ciel por sua vez estava esticado na cama, suando em bicas, seu corpo vibrava, o coração a mil lhe fazia ter vertigens, seus olhos ardiam e a boca... ah sua boca salivava, sentia o gosto do demônio nela! Apertou as mãos na coberta, queria levantar dali e agarrar o mordomo. Deus! Que absurdo estava pensando! Estava louco, meses de tortura não o tinham feito perder a sanidade (tinha contratado um demônio, então talvez tivesse perdido sim), mas uma semana com o empregado em algum lugar de sua mente definitivamente o tinham feito perder o prumo. Remexeu-se desconfortável, não conseguiu fechar os lábios, arfava demais, a roupa o incomodava, estava sufocando praticamente quando Elizabeth sentou-se espalhafatosamente em sua cama. Olhou perdido para ela, ainda não conseguia pensar direito, o cheiro amadeirado do outro ainda estava em sua pele.

–- Ciel? – Ela disse carinhosa com um tom de preocupação – Está tudo bem? Soma-san me disse que tinha lhe encontrado no corredor, mas que você não parecia bem. Não pude vir para o chá que deu, mas ficarei o resto da semana com você. – Pontuou com um sorriso radiante.

As tripas do menino se contraíram, o resto da semana hein? O aroma floral de Lizzie começava a ser percebido pelo garoto e ele enrugou o nariz em resposta, seu corpo ainda estava em chamas, sua cabeça ainda estava confusa e ele agora teria de procurar furtivamente maneiras de sana-las com o mordomo no resto dos dias que tinham pela frente antes da festa. Oh e ainda teria que se preparar sem que Elizabeth percebesse! Virou a cabeça e encarou Sebastian, seus olhos estavam ligeiramente apertados e apesar de sua mascara de indiferença estar bem convincente, bastava uma brecha para que percebesse, e era claro que ele havia ficado irritado com o aparecimento de Lizzie. E quem não havia? Corou.

Tinha de tirar esses pensamentos da cabeça, já sabia o que tinha havido, sofria agora as tais consequências que Sebastian tinha explicado, muito mal diga-se de passagem, por seu comportamento anterior. Corou ainda mais. Já podia parar de pensar naquilo.

–- Hei Ciel, me responde – Fez um bico – Estou preocupada. Sebastian, vou ficar aqui até que o Ciel durma está bem? Você pode ir. – Sorriu para o mordomo –

Ciel arregalou os olhos! Estava de roupas ainda e suava tanto que os lençóis grudavam em sua pele, estava agitado e quente, nunca que iria conseguir dormir assim! Queria um tempo pra se acalmar, um banho, a janta! Encarou fulminante o mordomo.

–- Ah bem, como queira senhorita Elizabeth. Boa noite. – Deu seu sorriso de praxe, evitando o olhar de Ciel, e saiu pela porta.

Sebastian saiu pelos corredores a foi direto para cozinha, já eram sete horas, havia perdido a hora do jantar, soube por Brad que Agni tinha-o salvo e preparado a refeição. Agradeceu mentalmente ao outro mordomo. Terminaria o que tivesse para fazer no dia seguinte, precisava espairecer porque se algum desavisado cruzasse seu caminho agora não daria tempo do infeliz sequer terminar o sinal da cruz. Caminhou duro para seu quarto e fechou a porta, encostou-se nela e sorriu, permitindo-se relaxar.

Sim, duas coisas podiam acontecer quando uma alma é parcialmente consumida, ou “provada” antes da refeição, era a maneira mais fácil de fazer lacaios, pois o mortal torna-se totalmente passivo e obediente, muitos foram os lacaios, ou possuídos, de demônios existentes na humanidade até hoje, contudo esse fato obviamente não aconteceu. A outra opção acontece quando a vontade da alma é grande, ou quando ela dá seu consentimento, ainda que não saiba o que irá lhe ocorrer, e ela se revolta com a perda e busca repara-la. Dá uma pequena dor de cabeça, mas é facilmente consertado acabado com a vitima.

Mas com o menino nada disso tinha acontecido.

Ciel era quase um rapaz, estava na idade da descoberta, contudo parece que o “beijo do demônio” havia despertado nele uma sanha nova. Nova? Sebastian se perguntava o que o Conde teria escondido até então? Talvez nem ele mesmo soubesse.

O menino não buscava o pedaço perdido de sua alma, nem se mostrava submisso ou revoltado, não mais que o de costume, contudo parecia anormalmente sensível a si. Seria resultado do contrato? Jamais tinha “provado” uma alma contratada antes de consumi-la, não sabia se o pacto influenciava. Sorriu, não importava os motivos, havia gostado muito do resultado, mas tinha que resolver as interrupções, um dia desses ainda mataria alguém, por reflexo.

Seria assim então? Admitiria para si que tinha apreço pelo mortal? Não, apreço não, preocupação sim, isso não podia negar. Ciel era realmente delicioso, mas era exatamente por isso que se dava esse trabalho... Contudo perdera a oportunidade de fazer seu banquete mais cedo.

Era melhor parar com tanto devaneio. Desencostar da porta e passou a despir-se para seu banho.



***



No quarto Ciel ouvia Elizabeth falar de toda a sua preocupação e de Edward enquanto sentia o suor secar no corpo e a roupa lhe coçar, estava inclusive de sapatos. Fechou os olhos com força, ainda tinham três dias pela frente.



Deus, seria pecado mortal desejar que sua noiva morresse subitamente?



I say, "I don't like it."

Eu digo, “Eu não gostei”

But you know I'm a liar.

Mas você sabe que sou mentiroso

'Cause when we kiss,

Porque quando nos beijamos

Ooo-ooo, fire!

Ooo-ooo Fogo!

My nerves are jumpin',

Meus nervos estão saltando

Actin' like a fool.

Estou agindo feito idiota

Well, your kisses they burn,

Bem, seus beijos pegam fogo,

But my heart stays cool.

Mas meu coração continua frio

Fire – Bruce Springsteen



Notas finais
Ok eu sei, tb estou com raiva de portas, mas fazer o que? O povo daquela casa, fora o Ciel, não tem educação.Rvws? Sim? Oh obrigada T-T