Defying Gravity
7 Uma idéia of hell.
Notas iniciais
Ciel estava sentado havia algum tempo na mesinha em seu quarto. Sua manhã tinha começado como qualquer outra, com Sebastian e as cortinas, seu sono tinha sido bom e pesado, sem sonhos... “Graças a Deus” suas tarefas todas listadas, mas logo após o desjejum, como se adivinhando seus pensamentos, o mordomo lhe trouxera a carta da rainha. Não estava preocupado até abrir o envelope, esperava algum cumprimento e uma ou outra indireta a respeito do estrago e prejuízo que fora o naufrágio, contudo não foi isso que encontrou e agora seu humor estava negro.
–- Jovem Mestre, algum problema? – Perguntou Sebastian, sentindo a mudança de clima. O rosto do menino tinha fechado de repente.
–- Parece que sua majestade ainda não está satisfeita com o desfecho do caso da Fênix... – Disse, arremessando a carta na mesinha, irritado – Além de mim, houve mais alguém que escapou milagrosamente e essa pessoa está preocupando a rainha.
–- Hm... – O mordomo pareceu pensar e um esgar maligno surgiu em sua boca ao pronunciar o nome – O Visconde Druitt.
Ciel sentiu um calafrio e trincou os dentes. Detestava aquele sujeito! Só de olhar para a cara dele, não, só de pensar que teria de olhar para cara dele, tinha vontades homicidas.
–- Exatamente. – Sua mão fechou em punho – De alguma forma ele escapou ileso, sem estar nos botes, e ainda que isso não me interesse, sua majestade quer explicações. Teme que ele tenha resgatado a maquina e queira continuar com essa ideia insana de cura perfeita. – Socou a mesa fazendo a xícara delicada tremer no pires –
–- E isso faz com que o Jovem Mestre tenha que observa-lo? – Não havia gostado da ideia, apesar do tipo ser patético lhe incomodava a maneira que olhava o menino.
–- Não. Todos sabem que o Visconde voltou para sua mansão e tem dado inúmeras festas em gratidão a sua vida ter sido salva, porém entre os dias festivos ele tem promovido reuniões e encontros sigilosos, com grupos seletos, sempre em sua casa. Não há registro ou informação do que acontece nesses momentos, mas a rainha suspeita que tenha a ver com a Ordem, pois alguns dos participantes demonstraram atitudes suspeitas e viajaram subitamente, não dando mais noticias. – Uma veia pulsava em sua testa.
–- Então a vontade da rainha é descobrir o que acontece nesses eventos e sua relação com o caso da Fênix. – Pensou um pouco mais, não seria difícil, havia inúmeros jeitos de fazê-lo, sua irritação cedeu um pouco. Terminaria rapidamente.
–- Sim, o problema é a maneira de fazê-lo. – Apoiou a cabeça nas mãos, não acreditava que iria repetir aquilo. – Esses eventos, como disse, são restritos a jovens Damas, e estas também estão envolvidas nas festas dadas ao publico, de forma que as que mais se aproximam do Visconde, são as mesmas apresentadas por ele como suas “pérolas” e também coincidem com as desaparecidas.
Sebastian não fizera nenhum comentário dessa vez, ainda estava tentando digerir a situação. Já tinham se aproximado do loiro nojento uma vez, não fora difícil, mas agora a aproximação seria bem maior e mais intima. Sentiu o músculo do pescoço retesar. Restrito a damas? Qual seria o plano do conde para que pudesse acompanha-lo? De forma alguma cogitaria ir sozinho, certo? Não podia ter certeza com aquele ali, e isso não seria uma meta atingida em um ou dois dias... de quanto tempo estavam falando?
–- De quantos dias vai precisar Jovem Mestre? – Sua voz estava um tanto grave, pesada.
–- Não sei Sebastian, preciso pensar em como farei isso, tsk. – Levantou a cabeça das mãos, era melhor começar a se mexer, não ia resolver aquilo ficando sentado como um dois de paus. – Haverá uma festa na mansão Druitt nesse sábado, certifique-se que tudo esteja pronto para que possamos ir.
Encarou os cabelos acinzentados, ao menos a criança não planejava ir sozinha, contudo essa data lhe dava apenas quatro dias para cuidar de tudo.
–- Jovem Mestre, presumo que iremos usar a mesma táctica de antes? Contudo haverá o, porém de o visconde já me conhecer. – O menino continuava de costas para si.
–- Eu não queria ter de fazer isso, mas será o único jeito. Não acho que você ficaria convincente de mulher. – Disse levantando-se e olhando para o mordomo – E com o resto eu darei um jeito.
–-Verdade? Não sabia que me achava tão másculo. – Sorriu, mas tinha a sobrancelha levantada, a mente do conde era rápida, já traçara uma estratégia.
Ciel sentiu-se corar. Não era para significar aquilo.
–- Pare de besteira Sebastian, sabe o que quis dizer. – Voltou a se virar – E remarque minha agenda de forma que tudo esteja em ordem até sábado. Não quero perder tempo... quanto antes isso terminar melhor. – Sussurrou entre dentes.
–- Yes, my Lord. – Curvou-se numa pequena reverencia, apanhou a bandeja com o serviço e saiu do quarto.
****
Estava na cozinha terminando o almoço mecanicamente, queria finalizar seus afazeres logo, tinha uma pequena lista na cabeça a conferir antes de fazer qualquer movimento. Veria com seus próprios olhos a situação do Visconde e como estava a mansão, quem eram os empregados e hospedes, na medida do possível, e conseguiria informações sobre estes. Também buscaria saber como foram às outras festas e quais damas estiveram como acompanhantes de Druitt.
Não estava feliz com esse serviço, o garoto sempre se punha em risco desnecessário para concluir rapidamente as tarefas, ainda que talvez isso soasse como um elogio a sua pessoa. Riu-se. Ciel conseguia ser orgulhoso mesmo quando dependia de alguém. Lembrava-se de sua face ensanguentada quando se deixara sequestrar pela máfia italiana, ainda não acreditava na indiferença do menino para com sua própria vida, ou talvez fosse à confiança que tinha em si. De qualquer forma, dessa vez não deixaria o infante sozinho com o visconde, não mais que o necessário, e se tudo saísse conforme o costume seria divertido e interessante. O conde atingia seus objetivos de forma precisa e limpa.
Não havia motivos para se preocupar, não depois do desastre que fora o Campaina, nada seria pior do que aquilo.
Terminou os afazeres com hora e meia de sobra, tempo mais do que suficiente. Limpou as mãos, despiu o avental e deixou ordens claras e expressas de que ninguém entrasse na cozinha! Com exceção de Agni, assim não perderia a refeição. Teve vontade de espiar o pequeno Conde, mas acabaria se atrasando. Correu porta afora, sumindo em segundos.
***
Ciel passou a manhã em seu escritório novamente, a cabeça ocupada tentando achar soluções para problemas que sabia que apareceriam. Não gostaria de vestir-se femininamente de novo, mas não tinha jeito, era um problema resolvido com outro, agora como colocaria Sebastian para dentro da mansão? A festa não seria problema correto? Entraria como seu tutor, como da ultima vez. Ficaria muito na cara? Outro grau de parentesco, um primo? Talvez.
Como se aproximaria do Visconde sem delatar sua identidade? Decerto não poderia se repetir, aquele lá não parecia muito inteligente, mas convém não abusar.
Correu os olhos pelo escritório, andava de um lado para o outro, tentando ver alguma luz, mas nada lhe ocorreu. Pensou em chamar Sebastian, mas um aperto desconfortável no estomago lhe lembrou do que tinha posto de lado, frente à situação atual. Sebastian não lhe ajudaria, só iria desconcentra-lo. Foi até porta e saiu do escritório, iria à biblioteca, havia a chance de encontrar algo que pudesse compor seus planos.
Olhou os livros antigos, procurando inspiração, geralmente não tinha problemas em planejar armações, mas certas sensações estavam desconcentrando-o. Onde estava Sebastian? Essa pergunta era tão repetida em sua cabeça, que se datilografada encheria todo um periódico! Fechou os olhos, e o demônio sorriu para si. Por que a imagem do maldito enchia a escuridão atrás de suas pálpebras? Não era hora de questionamentos inúteis.
Abriu os olhos e sentou-se na poltrona, enfiou a mãos entre as almofadas quando sentiu algo incomum, puxou de lá um enorme laço de seda rosa Pink, pertencia a Lizzie, com certeza. Então uma idéia brilhou em sua mente, Sebastian conseguiria, sorriu de forma sádica, ele sempre era bom em tudo, não era? A situação seria perfeita! Explicaria a permanência do mordomo ao seu lado, sua proximidade, disfarçaria sua aparência, seria original, suas identidades ficariam imperceptíveis e o melhor, era uma desculpa perfeita para se aproximar de alguém como o Visconde. Um sorriso fino e frio moldou seus lábios, para ela a situação já seria constrangedora, então nada mais justo do que incluir o outro nisso, o mordomo iria a-do-rar a idéia.
***
Sebastian já estava de volta, a mesa do almoço encontrava-se posta e pronta, Agni e o príncipe Soma já tinham sido avisados da refeição, pensava em subir para chamar o Jovem Mestre quando este o surpreendeu, descendo as escadas com um sorriso estranho. Olhou o relógio de bolso para confirmar, não estava atrasado, o conde é que se adiantara, e o que era aquele sorriso? Estreitou levemente os olhos.
–- Oh, Jovem Mestre, eu já ia chamá-lo! – Adiantou-se até ele abrindo a porta da sala de jantar.
–- Não foi necessário. – Olhou-o de lado – Diga-me o que conseguiu? – Sabia que o mordomo já teria reunido informação o suficiente para a missão, mesmo que tivesse tratado do assunto com ele pela manha.
–- Bem, descobri que os servos do Visconde são fiéis, quase apaixonados por sua pessoa, porem a segurança é ridícula! Poderia entrar e matar toda a casa sem que ninguém percebesse...
–- Isso não seria difícil para você Sebastian, mesmo com a melhor segurança. – Disse indiferente, parando ao lado da cadeira da cabeceira.
–- Ora, o que eu faria se não pudesse fazer ao menos isso? – Sorriu inocentemente, o menino andava muito lisonjeiro ultimamente. – Continuando, há alguns servos novos, três pelo que soube, parece que foram contratados pelo incremento de pessoas na mansão. As reuniões costumam acontecer nos jardins internos da casa ou na saleta intima de Druitt... – Puxou a cadeira para que o conde sentasse, empurrando-a em seguida e abaixando-se perto de seu ouvido para colocar o guardanapo de linho em seu colarinho e para Príncipe entrava na sala naquele momento. — E quatro foram as damas desaparecidas, de famílias distintas e sem qualquer conexão aparente.
O mordomo terminou de preparar seu mestre e virou-se solicito para os hospedes, fazendo-os se sentirem a vontade e saindo para buscar a comida, sem perceber que o menino abaixava o rosto corado, constrangido.
Um arrepio lhe subira pela espinha quando a respiração suave do demônio soprou perto do seu ouvido, seu estomago pesou e juntou com força os joelhos. Que diabos de reação era aquela?
–- Ah Ciel!! Que bom hein? Achei que não fosse sair nunca mais daquele quarto! – Disse Soma, barulhento, desviando de Sebastian, passando a metros dele e sentando-se ao lado do conde – Vamos fazer alguma coisa depois do almoço? Aqui está muito chato! Quero sair!
–- Eu vim ao chá ontem, e não é como se eu não fizesse nada o dia inteiro, estou ocupado. – Disse sem ainda encarar o indiano, seu rosto não tinha voltado ao normal – E se quer sair, saia. – Falou indiferente.
–- Awn que frio! Quero companhia! E você também devia tomar um ar, doentes não podem ficar trancados o tempo todo, mas se não quiser podemos jogar e... – parou vendo o outro levantar o rosto. – Por que está vermelho? Está com febre? Agni faz uma beberagem de gengibre que...
–- Eu estou bem! – Exaltou-se por um minuto, mas e recompôs quando ouviu o mordomo se aproximar – Não tenho febre alguma e não quero nada estranho para beber, obrigado. Não estou doente e tenho muito que fazer. Talvez mais tarde, ok?
–- Ah é? – Desviou o olhar para o homem de preto, achava-o assustador, principalmente com aquele sorriso maligno – Está bem então! – Deu de ombros, esticando os braços na mesa – De noite jogamos, — Disse abrindo um sorriso radiante.
Aquele moleque era irritante! Não tinha quaisquer modos, portava-se como uma criança selvagem, egoísta e indefesa, aqueles sorrisos luminosos e transparentes, sem motivo algum, lhe incomodavam. Gente assim geralmente tinha um fim triste.
–- Senhor Soma, por favor, retire seus cotovelos da mesa. – Disse sorridente, sabia que o outro o temia e devia mesmo, ao menos tinha instinto, aquele ali – E o Jovem Mestre não se encontra mais doente, graças a Deus.
–- Deus não teve nada com isso – Resmungou baixo, como se falasse para si mesmo.
Soma e Agni não tinham ouvido nada, pois naquele momento Sebastian servia os pratos de prata, o tilintar encobrindo o som, mas o sorriso do mordomo mostrou claramente que ele ouvira. Seu olhar para Ciel foi tão intenso que o menino levantou a cabeça, incomodado, e seu olhar ficou preso no do outro. Sustentou a intensidade, firme, vendo os castanhos avermelhados do demônio espiarem sua alma, a mão embaixo da mesa tremeu e o peso em seu abdômen aumentava, mas não cederia, um calor subia por seu peito e se forçava a respirar.
–- Hei Ciel! Não me ignore! – Disse Soma lançando um pãozinho no peito do conde.
–- Ah. – Se assustou com o movimento, Sebastian piscou e mudou o foco da atenção para o estrangeiro, libertando seu olhar. Tomou fôlego.
–- Príncipe Soma... – Disse arrastado, ameaçadoramente gentil – Não sei como acontece em seu país, mas aqui a comida é feita para servir de alimento, não a use como projétil, por favor – Marcou mais a ultima palavra. Aquele indiano era um estorvo.
Ciel não precisou de mais que alguns minutos para se restabelecer, estava assustado com a intensidade das sensações que lhe acometiam ultimamente, mas definitivamente não era algo que demonstraria, para ninguém. Viu Sebastian terminar de servir a mesa e beliscou o alimento, tinha perdido a fome, quando o mordomo se inclinara para servir-lhe água, viu seus lábios formarem uma frase mais do que ouviu as palavras, por que pode ver? Porque sua atenção estava totalmente voltada, inconscientemente, para o demônio. E ela enviou outro arrepio a sua espinha, fazendo-o fechar a mão mais firmemente em volta do garfo.
–- Isso mesmo Jovem Mestre – Sebastian aproveitou a proximidade para sussurrar, não conseguindo conter um curto sorriso malicioso. Levantando-se em seguida para se postar as costas do pequeno conde.
Ciel tinha razão, Deus não tivera nada haver com sua recuperação, e sim o Diabo. Sorriu suavemente.
O conde foi o primeiro a se retirar, avisando o mordomo de que fosse ate ele, em seu escritório, quando terminasse com o almoço. Saiu apressado do cômodo, durante toda a refeição pode sentir o peso do olhar do outro, desde quando ser observado por Sebastian lhe incomodava? O demônio sempre estava de olho nele, era parte de seu trabalho, seria melhor parar com tantas tolices.
Não esperou na cadeira de encosto alto por muito tempo, ouviu o outro bater na porta e entrar. O menino respirou fundo uma vez, esperando que nada de estranho atrapalhasse sua conversa.
–- Estou aqui como pediu Jovem Mestre, o que deseja? – Perguntou após uma delicada reverencia. O menino estava sentado displicentemente na cadeira, encarando-o com o frio olho azul, como se nada tivesse acontecido antes. Ciel era mesmo muito bom dissimulador.
–- O que entende de moda Sebastian? – Foi direto como sempre.
–- Bem... apenas o básico, acredito. – Inclinou a cabeça, pensando – Passei por muitas tendências, em diferentes séculos, mas nunca prestei qualquer atenção a isso, conheço o suficiente para passar incólume. Por quê?
–- Então terá que aprender, precisa saber muito mais que o básico, precisa saber tudo.
Como assim tudo? Garoto arrogante! Agora queria que se tornasse especialista em moda, moda!! , do dia para a noite? Ainda mais um tema fútil e inútil como aquele? Engoliu uma blasfêmia.
–- Posso saber o porquê disso Jovem Mestre? – Disse ainda mantendo o sorriso, falso, nos lábios e viu um se desenhar na pequena boca do menino.
–- Porque será, pelo tempo que for necessário, um importante estilista francês. – Viu o mordomo levantar uma sobrancelha – Atraído pelo maravilhoso estilo do Visconde – Disse ironicamente – Isso mudará um pouco sua aparência, e completamente seu estilo, não haverá chances de sermos reconhecidos, além de ser uma área de interesse perfeita entre nobres fúteis e damas.
Bem, Sebastian reconhecia, havia sido uma excelente idéia, mas por que deveria ser sempre ele a ficar com a maior parcela do trabalho? Ainda mais isso. Encarou o menino, ele estava claramente se divertindo com a sua situação, o sorriso sádico que ele expunha era obvio.
–- E posso saber qual será o seu papel no plano Jovem Mestre? Ou espera que eu faça tudo sozinho? – Alfinetou.
–- Claro que não. – O sorriso sumiu e foi substituído por uma carranca – Sabemos que não haveria outro jeito, então serei uma nobre parisiense, sua modelo e representante de suas obras. – Baixou a cabeça levemente constrangido – Isso deve ser o suficiente para explicar sua permanência constante a meu lado.
Sebastian não pode se conter, um sorriso encharcado de ironia espalhou-se por seu rosto. Sua modelo? Seria interessante.
–-Parabéns Jovem Mestre, como sempre seu plano é ideal, porém precisaremos acertar alguns detalhes. – O jovem ergueu a cabeça, curioso – Nobres parisienses são excelentes dançarinas, e como sabe o senhor... bem... – Ergueu levemente os ombros para atestar o obvio – Precisaremos treinar o máximo até sábado e há ainda seu inglês, terá de adotar um sotaque francês para que fique convincente.
–- Está bem Sebastian, mas não chame a atenção, já estive muito envolvido com toda essa historia, não quero aumentar o falatório.
–- Hm... se permitir posso eu mesmo lhe treinar Jovem Mestre, não será a primeira, e certamente nem a ultima vez que eu o farei. – Disse sorrindo.
Ciel parou para pensar duas vezes, mas quais eram as opções? Contratar de repente um professor de Frances e um de dança, e sabe-se lá mais o que fosse necessário? Levantaria suspeitas. Engoliu em seco, sentiu vontade de rezar, mais como um habito enraizado que qualquer outra coisa, rezar para que nada acontecesse. Viu o sorriso do demônio, não o de praxe, nem o de ironia, algum outro no meio disso, um que ainda não reconhecia de pronto, um novo.
–- Como quiser Sebastian, tanto faz. – Disse voltando os olhos para a mesa, com uma disfarçada indiferença.
–- Será uma honra, como sempre. – Disse com a mão no peito – Como nosso tempo está apertado, começaremos hoje mesmo e suas outras lições serão adiadas, precisará aprender algo sobre moda também.
Viu o menino anuir com a cabeça.
A última vez que estivera na França fora há muito tempo, nos minuetos e grandes bailes, lembrou-se dos sorrisos das damas da corte e de seus decotes exagerados, Ciel precisaria aprender muito mais do que dança e sotaque Frances se quisesse se passar por uma parisiense, mesmo uma muito tímida. E o demônio não sabia se sentia contentamento ou revolta com isso.
–- O que foi Sebastian? Algum problema? – O mordomo tinha um olhar estranho, parado a sua frente, encarando a janela.
–- Absolutamente, contudo Jovem Mestre, talvez precise de algumas aulas especiais...
–- Especiais como? – Ciel se contraiu, não gostou do tom do demônio, quase cauteloso, divertido...
–- Você verá. Digamos que as francesas são um pouco mais espirituosas do que as inglesas – Sorriu, se não sabia se isso lhe traria problemas ou não, posteriormente, ao menos naquele momento seria divertido, sim muito divertido.
Ciel quis engolir em seco, mas como já seria a terceira vez que o faria, não havia mais nada para engolir, sentiu a garganta se contrair desconfortavelmente.
***
Having people wonder what the hell you're on.
As pessoas se perguntam o que diabos você esta fazendo
Fun in the dark.
Se divertindo nas trevas.
If you're not busy for the next few days, come along with me
Se você não estiver ocupado nos proximos dias, venha comigo
& we can blow this place.
E juntos podemos explodir esse lugar.
Nobody is sure how this is gonna end.
Ninguém sabe ao certo como isso vai terminar.
All you need is nothing so come on my friend.
Você não precisa de nada então venha comigo meu amigo
Fun in the dark
Se divertir nas trevas
(Fun in the Dark – Groovie Ghoulies)
Fale com o autor