Defying Gravity

4 Fear of the Dark


Notas iniciais
Oi genteeeeeeee, desculpem a demora!! A coisa aqui enrolou e ficou difícil parar para escrever, mas em compensação ficou gigante xD eu ia dividir em dois, mas simplesmente não ia ficar legal.Eu já pedi desculpas né? Ok.Então, me digam como ficou ok?E gente, muito brigada pelos rvws tão legais! Amo voces!!!1000kissu!!

Have you run your fingers down the wall

Você já correu os dedos pela parede

And have you felt your neck skin crawl

E sentiu a pele da nuca se arrepiar

When you're searching for the light?

Quando estava procurando a luz?

Sometimes when you're scared to take a look

Algumas vezes quando você teme olhar

At the corner of the room

Para o canto da sala

You've sensed that something's watching you

Você sente que há algo te observando

(Fear of the Dark – Iron Maiden)



Ciel demorou a abrir os olhos, seu corpo estava leve, quase não sentia dores, percebeu. A noite passada tinha sido estranha, lembrava-se vagamente de uma sensação conflitante, sentia medo e paz. Isso não era possível certo? E que cheiro era esse, que pairava no quarto, impregnava suas roupas e os lençóis? Dava-lhe arrepios e esquentava-lhe a pele.

– Jovem Mestre? Bom dia. – Sabia que o menino tinha acordado havia alguns minutos, mas achou por bem lhe dar algum tempo para organizar os pensamentos.

Sebastian! Mais uma vez o mordomo aparecia para interromper-lhe os pensamentos!

– Bom dia Sebastian – Descobriu o rosto, deixando a mostra os cabelos revoltos e os olhos embaçados – Diga-me uma coisa, aconteceu algo durante a noite?

– Perdão Mestre? – Enrugou as sobrancelhas como se confuso. Ah, sim, acontecera algo durante a noite, algo que a criança nem desconfiava.

– Você me deu algum tipo de medicamento? Senti-me estranho depois do banho de ontem, parece que dormi por muito tempo.

O menino estava confuso, esfregava os olhos enquanto buscava por uma resposta, um motivo para sentir-se assim, deslocado e leve. Sebastian não pode conter um sorriso, ele poderia dizer, poderia contar, mas não iria. Tudo era melhor quando em segredo.

– Não Jovem Mestre, nada aconteceu . Agora, está na hora do seu café. Consegue se sentar ou quer minha ajuda? – Sorriu de canto, sabia que o garoto não aceitaria, precisava manter alguma distancia do menino até que sua confusão passasse.

– Claro que consigo. – Disse indiferente, finalmente Sebastian estava voltando ao normal. Sentou-se com mais facilidade do que esperava e estendeu a mão para o mordomo. – Agora me de meu desjejum.

O mordomo olhou para aqueles braços abertos e por um ínfimo segundo teve vontades, vontades essas que expulsou da mente com um leve meneio de cabeça.

– Claro Jovem Mestre. Hoje preparei broas de leite com queijo cottage e yogurt. – Pegou a bandeja e depositou no colo no menino, arrumando um caro guardanapo de linho em seu pijama, abaixo do queixo – Espero que esteja do seu agrado e por favor, tenha cuidado. – Finalizou encarando a face do pequeno.

Ciel constrangeu-se, ok que tinha feito aquela sujeira dias atrás, culpa inteiramente sua, mas foi um descuido, o maldito não precisava lembrar-lhe disso para sempre! Tomou o café, cuidadosamente, não queria aumentar o repertorio do mordomo.

Enquanto comia percebeu algo, não se lembrava de ter almoçado no dia anterior... Na verdade, não lembrava a última vez que tinha almoçado! Se era assim, não devia estar faminto? Não deveria sentir-se satisfeito com duas pequenas broas e um copo de yogurt. Algo estava errado, seus instintos lhe diziam isso, gritavam todas as vezes que olhava para as cortinas fechadas, que via o comportamento não usual do demônio.

–Jovem Mestre? Parece distraído, já posso retirar a bandeja? – A expressão do menino mostrava-se contraída, seus olhos concentrados em um ponto qualquer, a boca apertada em uma linha fina. Conhecia essa expressão, Ciel estava concatenando, traçando uma investigação na própria cabeça e isso não era bom, não ainda. Interromperia antes que ele chegasse a um beco sem saída.

–- Ah... – Olhou para o demônio e para a bandeja ainda com parte do café, mais uma vez ele cortava seus pensamentos – Sim. Sebastian, onde estão os outros empregados? Esse silêncio não é comum e está me incomodando. “Aliás, onde estavam, também, os sons de cavalos e pessoas?”

Normalmente evitava encarar o mordomo, mas dessa vez era necessário, o que quer que estivesse acontecendo era culpa dele, tinha seu dedo, afinal ele era a única criatura que via há dias... semanas? Tinha perdido absolutamente toda noção de tempo.

O demônio sabia que “seu mestre” não era um mortal qualquer, era inteligente e perspicaz, sabia que Ciel não demoraria a notar as pistas a sua volta, mas a inocência não o ajudaria a chegar à resposta certa. Sorriu seu sorriso mais vazio enquanto retirava a bandeja e tratou de evitar os olhos coloridos.

–- Hum, mais uma vez o Jovem Mestre não comeu tudo, acho que dá próxima terei de intervir – Virou-se de costas – Os empregados estão realizando suas funções normalmente, dentro da mansão. Há alguma coisa que queria?

–- Sim, chame Meirin aqui, quero vê-la. – Disse decidido.

–- Jovem Mestre, creio não ser prático interrompe-la já que lhe é tão difícil terminar seus deveres na casa — Ainda estava de costas para o menino –

–- Sebastian... – Disse suavemente.

–- Sim meu... – Se virou, estranhando o tom de voz, mas as palavras ficaram presas na garganta ao cruzar seu olhar com o do menino, os lindo olhos azuis estavam escuros e duros...

–- Me conte o que está acontecendo, é uma ordem! -

Ciel sabia que algo estava errado, sabia também que envolvia Sebastian, tudo sempre parecia acontecer de maneira esperada por ele, e o mordomo iria contar. Porém quando a ordem deixou seus lábios, eles secaram como se nunca tivessem conhecido água, algo pulsou vivo dentro de si e um poderoso calafrio percorreu sua coluna, sentiu o corpo gelar, seus olhos não deixavam os do mordomo. O que estava acontecendo? Viu o sorriso rasgado, do demônio, aumentar.

Ah, era delicioso! Esperava que em algum momento a impetuosidade do menino levasse a essa situação, mas já contar com ela não diminuía a intensidade da sensação. Ciel ordenara algo, quem ele achava que era para lhe ordenar alguma coisa no estado em que estava? Mas tendo feito isso, ele ativara o selo, o acendera em sua própria alma. Riu alto. Seus pés andavam sozinhos até a beira da cama do garoto, incontroláveis. Via o medo, a ansiedade, a confusão e o orgulho se misturarem em suas feições, lindas e infantis feições.

Ciel estava congelado no lugar, seu corpo tremeu quando viu o mordomo se aproximar. O que quer que Sebastian fizera com ele o impedia de falar, se mexer, mal respirava. Uma ânsia crescia dentro de seu peito, algo que ele não sabia explicar e que aumentava a cada passo do demônio.

Sebastian parou em frente ao infante, seus olhos nunca deixando o azul assustado. O menino ainda estava escondido pelas cobertas, sua vontade era arranca-lo dali e... Respirou fundo, não era necessário ter pressa, na verdade, o mais necessário e correto era não fazer absolutamente nada, porém se havia alguém ali que se preocupava com o correto, decerto não era ele. Estendeu a mão e correu os dedos pela face do menino, que esquentaram e coraram de imediato. Tão inocentemente tentador. Traçou, com o indicador, uma linha pelo pescoço alvo até o primeiro botão do pijama e sentiu o garoto estremecer, seu peito subia e descia em intervalos curtos.

Ciel estava desesperado. O que Sebastian estava fazendo? Por que seus olhos tinham aquele tom escarlate tão intenso? Por que se sentia como um animal hipnotizado por seu predador? Queria se mexer, precisava, antes que... Ah, a mão enluvada do demônio tocou seu rosto e ele ardeu, não uma metáfora, mas a sensação real como um fogo lento, distante, lambendo lentamente sua pele e ela foi descendo por seu pescoço, aumentando a ânsia dentro de si, fazendo-o quase implorar para que o maldito parasse com aquilo, mas não, não imploraria nada ao demônio, era seu mestre. Foi quando a mão dele parou no botão de sua camisa, seu coração falhou uma batida e não pode impedir seu corpo de estremecer.

Sebastian assistia ao show de emoções nos olhos de Ciel, viu quando o orgulho se pronunciou e não se conteve a passar a língua pelos lábios, precisava tanto prová-lo. Aquele menino irritante o faria quebrar sua palavra? Seu contrato? Inspirou fundo deliciando-se com o doce aroma do Conde, quase como sangue e alcaçuz. Subiu a mão e agarrou o queixo do garoto, dobrou o corpo e apoiou um joelho na cama, chegando o mais perto possível de seu rosto, alinhando seus olhares e viu o azul assustado refletir o vermelho luxuriante, e pensou que nada poderia caber mais perfeitamente dentro daquelas íris do que seus olhos.

O demônio libertou o olhar da criança para admirar suas maças do rosto coradas, os pequenos lábios entreabertos, lábios tão arrogantes e agora tão cálidos, os traços decididos de seu rosto espelhavam sua personalidade, possuía uma alma única. Um dedo, era a distancia entre uma boca e outra. Sebastian sentia a irresistível atração puxando-o, mas não o faria, por mil demônios que não faria! Sua fome era demais para ser controlada.

–- Meu Lorde, se aceita um conselho: eu não daria mais ordens enquanto não estivesse em melhores condições. – Sussurrou de encontro a boca alheia e foi brindado com um leve suspiro — Mas antes que tire conclusões precipitadas, estou aqui porque me chamou, ou “ordenou” .

Aproximou a boca do ouvido esquerdo do Conde.

–- Você não sabe o que está fazendo, mas sua inocência não poderá lhe salvar se continuar a me tentar.

Ciel ardia como se uma febre o acometesse, seu corpo estremecia incontrolável, a voz de Sebastian era como música e seus batimentos cardíacos a percussão. Estava envergonhado e ofegante, quando deixara escapar um suspiro e vira o sorriso do demônio aumentar sua cabeça tinha ficado momentaneamente vazia. Estavam tão próximos agora que bastava um leve movimento para alcançá-lo. Queria alcançá-lo? Agora ele sussurrava em seu ouvido, sua respiração quente fez seu sangue correr ainda mais rápido, as palavras ditas arregalaram seus olhos, queria se mexer!!

As pupilas contraídas de Sebastian brilhavam, seus instintos lhe diziam para devorá-lo de todas as maneira possíveis e impossíveis, esquecer o contrato, a idade do menino, sua prepotência, contudo... aqueles olhos azuis assustados freavam seus desejos, eles lhe diziam coisas que não queria ouvir.

Soltou o menino e levantou-se rápido. Dirigiu a ele um olhar frio, estava louco!

–- Voltarei mais tarde Jovem Mestre, descanse — Sumiu, deixando somente as palavras no ar.

Quando Sebastian deixou o quarto Ciel despencou na cama, mole e febril, seu coração estava descompassado, batia atropelado, a franja colava na testa. Levantou as mãos na altura dos olhos, elas ainda tremiam incontrolavelmente. Por Deus! O que tinha acontecido?

Cobriu os olhos com o braço esquerdo e automaticamente viu o rosto do mordomo, de algum jeito ele estava gravado em sua visão, os olhos vermelhos em brasa alimentando sua angústia, seu sorriso cínico, a boca entreaberta deixando a mostra os caninos pontiagudos. Ofegou.

–- Ah... ah... o q-que... houve... – Respirou fundo tentando normalizar a fala e destapou os olhos, encarou o teto branco por um tempo, ainda podia ver seu rosto, seu corpo ainda ardia por algum motivo que não entendia bem.

Rolou na cama de um lado para o outro, a ardência diminuía com o tempo, mas a angustia, ânsia, ou o que diabos fosse aquilo aumentava progressivamente. Era impossível dormir, estava suado, queria que Sebast... Um estremecimento interrompeu seus pensamentos. Sequer podia pensar nele? O desgraçado fizera alguma coisa no tempo em que estivera desacordado, não tinha dúvidas disso.

Sentia seu corpo mais fraco que pela manhã, mas não chamaria o maldito, ainda que estivesse estranhamente ansioso por isso. Sacudiu a cabeça. Empurrou as cobertas para o chão e se sentou, seu coração ainda estava levemente descompassado, levantou-se devagar, não cairia como da ultima vez. Caminhou ate o banheiro e achou a banheira cheia, talvez o mordomo tenha pretendido lhe dar um banho antes daquilo... Mais um arrepio o percorreu. Encostou na água, não estava quente o suficiente para o banho, mas serviria, apenas teria de ser rápido. Tirou o pijama e entrou na água, estremeceu, deitou a cabeça na borda por alguns minutos e recordou das mãos firmes do demônio lhe dando banho, um suspiro rebelde escapou por seus lábios, surpreendendo-o. Mas o que estava fazendo?

Levou a mão as bochechas, estavam quentes, seu reflexo na água o acusava de fantasiar inapropriadamente e para lhe punir mostrou-lhe as marcas dos dedos de Sebastian em seu queixo, tão forte ele o segurou, pode sentir novamente sua mão e seus sussurros. Apertou os olhos e a boca, impendido-se de suspirar novamente.

–- Ah meu Deus... o que esta acontecendo comigo? Desgraçado, maldito, demônio traiçoeiro!!!! — Socou a água, espalhando sabão por todo o chão.

Depois de quase meia hora imerso a água estava insuportavelmente gelada, Ciel tremia, mas conseguira seu intento de se acalmar. Respirou fundo, levantou-se, agarrou a toalha, enrolou parte do corpo e saiu da banheira, mas no primeiro passo seus pés vacilaram no chão ensaboado e ele caiu chocando a cabeça contra as pedras do chão.

Fora por pouco, muito pouco, a criança quase o impelira a voltar, continuar. A alma o chamava tão insistentemente que quase enlouqueceu! Há milênios não sentia uma necessidade tão imperativa, tão básica! Precisava tê-lo, consumi-lo completamente. De repente ignorar não era mais uma opção, talvez pudesse adiar um pouco mais, apenas, embora para que isso fosse possível algumas coisas teriam que mudar, precisava de alguma proximidade, de algo que acalmasse a fome dentro de si. E inferno, aquela criança precisava parar com os chamados! Seu nome era repetido tão intensamente dentro da cabeça do menino, que era quase telepatia.

Encostou-se na parte externa da porta do quarto, segurou-se em si mesmo e apertou os olhos, talvez esse fosse um pedido grande demais para um demônio milenar. Não era possível, para ele, dar-se pela metade ou contentar-se com partes, era feito de fogo, desejo, ódio, volúpia, obsessão, loucura, vingança, desespero, fome e outras tantas coisas incontroláveis e inquebrantáveis. De alguma forma Ciel entregara mais que sua alma naquele contrato, e acabara por conseguir mais do que somente os serviços de um demônio, ganhara de presente o demônio integral. A pergunta é: Seria ele capaz de aguentar o que ganhou, o que pediu? Sebastian considerava forte a vontade e alma do menino, mas seriam elas suficientemente fortes para não despedaçar-se frente a ele?

Um som quebrou seu raciocínio, abriu a porta e transpôs o quarto em dois passos. Ciel estava no chão, de toalha, desacordado. Inferno de pirralho orgulhoso!

Levou o menino para a cama, havia um corte aberto em sua testa, aproximou-se e passou a ponta da língua pelo ferimento, limpando o fio de sangue, seu poder era quase afrodisíaco. Tirou a toalha molhada, colocou-lhe uma camisa sua e jogou a grossa coberta sobre Ciel, sentiu os pelos de sua nuca arrepiar e evitou olhar o pequeno e frágil corpo, tão vulnerável ali. Esperaria o garoto acordar e o deixaria ter conhecimento da situação, assim pelo menos não poderia ser acusado sozinho, mais tarde.

Não demorou muito para que Ciel acordasse, sua cabeça doía um pouco e estava desorientado, não se lembrava de ter ido para cama, de olhos fechados reconhecia a maciez de seu colchão, porem algo além demandou toda sua atenção. Sebastian estava ao seu lado. Sabia disso com a mesma certeza que sabia seu nome, não via o mordomo, mas podia senti-lo, sua presença envolvente deixava o ar denso. Engoliu em seco e seu corpo estremeceu.

–- Sabe que é inútil tentar fingir, não é Jovem Mestre? — Disse o demônio de algum lugar realmente perto da cabeceira do menino.

–- Sei... e não tenho porque fingir nada, minha cabeça dói. Apenas isso. – Queria que fosse possível esconder seu despertar do mordomo, assim como queria também que sua voz tivesse saído tão indiferente quanto pretendia. Mas não aconteceu assim.

–- Entendo, porém isso é resultado de sua teimosia. Agora... – Hesitou por um segundo — Pretendo lhe contar o que realmente aconteceu, não vou falar mais que uma vez, por isso preste atenção.

O menino permaneceu com os olhos fechados, era um pouco mais fácil assim, para os dois, e apenas concordou com a cabeça.

–- Quando o Jovem Mestre foi resgatado do naufrágio, sua situação era ruim, muito ruim. Eu e os outros servos fizemos o possível para que recuperasse sua saúde, porém ela só piorava a cada dia. Em uma manha recuperou a consciência e deve lembrar-se da presença de Lady Elizabeth, Príncipe Soma e algumas outras pessoas — Modulou a voz para o tom que usava rotineiramente

Viu o menino menear a cabeça novamente, então continuou.

–- Pois bem, na tarde desse mesmo dia sua condição piorou drasticamente. Saiba que tentei outros artifícios, mas não havia muito a fazer, seu corpo estava fraco demais. Sendo assim eu pedi que todos se retirassem, preparei tudo e, antes que caísse na inconsciência novamente, peguei sua alma e fiz com que acreditasse ainda estar naquele dia.

Ciel se retesou. Como assim? Sua mente gritou. Estava morto? O demônio traidor havia consumido sua alma antes do fim do contrato? Acabara?

Sebastian viu o corpo do menino se contrair e seus olhos se apertarem levemente. Esticou a mão e correu os dedos fechados sobre sua face.

–- Não está morto se é o que deseja saber, mas bem perto disso e eu não comi sua alma, apesar de ter ficado extramente tentado à, se o tivesse feito não estaríamos tendo essa conversa. Nesse momento você está preso em seu corpo por minha vontade, minhas mãos estão evitando que dê seu ultimo suspiro. – Correu o indicador pela linha do queixo, contornando o rosto arredondado.

O garoto abriu os olhos e voltou a cabeça na direção do mordomo, ele estava sentado ao seu lado em uma pequena cadeira. O que as palavras de Sebastian significavam? Quem era ele agora? Era somente sua alma deitada ali? O que ele queria dizer com suas mãos?

–- Jovem Mestre, entenda que ao selar nosso contrato me concedeu sua alma, ela é minha, tenho uma promissória a pagar, mas não é nada que tire meus direitos sobre minha posse. Nesse caso, tomei a liberdade de pegá-la antes que caísse em outras mãos — Traçou o desenho do delicado nariz — E tenho evitado que ela deixe seu corpo.

–- ...

–- Para todos o Jovem Mestre encontra-se deitado em sua cama, convalescendo e seu mordomo está ao lado dele, sempre. Assim ganho tempo para seu corpo, a fim de que se recupere e estabilize. – Deslizava distraidamente os dedos pelas bochechas do conde.

–- Por isso estou preso aqui? Por que sinto tanto sono? — Ciel resolveu perguntar, afinal tentaria ao menos se situar.

–- Isso é apenas um cenário que escolhi para você, onde se sentiria seguro. Seu sono é resultado da fragilidade do corpo, por estar preso nele suas dores e dificuldades refletem-se na alma.

Ciel tnha mais perguntas, um milhão delas, mas como as faria e para que as faria? Se tudo acabava daquele jeito, que finalidade tinha ter respostas.

–- My lord, essa situação é temporária, voltará a seu normal, mas até que isso aconteça existem alguns detalhes. – Sorriu –

Ciel sentiu-se estremecer.

–- Tome cuidado com suas ações ‘ E pensamentos’. Digamos que o Jovem Mestre está um tanto mais transparente para mim. – Seus dedos correram e pousaram nos lábios do menino.

Ciel corou violentamente, transparente? O que isso queria dizer? Sebastian podia ver seus pensamentos?

–- Quase isso Jovem Mestre. – Seu sorriso alargou;

Para o garoto foi como um soco. Se levantou num ímpeto, jogando as cobertas no chão e tirou a mão do mordomo de seu rosto, que pinicava levemente. O demônio tinha visto tudo até agora? Cerrou os dentes e balançou a cabeça, afinal não havia nada para ver, havia? Afastou-se um passo dele, depois dois... Lembrou-se de seus sonhos com Sebastian e suas asas negras, viu o maldito apoiar a cabeça em uma das mãos e contorcer os lábios em seu sorriso cínico; lembrou-se das noites em que silenciosamente pedia que ele não o deixasse sozinho, e mordomo negro meneou um sim com a cabeça. Deu mais um passo para trás, chocado!

Então se lembrou do pior, os sussurros de Sebastian em seu ouvido, sua respiração quente e a maneira como seu corpo tinha respondido a isso. Seus olhos arregalaram quando viu os do demônio arderem vermelhos e seu sorriso mudar, ele umedeceu os lábios no mesmo tempo que colocava o indicador em riste em frente a boca, movimento típico seu quando estava se divertindo. Virou-se em direção a saída e correu, apenas correu, arco-reflexo, sem pensar, mas deveria tê-lo feito.

Sebastian não lia os pensamentos do menino, fazia algo muito melhor, enxergava sua essência. Pode sentir o constrangimento do pequeno ao lembrar-se dos sonhos com sua aparência mais selvagem, seu choque ao perceber que sempre escutara o pedido pra ficar com ele, e mais... ah sim, seu sangue se agitou quando sentiu a necessidade do garoto, de ser tocado, provado... Nada bom, o conde estava correndo para a porta e o cenário não incluía nada além daquele aposento. Seu sangue estava quente e sua cabeça só pensava em uma coisa quando em um passo alcançou o menino no exato instante em que ele abria a porta, fechando-a com violência e prendendo-o entre seus braços.

‘Não vai escapar de mim’

–- Não pode sair Jovem Mestre. – Disse de encontro ao ouvido do menino, vendo-o arrepiar-se.

–- Não me diga o que fazer! — Gritou –

–- Ah sim, esse é mais um detalhe, aqui eu sou o mestre, Jovem Conde — Disse jocoso lambendo o contorno da orelha do menino –

Ciel ofegou quando o mordomo o pressionou contra a madeira da porta, moldando-se a sua forma, sussurrando palavras roucas no seu ouvido. Tentou agir, fugir, mas a língua quente do demônio minou sua rebeldia.

Hold me now

Segure-me agora

I'm six feet from the edge and I'm thinking

Estou a seis passos do precipício e estou pensando

Maybe six feet

Que talvez seis passos

Ain't so far down

Não sejam tão distantes

(One Last Breath – Creed)

Notas finais
Então, mais uma vez eu posto as 4 da manhã xD Logo, perdoem os erros, plz!Não fiquei muito feliz com o capitulo não, sooooo me digam o que acharam ok?