Defying Gravity
5 Entorpecente
Notas iniciais
You better run
É melhor você correr
Cause there's gonna be some hell today
Porque será um inferno hoje
You better run
É melhor você correr
And that's the only thing I'm gonna say, hey
E isso é a única coisa que vou dizer, hey
I wish I know the right from the start
Eu gostaria de ter sabido disso desde o ínicio
that I was dancing with the dark
Que eu estava dançando com a escuridão
You better run
É melhor você correr
Devil, run, run, devil, run run, run, devil devil, run run
Corra, demônio, corra
(Ke$ha – Run Devil Run)
Abriu os olhos lentamente, encarava o teto, mas sua cabeça estava ocupada com os últimos acontecimentos. O comportamento de Sebastian estava diferente e agora sabia o porquê... ele salvara sua vida novamente, não era grande coisa então, nada além de suas obrigações. Contudo aquela situação estava fora de suas capacidades de manobra. Fechou os olhos. Não conseguia se impedir de pensar no mordomo, saber que ele via cada pensamento seu só o fazia pensar ainda mais nele, conjecturar, planejar...
As imagens da noite anterior dançaram em sua mente, elevando sua temperatura corporal. O corpo do demônio tinha se moldado ao seu, sentira-o traçar sua orelha com a língua e o ouvira sussurrar algumas palavras pouco antes de desmaiar. Nem sabia porque tinha desmaiado! Seu corpo tinha estado quente, sacudia com a intensidade de seus batimentos e dos tremores que cada toque do maldito produzia nele, sua cabeça pulsava e girava, as mãos ficaram suadas e era difícil respirar.
Remexeu-se inquieto, a roupa de cama começara a grudar em seus braços suados. Onde estaria ele agora? O pensamento o fizera arrepiar. Tsk, que situação! Seria seu novo estado que fazia com que se sentisse assim? É certo que sempre sentira certa curiosidade sobre o demônio, tentava desvendá-lo, desafiá-lo, descobrir seus limites. Era divertido irritá-lo, mesmo que por bobagens, era uma maneira de alcançá-lo. Por quê? Talvez fosse pura curiosidade acerca daquela existência, o que pensaria um demônio? Quem era realmente o ser que chamava de Sebastian?
O desgraçado deveria estar se divertindo por todas as vezes que o alfinetara, nem sua cabeça era mais exclusividade sua. Maldito! Virou-se de lado, abrindo os olhos, examinou a porta, a cama com dossel, os lençóis e travesseiros. Tudo aquilo era ilusório hein? Um cenário perfeito... bem a cara dele. Passou a mão em um dos fofos travesseiros, engraçado como mesmo sabendo da insubstancialidade daquilo tudo, seus sentidos lhe diziam que era real. Era espantoso.
Aquele braço de destino estava sendo espantoso, agarrou o travesseiro. Ser retirado da lama por um demônio e ter poder sobre ele. Tão inconcebível quanto aquela realidade virtual na qual estava era Sebastian... e ainda assim era real, ele era real, tudo era. Lembrou dos dedos decididos em seu rosto, um abuso da parte dele, o mordomo nunca chegara tão perto. Engoliu seco e puxou o travesseiro para junto do corpo, apertou-se contra a superfície sedosa da fronha. Sentia um calor absurdo! A temperatura dentro daquele maldito quarto parecia aumentar a cada dia.
Ainda encarava a porta, a culpa era dele certo? Tudo era culpa dele: a ânsia que sentia, o calor e os tremores, a dificuldade de manter a linha de raciocínio quando ele entrava no quarto, a aparente ridícula incapacidade de não pensar no desgraçado. Estava sendo manipulado, sabia disso, se achar impotente no meio desse turbilhão lhe era inadmissível, revoltante, porém de alguma forma parecia correto. Sebastian era um demônio, esse deveria ser um de seus melhores talentos.
–- Ora Jovem Mestre, dessa forma ficarei convencido – Disse entrando no quarto com sua bandeja.
Ciel apertou mais o travesseiro entre seus braços ao ver o mordomo entrar. De alguma forma seu andar estava hipnótico, seu fraque preto, tão alinhado, parecia fora de lugar, conseguiu até mesmo ver o leve balançar de seus cabelos. Mas que merda era essa?! Fechou os olhos com força, queria sair dali, que tudo aquilo terminasse, que voltasse a ser ele mesmo. Principalmente que aquela necessidade inexplicável de estar próximo dele sumisse.
Um toque em seus ombros, por cima da grossa coberta, o despertou de sua ladainha mental.
–- Jovem Mestre? – Ele estava sorrindo, podia ouvir pelo tom de sua voz, seu coração deu um pulo – Creio que não devia agasalhar-se tanto, está suando.
Virou-se com violência, afastando a mão enluvada. Sua testa encontrava-se ensopada.
A expressão do mordomo era de diversão, mesmo com suas advertências o pequeno conde permanecia como sempre, com sua inocência distorcida, seus pensamentos petulantes e atitudes arrogantes. Nada quebrava aquela alma.
–- Tire as mãos de mim Sebastian! – Arfava – Ate que saiamos daqui você vai permanecer longe de mim!
–- É uma ordem Jovem Mestre? — Perguntou de maneira ácida. Ah sim, iria aproveitar toda aquela situação, estava descobrindo algumas coisas muito interessantes.
O sorriso irônico enviou um alerta ao garoto. Desviou os olhos.
–- Não Sebastian... – Céus, como o odiava – é apenas um comunicado. – Completou contrariado, aquele bastardo estava mesmo brincando com ele.
–- Hum... – Sebastian colocou a bandeja sobre a mesinha e voltou-se para a cama, sabia que era observado pela visão periférica da criança – Sinto muito Jovem Mestre, ainda que fosse um pedido seu eu não poderia levar em consideração, já que atrapalharia meu trabalho. – Inclinou-se para ele sorrindo –
O jovem sentiu calafrios de irritação! Queria mandá-lo embora! Ordenar que fosse pro inferno, ele e toda a sua jocosidade! Maldito, maldito, maldito, sua cabeça praguejava vezes seguidas quando ouviu uma pequena risada. Virou-se para o mordomo, curioso e ele tinha o sorriso aberto.
–- Jovem conde, não acho apropriado que blasfeme tanto, ainda que eu fique honrado de permear seus pensamentos.
A face do menino esquentou de tal forma que poderia ter explodido. Sentia as bochechas arderem e a ponta das orelhas esquentar. Como aquele desgraçado podia dizer aquilo na sua cara?!!! Se tinha uma resposta ela ficou entalada, apertou a mão nos lençóis, seria simplesmente maravilhoso virar um tapa naquela cara sarcástica e abusada.
–- Vejamos, acredito que estou despertando sentimentos interessantes em você, não é Jovem Mestre?
Tinha fechado os olhos ao sorrir para o menino, mas ao sentir os novos ímpetos da criança abriu-os levemente, sabia que o vermelho devia estar intenso. Aquele garoto era inacreditável, lhe bater hein? Talvez fosse ele quem merecesse umas palmadas, e esse pensamento esquentou-lhe suavemente o corpo.
Ciel estava cômico, com a boca parcialmente aberta, na tentativa de falar ou calar, seu rosto pegava fogo e as mãos espremiam o lençol. Linhas finas de suor desciam de seus cabelos, pelo rosto e pescoço, quanto mais tempo Sebastian ficava no quarto, mais aumentava o calor.
Após uma pequena gargalhada o mordomo quebrou o contato visual e puxou a coberta de cima do menino, a camisa que tinha colocado nele estava encharcada, levantou uma das sobrancelhas. Ciel estava conseguindo ser mais interessante do que esperava, ele sempre superava suas expectativas.
O menino encolheu-se sobressaltado. O que viria agora? Fechou os olhos, respirou fundo e decidiu que por pior que estivesse sua situação, aquele bastardo não teria tanto controle sobre ele, não permitiria isso. Sabia que o mordomo o olhava com atenção, consciente disso concentrou-se e abriu os olhos, duros, confiantes e concentrou-os no rosto a sua frente.
Sebastian mal acreditou quando um arrepio sutil perpassou seu corpo, seu sorriso morreu e seus olhos queimaram mais intensamente. Realmente possuía um gosto excelente, que alma poderia, naquelas condições, olhar-lhe de maneira tão decidida? Teve vontade de umedecer os lábios, mas não o fez, o menino gostava de jogar e estava disputando uma partida com o rei dos jogos. A confiança exacerbada e o orgulho fora de medida eram as qualidades que mais gostava na criança, e também eram aquelas que o arrastavam fatidicamente até o inferno.
Sustentou o olhar.
–- Jovem Mestre, seu banho está pronto. Venha por favor. – Afastou-se um passo e dobrou-se em uma leve mesura.
Banho??? Quase que instantaneamente as cenas do mordomo banhando-o invadiram sua mente: a água quente, a esponja fazendo círculos em sua pele, o óleo aromático, o único momento onde as mãos nuas do demônio tocavam sua pele. Um tremor tão violento sacudiu seu corpo que fez seus dentes baterem, os lençóis, que em nenhum momento tinham sido libertos de suas mãos, pareciam querer rasgar agora. As imagens giravam em sua cabeça, rápido demais, quase podia sentir o toque em sua pele, a respiração acelerada escapava por sua boca aberta.
Seus olhos vacilaram por um momento, e isso não escapou a Sebastian.
–- Algum problema Jovem Mestre? Parece tenso, não é necessário, sou apenas eu. – Seu sorriso voltara, aquela resistência era deliciosa.
Não podia! Se fosse com ele agora não fazia idéia do que iria acontecer, sentia-se estranho demais, como se o desgraçado o atraísse de algum jeito. Ter as mãos do mordomo em seu corpo era algo de que não precisava naquele momento. Contudo o pensamento arrancou um gemido involuntário de sua garganta. Não cederia aos truques daquele ser.
–- Ah sim, se não fosse dessa forma não seria o Jovem Mestre, certo? Minha alma é teimosa. – Seu sorriso insistia em aumentar mais e mais, as sensações que passavam pelo menino mexiam intensamente com ele — Então não deseja um banho? — Deu um passo a frente e alcançou o pequeno corpo, deslizou a palma pela franja molhada, puxando-a para trás, forçando o rosto do menino a encarar o seu, mais alto – O que devo fazer? Já que meu mestre é tão obstinado. – Encarou longamente o olho azul desejoso, assustado e desafiador. Riu — Talvez o conde queira ser limpo de outra maneira?
Ciel atiçava nele tudo o que de pior existia. Arrastou o nariz pelos cabelos cinza-azulados sentindo sua fragrância, contornou o rosto infantil e se afastou ligeiramente, apenas para seguir, do queixo às bochechas, o caminho de uma gota de suor com sua língua. Sorriu de satisfação, era saboroso.
Já estava tenso antes do mordomo agarrar seus cabelos, agora seus músculos estavam a ponto de estilhaçar. A mão firme impedia que desviasse os olhos do rosto sensual a sua frente, novamente via aqueles olhos rubros acesos e apenas esse fato já fazia seu corpo formigar de forma estranha. A sensação do resfolegar de Sebastian em seus cabelos foi quase demais para ele, seus sensores nervosos estavam sendo sobrecarregados dia após dia, não era algo contra o qual pudesse lutar mais. Então o demônio deslizou a língua quente contra seu rosto e, dessa vez, não pode se impedir de gemer baixo, profundamente. Que maldição, queria que...
–- Não Jovem Mestre, não faça isso. Não pense, não deseje. Eu estou no seu limite já, e quem sabe no meu também. – Sussurrou no ouvido do menino – Não piore sua situação.
Ciel não era mais dono de suas ações, a voz de Sebastian estava diferente, só podia. Seu coração deu uma guinada e o corpo pareceu responder as suas palavras, o sangue em suas veias estava em ebulição, sua mão soltou o lençol e agarrou a ponta do fraque negro, como se por vontade própria. A ânsia em seu peito estava insuportável, queria tanto...
Hum, talvez aquilo fosse o máximo que podia pedir ao seu autocontrole em um jogo. O menino não demonstrava mais nenhuma resistência, estava quente, uma iguaria, a vitoria era sua! Porém, quando sentiu o que o jovem conde fazia, seus instintos afloraram. Droga, será que aquele garoto nunca pararia de surpreendê-lo? Ele iria admitir? Pedir? Se o fizesse, o chamado daquela alma, que estava quase insuportável, beiraria os limites de sua sanidade. Tentou avisá-lo, mas talvez tivesse ido longe demais, forçara demais, a criança não o ouvira.
–- Sebastian... – Suspirou baixo enquanto puxava levemente o fraque, em uma tentativa de trazer o mordomo mais para baixo – Sebastian...
–- Jovem Mestre... – O olho azul enevoado encarava os seus, a mão pequena forçava suas costas para baixo, para mais perto – Não gosto de me repetir, não o faça.
–- Sebastian... – O garoto não parecia consciente do que estava dizendo. Gemeu baixo, a necessidade que tinha queimava-o por dentro e a voz do demônio tornava tudo pior. – Sebas- ...
Calou-o com dois dedos fechados, escutar seu nome ser repetido por aqueles lábios o estava deixando fora de si, uma leve camada de suor cobria sua testa devido ao esforço. Ciel Phantomhive era único. Deslizou os dedos e tocou a pálpebra fechada que o garoto abriu vagarosamente. O tom púrpura estava aceso, chamando por ele. Umedeceu os lábios, era a fome junto com a vontade de comer.
Soltou os cabelos cinzentos e segurou o rosto infantil, corado, sexy. Aproximou-se o máximo, a ponta de seu nariz tocava a do menino.
–- Jovem Mestre escute, minhas ações aqui terão conseqüências – Sussurrava próximo aos lábios entreabertos – Entende isso?
–- Sebastian... – Gemeu novamente, a boca do mordomo estava tão próxima que podia sentir seu gosto, seu hálito, era inebriante... – Eu quero, agora... – Remexeu-se languidamente, não tinha forças.
O demônio pode sentir a onda de desejo e poder que o varreu, o auge da decadência de uma alma era quando ela aceitava ser corrompida, e o menino tinha ido além, ele pedira, quisera... Deslizou a ponta da língua pelos doces lábios infantis, provando. A luz sangrenta de seus olhos iluminava a face do conde.
–- Então faça Phantomhive – Sussurrou novamente quando o garoto gemeu e abriu ainda mais os lábios carmim – ordene.
Estava em outro nível de consciência, tudo o que podia sentir naquele momento era a torturante distancia do demônio, seu cheiro, seu gosto, sua voz, seu toque. Estava em chamas, doía fisicamente, como se seus ossos estivessem para ser partidos. Dane-se que iria se condenar, o inferno era um só, se iria para lá que fosse numa carruagem de luxo!
–- Sebastian, me beije... é uma ordem – Gemeu por fim e antes que terminasse a ultima silaba sua boca foi tomada pelo outro.
Nunca em sua vida sentira qualquer coisa parecida! Fechou os olhos, não pensava, a sensação era tão intensa e ébria como ser afogado em vinho, atirado a fogueiras, sentia como se tivesse sido expulso do céu e caísse de lá, em queda livre!
Esperava por aquela pequena palavra, tinha aberto mão de suas convenções e tomado a pequenina boca com violência, antes mesmo que ele terminasse de falar. Todos aqueles anos o menino o tentava, todos aqueles dias a alma o chamara incessantemente, em todos aqueles momentos resistira, que alivio era satisfazer sua vontade. Os lábios estavam abertos, sedentos pelos seus, mas inexperientes, porem agora não tinha tempo ou condições para ensiná-lo, queria devorá-lo inteiro.
Passou uma das mãos pela nuca do garoto e segurou-lhe os cabelos, firme, ouvindo-o gemer de encontro ao beijo. Forçara a outra boca a abri-se mais, a receber seu beijo passivamente, ainda que a criança tentasse retribuir desajeitadamente. O gosto do pequeno conde era ironicamente divino, doce e ácido, o sabor da inocência toldada, era um paladar que queria provar desde seu encontro.
Ciel sabia agora o que queriam dizer quando falavam da luxuria e tentações do demônio, não era possível resistir a elas. O sabor de Sebastian era inexplicável, viciante como o ópio, entorpecente, a um só tempo o inflamava e o enfraquecia. Não podia fazer nada, seus lábios se movimentavam sob os dele, apertados, extasiados, não conseguia respirar, mas achou que não era necessário, morreria feliz naquelas condições. A mão do mordomo apertava seus cabelos na nuca impedindo-o de se movimentar, soltou o fraque e levou seus braços para o pescoço alvo, queria mais, mais contato, cada toque do outro só o fazia desejar mais. Segurou-se nos cabelos de Sebastian e o apertou contra si.
O pequeno esforçava-se para conseguir uma proximidade maior. Sebastian aprofundou mais o beijo, puxando os cabelos cinza para trás, tombando a cabeça do menino. Apoiou um joelho na cama, ao lado da perna de Ciel, e a mão esquerda do outro lado, inclinando-se sobre ele, como uma sombra. Nunca cansaria desse sabor. Pode sentir uma nota de sangue junto ao beijo, afastou-se levemente e o garoto gemeu insatisfeito, tinha um filete rubro junto à boca. Ciel o havia mordido. Um tremor de excitação fez seu corpo vibrar, lambeu os próprios lábios e o filete no queixo do menino, ouvindo-o gemer seu nome.
Provou sua pele, desceu beijos pelo pescoço alvo, marcando-o com seus caninos enquanto Ciel gemia seu nome com entrega. As mãos presas firmemente em seus cabelos negros não deixam que se afastasse demais.
Ciel flutuava em um mar de sensações, onde o demônio tocava pegava fogo com mais intensidade, sentia seus beijos como estalos de um chicote, ardiam e a pele formigava, mas não havia a dor, só um prazer tão indescritível que devia ser pecado... Pecado... era exatamente isso que era, e não se importava de ser um pecador. Abriu os olhos e agarrou com mais força nos cabelos sedosos puxando-o, precisava de mais doses daquele sabor inebriante, muito mais do que de ar.
Sentindo o puxão, Sebastian largou o colo alvo e voltou aos lábios entreabertos de Ciel, mas encontrou seus olhos abertos. Aquele incrível tom azul encarava seu rubro com desejo, paixão, loucura e... mais um sentimento que lhe fez sorrir. O destino realmente gostava de pregar peças.
–- Se-sebastian... hum... – Tentava balbuciar algo coerente, mas era impossível fazer qualquer coisa alem de ansiar pelo ser a sua frente. Abriu e fechou os lábios, sentindo neles o gosto do outro.
Sebastian avançou sobre o menino jogando-o de encontro ao colchão, esmagando sua boca e bebendo daqueles doces lábios e suspiros abafados. Soltou sua nuca e passou a desabotoar a camisa encharcada, única peça que cobria o pequeno corpo. Amaldiçoava o que estava sentindo, não era só fome, não estava apenas aproveitando a entrada, era mais que isso, tinha se envolvido demais com aquele mortal, aquele pequeno e frágil mortal. Sentiu que o menino precisava de ar, estava forçando demais, mas não podia se afastar. O ouviu gemer mais profundamente quando seus dedos passaram por sobre o tórax, e sorriu por entre o beijo.
Porém os braços que seguravam seus cabelos amoleceram e caíram na cama. Se forçou a interromper o beijo e as caricias, levantou levemente a cabeça e olhou para o menino: quase não conseguia respirar, pequenas lagrimas enchiam seus olhos... Sabia o que estava acontecendo, não era possível tocar a alma de Ciel sem consumi-la, marcá-la, e ali era somente sua alma, nua, não havia um corpo para protegê-la. Forçara demais, mas não pode evitar e, além disso, aquele pirralho tinha sua admiração, aguentara por um bom tempo, contudo haveria conseqüências, que ele não se esquecesse.
Embora estivesse em tal estado, os lábios de Ciel ainda murmuravam um nome...
–- Se-bas-ti-an... – gemia fraco –
–- Tsk. – Balançou a cabeça – Você é mesmo um pirralho irritante, sabe disso? – Teria que se interromper daquele jeito – mas é meu.
Acariciou o rosto corado, retirando fios de cabelo rebeldes que lhe cobriam os olhos, aproximou-se lentamente e beijou-lhe as lagrimas.
–- Você é meu Ciel Phantomhive. – Foi a ultima coisa que o menino ouviu antes de mergulhar, exausto, na inconsciência.
____***____
Ah!
Ciel abrira os olhos e se sentara de súbito! Ouviu um ofego de susto próximo a si. A claridade o fez fechar os olhos com força e colocar um dos braços na frente do rosto. Que droga! Que luz era aquela?
–- Ciel? Ciel!! – A estridente voz feminina gritou chorosa – Ah Ciel, você acordou! Quem bom, que bom!! – Dizia enquanto subia na cama e abraçava seu noivo.
–- Li-zzie?! – Mas o que?!
O que estava acontecendo ali? O que Elizabeth fazia ao seu lado? Tentou tirar o braço e abrir os olhos, mas não conseguiu, estava muito claro.
–- Tsk! Fechem essa droga! – Sacudiu a cabeça com violência. O aperto da garota atrapalhava seus movimentos.
–- Ah, o que? Claro Ciel!! – Ela se levantou e o conde pode ouvir quando as cortinas correram nos caixilhos, obstruindo a luz forte – Pronto!
Tirou o braço da frente e entreabriu o olho, a imagem estava embaçada e sua vista ardia, mas conforme tudo entrou em foco pode ver claramente a luz do dia entrando pelas frestas da cortina e recaindo sobre Elizabeth, parada ao lado da janela com seu redondo e fofo vestido rosa claro. Olhou desorientado pelo quarto, como? Viu a mesinha, as chinelas, a entrada do quarto de banho, a porta de madeira e de repente ouviu um estrondo seguido de um choro feminino conhecido: Meyrin caíra em algum lugar levando consigo um número inimaginável de itens caros.
A loira correu em sua direção, pulando novamente na cama e lhe apertando entre os braços, estava atônito e incrédulo. Tinha voltado? Onde estava Sebastian? O que tinha sido tudo aquilo? Sonho? Não... não podia...
–- Hei Ciel, Ciel! Você não esta me ouvindo? Você está bem? Oh meu Deus que bom, achei que não ia acordar nunca mais! – E mais uma torrente de lágrimas ensopavam seu ombro.
–- Ah é... Lizzie, desde quando está aqui? – Perguntou de forma distraída, olhando para o nada, ainda tentando se localizar.
–- Ah Ciel – Fungou – Nunca saí do seu lado! Desde que desmaiou! Eu estava tão preocupada – Voltou renovada a chorar.
–- Ah... é... é? – Nunca saíra hein? – O-brigado.
Era extremamente bizarro que a realidade lhe parecesse, agora, deslocada.
The day I first met you
O dia em que eu te conheci
You told me you'd never fall in love
Você disse que nunca se apaixonaria
But now that I get you
Mas agora que eu te entendi
I know fear is what it really was
Sei que era medo
Now here we are, so close, yet so far
Agora aqui estamos nós, tão perto e ainda sim tão longe
Haven't I passed the test.
Eu não passei no teste?
When will you realize
Quando você vai perceber
Baby I'm not like the rest
Querido, eu não sou como o resto
(Demi Lovato – Let me give your heart a break)
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