Decode
24 O levante das testemunhas
Notas iniciais
Ponto de vista de Weverton.
Eu fiquei sentado no corredor do lado de Luiz. Pensei em tudo o que havia ocorrido até então, nos inimigos que enfrentamos, na verdade que eles enfrentaram — Jonas e os outros — e em todos que perdemos, Babel, minha tia... Eu era fraco, inútil, e eu precisava conseguir alguma coisa, eu tinha que mudar, ser forte, ter um Digimon talvez.
Depois de algum tempo fui até a janela de uma sala de escritório que ficava bem na frente de onde Luiz estava deitado, vi o que eu pensei ser a noite, não havia mais como diferenciar e sonhei acordado em poder estar na batalha ajudando de verdade.
Foi no meio de uma bola de fogo de Greymon que ouvi a voz de Luiz, corri de volta a ele e pus a mão sobre seu peito. O nariz do garoto voltou a sangrar então virei seu rosto dele de lado, ele estava todo suado e se debatia falando algumas coisas sem sentido.
_Não posso, tenho que voltar... Wisemon não... morrer... não ela precisa ser... Will – e então de súbito ele se sentou bruscamente arregalando os olhos, gritando por fim – eu vou.
Eu cai deitado no chão, levei o maior susto – você esta bem? – perguntei a Luiz enquanto ele limpava o sangue do rosto com as costas da mão perceptivelmente desorientado.
Ele colocou as duas mãos no chão tentando se apoiar para se levantar, mas não conseguiu – continue deitado – pedi a ele, mas ele não me ouviu, continuou tentando se levantar.
_Eu tenho que ir, precisamos derrotar Lilithmon – disse ele me olhando nos olhos, haviam olheiras enormes no garoto, seus olhos estavam vermelhos, e sua voz parecia rouca. O que havia acontecido com ele, e mais importante – como você sabe de Lilithmon? – perguntei abismado.
_Eu... só sei – disse ele fazendo força e desta vez conseguindo se levantar – precisamos ir – disse ele fracamente se apoiando a parede, olhando pra mim com tanto desespero nos olhos que eu senti, pela primeira vez, pena dele.
Suspirei e o ajudei a ficar de pé direito segurando sua cintura — Luiz você não vai, se invocar mais uma vez Deckerdramon você pode...
_Morrer? – me interrompeu ele – o que você acha que vai acontecer com eles se eu não ajudar? Lilithmon é uma Digimon na ultima fase, não me lembro como se chama...
_Kyuukyokutai – informei.
_Que seja – continuou ele disposto a me convencer.
_Você não vai, eu prometi a Jonas que não deixaria – gritei. Por algum motivo eu estava muito nervoso – olha pra você, mal se aguenta em pé, Kyuukyokutais são de mais pra humanos pelo que parece, aceite isso cara, Deckerdramon é de mais pra você.
Luiz sorriu, foi assustadora a expressão dele. Seu rosto ainda estava sujo de sangue, seus olhos fundos e vermelhos, ele não mais parecia ele mesmo – Você não pode me impedir, e mesmo que pudesse não faria, entenda garoto, eu não vou ficar de espectador na batalha final.
Eu me senti um idiota pela milionésima vez, o inútil imprestável – azar – disse dando de ombros – eu prometi, tente sair à força se conseguir, eu não vou deixar – disse irritado, minha vontade era acerta-lo com um soco e voltar pra minha janela.
Então ouvimos um estrondo, corri para a janela o mais rápido possível, Luiz veio mais devagar atrás de mim, mas ainda a tempo de ver o enorme Digimon amarelo surgindo das ruinas do Q.G. RAD – Ele de novo – exclamou Luiz – por causa desse Digimon Jonas tem Greymon, por causa dele tudo começou.
_O que esta acontecendo? May e Sofia estavam lá – exclamei olhando o enorme Digimon ganhando altitude enquanto se libertava da nuvem de poeira rasa e fumaça.
Luiz segurou meu braço com força e me olhou angustiado – eu preciso estar lá – pediu ele pela ultima vez.
Ponto de vista de Jonas
Ela caminhava pela rua calmamente, nos olhando com uma expressão curiosa e alegre – vocês conseguiram mesmo derrotar Diaboromon e Mephistomon? – nos perguntou ela enquanto andava saltitante.
Eu não conseguia parar de encara-la, havia algo a mais nela – sim – respondi tentando me manter concentrado – e você será a próxima.
Ela parou e me olhou fixamente, suas bochechas inflaram e ela começou a fazer caretas, não conseguindo conter uma enorme gargalhada – gosto de ver a coragem de vocês. Conseguiram ir mais longe do que nós esperávamos – disse ela se sentando no capo de um carro abandonado ali.
Metalgreymon se mantinha no ar, enquanto Shoutmon segurava com força seu bastão em chamas em meio a grunhidos.
Pedro estava ao meu lado apontando a arma para a Digimon – vocês quem? – perguntou o ex-agente me olhando de rabo de olho. Ele parecia ter percebido a minha hesitação em relação à Lilithmon.
_Lordes demônios – disse ela passando a língua pelos lábios.
Meu coração deu um salto – que droga – exclamou Willis baixinho. Eu podia imaginar o quanto aquilo seria ruim.
_Mas tivemos ajuda humana – insinuou ela. Eu pensei em um milhão de xingamentos, mas parecia absurdo de mais. Juro que o primeiro nome que me veio à cabeça foi o de Luan, a traição dele podia ser bem pior do que imaginávamos.
Will que estava do meu lado esquerdo bufou – nenhum de nos os ajudaria a libertar Lucemon – gritou ele perdendo a calma. Pelo visto ele teve o mesmo pensamento que eu.
_E quem lhes disse que seria um de vocês? – perguntou ela ainda sorrindo. Não sei o porquê disso, mas a cada palavra parecia que o encanto dela sobre mim diminuía, e raiva ficava no lugar da excitação.
Olhei para trás e vi Thiago e Willis nervosos com suas armas na mão, meu notebook estava quente, e a bateria na metade, Lud atrás de Will segurando seu notebook com força. A noite estava começando a cair, e logo a escuridão tomaria conta de tudo.
_Metalgreymon giga destroier – Lud gritou o comando. Metalgreymon desferiu o ataque em segundos, causando uma enorme explosão quando os raios de luz acertaram Lilithmon.
A Digimon urrou em meio as chamas – é melhor começar a falar – gritou Lud para o fogo trepidante. Eu a olhei assustado, as reações de Lud eram realmente imprevisíveis quando ela invocava Mailbirdramon.
_Desde quando Lud comanda Metalgreymon? – perguntou Will espantado. Mas antes que alguém pudesse responder, garras gigantes saíram das chamas. Me joguei no chão evitando ser atingido, mas Ludmila não conseguiu ser tão rápida.
Lilithmon urrou assustadoramente. Surgindo das chamas lindamente, segurando Lud pela enorme mão que se ligava a um braço absurdamente estendido – morra – disse a Digimon demônio apertando a mão.
Ludmila começou a gritar, mas Monteiro foi rápido, atirando certeiramente no rosto de Lilithmon que se distraiu. Distraiu-se por tempo suficiente para que Shoutmon pulasse e cravasse os dentes no braço da Digimon, que em reflexo moveu seu braço para a direita, jogando Lud no chão.
_Vamos ver se conseguem me matar – gritou a Digimon correndo. Ela saltou de repente surgindo na frente de Metalgreymon. O Digimon dinossauro não reagiu a tempo, Lilithmon abriu a boca lançando chamas azuis nele.
Metalgreymon urrou e por um segundo pude sentir o desespero do Digimon em meio às chamas. Shoutmon saltou jogando dezenas de bolas de fogo em Lilithmon, que apenas levantou seu braço esquerdo parando os ataques antes mesmo de toca-la.
Uma cortina de fumaça surgiu no céu escuro – ela é forte de mais – indagou Pedro olhando para o alto, todos olhávamos.
_Talvez nem tanto – comentou Pedro olhando para cima. Eu sentia que ele estava tentando se manter o mais calmo possível – ela é uma Kyuukyokutai e Shoutmon apenas um Seijukuki.
Então Metalgreymon despencou, surgindo como um raio do meio da fumaça. Houve um estrondo de metal batendo quando Metalgreymon acertou o chão com força. Ludmila disparou a correr e eu não pude resistir, fui atrás dela.
Assim que Shoutmon surgiu grunhindo da fumaça, Pedro, Willis e Thiago começaram a atirar. As bolas de energias cortavam o céu, iluminando-o até que desapareciam em meio a fumaça que já começava a se dispersar.
Greymon estava todo chamuscado, Ludmila não sabia o que olhar. A armadura de metal do Digimon ainda sim se mantinha em melhor estado que o resto de seu corpo – vão precisar de mais do que isso – disse em meio a uma gargalhada Lilithmon que desceu o céu como uma flecha. Ela acertou o chão com tanta força que eu pude jurar o sentir tremer. A maldita ainda parecia bem, tirando pequenos arranhões nas luvas em suas mãos, não havia sinal de ferimentos.
_Só isso Greymonzinho? – perguntou ela começando a vir para o nosso lado.
_Saiam dai depressa – Gritou Will para nós. Agarrei o braço de Lud tentando afasta-la o máximo possível da confusão, enquanto Metalgreymon se levantava desajeitadamente.
As luzes em suas assas ascenderam e Lilithmon gargalhou, então Pedro e os outros começaram a atirar. Lilithmon ergueu sua mão parando os ataques enquanto caminhava em nossa direção – vamos lá amigão – sussurrei sentindo o computador aquecer sobre meu braço.
_Duas vezes a mesma técnica? – perguntou sarcástica a Digimon – não acham mesmo que vai funcionar não é?
_Aslam disse uma vez “Nada acontece duas vezes da mesma maneira” – gritei. Mas a atenção da Digimon não se virou para mim, nem mesmo por um segundo.
Então Metalgreymon atacou, raios de luz de varias direções foram de encontro a Lilithmon cortando o seu. Então segundos antes do ataque atingi-la Shoutmon agarrou o longo cabelo negro da Digimon puxando a cabeça dela com força para trás.
A Digimon perdeu a compostura girando seu corpo para trás bruscamente, levando os tiros dos agentes. Seu grito pode ser ouvido no segundo em que o ataque de Metalgreymon a acertou.
Will gritou e tentou correr em direção à explosão que havia se formado, mas Pedro em um salto segurou o garoto. Uma nuvem de fumaça e poeira se levantou após o estrondo, e eu e Lud aproveitamos para continuar correndo.
_Me solta – gritou Will. O garoto estava com os olhos arregalados, olhando inconsolado para a nuvem negra.
Ouvimos novamente o grito de Lilithmon, e a nuvem antes negra começou a se tornar vermelha. Chamas começaram a trepidar e um raio vermelho foi lançado para cima.
Labaredas começaram a cair do céu em toda a parte. Eu e Lud corremos o máximo que pudemos tentar escapar daquela chuva de fogo. Em um momento quando olhei para trás pude ver que Thiago e Willis quase foram atingidos pelas chamas, saltando segundos antes de morrerem torrados.
Tudo em volta que era inflamável começou a pegar fogo. Arvores se tornaram tochas gigantescas. Um carro explodiu perto de mim e Lud quase nos acertando com estilhaços. Todas as folhas e sacos de lixo espalhados pela rua viraram brasa.
A noite antes iluminada pela luz fraca emitida pelos dados alocados em todos os cantos agora ganhava um tom laranja. Sombras dançavam nas paredes dos prédios de acordo com a trepidação do fogo.
_Droga – exclamei olhando toda a devastação em volta. Eu não sabia mais que parte da cidade era aquela, e pra sem sincero não sabia mais quem nos éramos. Eu só queria que aquilo tudo acabasse e então desejei do fundo do meu coração que nada tivesse acontecido, que ninguém tivesse morrido e que eu não houvesse saído da minha cidade.
Apertei os olhos que estavam começando a ser encher de lagrimas e uma angustia me tomou. Todo o som a minha volta de repente desapareceu, a percepção do calor do fogo e do cheiro de queimado desapareceram.
E quando finalmente voltei a abrir meus olhos eu estava na frente do bar, o mesmo onde tudo começou – o que esta acontecendo? – perguntei mais a mim mesmo do que para alguém. Do outro lado da rua estávamos nos sentados em volta de uma mesa olhando para o meu notebook.
_Eu sou a primeira testemunha – me disse uma voz baixa e tranquila. Me virei depressa para o lado e vi Douglas, o agente do RAD que morreu sobe os escombros do prédio que Armagedomon havia derrubado. Eu não o conhecia, não tive oportunidade de saber quem ele era, mas me lembrava de ver seu rosto de relance enquanto corríamos de Armagedomon e quando chegamos a praça sete naquele mesmo dia.
Arregalei meus olhos e dei alguns passos para trás – isso é complemente impossível? – perguntei abismado, meu coração batia feito uma maldita escola de samba.
_Porque eu estou morto? Energia não desaparece Jonas, se transforma – me disse ele. Ele usava o uniforme RAD cinza, mas diferente do que eu poderia imaginar ele parecia bem. Estava limpo e sem nenhum machucado. Seus olhos verdes pareciam serenos e seu cabelo continuava idêntico, rapado e loiro.
Eu abri a boca tentando dizer alguma coisa, mas não consegui, as palavras não saiam, e então Douglas disse para mim – Não se preocupe, você vai voltar, só precisa ver algumas coisas antes disso.
Olhei para o outro lado da rua tentando assimilar toda a situação e todas as luzes se apagaram de repente. Olhei rápido para a direita esperando Metalgreymon. Gritei para mim mesmo, gritei para os outros pedindo que eles saíssem de lá, mas ninguém me ouviu.
Douglas apenas olhava para mim. O enorme Digimon surgiu e deu o primeiro passo em nossa direção. Todos correram, menos eu e Will. Metalgreymon era enorme, eu já não me lembrava mais o quanto, parecia que haviam se passados anos daquele momento até o de agora.
Vi Luiz vindo e tentando me tirar de lá, vi o primeiro raio vindo do céu e Metalgreymon caindo no chão. Então Douglas voltou a falar – olhe para o final da rua – me instruiu apontando para trás do enorme Digimon.
Eu hesitei um pouco olhando Aegisdramon bem no alto e então olhei para o fim da rua. Havia alguém lá parado, em pé no meio da rua, sendo iluminado apenas pelo farou de um carro longe.
O segundo raio gerou um pequeno pulso de energia que me fez olhar para o Digimon dinossauro, e quando voltei a olhar a pessoa continuava lá, parada no mesmo lugar apenas observando – quem é? – perguntei a Douglas, mas ele já havia desaparecido.
Na verdade eu não estava mais na rua, eu estava agora em cima de um prédio em meio à escuridão. La em baixo o fogo trepidava e eu pude me ver minúsculo caído no chão com Lud sobre mim. Vi Lilithmon agarrando Thiago e o jogando a metros de distancia, vi Willis se jogando no chão para desviar-se da bola de fogo de Metalgreymon.
Vi Pedro atirando sem parar e May e Will sem rumo olhando para a situação que parecia perdida e então ouvi uma segunda voz. Esta era bem diferente, e eu consegui reconhece-la no mesmo instante em que a ouvi – Tia Wanda? – exclamei.
E lá estava ela, vestindo calça jeans e camiseta branca como da ultima vez que a vi, e Lagrimas tomaram meus olhos nesse instante – eu não queria que... – comecei a dizer, mas ela me interrompeu colocando o dedo sobre meu lábio.
Lagrimas quentes corriam pelo meu rosto, as mãos dela estavam tão frias. Como eu pude deixar aquilo acontecer? – eu preciso que você veja – disse ela apontando para baixo.
Eu a olhei uma ultima vez mais demorada, com medo de nunca mais ter outra chance. E lá em baixo vi Metalgreymon ser atirado no chão, vi Lilithmon se jogar em cima dele e começar a surra-lo. Eu sabia que ele não aguentaria por muito tempo.
Shoutmon estava lá, caído, e Will agora corria para perto dele – quando chegar a hora – sussurrou ela com a mão no meu ombro agora – você terá de estar pronto para o ultimo sacrifício.
_Do que você esta falando? Que ultimo sacrifício? – perguntei tentando encontrar minha tia novamente, minha visão começou a ficar sem foco. Mas ela já não estava mais lá, e nem eu estava mais em cima daquele prédio, mas de outro bem distante.
Ao longe pude ver algo no céu, um ponto brilhante, e pude sentir uma presença muito poderosa, que eu soube na hora ser Lucemon – não – exclamei olhando a criatura distante, apenas uma chaga de luz subindo.
E então a ouvi, a ultima voz. Ele estava com roupas diferentes. Babel estava vestindo uma bata branca, e olhava para frente com o cenho franzido – é horrível não é? – ele perguntou-me caminhando até parar ao meu lado.
As lagrimas ainda escorriam pelos meu rosto com volúpia – nos vamos perder? – perguntei a Babel, já não mais incrédulo, afinal, nessas alturas do campeonato, o que era impossível? – eu tentei te salvar – disse caindo sentado.
Babel correu até mim e segurou meu braço e forçando a ficar de pé – eu queria – comecei a dizer – você sabe não é? – mas as palavras já se embolavam na minha garganta.
_Não havia o que fazer Jonas, não se pode fugir do próprio destino – ele admitiu me olhando com uma expressão que parecia pena – suas lagrimas e incertezas não estão mudando em nada meu estado, nem nada que você possa fazer vai mudar isso.
Eu abri a boca para tentar me explicar, mas ele não me deixou se quer começar – esse destino não era seu Jonas, você o escolheu, e agora o fardo é seu. Já estamos muito próximos do fim veja só – disse ele me mostrando Lucemon ao longe.
Uma mega explosão aconteceu, uma onde de energia gigantesca me jogou no chão, mas Babel continuou lá de pé, firme. Eu estava chocado com o poder de Lucemon, talvez mais ainda de ver Babel ali de pé de novo – Não hesite mais Jonas – disse ele antes de tudo a minha volta começar a se transformar em dados, inclusive ele.
Então me visão escureceu, meu corpo começou a doer por completo e toda a percepção do que estava ao meu redor começou a voltar – Jonas, Jonas – Lud estava dizendo. E quando finalmente voltei por completo a mim vi Greymon no chão, Ludmila estava chorando em cima de mim e Will e Pedro estavam mais a frente.
_Onde esta Lilithmon? – perguntei tentando me levantar depressa. Minha cabeça girou então me apoiei em Lud para me erguer.
_Descanse um pouco, você estava tendo convulsões – pediu-me ela. Mas eu não podia, então vi Mailbirdramon cortar o ar como um tiro e Lilithmon veio na mesma velocidade atrás dela.
Pedro correu até mim com a arma na mão – como você esta? – me perguntou ele – tive que tirar Willis e Thiago daqui, Thiago quebrou a perna. Não tem como ganhar dela, precisamos de mais poder.
_Se sairmos daqui agora Lucemon vai ser libertado – disse a ele nervoso. Greymon finalmente conseguiu se levantar, seu corpo estava bem chamuscado e ele bufava de cansaço. Will estava no chão, sentado junto a Shoutmon que estava desacordado deitado em uma calçada, dados luminosos se desprendiam do corpo do Digimon e lagrimas escorriam pelo rosto de Will.
_Então o que faremos? – perguntou ele a mim desesperado. Olhei em volta pensando no que fazer, mas desta vez não daria para usar nenhum truque, nem mesmo a sorte parecia estar do nosso lado.
Olhei meu notebook no chão e me lembrei das três visões que tive, desta vez eu não iria hesitar. Levar uma lição de moral de uma pessoa morta te ajuda muito a ser alto confiante – temos que esperar.
_Jonas você acabou de ter uma convulsão, esperar o que? – me perguntou Lud nervosa. Eu não sabia o que era, apenas sabia que algo iria acontecer.
Então ouvimos uma explosão e sobre nossas cabeças Mailbirdramon passou girando descontroladamente. A Digimon bateu no chão com força capotando e se arrastando por metros até parar dentro de um prédio.
Lud gritou e tentou correr na direção da Digimon, mas Pedro a segurou, que mania desgraçada essa. Lilithmon pousou lindamente no chão a poucos metros a nossa frente. Toda a imagem de mulher frágil e bela havia desaparecido, agora eu a via como o demônio que ela realmente era.
Ela começou a andar em nossa direção e então começamos a correr, mas antes de conseguirmos ir muito longe ela saltou caindo em nossa frente. Lud gritou e eu perdi o equilíbrio quase caindo no chão. Pedro começou a atirar novamente, mas sua arma acabou travando.
_Que decepção, achei que finalmente seria destruída, mas vocês humanos não param de se mostrar inúteis. Esta na hora de vocês morrem – disse Lilithmon disparando em nossa direção. Minhas roupas balançaram quando a bola de fogo passou voando sobre minha cabeça.
Greymon passou correndo do nosso lado se jogando com tudo em Lilithmon. O notebook quase caiu da minha mão, minha cabeça doía e meu peito estava cheio de angustia, parecia que havia uma mão apertando meu coração.
Lilithmon era forte de mais para Greymon. Ela agarrou o Digimon dinossauro pelo capacete de ferro e com um movimento brusco o jogou no chão. Greymon parecia sem rumo, dados começaram a se desgrudar de seu corpo com mais intensidade enquanto ele tentava desesperadamente se levantar, balançando suas pernas no ar tentando achar apoio.
_Greymon – gritei me segurando para não correr até ele, sim, é uma sensação inevitável. E então dei o comando. O Digimon perdeu o foco e se transformou em dados luminosos que voltaram a meu notebook. Pedro me olhou com uma expressão incrédula.
A Digimon demônio gargalhou – era só isso? – perguntou ela se movendo tão depressa que meus olhos mal puderam acompanha-la. Agora ela estava na minha frente, tão próxima que eu podia sentir seu hálito.
Ela era alguns centímetros maior que eu, mas o poder exalava dela, passava uma sensação que me fez tremer dos pés a cabeça. Tentei me afastar dela, mas assim que dei o primeiro passo ela agarrou minha garganta, meu notebook caiu no chão fazendo barulho.
Arregalei meus olhos assustado, comecei a socar o braço dela com toda a força que eu podia, mas era inútil – vermes, cada um de vocês, vermes malditos – esbravejou ela me olhando com nojo. Quando começou finalmente a apertar meu pescoço não vi mais esperanças – morra Guardião.
A pressão no meu pescoço era muito forte, comecei a sentir o ar faltando dentro de meus pulmões, eu podia sentir meu coração batendo em cada uma das minhas veias. Pedro correu até Lilithmon batendo com a arma nas costas dela, mas com um mero movimento ela o empurrou a metros de distancia.
Lud agarrou uma pedra enorme que estava no chão, um pedaço de entulho, e jogou em Lilithmon que nem se quer olhou para trás, a garota gritava desesperada, esperando que um milagre acontecesse. Eu estava começando a imaginar que não morria sem ar, e sim com o pescoço quebrado. Minhas pernas se debatiam no ar, minhas mãos forçavam as de Lilithmon, mas era impossível.
Foi quando ouvi a voz dele – quer um desafio de verdade? – perguntou Luiz. Eu reconheceria aquela voz em qualquer lugar, mesmo ele não estando no meu campo de visão eu não tinha duvidas.
_O que tem pra mim garotão? – perguntou Lilithmon me jogando a metros de distancia. Bati a cabeça no chão e senti quando o sangue quente começou a escorrer. Comecei a tossir buscando o ar a qualquer maneira.
Lud correu até mim e segurou minha cabeça, ela estava com os olhos cheios de lagrimas – você esta bem? – me perguntou ela impedindo minha tentativa de me levantar.
_Pedro – foi à única coisa que consegui exclamar enquanto recobrava o folego.
A menina olhou para trás e viu Pedro se levantando devagar do chão – ele esta bem – disse ela.
Sentei-me com dificuldade e vi Lilithmon indo em direção a Luiz, Weverton estava do lado dele, o ajudando a ficar de pé. Senti tanta raiva naquele momento, eu o havia feito jurar.
Quando finalmente reparei o notebook na mão de Luiz me levantei em um salto. Minha visão ficou turva, minha cabeça doía muito e meu braço estava ralado, quantas cicatrizes mais eu teria que juntar?
_Não Luiz – gritei a ele. Lud me serviu de apoio e gritou junto de mim, tentando impedi-lo de invocar Deckerdramon.
Lilithmon olhou para trás com uma expressão de ódio e cuspiu chamas que vieram trepidantes em nossa direção. Apenas tive tempo de fechar os olhos com força. Senti o calor crescendo, mas por milagre não morri torrado.
Escutei o piado mecânico e soube antes de abrir os olhos para ver que Mailbirdramon estava usando seu corpo para nos defender. Ela estava de costas servindo de escudo para nos salvar.
Escutei a voz de Will vinda de algum lugar nos pedindo para sair dali. E então começamos a correr atrapalhados, Pedro veio junto de nos. E quando por fim paramos, Mailbirdramon caiu no chão soltando dados.
Ludmila começou a gritar feito louca – dê o comando Lud – pediu Pedro. E então a garota finalmente reagiu, apertando F7, fazendo os dados da Digimon voltarem a seu notebook.
Will correu até Weverton e Luiz, gritando e fazendo gestos com os braços – Luiz para, vamos tentar fugir, você não pode invocar Deckerdramon – pediu Will apavorado. O garoto não sabia para onde olhar, se para Luiz para impedi-lo, para Lilithmon se aproximando com um demônio furtivo ou se para Shoutmon deitado em uma calçada soltando dados.
Weverton abaixou o olhar, ele estava com vergonha de si mesmo por ter quebrado a promessa. Mesmo estando com as orelhas sujas de sangue e com uma expressão péssima Luiz sorriu – vocês não sabem nada sobre mim – começou a dizer ele.
_Eu vou matar todos vocês – disse Lilithmon sendo ignorado por Luiz.
_Eu menti pra vocês, mas não é hora para explicações – disse ele abrindo o notebook – vou fazer minha vida ter valido apena – concluiu ele dando o comando.
Centenas de pontos de Luiz saíram do notebook se aglomerando em um ponto. Em meio ao vento frio da noite misturado ao cheiro de fumaça o enorme Digimon de metal surgiu. Lilithmon esboçou um sorriso de satisfação começando a correr na direção do Digimon.
Deckerdramon fez um movimente improvavelmente rápido com a calda acertando Lilithmon que foi lançada a metros de distancia, se enterrando em um prédio próximo. Luiz caiu sentado no chão, seus olhos estavam vermelhos de sangue – desliga isso – gritou Weverton tentando tomar o notebook da mão do garoto.
Mas Luiz o parou segurando com força o braço dele. Will se ajoelhou do lado de Luiz e apoiou suas costas com seu braço – você não pode morrer, por favor, Luiz.
A risada de Lilithmon era maníaca. O prédio foi tomado por chamas, e do meio delas surgiu a Digimon caminhando lindamente com um sorriso ardente no rosto. Mas agora ela estava com a mão na barriga e eu podia jurar que o ataque de Deckerdramon a havia machucado.
_Deckerdramon, você afinal de contas se tornou um dos insubordinados – disse Lilithmon ao enorme Digimon crocodilo que respondeu abrindo o compartimento em suas costas – não se atreva — disse ela começando a correr na direção dele.
O Digimon atirou dezenas de misseis na Digimon. Lud, Pedro e eu começamos a correr para o mais longe que podíamos. Várias explosões começaram a ocorrer a nossa volta, parecia uma zona de guerra. Meu nariz então começou a sangrar e eu perdi complemente o folego, não podia mais correr. O mesmo começava a acontecer com Ludmila, Pedro colocou as mãos na cabeça e gritou – meu Deus.
Lilithmon era muito rápida, ela saltava de um lado para o outro tacando fogo em Deckerdramon que tentava atingi-la a todo custo. As coisas pioraram quando a Digimon arrancou seu chicote que parecia ter vida própria, rodando e estalando no ar.
Luiz colocou a mão no peito, sua respiração estava pesada – Luiz, por favor – implorou Will com os olhos cheios de lagrimas. O garoto tirou os óculos e os jogou para o lado secando as lagrimas que começaram a escorrer de seus olhos.
_Você sabe que não posso – sussurrou Luiz com dificuldade. Will olhou de longe Shoutmon imóvel e pediu aos céus que todos saíssem vivos dali. Mas no fundo ele sabia que isso não era possível.
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