Decode

25 O começo do apocalipse


Notas iniciais
Ultimo capitulo, espero que gostem. Esse ultimo capitulo dedico especialmente a um leitor fodão, Fernão Endrish. Obrigado por todas as criticas e todos os toques. Voce me irritou, voce me fez rir e voce esteve aqui me apoiando. Então como agradecimento vou te contar que tive medo quando voce se tornou meu leitor, por que? Puta que Pariu velho, sua primeira critica em outra fic minha me fez quase chorar de desespero. Obrigado mesmo cara. Hoje eu te agradeço de coração, evolui (espero) como escritor por causa de leitores como você.

Dez meses antes.

Maristela estava sentada em uma das cabines de jurados, ela vestia um longo vestido preto e seu cabelo estava preso em um coque grande. Tudo fazia parte do plano, ela só teria de se manter ali sorridente até achar o candidato correto. Nada poderia dar errado a essas alturas do jogo.

Centenas de pessoas haviam se inscrito para a competição que renderia uma bolsa na faculdade mais bem contada da cidade de Belo Horizonte. A universidade Platão não apenas serviria como pretexto para testar os candidatos como também colocaria o escolhido bem de frente com Babel.

Ela havia mexido alguns pauzinhos usando sua influencia para conseguir arranjar aquele evento é claro. Mas quem liga para a forma como as coisas acontecem? Elas simplesmente querem sua fatia do bolo.

Agora já estávamos no terceiro e ultimo dia de competição, e só haviam mais cinco candidatos. Ela os analisou um a um enquanto eles subiam até os computadores disposto no tablado.

Maristela resmungou assim que percebeu que um dos participantes era uma garota – certifique-se de que aquela garota não vença – sussurrou a mulher para o homem de terno ao lado dela, que respondeu apenas com um movimento de cabeça enquanto ia em direção ao resto dos jurados.

_A profecia se refere claramente a um garoto – sussurrou ela para si mesma.

Cada um deles se posicionou em frente a seu computador e o sinal sonoro soou.

***

Mas sinceramente Will não sabia por que a lembrança do torneio que garantiu sua bolsa na faculdade viera a sua cabeça em um momento como aquele. A única coisa que ele tinha certeza era que eles precisariam de mais poder do que aquele para vencer Lilithmon.

Weverton olhou para frente vendo as ininterruptas explosões acontecendo, o garoto também teve uma revelação naquela hora. Ele percebeu que por mais que ele tentasse ajudar ele nunca seria um Guardião de verdade, ele nunca estaria na mesma posição que May ou Pedro e Sofia. Mesmo ele estando ali do lado de Will e Luiz ele não era ninguém, apenas o primo do líder do grupo.

O garoto então se levantou calmamente e caminhou para fora da batalha, ele voltaria para a faculdade, e ficaria lá sentado esperando que os outros retornassem. Quando Will finalmente conseguiu voltar a si, e percebeu que Weverton não estava mais ali já era tarde de mais. O destino de Weverton mudaria para sempre a partir dali.

_Preciso chegar até Jonas e Lud – pediu Luiz a Will. O garoto ainda estava caído no chão, ele nitidamente sentia dor, sua voz estava fraca e sua expressão horrível.

Will olhou para Shoutmon uma ultima vez e balançou a cabeça positivamente ajudando Luiz a se levantar e agarrando seu notebook.

***

Pedro estava tentando acalmar Lud que estava afogada em lagrimas com tanta dor. Minha visão estava a cinquenta por cento se sei medir ao certo. Eu não conseguia nem mesmo clarear minha mente, focar meus pensamentos, entorpecido pela dor – Luiz – sussurrei desejando que se Deus existia ele deveria ajuda-lo.

Lilithmon em dado momento enrolou seu chicote em volta da boca de Deckerdramon e pulou em suas costas, montando o Digimon que começou a se debater e pular – ele não vai vencer assim – disse Pedro que não sabia mais o que fazer.

Olhei para meu notebook no chão e não tive duvida sobre o que fazer naquele momento. Eu o abri com dificuldade e procurei o programa para rodar Greymon. Mas antes que eu pudesse fazer isso escutei a voz de May – Deckerdramon não, onde esta Luiz? – perguntou ela surgindo do nada.

_Não sabemos, esta com Weverton e Will do outro lado desse bombardeio – contou-lhe Monteiro – conseguiram? – perguntou ele olhando para Sofi que chegava com uma maleta suja de sangue nas mãos.

May olhou para Sofia antes de correr até mim e me abraçar – ainda haviam pessoas vivas lá – contou-nos Sofia.

_Nos as ajudamos a sair, um soldado e um agente do Rad, o que me ajudou a te carregar uma vez Jonas – me contou May. Só ai percebi o quanto ela estava suja de pó – mas não temos boas noticias.

Lud gemeu antes de indagar – que ótimo.

_O detonador esta quebrado – disse Sofia abrindo a pasta de metal amassada. Dentro dela havia um objeto metálico esférico com alguns fios contornando sua circunferência. Pedro tomou o objeto nas mãos e o verificou com atenção.

_Talvez haja como detona-la manualmente – sugeriu o ex-agente.

_Claro e explodir junto com a bomba – completou Sofia.

_Então não ha como fechar o portal? – perguntei já imaginando a resposta – se não o fizermos Lucemon se levantara.

Todos inclusive Lud me olharam desamparados. Uma enorme explosão nos chamou a atenção. Deckerdramon caiu urrando absurdamente alto fazendo um frio tomar conta da minha barriga.

Me levantei devagar e em meio a fumaça vi Will carregando Luiz. Não só eu como Sofia e Pedro saímos em disparada na direção dos dois. Luiz mancava muito, e estava sendo quase literalmente carregado por Will.

Fui o mais rápido que pude de encontro a eles que colocaram Luiz sentado no chão – desliguem isso – ordenei olhando chocado para Luiz. Se ele estava daquele jeito com o Digimon materializado, imagina quando desce o comando para desativa-lo.

E então Luiz segurou meu braço – não, precisamos vencê-la se não todos morreremos – eu sabia que ele estava certo, mas se eu não o parece ele iria morrer. Eu não podia arcar com mais a morte ninguém, não Luiz.

_Não posso te perder Luizão – exclamei começando a chorar, tudo voltou à tona. Eu só queria que aquele pesadelo acabasse.

Luiz gemeu e então disse – precisamos fazer o D2.

_O que? – indagou May nos olhando incrédula – vocês vão morrer, olhem uns para os outros, Lud mal consegue ficar de pé.

_Talvez haja uma chance – eu disse. Eu estava disposto a tentar, quem sabe se terminássemos logo com a luta Luiz não ficaria tão mal. Olhei para Lud que balançava a cabeça em sinal positivo.

_Eu não vou deixar – disse May pegando no braço de Luiz.

_Não é escolha sua – Lud gritou nervosamente – vamos acabar com isso de uma vez – May a encarou sem conseguir dizer uma palavra.

Eu senti os olhares preocupados de Sofia, Pedro e Will sobre nos. Não éramos os mesmos seis, nem mesmo as mesmas pessoas. Abri meu notebook e achei o programa, Lud já me olhava pronta segundos depois.

Will teve de ajudar Luiz, e assim que Will entregou o notebook a Luiz voltei a ficar de pé – Lilithmon – gritei de todo o meu pulmão. Se ela fosse uma pessoa muito provavelmente não haveria escutado seu nome em meio a tantas explosões, mas seu nome era como uma maldição. Assim que dito ela parou de atacar, Deckerdramon não se movia. A metros de distancia ela me olhava – esta na hora – disse dando o comando.

Os dados de Greymon saíram voando juntos aos de Mailbirdramon. Deckerdramon se transformou em dados luminosos se juntando a grande massa no ar alguns metros a cima dele.

Lilithmon olhou para trás, para os dados dos digimons se juntando. Seus braços começaram a pegar fogo ela já estava pronta para atacar.

Os dados ganharam forma ao passar dos segundos e logo o enorme Digimon caiu no chão fazendo um barulho estrondoso. Ainda parecia com Metalgreymon, mas muito maior. Haviam enormes esteiras como as de um tanque de guerra no seus pés. Em sua mão agora havia um enorme canhão marrom e em suas pernas lançadores de misseis.

_Deckergreymon – nomeou-o Luiz desmaiando.

Lilithmon correu em direção a Deckergreymon gargalhando loucamente. Ela saltou estalando seu chicote no rosto do Digimon que urrou. Deckergreymon lançou dezenas de misseis de suas pernas que voaram em todas as direções. Fumaça e poeira se ergueram do chão enquanto Lilithmon se desviava como podia dos ataques no alto.

Deckergreymon inclinou o corpo para frente usando o canhão em suas costas. O tiro cortou o seu como uma faca acertando Lilithmon em cheio a jogando no chão.

_Vamos, vamos, vamos – a Digimon demônio repetia em meio a gargalhadas enlouquecidas.

Ela agarrou um carro ali parado e o lançou em direção a Deckergreymon, que usou de um movimento de braço para se defender. Lilithmon surgiu logo atrás acertando um enorme soco na cara de Deckergreymon que caiu barulhentamente no chão.

Minha respiração estava começando a ficar difícil, eu mal podia enxergar a batalha a minha frente.

A Digimon pulou sobre Deckergreymon e enrolou o chicote em sua boca, começando a desferir socos no Digimon. Deckergreymon começou a urrar a cada pancada que recebia deixando a todos nos desesperados.

May caiu no chão do meu lado olhando para frente incrédula, e se quer saber eu também estava, não iria aceitar aquilo – Greymon – gritei reunindo todo o ar que havia nos meus pulmões – Greymon – voltei a gritar.

_Mailbirdramon – gritou Lud sentada no chão um pouco mais a atrás – Mailbirdramon.

Então todos nos seguiram, gritando os nomes de nossos digimons enquanto eles eram surrados.

Então houveram algumas explosões, Deckergreymon estava atirando para todos os lados. Vi quando Lilithmon saltou tentando desviar das dezenas de tiros cortando o céu. Deckergreymon se levantou lentamente e então rugiu – vem com tudo grandão – disse Lilithmon caindo graciosamente na rua.

O Digimon ciborg carregou por apenas alguns segundos o canhão em sua mão e uma enorme rajada de luz acertou Lilithmon que gargalhava enquanto desaparecia em meio à energia. A energia era tão intensa que passou sobre nos e acertou um prédio no fim da avenida que não suportou o ataque a desabou.

Quando o ataque finalmente cessou Lilithmon estava de pé sorrindo de olhos fechados. Seu corpo inteiro soltavam dados que desapareciam em meio à escuridão da noite. Will mais que depressa deu o comando e Deckerdramon desapareceu deixando Greymon e Mailbirdramon no chão.

O grande volume de dados voltou para o notebook de Luiz e então May o abraçou. Olhei para frente sentindo um grande alivio, parecíamos finalmente ter vencido a batalha final. Então May gritou – ele não esta respirando.

E todos se jogaram em cima de Luiz gritando, minha visão ficou turva e então cai no chão também quase perdendo a consciência, me obriguei a continuar lucido, mas Lud não conseguiu a mesma proeza.

_Saiam de perto, ele precisa de espaço – gritou Pedro deitando Luiz e começando a fazer uma massagem cardíaca.

Então a gargalhada de Lilithmon ficou mais alta enquanto ela desparecia. Eu a olhei desacreditando que aquilo estava acontecendo, a loucura dela era fora de serie – finalmente Lucemon se libertara – disse ela desaparecendo lentamente.

Então ouvimos o som de turbinas, Greymon rugiu se levantando. Surgindo em meio aos prédios apareceu Aegisdramon. Mayara suspirou e Sofia gritou chamando atenção de todos.

O Digimon desceu parando no meio da enorme avenida – foi com ele que tudo começou – comentou Will.

Agora finalmente pude reparar aquele maldito Digimon com calma, e percebi que ele se parecia com um pássaro do certa forma, com grandes turbinas e todo incrementado com armamentos gigantescos. Descendo do enorme Digimon para meu completo espanto, vinha Maristela.

Meu coração quase parou de bater, meu estomago embrulhou e eu quase vomitei de tanto nervosismo. Foi realmente ela que matou minha tia, ela planejou tudo aquilo e muito mais que isso, por causa dela eu tinha Greymon.

_Você serviu a seu proposito – disse Lilithmon a ela antes de desaparecer completamente.

Pedro tomou a frente apontando a arma para a mulher – você – gritou ele furioso, sua expressão havia mudado de um momento para outro, se enchido de fúria – você armou isso tudo, eu sabia que a minha convocação tinha algo a mais.

_Você era perfeito – disse a mulher caminhando em nossa direção – sua ligação com os digimons, eu sabia que você iria ajuda-los de dentro da corporação, e eu não podia permitir que o RAD os impedisse, e porque não conta a seus amigos o seu segredinho? – ela disse cada palavra como veneno. Eu olhei para Pedro que estava de pé em frente a mim tentando imaginar por um segundo que segredo era essa.

_Will – gritei a ele pedindo ajuda para me levantar – você sua vadia, por quê? Por quê? – eu gritei furioso. Meu coração doía de tanto ódio. Eu queria mata-la.

Ela sorriu cinicamente e o enorme Digimon atrás dela fez um barulho agudo – eu precisava de vocês para libertar Lucemon, eu sozinha não poderia, a profecia tinha que se cumprir.

_Nos matamos Lilithmon, ela não poderá libertar Lucemon agora – gritou Will se posicionando na situação. O garoto tremia enquanto falava.

Sofia se abaixou e segurou a cabeça de Lud enquanto May chorava sobre Luiz.

Maristela balançou a cabeça negativamente e disse friamente – Lilithmon era o ultimo selo, só a morte dela pelas mãos do escolhido poderia liberta-lo.

_O que? Que escolhido, do que você esta falando sua louca maldita? Chega disso – gritei olhando pasmo para Pedro que estava com a mesma expressão de pavor que a minha.

Uma onde de energia começou a se formar onde o ultimo dado de Lilithmon desapareceu. O ar ficou pesado novamente e eu pude sentir a energia correndo. Era outro portal, mas esse bem maior do que o da praça sete.

_Não, Não, Não – gritei sem rumo olhando apavorado para o distúrbio. Eu havia permito o sacrifício de Luiz por nada, o que eu fiz? Dados pairavam ao nosso redor, como eu não havia percebido o distúrbio que causamos enquanto batalhávamos?

Greymon surgiu atrás de Maristela de súbito com a boca aberta pronto para devora-la, mas assim que o Digimon se aproximou Aegisdramon fez um movimento com a cabeça acertando o arpão que tinha no bico, ou seja lá o que aquilo for, em Greymon que caiu no chão urrando a alguns metros de distancia. A diferença de força entre eles era absurda – suas batalhas ajudaram a romper o tecido dimensional. E vencer Lilithmon foi o ultimo selo. Achei que quando você capturou Greymon ao invés de Will estava tudo perdido, mas você me saiu melhor do que encomenda Jonas.

Então me lembrei de quando capturei Greymon e da visão. O Digimon olhava para Will o tempo todo, ele estava indo atrás dele, e a pessoa na escuridão era Maristela, como eu não tinha percebido isso? Será que eu fui tão idiota assim?

_O Greymon era pra mim? – perguntou Will chocado. Ele começou a procurar novamente Shoutmon, correndo o olhar em todas as direções – eu sou o domador do Shoutmon – disse ele rindo de nervosismo, passando a mão pelos cabelos desarrumados.

Maristela balançou a cabeça fazendo um sinal negativo novamente – porque achei que Jonas não daria conta, então lhe dei Shoutmon.

_Por isso suas ordens eram captura-lo e mantê-lo preso – indagou Monteiro – todos nos fomos manipulados por você.

Ela sorriso cínico era largo e assustador – desde o começo – ela deixou claro – desde o dia em que Will venceu o campeonato de programação que o deu a bolsa na faculdade, mas vocês fizeram as escolhas.

Will colocou as mãos na cabeça e começou a dar voltas no mesmo lugar, ele tentou ajeitar os óculos, mas percebeu que se esqueceu de pega-los quando os deixou no chão minutos atrás.

_Por que isso tudo? Você odeia Digimons – quis saber Sofia.

_Meu pai me levou para o laboratório um dia – ela começou a dizer olhando para o Aegisdramon – e um portal se abriu, vocês sabem o que tem do outro lado? O tempo corre diferente do nosso quando se esta no outro mundo. Mais depressa ou mais devagar isso depende do tanto que você é sortudo. O que para meu pai foi um minuto pra mim foi um ano. E eles me deram uma missão e eu vou cumpri-la. Libertar Lucemon é apenas o primeiro passo.

Mayara começou a xingar tanto que por um segundo me assustei com a diversidade que ela conseguiu se lembrar – você é a criança, você que estava no laboratório quando aquele Digimon começou a comer os dados na rede, o que aconteceu lá de verdade? – Perguntou Mayara por fim.

_Vocês já podem ir, eu os deixarei viver, por enquanto – disse ela voltando a subir em Aegisdramon – mas não voltem a cruzar o meu caminho. O que Babel lhes contou é apenas um terço da verdade, ele não era tão bom quanto vocês acreditavam – disse ela ganhando altura junto do Digimon e desaparecendo no céu escuro.

Raios de energia começaram a sair do portal, e ventos começaram a assolar-nos levantando poeira e apagando os últimos pontos onde o fogo ainda remanescia, menos o enorme prédio que trepidava em labaredas, que traziam consigo uma fumaça negra e espeça.

_Vamos fugir – gritou Mayara.

_Não podemos, temos que impedi-lo – rebati. Não podíamos simplesmente ir embora assim, precisávamos de um plano, e rápido.

Olhei para Lud e Luiz no chão – como ele esta? – perguntei angustiado. Minha cabeça parecia que ia explodir, eu sentia o gosto de sangue na minha boca.

_Ele esta vivo – disse May para o meu alivio – ele esta vivo – gritou ela com um sorriso no rosto.

Pedro atirou no portal que estava se formando, e a energia oscilou por um instante – qual é o plano Jonas? – ele me perguntou, todos me olharam em seguida.

Passei a mão na cabeça e senti uma dor pontiaguda. Quando puxei a mão de volta percebi que eu ainda estava sangrando – a bomba — indaguei.

_Não da pra ativa-la, ela explodira no mesmo instante que o botão for pressionado – me informou Sofia.

O portal então começou a brilhar, ganhando tamanho e intensidade. Ele pulsava como um coração batendo, fazendo um baque surdo a cada batida. A luz foi ficando cada vez mais intensa e um zumbido começou a ser emitido. Seis raios negros surgiram do portal indo em direção ao céu e desaparecendo em direções diferentes, todos olhamos incrédulos, o que mais poderia ser aquilo?

Coloquei as mãos tapando os ouvidos e me abaixei de reflexo, deixando o notebook cair no chão, o som se tornou muito alto, eu não conseguia ouvir nem meus próprios pensamentos. Minha cabeça começou a doer o dobro ou talvez mais do que estava doendo.

Comecei a gritar e pude ouvir no fundo o grito dos meus amigos, a luz forte agora nos cegava. E então de uma hora para outra parou.

A escuridão da noite voltou mais forte, e minha visão demorou alguns segundo para se ajustar novamente a escuridão. Mas antes que qualquer um de nos pudesse dizer qualquer coisa a voz de Lucemon ecoou.

_Guardiões, vieram para morrer? – perguntou ele planando sobre nos. Ele reluzia como uma estrela em uma noite sem lua.

Suas assas de um lado eram negras e do outro brancas, seu cabelo loiro pendia sobe os ombros. E a presença dele, a energia que ele exalava era tenebrosa, meu corpo todo se arrepiou.

Mailbirdramon alçou voou piando para mostrar que ainda podia lutar, ou pelo menos era aquilo que eu esperava. Greymon se ergueu também, mas o Digimon mal conseguia ficar de pé.

Will finalmente saiu correndo em direção a Shoutmon enquanto eu Sofia, Lud e Pedro ficamos olhando para cima, sem reação, sem fala.

_O nosso poder não será o suficiente – exclamou Sofia.

Peguei meu notebook que estava no chão e tive que me esforçar para não desmaiar novamente quando minha visão ficou turva – precisamos fugir.

_Mas como? – me perguntou Pedro – mesmo que consigamos correr, não conseguiríamos fazer isso com Lud e Luiz.

Olhei para Greymon e ele me olhou de volta. A esse ponto nada mais precisava ser dito entre nos. De certa forma nossa ligação tinha nos tornado um só, ele entendia meus desejos, e estava pronto para lutar até o ultimo dado para me proteger e aos meus amigos. Mas havia o lado negro disso também, eu estava morrendo aos poucos, cada vez eu estava mais cansado, minha cabeça doía mais a cada invocação, estava chegando a hora de parar de traze-lo.

Mas aquele com certeza não era esse momento. Greymon começou a usar suas ultimas forças e lançar bolas de fogo em Lucemon. O Digimon anjo apenas ergueu a mão e segundos depois desapareceu em meio a fumaça da explosão que ocorreu.

_Essa é a nossa chance – disse olhando para Pedro. Will voltou correndo atrapalhado com Shoutmon no colo.

Pedro e Sofia que ainda carregava a bomba levantaram Will, eu e May usamos todo o resto de nossas forças para levantar Ludmila. Perdi todo o folego tentando carrega-la, minhas pernas começaram a fraquejar, meu coração parecia que ia explodir junto a minha cabeça.

Mailbirdramon começou a lançar bolas de energia também, mas não houve tempo para irmos muito longe. Lucemon desceu ao chão como um meteoro levantando poeira e fazendo o asfalto em volta de si rachar.

Pedro começou a gritar – rápido, rápido, rápido – mas eu não podia ir mais do que já estava indo.

Greymon correu até o anjo caído, pronto para cravar seu chifre no Digimon, mas Lucemon era forte de mais. Ele agarrou Greymon pelo chifre e o lançou no ar, como uma bala ele surgiu junto de Greymon e começou a soca-lo tão rápido que eu não podia ver o movimento de seu braço com clareza.

Eu cai no chão junto de Lud e May, eu estava no meu limite, não sabia nem como ainda estava lucido. Pedro e Sofia começaram a gritar, me implorando para que continuasse, mas eu não tinha forças, Will tentou me puxar segurando Shoutmon com apenas uma mão, mas eu não ia conseguir.

Então Greymon foi lançado em um prédio, desaparecendo dentro dele por volta do sexto andar. Mailbirdramon lançou uma bola de energia em Lucemon que o acertou em cheio no meio das costas, mas não causou nenhum dano no Digimon.

_Maldito insubordinados – disse Lucemon erguendo os braços – morram todos.

Então o fleche de um sonho que tive meses atrás veio a minha cabeça.

“O escolhido carregara a sua destra cinco almas, que andam entre os mundos em desequilíbrio. Eu conheço as tuas obras, e a de cada um que foi expulso de seu berço, pois eu não suporto os insubordinados e deleitados, aqueles que não foram fies não receberam a chaga de vida e aos que os apoiam nada além de desgraça e dor os espera.”

Distúrbios dimensionais surgiram no céu, e coisas como cometas caíram destruindo tudo que tocavam. Alguns prédios desabaram, o asfalto se ergueu em alguns pontos e ruiu em outros.

Todos a minha volta gritaram. Quando abri novamente os olhos havia uma nuvem de poeira mais a frente, graças a Horus nos havíamos conseguido ganhar distancia suficiente para fugir do ataque de Lucemon.

Minha visão estava turva e minha audição falha, mas ao decorrer do tempo eu ia voltando, comecei a ouvir vozes e perceber que todos estavam em pé a minha frente, menos Lud e Luiz é claro.

Levantei um pouco meu corpo me apoiando com os braços e vi Lucemon, parado bem ali, com um sorriso demoníaco no rosto – eu vou matar cada um de vocês bem lentamente – disse o anjo caído – como agradecimento por terem me libertado.

_Corram – gritou Pedro atirando em Lucemon enquanto Sofia, May e Will corriam. O tiro nem se quer arranhou Lucemon que caminhou até Pedro dando-lhe apenas um murro na barriga. Monteiro cuspiu sangue e caiu no chão segurando a barriga com as duas mãos, ele mal conseguia gemer.

Então Lucemon passou caminhando do meu lado, eu reuni todas minha ultimas energias e agarrei a perna dele – você não vai – murmurei exausto.

Ele me olhou com nojo e apenas moveu seu pé bruscamente me jogando para longe. Rolei alguns metros e pude ver ele indo atrás de Sofia, May e Will. Comecei a rastejas em direção ao notebook, agora era claro o que eu tinha que fazer.

“Aqueles que você confia não estarão mais lá, todo seu futuro, sua vida já estão seguindo para o caminho que não trará paz. Quando a esperança finalmente cair será hora do verdadeiro poder se levantar, mas a escolha devera ser feita, até onde conseguira ir guardião?”

O sonho, Babel minha tia. Eles tinham tentado me dizer que eu deveria estar pronto quando a hora finalmente chegasse e eu estava. Eu sentia que Greymon de alguma forma ainda estava inteiro debaixo dos escombros dos prédios que haviam caído e tinha esperança que Mailbirdramon também.

Agarrei meu notebook e destravei o D2, eu precisava de mais duas linhas de comando para ativar aquilo sem Lud confirmar do computador dela.

Ouvi o grito de May e então dei o comando. Lucemon olhou para trás repentinamente, a tempo de ver os dados de Mailbirdramon e Greymon se unindo no ar.

Metalgreymon urrou no céu, acendendo suas turbinas na escuridão e vindo em minha direção. Fiz toda força que podia e fiquei de pé, deixando meu notebook no chão. Metalgreymon pousou do meu lado e eu me joguei para cima dele.

_Maldito seja – gritou Lucemon vindo em nossa direção.

Metalgreymon alçou voou, enquanto eu me segurava em sua armadura. Eu estava pronto para o que ia acontecer, nada mais importava, eu apenas precisava tirar todos dali vivos.

Eu desejei isso com todas as minhas forças e algo aconteceu.

A tela do meu notebook começou a brilhar junto a Metalgreymon, minha vista se escureceu por completo, e eu acabei perdendo a visão por cerca de um minuto creio. Um raio de luz branca saiu do meu notebook indo em direção ao céu, iluminando tudo a nossa volta.

Raios começaram a cortar as nuvens acima de nos, e então Metalgreymon começou a mudar. Sua armadura começou a ficar mais rígida e a ganhar uma tonalidade dourada. Suas assas, seus braços, seu corpo inteiro mudou de forma.

Ele havia evoluído e eu sabia que ele era Zeekgreymon, o meu Digimon me disse isso.

Lucemon surgiu na nossa frente e começou a socar Zeekgreymon, que colocou seus braços na frente tentando se defender, mas o poder de Lucemon ainda sim era muito maior.

Fomos jogados em direção ao chão, mas Zeekgreymon recobrou o controle de seu voou evitando nossa queda e voando em direção a Sofia e aos outros — a bomba – gritei enquanto Zeekgreymon pousava perto deles. Sofia arremessou a maleta e eu por pouco quase não consigo agarra-la.

Então May finalmente percebeu minha intenção e começou a gritar meu nome desesperadamente, me pedindo para parar, me implorando que eu não tentasse fazer isso.

_Jonas – gritou Pedro o mais alto que pode – Jonas não.

Will estava com os olhos arregalados – tem que ter outro jeito – gritou ele.

Eu o olhei dentro dos olhos por alguns segundos, e foi como se nada precisa-se ser dito, ele sabia que não havia outra maneira.

Sofia agarrou May pelos braços impedindo sua tentativa de correr em minha direção, ela chorava enquanto gritava – por favor, por favor – repetia ela rápido – não Jonas.

Todos começaram a gritar, todos me pedindo que não o fizesse. Senti que fosse chorar naquele momento, mas não houve tempo.

Lucemon vinha como torpedo em nossa direção. Zeekgreymon alçou voou novamente, subindo o máximo que podia, senti o ar frio da noite cortando meu rosto e se misturando as lagrimas quentes que começaram a escorrer de meus olhos.

Eu abri a maleta e peguei a bomba esférica na mão, soltando a maleta de metal que caiu girando do alto – esta pronto amigão? – perguntei a Greymon. Eu sabia que ele podia me entender. Olhei para baixo e vi meus amigos no chão, minúsculas pessoinhas sem rumo, e mais a frente vi a cidade do alto. Dezenas de prédios destruídos, a cidade deserta e apagada.

Fomos o mais alto que conseguimos no tempo que nos restava, olhei para trás vi Lucemon vindo em nossa direção, brilhando como uma estrela, rápido como um torpedo e furioso. Então olhei em direção a faculdade e soube que eu estava ali com Babel em algum lugar, olhando essa cena de um ângulo diferente e isso me deixou calmo, solucei sorrindo.

_Esse é o fim para nos dois – disse quando Lucemon ergueu seu braço para desferir seu ultimo ataque. Fechei os olhos e apertei o botão.

***

A explosão foi absurdamente intensa, fomos jogados no chão na mesma hora por uma onda de energia gerada pela bomba. Eu cai sobre Shoutmon e mal senti alguma coisa, May foi jogada junto.

Quando olhei para cima vi o enorme portal se fechando sobre nos. Ele era como um rasgo em um pano, cortando um pedaço do céu – Jonas – gritei o mais alto que pude – Jonas – berrei com a esperança de vê-lo descendo montado em Metalgreymon.

May não se levantou, ele chorava aos berros abraçando a si mesma em posição fetal – não, não – repetia ela em choque. Monteiro a abraçou e vi quando as lagrimas escorreram de seus olhos.

Eu não queria acreditar, eu não podia. Senti que a angustia ia me sufocar, a dor no meu peito parecia pior do que todos os cortes pelo meu corpo. Eu não podia acreditar.

May se levantou em um salto e começou a gritar olhando para o portal – Jonas, Jonas – a voz dela começava a engasgar – por favor, Jonas – ela caiu de joelhos – volta – disse ela colando as mãos na cabeça.

Monteiro foi até ela mais uma vez a abraçou – calma, ele não vai voltar.

May empurrou Pedro que acabou caindo, mas por surpresa do que por outra coisa. Os olhos dela estavam arregalados – eu não... não, não, ele... – mas as palavras não saíram de sua boca. Apenas lagrimas, soluços e berros.

Ficamos ali mais um tempo, eu queria acreditar. Mas nenhum deles voltou.

O portal se fechou aos poucos. E na mesma velocidade as nuvens sobre a cidade começaram a se dissolver revelando um céu ainda escuro, mas cheio de estrelas. Sofia veio até mim e me abraçou, eu coloquei minha cabeça em seu ombro e comecei a chorar junto.

Chorei porque nunca mais ia ver meu amigo. Chorei porque sentia tanta raiva de mim mesmo por não ter o parado, o impedido. Chorei por que não suportava ver a May daquele jeito mais uma vez. E por fim chorei por que tinha medo.

Senti tanto medo de seguir em frente sem o Jonas pra me apoiar que minhas pernas fraquejaram, perdendo ele estávamos perdendo a esperança. O que podíamos esperar do futuro?

Eu queria que aquele tivesse sido o fim.

Notas finais
Então, agora é hora de matar o escritor. Espero ter opnioes diversas sobre o final. Muita gente não deve ter gostado e espero que pelo menos metade de voce tenha ficado sarisfeito. Espero ter dado emoção para o final, não sei se consegui, e é isso que mais me preocupa. Agora vamos lá, voce deve estar se perguntando: Acabou assim? Sim acabou desse jeito. Sim, Jonas esta morto. Sim, o epilogo não responde nenhuma pergunta. Sim, me desgrace, me odeie, muita gente que voce gosta vai morrer se brigar de mais comigo. Porque cargas d'agua teve um evolução no final do inferno se não ia adiantar de nada? Boa pergunta voce que ja quer me matar nos cmentarios (kevin?Fernão?) então, a ideia era simplesmente mostrar que tanto era possivel uma pessoa invocar dois digimons, tanto quanto evoluilo. Porque meu filho? AAAAA calma gafanhoto, proxima temporada. Mais perguntas? Por favor tenham. To zuano, até o epilogo então.