Decode

1 Capitulo Piloto


Notas iniciais
Toda historia tem um começo. Dedico a fanfic a Murilo Pitombo, o cara que me fez virar escritor e me fez descobrir o gosto pela leitura.

Prólogo

“Quem guardará os guardiões?” Li antes de fechar aquele livro. Meus olhos doíam um pouco, por isso resolvi guarda-lo, mal sabia eu que nunca mais voltaria a lê-lo.

Não era nada além de mais uma tarde quente, o céu estava nublado. Cinza como na maioria dos dias na capital Mineira. Depois da loucura que estava o transito finalmente o ônibus entrou na rodoviária.

A porta se abriu e varias pessoas desceram. Eu estava ainda com os olhos meio inchados em baixo dos óculos escuros, havia chorado sim, mas não na frente de ninguém. Por um lado eu estava muito feliz por estar indo realizar meu sonho, mas por outro estava saindo de casa e deixando grandes amigos para trás.

Meu nome é Jonas Loyola, tenho dezoito anos e me mudei pra Belo Horizonte para realizar um sonho, me tornar um desenvolvedor de sistemas. Fiz o vestibular há alguns meses atrás e porra, finalmente vou poder começar a faculdade.

Logo que sai da rodoviária avistei minha tia acenando de dentro do carro.

– Jonas, aqui... Jonas! – como se eu não a tivesse visto. Tomei fôlego e dei um sorriso para responder ao cumprimento. Ela estava em seu carro preto, um modelo robusto, com rodas bem chamativas. Minha tia era o tipo de mulher que era impossível de não se notar, cabelos longos, pela branca e perfeita, vestida sempre como se fosse ir a algum baile beneficente.

Abri a porta do carona e entrei. – Oi Wanda, achei que teria que ir de ônibus, não era pra você estar trabalhando esse horário? – Perguntei colocando as malas no banco de trás. Eu sabia que teria sido mais fácil colocar as malas antes de entrar, mas minha tia já havia tirado todo meu rumo. Já havia trazido a maior parte das coisas antes, por isso não estava carregando muita coisa, então não foi tão trabalhoso.

– Eu deixei pra fazer meu horário de almoço no horário que você fosse chegar, bom... Eu fiz uma copia da chave do apartamento também – ela ligou o som do carro no radio e se enfiou no meio da rua sem olhar para os outros carros, causando uma avalanche de buzinas furiosas atrás de nos – você vai à aula hoje? Você já perdeu dois dias.

– Vou ter que ir – eu acho que estava nitidamente desanimado porque ela me olhou com uma cara que dizia “Deus esta vendo”. Ela era o tipo de mulher que já te fazia uma pergunta dando a resposta, é importante frisar isso.

Tia Wanda me fez um milhão de perguntas até que chegássemos finalmente ao apartamento, nada que fosse realmente importante. Eu deixei a mala no quarto e fui pra cozinha comer alguma coisa, me sentia bem à vontade lá, sempre mantive bastante contato com minha tia e quando eu passei no vestibular ela logo me ofereceu moradia.

– Eu já vou indo, meu horário já esta acabando – disse ela pegando as chaves – você sabe qual ônibus pegar não é? Qualquer duvida me liga que eu te falo, toma cuidado e fica com Deus.

– Sei sim, você não me ensinou? Vai bem – na verdade eu não sabia muito bem. Uma semana antes eu havia vindo até o apartamento com ela, ela me mostrou qual ônibus e ponto deveria pegar, mas eu tinha feito o percurso apenas uma vez. Agora só não tinha muita escolha.

Minha tia saiu e eu fiquei sozinho. Dei umas duas voltas no apartamento de três quartos e voltei para o que seria o meu, eu ainda estava meio sem rumo. Em seguida tirei minhas roupas das malas e coloquei no guarda-roupa, depois disso não havia muito que fazer, fui para a sala e liguei a televisão no canal de sempre. Estava passando jornal e esse debate em questão chamou muito minha atenção, mal podia imaginar os fatos que viriam a seguir e que em cerca de dois meses eu estaria naquele noticiário.

– Pra mim isso é pura jogada de marketing ou no mínimo algum espertinho tentando chamar a atenção com computação gráfica – disse o entrevistado, um senhor com quase sessenta anos.

– Mas e as testemunhas e as filmagens de vários ângulos, o que você me diz disso? – Perguntou a repórter colocando as imagens para rodar novamente.

O vídeo de péssima qualidade mostrava algo parecido com um homem com asas e com um tom de pele verde, no rosto parecia usar um capacete da mesma coloração que o resto do corpo, era enorme e voava sobre uma praça. Varias pessoas corriam desesperadas e quem fazia a gravação tremia muito, corria e não conseguia focalizar a imagem por mais de três segundos.

Outro vídeo mostrava algo parecido com um anjo de armadura azul que reluzia perto de um prédio espelhado. A filmagem foi feita por um celular e o cinegrafista amador não conseguiu focalizar a imagem, ele estava em um prédio em frente, mas pela luz emitida pela criatura e pelo reflexo do prédio nada foi muito nítido, até que simplesmente desapareceu.

– Pra mim isso é apenas alguém ou alguma empresa querendo aparecer, já vimos vários desses pela rede, um anjo em Nova Iorque e um homem vespa na Rússia? Faça-me o favor. – repetiu o entrevistado.

– Essa é a afirmação do nosso especialista em vídeos da rede, voltamos após os comerciais com mais informações. A empresa de energia local estará falando sobre os apagões – disse a repórter com aquele sorriso de pasta de dente.

Eu vibrei por algum tempo tendo devaneios loucos sobre á noticia, mas eu conhecia o bastante de computação gráfica pra saber que não deveria ser nada além do que alguém querendo mostrar seu trabalho.

Depois de passar grande parte da tarde sem ter o que fazer era finalmente hora de me arrumar pra sair. Lanchei e tomei um banho rápido, troquei de camisa umas três vezes antes de escolher a xadrez vermelho e peguei o fone de ouvido.

Tranquei a porta e desci o elevador, estava no nono andar. Desci a rua e parei no ponto de ônibus em frente à academia, peguei o celular e comecei a ouvir musica. Ao longe pude ver o ônibus vindo, 8405 Palmares, hesitei a princípio, mas me lembrei logo do percurso que havia feito. Entrei no ônibus e para minha alegria percebi que haviam poucas pessoas nos bancos.

Cerca de quarenta minutos se passaram e finalmente chegou a hora de encarar a faculdade. Eu desci a rua em que o ônibus me deixou e pude ver o prédio de vinte um andares em que passaria três estudando analise e desenvolvimento de sistemas, ou pelo menos era isso que deveria ter acontecido.

Minha vida a partir de então mudaria totalmente, meus amigos, família, meu futuro e o de todos a minha volta. Eu só queria que tudo fosse como nós animes, mas é como dizem: “Cuidado com o que deseja”, porque sempre que um dragão adormecido é despertado grandes coisas acontecem.

Notas finais
Espero que tenha gostado. Não deixe de comentar!