Decode

10 Capitulo 9 - Inimigos


Notas iniciais
Eu acho que seria interessante pra quem estivesse lendo e que nao conhece a praça sete de setembro de belo horizonte dar uma olhada antes de começar a ler, o capitulo se passa la, ficaria mais interessante imaginar uma batalha acontecendo em um lugar que voce vai viu, pelo menos por foto.

_Depressa, depressa, depressa... — gritava Pedro Monteiro dentro das instalação do Rad. Douglas e Mauro se armavam ate os dentes, correndo de um lado para outro pegando aparelhos necessários para o que podia estar por vir, e tudo mais.

_Senhor – disse Mauro, fazendo continência na frente do seu General de brigada, novo cargo que fora confiado a Monteiro, após os últimos acontecimentos e os resultados satisfatórios que ele havia trago, não que todas aquelas noticias na TV não tivessem deixado o governo mundial preocupado, mas tudo não passavam de hipóteses, e ate aquele ponto à imprensa não tinha nada de concreto para mostrar – peço permissão para levar a KT-266 – vociferou Mauro. A KT-266 era uma das armas mais poderosas do arsenal Rad. Usada apenas em situações extremamente necessárias, a arma consistia em um pulso concentrado eletromagnético, que ao acertar Digimon quase que imediatamente dispersava seus dados.

_Kyuukyokutai – exclamou monteiro – leve o armamento que for necessário, desta vez sem restrições.

Alguns dias haviam se passado na calmaria, mas naquela manha maldita o desespero havia se formado, os registros de energia mostravam que em cerca de uma hora um Digimon na mega fase iria se libertar no centro da cidade, a barreira dimensional era forte ali por isso ele levaria um tempo para escava lá, mas um Digimon com um poder tão grande como o de um Kyuukyokutai no centro da quarta maior capital do pais era desesperador. A General Lacerda já havia sido avisada, e ela própria deu a eles toda a liberdade de usar os meios que quisessem para não deixar a criatura no nosso mundo por muito tempo.

Eles desceram pelo elevador de acesso principal ate a garagem onde pegaram seu carro, um carro forte modificado, com reforço na lataria de chumbo, da cor preta, dentro era cheio de aparatos tecnológicos, computadores, armas e uniformes de batalha, que eles quase nunca usavam.

Monteiro dirigia preocupado, aquele seria o primeiro Kyuukyokutai que a sua equipe incompleta enfrentaria, ele já tinha visto vários digimons de níveis diferentes, e se arrependia amargamente por cada um deles que ele mesmo havia destruído. Era ridículo imaginar que alguém que trabalha pra uma agencia do governo feita exclusivamente para destruir digimons tivesse algum sentimento em relação a eles, mas na verdade Monteiro entrou no Rad com o intuito de se aproximar dos digimons, ele sabia que trabalhando para essa organização ele teria muito mais chance de encontrar digimons do que sozinho.

Ele deixava Douglas extremamente intrigado, o geek sabia como todas as outras pessoas da organização o verdadeiro passado de Monteiro, e a posição que foi dada a ele contradizia todas as hipóteses que Douglas criou, ele sabia que Monteiro hesitaria em destruir um Digimon de uma fase menor, ate mesmo Douglas hesitaria, mas um general de brigada não pode ter esse luxo.

Depois de algum tempo dirigindo eles chegaram ao coração de Belo Horizonte, a Praça Sete de Setembro, o cruzamento entre as maiores avenidas da capital.

_Temos de tirar essas pessoas daqui – resmungou monteiro – entrei em contato mais cedo com a policia, eles devem chegar em instantes para cercar o perímetro – terminou Monteiro descendo do carro e olhando para o monumento que ficava exatamente no meio da avenida.

Douglas desceu em seguida com um notebook na mão e olhou para cima, os prédios ali eram bastante altos, era como um jaula, com paredes extremamente altas e arvores velhas, mas de um verde impressionante cercando o lugar – Legal, os estragos aqui serão grandiosos, vamos ter que correr com isso, de acordo com meus dados, não deve demorar muito, a barreira dimensional aqui já esta ruindo.

Demorou cerca de quinze minutos ate que a policia finalmente chegasse no local, seguindo as ordens de Monteiro eles fecharam as entradas para a praça, o transito acima das avenidas virou um caos, seria bastante difícil manter as pessoas fora disso. Os policiais impediam a entrada de qualquer pessoa no local, fecharam lojas e ate mesmo conseguiram esvaziar mas não por completo alguns dos prédios ali.

_A barreira começou a ruir – gritou Douglas, Mauro estava atrás dele segurando a enorme arma em suas mãos com os olhos cerrados, e suas feições serias de sempre – caralho, acho melhor pegar uma arma porque esse é dos grandes.

_Qual o tamanho dele – gritou monteiro, seu coração batia a mil, um desespero tomou conta dele, mas ele não poderia demonstrar, medo, sem duvida era isso que ele estava sentindo.

_Ele não é grande em tamanho – gritou de volta Douglas saindo do Carro com uma arma em cada mão – mas é o mais forte dos últimos três anos segundo meus dados.

E então duas coisas aconteceram, a primeira foi que um distúrbio começou a ser visto acima do monumento da praça, era um portal se abrindo, dados de tonalidades de verde diferentes começaram a se amontoar, quadradinhos piscavam, apareciam e desapareciam, o ar ficou pesado, e os aparelhos dentro do carro começaram a emitir um ruído absurdamente desconfortável.

E a segunda foi que nos chegamos, foi difícil passar pelos policiais, mas depois que Lud invocou Mailbirdramon eles saíram correndo, a enorme ave de metal (digizoide) azul abriu caminho facilmente, e agora voava sobre o portal. Os Raders nos olharam e logo aquele brutamontes com aquela arma enorme apontou para o Digimon de Lud, eles pareciam não acreditar que estávamos mesmo ali, e segundos depois menos ainda quando dois helicópteros apareceram no Céu, eram jornalistas, parecia que o segredo de dez anos havia finalmente sido revelado.

_Nem pense em atirar nele ou você leva um tiro – disse Luiz segurando a arma em suas mãos, ele tinha muita postura segurando aquilo, era quase como ver um policial com ela, nos sabíamos que ele havia levado ela, mas era muito estranho não só pensar em usa-la, como ver Luiz segurando-a com tanta confiança.

Monteiro voltou para mais perto de Mauro e colocou sua mão no braço do enorme homem que ainda apontava para o Digimon, depois de olha-lo por alguns segundo Mauro abaixou a arma e bufou – Não acho que vocês realmente queiram atirar – gritou Pedro para nos, e depois disse baixo para Mauro – acho que precisaremos de toda a ajuda possível aqui.

_Não confie muito nisso Rader – Gritei de volta, fingir confiança já estava se tornando muito fácil pra mim, no ultimo mês e estava fazendo isso muito, o portal estava ficando cada vez maior, eu sabia de duas coisas com certeza naquele momento, a primeira era que eu estava apavorado, aquele portal era algo novo e totalmente impressionante. E a segunda era que pelos cálculos básicos de crescimento, baseando com o que já vimos sobre digimons, se eu não invocasse Greymon agora muito provavelmente dentro de dois a três minutos o local inteiro ficaria sem luz e eu impossibilitado de ajudar – Só não nos atrapalhem – terminei dizendo, e agora o comando, F5 e "vuala".

Raios de energia desta vez vieram do portal também, a grande maioria da energia que fez Greymon se materializar veio de lá na verdade, isso mostrava que eu estava correto, seja o que fosse que estava ali era diferente de tudo o que nos já tínhamos visto.

_Caramba nem acreditou que funcionou – disse May sorriso e segurando seu notebook na mão – o D-Ark conseguiu mesmo prever o Digimon, de acordo com o programa é um Digimon na mega fase, tipo vírus, mas por enquanto só isso.

_Qual é Luiz, abaixa essa arma – gritou Luan, Luiz o olhou por um instante – esse seu Espírito de marginal é maior que sua razão – Luiz abaixou a arma e então deu um enorme sorriso bobo.

E então o barulho dos geradores de energia dos prédios em volta sendo ligados ecoou, a energia havia caído, ele finalmente ia se libertar, eu me arrepiei de angustia, o Rad ali, o maior Digimon ate então na nossa frente, seria uma batalha e tanto. E pra minha surpresa o 007 gatão me chamou, obviamente não queria ir ate ele, cheguei à metade do caminho, mas antes deixei meu notebook com meu primo que insistiu em vir conosco.

Monteiro se aproximou e me deu a mão, eu hesitei de primeira – Olha, não teremos chance sozinhas e você sabe disso – ele me disse e depois estendeu mais a mão, o barulho dos helicópteros era maior agora.

_Droga seu imbecil – disse antes de apertar a mão dele – se você nos trair eu juro que o jantar do Greymon será você – que merda pensei, não tínhamos escolhas a não se acreditar, já tínhamos destruição de património de mais nas nossas costas para destruir o carro deles e sumir com eles dali, mas não tive muito tempo para pensar nisso, pois um urro vindo do portal chamou a atenção de todos, uma voz computorizada, ele estava rindo, seja lá o que fosse estava rindo, e dei um passo pra Trás, senti muito medo naquele momento.

Olhei pro meu grupo, a expressão de todos era terror, Lud segurava seu notebook firme,

Mailbirdramon voava alto, Greymon estava rugindo para o portal e os helicóptero obviamente filmavam cada movimento nosso.

Primeiro uma mão com garras amarelas, uma pele pálida, em um braço fino e longo, era como ver um boneco, outra mão e então agora a cabeça também estava para fora – Diaboromon – gritou May olhando para o seu notebook, seu olhar era vazio, algo nele me dava arrepios, em sua cabeça haviam cabelos loiros ouriçados, e presas enormes puderam ser vistas quando ele abriu a boca novamente para gargalhar, mas a gargalhada não durou muito porque Greymon começou a cuspir fogo na criatura.

Foi quando todos nos acordamos, Mauro começou a tirar logo em seguida, Douglas atrás, Pedro me olhou e correu para junto dos seus, voltei para meu grupo correndo, uma nuvem de fumaça se fixara tapando a visão do Digimon – Mailbirdramon – gritou Lud, o Digimon entendeu o que a menina quis lhe disser e disparou um raio de luz branca de seu peito, onde de energia dissipou a fumaça mostrando que o Digimon não estava mais lá, em seguida só senti o impacto vindo da minha direita, Diaboromon estava na parede de um prédio desferindo ataques em nossa Direção, eu fui jogado a alguns metros, meu braço ralou no asfalto e logo em seguida começou a sangrar.

Greymon passou por cima de mim e se chocou de frente com o maldito, Mauro apontou sua arma mas Pedro o impediu de atirar gritando irado com ele, era bom saber que talvez só desta vez conseguíssemos não nos matar.

Diaboromon esbofeteou Greymon, segurou com seus enormes braços na parede e empurrou Greymon com os pés, o Digimon dinossauro caiu, e então Mailbirdramon atirou desta vez uma bola vermelha no Digimon que veio de sua boca, poeira e fumaça saíram do prédio voando para todo lado, agora pessoas saiam correndo de seus prédios, outras se amontoavam nas janelas, aquilo era perigoso, será que eles não percebiam?

May veio ate mim, corremos para o outro lado para nos afastarmos da batalha, Lud estava com Weverton um pouco acima na avenida, sabia que ali estavam seguros, então não haveria riscos de Greymon e Mailbirdramon serem desativados, Luan estava com Luiz, os dois observando a batalha mais de perto, e quanto a os Raders, não paravam de atirar, o Digimon não tinha muito tempo de reação.

Então finalmente percebi os erros naquela situação, o Greymon se continuasse lutando daquele jeito ficaria sem energia como na luta com Mailbirdramon, depois que Diaboromon não tinha atacado ainda, aquele monstro esta medindo nosso poder, aquilo tudo era um jogo pra ele.

_Greymon – gritei, o Digimon parou e me olhou, Mailbirdramon atacava o maldito enquanto isso — Maneira, diminui, espera – disse sem alterar a voz, mesmo no meio daquele barulho todo sabia que ele iria me entender.

Então finalmente Diaboromon começou, ele abriu a boca e acumulou energia, diferente de Greymon ele acertou Mailbirdramon na primeira tentativa, uma grande explosão ocorreu no alto, Lud gritou, e Mailbirdramon saio do meio da fumaça ganhando altitude, ficando desconfortavelmente perto dos Helicópteros.

O Digimon Demónio pulou tão rápido que foi difícil de acompanhar, segurou o carro dos Rad e o jogou sobre Greymon que por pouco não conseguiu desviar, Diaboromon carregou mais um ataque mas antes que pudesse atacar Pedro atirou em sua cabeça, o Digimon balançou a mesma se recuperando e então fez o que nos não esperávamos, falou – Insolente, humano maldito, anda com os que desonram o nosso mundo, vai morrer – sua voz era algo que parecia vir de um vídeo game, falhada e estridente, o Digimon correu em direção de monteiro, mas antes que ele pudesse fazer qualquer coisas Greymon o acertou com um bola de fogo, Diaboromon em seguida o atacou de volta, e em instantes a troca de explosões, fumaça, poeira dos pedaços destruídos de prédios e dados começaram a consumir o ambiente.

Dados como o do portal, pequenos, médios e grandes pontos de luz, de tonalidades de verde diferente, códigos binários dentro eles, cadeias repetidas de zero e um, aquilo era impressionante – A barreira esta ruindo em volta do portal – Gritou Douglas, de que barreira ele estava falando, só podia ser a entre os nossos mundos, eu sabia que minha teoria estava correta, mas isso indica algo catastrófico, olhei pra May nervoso, eu sabia o que vinha agora.

Tiros voavam de um lado para outro, Mailbirdramon desceu queimando dos céus, uma batalha no chão impressionante era travada entre os três, mas Diaboromon era incrivelmente mais forte que os dois, era mais rápido e mais resistente, recebia muito menos danos, seria questão de tempo ate que a energia dos nossos digimons se esgotasse.

_Precisamos fazer alguma coisa rápido – disse Monteiro, a roupa, cabelo e o rosto dele estavam cobertos de poeira grossa de cimento, uma explosão ocorreu lançando Mailbirdramon e Greymon a metros de distancia, a fachada do prédio mais próximo desabou, sobre Greymon deixando às salas dentro do prédio a vista, e ainda haviam pessoa idiotas lá dentro.

Corri para os entulhos, era coisa de mais pra mim, comecei a pegar pedaços de concreto e jogar pra longe, eu sabia que seria impossível sozinho fazer alguma coisa, meu braço queimava, e o sangue pingava em cima dos entulhos, meus olhos se encheram de lágrimas, e então vi Monteiro do meu lado, puxando escombros, Diaboromon pegou Mailbirdramon pelo pescoço e o levantou, mas Douglas não deu tempo para que o Digimon atacasse, a batalha mal havia começado e já parecia que ia acabar.

***

Will subia as escadas da faculdade chamando a atenção de todos, as suas roupas sujas e sua expressão era deprimente, o garoto estava um caco, depois de decidir ir a faculdade andou sem rumo um pouco, foi perto de onde morava para tentar ver sua família de longe, apenas viu sua mãe pela janela, a mulher lhe parecia triste e essa lembrança cortava o coração de Will, ele pegou o elevador e foi para a biblioteca, o seu lugar preferido em todo o prédio.

A segurança havia sido chamada, quando Will se sentou em uma das cadeiras os seguranças da faculdade chegaram, seguidos por uma multidão de pessoas, todos os alunos curiosos.

_Por favor senhor, eu lhe convido a se retirar – disse um dos seguranças, um brutamonte com cabeça raspada.

_Eu sou aluno e não quero sair – afirmou Will, não passou por sua cabeça a maneira como ele se encontrava, a fome e o medo o haviam consumido.

Assim que um dos dois seguranças segurou seu braço para arrasta-lo para fora, o senhor Babel apareceu, empurrando os alunos e gritando para solta-lo, Will ergueu a cabeça e olhou dentro dos olhos do homem.

Babel o segurou pela camisa e o puxou ate seu escritório no primeiro andar, Will não se recusou a ir, algo em Babel lhe passava confiança, ele se sentou na cadeira aveludada de vermelho do escritório e foi como se acordasse de um transe – Eu, to um trapo não to? — perguntou ele a Babel.

_Acredite, já vi piores – disse Babel sério, Will deu um leve sorriso – esta com fome não esta? Pegue – disse Babel se referindo as bolachas que tinham num pote sobre a mesa, Babel se levantou e caminhou ate uma mesa de vidro que se encontrava no canto da sala, lá ele pegou a garrafa de café que estava sobre ela e serviu uma xícara que foi entregue a Will, que a tomou como se fosse agua.

_Eu me perdi – disse Will, não era bem verdade, mas o que ele poderia dizer aquele homem, ele já podia ter chamado a policia, e agora mesmo eles estarem vindo o prender, mas nada disso mais, se ele fosse preso voltaria para cela do Rad, mas achar, ele já tinha perdido tudo mesmo.

_Eu quero que veja uma coisa – disse Babel ligando a TV, como na maioria dos canais, mostrava a luta dos digimons no centro da cidade, em um dos últimos momentos mostrava Diaboromon jogando um carro enorme em Greymon, Will arregalou os olhos, seu coração disparou, ele teve um surto de adrenalina.

_Luiz, Jonas – exclamou Will, seu cérebro deu meia volta, e voltou de novo, parecia uma maquina de lavar roupas na sua cabeça.

_Eu sou amigo de vocês, se quiser ti levo lá agora Will – afirmou babel – eles precisam de você, tanto quando você precisa deles.

_Eu não me lembro de ter ti dito meu nome – Will o encarou curioso, esse velho tem segredos pensou Will, ele não é uma pessoa comum.

_Eu sei de mais do que você imagina, mas agora eu só quero que vocês salvem a cidade – disse Babel.

O nerd o encarou, porque essas coisas sempre acontecem comigo, se perguntou Will – Porque eu deveria? — perguntou por fim.

_Porque é a coisa que você mais quer – Babel o olhou sobre os óculos – não é mesmo?

***

Maristela Olhava o aeroporto ficando para Trás, seu olhar esta grudado em seu notebook, ela via as imagens da batalha em tempo real, seus olhos estavam semicerrados e seus lábios levemente retraídos, uma expressão que faria qualquer pessoa inteligente recuar.

_Terei que tomar medidas drásticas em Belo Horizonte – disse ela para si mesma – quanto tempo de voou? — perguntou ela a aeromoça.

_Cerca de uma hora e meia senhora – respondeu a mocinha extremamente alinhada com um sorriso falso.

Notas finais
Espero que tenha gostado, nao se esqueça de dar sua opinião.