Decode

9 Capitulo 8 - Identificando-se


Notas iniciais
Capitulo um pouco grande, mas gostei muito de escreve-lo, espero que a leitura seja tão bem aproveitada... Jon pediu pra eu dizer que ele so revisou desta vez e que minhas aulas de portugues que ele me aplica estao começando a valer a pena.

Acordando depois de mais um dia daqueles, minha vida? Bom, num dia sou um garoto de uma cidade pequena na capital correndo atrás de seus projetos de vida, no outro sou um bandido procurado, aliado de digimons e crachá dos procurados numero um de uma organização secreta de caçadores loucos com armas de bolas de luz e tudo mais.

Deixaram-me dormir no quarto essa noite, quando cheguei à sala vi aquela aglomeração de gente, Will e May estavam trabalhando no D-Ark, Ludmilla estava na cozinha fazendo aparentemente café, enquanto Weverton e Luan viam televisão juntos, e pra variar noticias sobre Digimon novamente.

_Não sei como o Rad pretende esconder os digimons, olha só – disse Weverton – todo dia uma reportagem nova relacionada ao tema.

_Por isso o premio para nossas cabeças deve ter dobrado – resmungou Luan – eles vão vir com tudo uma hora mais cedo, outra hora mais tarde.

Ele tinha razão, mais muito me intriga ainda o que aquele agente, Pedro, quer com a gente, ele podia muito bem ter nos capturado aquele dia.

Luiz entrou no apartamento com aquele sorriso de crianção – como eu disse, não teve risco.

_O que aconteceu? — perguntei preocupado – onde você estava?

Luiz me olhou e tirou algo do bolso, era um envelope – Fui pegar dinheiro, tinha um amigo que me devia uma.

_Cara isso é loucura, temos que tomar cuidado – disse irritado, fiquei parecendo o pai do Luiz, mas ele é meu amigo, e idiota como é parece não ver maldade nas coisas. Mas então me lembrei de nos fugindo do prédio, a arma na cabeça do policial, nos tiros no final de tudo, o quanto eu conheço dele?

_Eu to quebrado primo, vocês comem pra caralho – disse Weverton se levantando do sofá – ele se ofereceu pra ir buscar, então esta tudo certo, certo?

Queria dizer um milhão de coisas que não estão certas, mas de que adiantaria? Passamos o resto da manha jogados no sofá, o corte na testa de Lud foi superficial então graças a Odim não precisamos leva-la até um hospital. Essa situação em si é muito desgastante, fazia dias que não dormíamos direito, e não entendo como a convivência ainda não tinha dado nenhum problema.

Mais tarde resolvemos então ir comprar comida e as coisas que ficaram faltando em casa, meu primo e May fizeram a lista e depois de muita discussão decidimos que guardaríamos o dinheiro do Luiz para um momento mais oportuno, e que atravessaríamos a cidade e usaríamos o cartão do Luan (ilimitado venhamos e convenhamos) para comprar o que precisamos sem a preocupação de que nos achem quando rastreassem a transação.

Fomos eu, Lud e Luan, pegamos o carro do meu primo e seguimos em direção à região oeste.

_Vocês por um acaso sabiam que de acordo com as estatísticas esse carro é um dos mais parados pela policia? — comentou Lud. O carro do meu primo é um Golf preto, bem simples, apenas com roda de liga leve, e vidros “fume", e só pra constar, como ela sabe disso?

_Li sobre isso uma vez também — admitiu Luan, que sorte não, mas acho sinceramente que meu carro esta muito mais manjado que esse aqui apesar de tudo – confirmou Luan.

_Mudando de assunto, eu já descriptografei o código daquele Digimon, Mailbirdramon – disse Lud meio pensativa – sabe, desde o começo disso tudo eu nunca parei pra pensar realmente em como seria se eu também tivesse um Digimon no notebook, isso parece tão absurdo que se duas semanas atrás alguém me disse algo relacionado eu riria na cara dela.

Eu a olhei com os olhos semicerrados – Não sabia que você erra debochada – disse brincando.

_Vocês não viram muita coisa de mim, tenho um gênio muito forte, e não tenho medo de muita coisa – afirmou ela, diferente do desespero emotivo de May, Lud se mostrou sempre muito forte e corajosa, ela quase nunca hesitou em nada, e sempre parece pensar bastante no que diz, ela não é como Luiz com frases deslocadas, é sempre certeira e bastante autoconfiante – me disseram que filhos de pais separados amadurecem mais cedo.

Ela deu um sorriso pra mim, do banco da frente onde estava, então me encostei-me ao banco e coloquei os braços por trás da cabeça.

_Você disse que já descriptografou o arquivo não é? Temos que passa-lo no tradutor, eu fiz mais adições relacionadas à Delphi, consegui descobrir um fórum de debate de dois mil e um na internet que tinha varias dicas, parece que na época a linguagem ficou famosa – dez anos atrás – mas espera um pouco ai, a linguagem voltou a ser usada no mesmo ano em que babel disse que os digimons voltaram a aparecer, será que tem alguma relação?

_Para de ser neurótico garoto, você não ganha nada com isso – disse Luan no Tom de voz arrogante como sempre, isso chega ser cansativo.

_Você que sabe Luan – dei de ombros, já sei onde vai chegar se eu for discutir, pareço sempre estar irritado com ele, parece uma tendência Natural.

Chegamos ao mercado e cada um de nos foi atrás de um item, e Lud como de praxe ficou com o carrinho, não demoramos muito e então já estavam todos reunidos, passamos o cartão de Luan e Lud se apressou para sairmos de lá o quanto antes, não consigo imaginar por que o pai dele não o cancelou.

Assim que fui guardar o carrinho e o encaixei junto com os outros tive uma epifania, códigos são códigos – CODIGOS SÃO CÓDIGOS – gritei, fiquei subitamente empolgado com a minha ideia.

Luan chegou até mim com a cara fechada – Você esta querendo chamar atenção pra que? Ta ficando louco? Que historia é essa de código? — Lud chegou logo atrás com as sacolas nas mãos.

Saímos logo do mercado, eu sei que exagerei, nem é tão grande coisa assim, entramos no carro e Luan arrancou – que historia é essa Jonas? — perguntou Lud preocupada.

_Nada não, foi só um momento de loucura passageiro – na verdade não queria contar, não com Luan ali, os dois rosnaram e então já estávamos em casa, lar doce buraco que meu primo chama de apartamento.

Weverton pulou nas sacolas como um cachorro, tirou um pacote de bolachas e gritou – Vocês lembraram – ele levantou pacote o deixando sobre a cabeça – saúdem todos a gloria de açúcar industrial, glúten e gordura trans. mais delicioso do mercado.

Sentamos e Lud e May foram para a cozinha preparar algo pra comermos, uma cicatriz vermelha havia ficado na testa de Lud no lugar onde cortara antes.

_Eu não sei se quero continuar fazendo isso pessoal – disse Luiz do nada, ele era imprevisível realmente, mas essa eu não esperava dele, desde que conversamos naquele dia em que fugimos de seu apartamento achei que ele não tivesse mais cogitado essa ideia, parece que eu estava enganado, ele mais do que todos os outros parecia exausto, muito provavelmente não tinha dormido na noite passada.

_Do que você esta falando Luiz – indagou Lud da pia da cozinha sem se quer olhar para traz. Meu olhar correu o rosto de Luiz, ele tinha o mesmo olhar daquele dia.

Ele respirou fundo e então se jogou no sofá – vocês todos tem o que perder com isso aqui, eu andei pensando muito seriamente sobre a atitude de Will, e não acho que ele esteja errado de todo, nós estamos sendo muito inconsequentes, digo isso por mim mesmo, o que passou em minha cabeça quando peguei aquela arma – disse ele apontando para a gaveta da estante onde todos nós sabíamos que ele havia guardado o objeto – e apontado para cabeça de um policial? Eu poderia por descuido ter atirado, e ai? Todos vocês sairiam como meus cumplices ou algo do tipo – ele parou, suspirou e passou às mãos na cabeça – eu sou um estorvo pra vocês, não sou tão bom programador quando Luan, nem tenho raciocínio logico como a Lud, não tenho coragem e atitude como Jonas e muito menos o coração de May, não no sentido de eu querer seu coração, não que não seja um coração "querivel" – Mayara arqueou suas sobrancelhas e o olhou sem entender nada – e o Jonas me mataria...

_Luiz, você já esta falando besteira – interrompi antes que o estrago fosse maior.

_Olha, eu só... Eu não sirvo pra nada pra vocês, até mesmo Weverton que não sabe a diferença entre um algoritmo de criptografia e uma lista de compras do Ebay tem esse apartamento – terminou Luiz sem olhar pra ninguém.

Antes que eu pudesse entender muito bem a situação a mão de Mayara já havia ido à cara de Luiz duas vezes.

_Cala a boca seu idiota – disse May no berro, Luiz a olhava incrédulo com a mão sobre o lugar onde ela havia batido – você acha que meu coração serve de alguma coisa? Imbecil, eu sou a mais inútil da situação e ao invés de ficar me lamentando e tentando baixar a moral dos outros fugindo como o rato do Will fez, ta ele sempre foi um covarde, eu to aqui ajudando da maneira que posso, deixando minha família em casa preocupada, meus estudos largados por esse grupo, por nós... — ela bufou de raiva, levantou a mão e ameaçou bater nele de novo, o garoto se encolheu todo e então ela continuou – aaaa idiota – disse ela antes de sair, eu não sabia se estava achando graça, se estava com medo, ou simplesmente orgulhoso dela.

Todo mundo hesitando, sei que estou exagerando, mas eu não posso simplesmente deixar que o grupo se desfaça aos poucos, sei que não posso fazer isso sozinho, preciso deles, preciso que estejamos fortes para que quando chegar a hora dos grandes acontecimentos, e eu sei que vão chegar, estejamos fortes. Digimons sempre foram um sonho pra mim, algo que eu sempre quis que fosse real, ter o Greymon naquele notebook é muito mais pra mim do que ter um monstro pra lutar, isso significa que todos esses anos eu não passei viajando, quando você esta segurando algo que você desejou imensamente não pode simplesmente deixa-lo ir entende?

_Luiz, vamos dar uma volta? — disse puxando o braço dele e o levantando do sofá.

_Não era você que era anverso a saidinhas do apartamento Jonas? — disse Luan com a arrogância de sempre, inferno, se eu pudesse socava ele até que minha mão quebrasse, eu não o respondi e puxei Luiz pra fora do apartamento. Depois quando voltei mais tarde Weverton me contou que May deu uma bronca em Luan, disse a ele que se ele continuasse com essa atitude ela mesma ia tomar uma atitude em relação a ele.

***

Ele caminhava mancando pelas calçadas do bairro de Lourdes, um bairro tradicionalíssimo da capital, suas roupas já haviam secado no corpo, e ele não sabia como, mas estava imundo, já sobre seu cansaço e sua fome não era novidade, visto que ele não parou de andar desde que conseguiu fugir da prisão do RAD, ele se perguntava como havia parado naquela situação.

Cansado de mais pra prosseguir ele se sentou na escadaria da antiga igreja de nossa senhora de Lourdes, que deu nome ao bairro, com arquitetura barroca do século xvii e seus jardins absurdamente verdes em meio ao cinza da capital se destacavam ao longe.

Ele se sentou e sentiu uma dor nas costelas, era a arma que roubara do RAD nessa manha, e alais, o dia parecia ter quarenta e oito horas para ele, ele odiara cada minuto desde que viu a saída daquele lugar, porque venhamos e convenhamos, lá dentro ele estava assustado de mais pra sentir desprezo de qualquer coisa que fosse.

Ainda tinha aquela coisa vermelha que ele libertara, ele não conseguia parar de pensar, mais um Digimon? Se perguntava ele, mas porque prenderiam-no ao invés de destrui-lo? Só podem estar fazendo experiências como ele deduziu por final Will.

_Eu não devia ter saído do apartamento do Luan naquele dia – resmungou Will, fazendo com que uma velhinha que passava parar, ela olhou para o garoto e ele a encarou de volta.

_Você não parece bem meu filho – disse a idosa de simpáticos cabelos brancos, vestida com uma blusa de lã azul bebe e uma saia que lhe cobria até o meio dos tornozelos.

Will por um segundo não resmungou toda a verdade na cara da velhinha, mas parou e pensou que isso não seria prudente de forma alguma, então respondeu; _Estou sim minha senhora, só passando um dia de cão.

A velinha lhe lançou um triste olhar e então lhe disse baixinho, como se ela achasse que mais alguém pudesse escutar – O começo de verdade só se inicia apos o fim.

O cérebro do garoto deve ter levado alguns segundo até processar o que ela disse, mas antes que ele pudesse lhe responder qualquer coisa ela já estava quase no topo da escada.

_Que velha mais ágil – disse novamente para sim mesmo, como se houvesse uma necessidade de alguém lhe dirigir a palavra – O começo começa no inicio do fim, o começo...

Ele ficou meio pensativo durante alguns minutos ainda sentado naquela dura e cheia de musgo verde escada que levava literalmente a Jesus, num altar de pedra seja como for. Então decidiu que voltaria onde tudo começou, a faculdade “já estou ferrado mesmo” pensou alto novamente.

Mal lembrava ou o indagava que na verdade o começo de tudo havia sido no barzinho onde Metalgreymon apareceu, aquele foi o ponto mais crucial na realidade, mas como eu não estava ali para lembra-lo o caso se passou despercebido.

***

Eu e o Luiz caminhamos até uma daquelas lanchonetes que são especializadas em sucos naturais, açaí e essas coisas, Luiz pegou um pouco do dinheiro que tinha sacado e comprou dois sucos de morango com maracujá pra gente, esse era meu preferido. Na primeira semana de aula, enquanto tudo ainda não tinha mudado nos seis íamos quase todo intervalo lá para tomarmos, a faculdade inteira vinha para a rua, e o som vindo dos barzinhos e barraquinhas de cachorro quente e hambúrguer que se espalhavam por ali deixavam o lugar muito animado.

Pensar na faculdade e em tudo que deixamos para trás doía um pouco, minha mãe já me ligara um milhão de vezes, e minha tia cerca de meio milhão, uma angustia e uma vontade de retornar a elas às vezes me tomava, e estava com saudade de casa, mas o apartamento de três quartos da minha tia parecia tão aconchegante a essas alturas.

_Isso aqui me lembrou da faculdade – disse tentando puxar assunto, essa era a primeira vez que eu ficava sozinho com Luiz, fomos para as batalhas praticamente sozinhos todos às vezes, e aquilo que aconteceu no apartamento dele também não podia ser chamado de... ham.. Bom, o que quer que seja que estejamos tendo, e não, não é um encontro.

_Cara, aquilo ali parece o céu não? — disse ele não esperando resposta – eu me lembro do primeiro dia muito bem, eu cheguei à sala de aula super nervoso, não era o primeiro dia, acho que você só apareceu lá no terceiro não foi isso? E então quando entro na sala estavam você e o Will sentados no fundo, aquela sua camisa xadrez bem discreta – riu ele, logo em seguida o acompanhei na risada – eu só esperava me formar, virar analista de requisitos.

_Serio que você queria ser analista de requisitos? — perguntei me fingindo de interessado, mas no fundo não estava muito pra ser sincero, queria logo chegar ao ponto da conversa que tem relação a ele desistir, mas minha tia sempre me disse para que eu escutasse as pessoas mesmo quando não me interessa-se porque é isso que elas esperam de você.

_Não sou tão bom programador como você, nem tão criativo pra criar um programa de conversão – ele suspirou – não sou bom com suporte, não tenho muita paciência com pessoais então, isso me remete a analise, e a de requisitos muito me agrada.

_Entendo – disse pra mostrar que estava prestando atenção.

_Sabe Jon Jonas eu – ele deu um daqueles suspiros grandes e demorados – eu na maior parte do tempo me finjo de desligado do mundo, venho com uma de engraçadinho, mas é mais alta defesa cara – desabafou Luiz.

_Do que você tem medo Luizão? — perguntei, mas agora com interesse genuíno.

_Quando eu era pequeno meus pais morreram, eu me lembro do dia da morte deles, eles tinham me levado a um parque de diversões aquela manha, nos morávamos em São Paulo. Fui a tantos brinquedos que nem consigo me lembrar de todos, eles me compraram algodão doce e muita pipoca, me lembro muito do sorriso do meu pai naquele dia, ele me disse para eu nunca me esquecer de ser criança, que não importa o quando me dissessem que eu estava errado, que não era pra eu acreditar, ele disse pra eu ser quem eu quisesse ser – ele engoliu algo que pareceu choro, seus olhos ficaram inchados, e ele não olhava diretamente pra mim – assim que saímos do parque de carro, um motorista de ônibus perdeu o controle e bateu de frente conosco, eu não sei como – ele pausou novamente, parecia doer muito àquela lembrança pra ele -eu não sei como sobrevivi, eu sai sem nenhum arranhão Jon Jonas, mas a parte da frente do carro do meu pai ficou totalmente destroçada.

_Eu não Sa... — queria dizer alguma coisa para conforta-lo, mas o que se diz a alguém quando você sabe que nada que você ou qualquer outra pessoal do mundo possa fazer vai mudar aquilo.

O pensamento de perder alguém querido me fez arder, não podia deixar isso acontecer, e eu sabia que se eu deixasse os digimons soltos por ai isso ia acabar acontecendo, mas eu precisava de uma maneira pra não só enfrenta-los, mas prende-los de vez no mundo que nos humanos criamos pra eles.

_Não se preocupe, eu to bem, fui criado pelo meu tio em Sampa mesmo, foi uma infância boa, não poderia ser ótima... Eu penso neles todos os dias da minha vida Jonas, e pela promessa que fiz ao meu pai aquele dia, nunca vou deixar de lembrar a criança que eu fui. Eu escolhi ser fiel a mim mesmo.

_Quem disse isso? — perguntei

_Quem disse o que? — ele não entendeu minha pergunta, logo em seguida seu rosto se fechou – você não ouviu nada do que eu ti disse não é?

_Estou perguntando de quem é essa frase.

_Minha obviamente – resmungou Luiz.

Arregalei meus olhos e segurei Luiz pelos ombros com bastante força – Sangue de Darth Vader que tenha poder, você disse uma frase inteligente seguida da palavra obviamente, quem é você e o que você fez com o meu Luiz? — perguntei serio, ele me xingou muito e tentou me dar um soco, então corri e ele veio atrás de mim, fomos para no meio da rua. Ele corria atrás de mim como se estivéssemos brincando de pique-pega em meio às carros buzinando no meio da rua, rindo escancaradamente. Só paramos quando a moça da lanchonete veio correndo atrás de nós e nos perguntou se não iriamos pagar pelo que comemos.

***

O barulho dos saltos das duas mulheres poderosas andando por aquele corredor era extremamente marcante aos ouvidos de todos os seguranças que as rodeavam e também e talvez mais ainda marcante e irritante para o Diretor do SIB (serviço de inteligência Brasileiro) um homem extremamente alto, negro, de feições firmes e extremamente viris, o tipo de homem que colocaria medo em um lutar de UFC o ex-tenente coronel Brener Mustang como era chamado por seus subordinados.

Ao seu lado caminhavam a General responsável pelas equipes Raders brasileiras, a Sra. Maristela Lacerda e a sua Senhora excelentíssima Dilma, presidente também de nossa nação. Que não vem ao caso criticar sua atuação como presidente, mas se fosse, seria extremamente negativa.

Eles acabavam de sair de uma reunião internacional que tinha como assunto, o crescimento absurdo das aparições de digimons em todo o mundo, os países mais desenvolvidos como Estados Unidos, Rússia e China estavam pesquisando uma maneira de fechar todos estes portais seme abertos espalhados pelo mundo.

Também uma sanção para tentar manipular as mídias para amortecer as evidencia deixada pelas falhas das equipes do Rad deveria ser imediatamente implantada em todos os países antes que a histeria se alastrasse mundialmente.

A Senhora presidente depois de se despedir inesperadamente partiu para mais uma de suas tão grandes viagens de negócios com seu jato bancado pelo dinheiro dos nossos impostos. Assim que ela estava longe o suficiente Mustang disse:

_Não me importam quem são os presidentes, eles vão e vem, mas nos continuamos aqui – afirmou ele olhando com queixo erguido, ele transpirava confiança e respeito.

Maristela o olhou sobre os óculos de leitura e disse – Sabe o que realmente me importa? — Mustang a olhou friamente – as valiosas informações que eu sei que você tem.

_Privilégios de se trabalhar no serviço de inteligência – disse ele com sua voz absurdamente grossa – General Lacerda – disse ele apos uma pausa desconfortante.

_A questão é, o quanto você sabe sobre o Gateway Device – disse a mulher friamente.

Um leve sorriso se inclinou no rosto de Mustang – Errada novamente Maristela, a questão é, porque eu deveria lhe dar uma informação tão importante como essa, você sabe que isso mudaria completamente os rumos que essa guerra que se aproxima poderiam tomar não é mesmo?

_Não a certo ou errado quando você é o beneficiário – afirmou ela com um arquear de sobrancelhas – mas eu tenho uma intuição.

***

No alojamento do Rad Sofi lia enquanto Douglas continuava a falar em sua cabeça.

_Eu vejo muita coisa errada nessa instituição Sofia, eu colocaria isso aqui tudo nos eixos você sabe – afirmava ele enquanto caminhava de um lado pra outro com os braços cruzados.

_uhum – exclamou Sofi.

Douglas soltou um suspiro alto e disse – você não esta nem me ouvindo, nem sei por que tento manter um dialogo aqui.

O celular da moça tocou e com relutância ela o tirou de cima da escrivaninha. Ela sabia por experiência própria que quando sua linha particular era acionada os assuntos a se tratar quase nunca eram prazerosos.

_Alo... Quem é o alvo?... Sim senhora... — disse a moça ao telefone rapidamente antes de desligar.

_O que aconteceu desta vez? — perguntou Douglas mais do que depressa.

_Você sabe que tudo aqui é confidencial não sabe? — perguntou ela.

_Sei – respondeu ele se aproximando dela com aquela cara de cachorrinho pidão que ela muito conhecia, de todas as vezes que ele estava curioso.

_Então quer dizer que não posso ti falar – murmurou ela.

_E dai? — ele murmurou de volta – eeeeeee então? – disse ele bem pausadamente.

_Inferno – exclamou a moça – então ta legal – disse ela pegando as duas mãos do loiro e o fazendo sentar – tenho uma missão de espionagem em Hong Kong, parece que terei de roubar um aparelho de um cara chamado Shibume, estou partindo agora.

_Você sempre fica com as melhores missões – resmungou Douglas.

***

Não era tão difícil para Babel quanto para qualquer outro pirar com tudo que estava acontecendo, era obviamente a opção mais fácil. E ele estava quase, mas não exatamente completamente distante de disso, depois de revirar todas as caixas de sua casa, ele tinha mesmo mania de perder ou esquecer onde guardava as coisas, ele achou a maldita pena sobre as quinquilharias que ele guardava no armaria da bagunça, nem ele mesmo conseguia pensar por que guardaria algo tão importante num lugar destes.

Apos pegar o objeto ele caminhou lentamente pela escadaria de seu prédio e subiu até o terraço, um prédio de vinte e um andares localizado em uma área nobre da cidade, a vista era estonteantemente alta e bela. Quando parou de bufar e seus joelhos finalmente pararam de tremer ele se certificou de estar bem no meio do terraço, começou a esfregar a pena com o polegar em seu “cabo”.

Ele a muito ansiava por este momento, suas mãos suavam e seu coração batia tão forte sob o peito que chegava a doer, ventos fortes começaram a assolar o terraço, Babel teve dificuldade de manter os olhos abertos. De repente todo o vento havia desaparecido, Babel abriu os olhos lacrimejantes aos poucos, a primeira vista um enorme borrão luminoso pairava a sua frente, mas depois de limpar seus olhos com a manda da camisa social branca a forma do anjo de cabelos louros, e armadura cinza/prateada reluziram na sua frente, o mover de suas enormes assas era lento, mas deslocava consigo uma grande massa de ar, seu rosto era coberto por uma mascara de ferro e consigo carregava um cajado com o sol em sua ponta, ou pelo menos algo que o lembrava.

Babel sorriu infantilmente, um sorriso bobo e escancarado, cheio de dentes postiços extremamente certos.

_Você veio mesmo – Balbuciou Babel.

O anjo parou de mover suas assas e lentamente tocou o chão – Eu disse que viria se algum dia precisa-se, anjos não costumam quebrar promessas Babel – disse com uma voz tão poderosa quanto o rugido de um leão, Babel pode sentir seu corpo tremer com a vibração da mesma.

_Urielmon, quando me visitou depois de tudo o que tinha acontecido no laboratório dos “Criadores de Criaturas” eu nunca imaginei que fosse realmente precisar te invocar – exclamou o velho, ele não era mais uma criança na época e agora que a idade já pesava as coisas pareciam muito diferentes.

O Digimon anjo suspirou sob a mascara – Os selos que foram implantados naquele dia não foram o suficiente para manter a separação dos dois mundos. Você sabe o que vem adiante não sabe Babel? — perguntou o anjo.

_Você me preveniu anos atrás, mas não foi de minha alçada, nunca foi à culpa é da humanidade – disse Babel já com os olhos se enchendo de agua – Não descobri como lacrar de vez o portal durante todos esses anos, me acomodei, e agora isso acontece.

_Não é sua culpa, nunca foi, existiam milhões de pessoas que podiam carregar o fardo que você carrega, mas o destino quis que fosse você. – afirmou Urielmon – O fardo na mão daqueles garotos é muito maior que o seu. O conhecimento por mais doloroso que seja nunca pode ser considerado uma maldição.

Babel tremia, não sabia por que, mas a presença desta criatura das poucas vezes que teve oportunidade de desfrutar sempre lhe causou a mesma reação – só lhe peço pra ficar de olho neles.

_Eu me apresentarei no momento certo – afirmou o anjo – é assim que o céu age.

Notas finais
Nao se esqueça de fazer suas criticas, boas ou más eu quero saber.