Decode

4 Capitulo 3 - Covas


Notas iniciais
Sem muito o que dizer, um pouco de ação, e bombardeio de informações, preciso introduzir personagens ainda, não me culpem... espero que gostem e não esqueça do comentario.

– Temos que sair daqui agora – disse Luan com os olhos verdes lacrimejando, enquanto puxava bruscamente Mayara.

– Certo – disse Luiz pegando meu notebook – Anda Ludmila, trás o Jonas.

Ludmila agarrou minha mochila e me puxou pela camisa. Eu me levantei meio zonzo, ainda muito desnorteado. Will logo nos acompanhava pelas escadas do prédio, todos corriam o máximo que podiam. Mayara ainda chorava muito. E nem dois minutos depois e já estavam na rua.

– Venham, por aqui – disse Luan puxando uma chave do bolso, era a de um Captiva, um carro mais robusto na cor prata. Logo todos nos jogamos dentro dele.

– Eu vou pegar minha moto e sigo vocês – disse Luiz atravessando a rua movimentada. A sua moto era um modelo antigo, no estilo dos motoqueiros americanos, não cheia de adesivos, nem com bandeiras com clubes de moto, apenas o modelo clássico.

– Eu não sabia que você tinha carro Luan – disse Lud abraçando Mayara que não conseguia para de chorar, a garota até soluçava – Calma May, já passou.

– Meu pai me deu ontem, vamos embora daqui – disse com um tom calmo arrancando o carro.

– Meu Deus o que foi aquilo? – perguntou Will ainda tremendo, sentado no banco da frente, o coração do garoto estava na boca, dava pra notar, até mesmo pelo tanto que ele suava.

– Greymon – respondi baixinho. A imagem dele não saia da minha mente, então tudo sempre foi verdade.

– Não é, eu já procurei tudo sobre Digimons, já até assisti os episódios da serie que passou na TV, o Greymon é muito diferente, como é possível que existam? – gritou Will.

Luan perdeu a paciência e gritou – calma histérico — Will o olhou assustado sem dizer nada, ninguém espera aquela reação. Alguns segundos se passaram com todos em silencio, Luan dirigia feito um louco cortando carros pela avenida Amazonas, umas das centrais da cidade.

– Aquilo veio mesmo do Notebook do Jonas? – perguntou Mayara em meio a soluços sem olhar pra mim, aquilo me deixava mais desconfortável ainda.

– Eu tenho quase certeza – respondeu Luan.

– E agora o que a gente faz? – Perguntou Ludmila.

– Primeiro sumimos, com certeza alguém viu o que aconteceu – disse Luan – e as câmeras de segurança da faculdade vão mostrar de onde veio à criatura.

– Acho que não, a energia acabou como naquele dia no bar – indagou Will.

– Sim, mas o prédio da faculdade tem geradores de energia – respondeu Luan – não acredito que nenhum de vocês estudou a planta do prédio – exclamou olhando para Will incrédulo — caso a energia acabe os elevadores e as câmeras ainda continuam funcionando.

– Mas nos não fizemos nada de errado, porque viriam atrás de nos? – perguntou May começando a se acalmar.

– Até que consigamos explicar a policia o que aconteceu – rosnou Luan – eles vão nos colocar na cadeia e ainda por cima revirar o notebook de Jonas.

– Não – gritei. Não sei por que tive essa reação, era tudo surreal de mais, isso seria incrível, imagina só, um Digimon – o Greymon é meu parceiro.

– Parceiro? – riu Will – ele tentou te comer seu idiota.

– Eu não quero ver aquele monstro nunca mais – retrucou Mayara.

– Ao que tudo indica aquele programa que Jonas converteu é o Greymon, mas como isso é possível? – indagou Luan, meu estomago gelou, não tinha explicações.

– Pra onde estamos indo? – perguntei tentando mudar um pouco o foco da conversa, como se realmente fosse conseguir.

– Acho melhor não irmos para casa hoje, meu pai tem um apartamento na Pampulha, eu to levando vocês pra lá – respondeu Luan.

– Se eu não dormir em casa meu pai me mata, e amanha tenho que ir trabalhar, eu posso perder meu estagio – indagou Will, ele já estudava sistemas antes, a cerca de um ano atrás havia terminado um curso técnico na área e por ter vencido um concurso de programação ele ganhou um bolsa integral na faculdade.

– No mínimo quando você for preso vai ficar sem o estagio e com a carteira suja porque quando forem ver sua carta de indicação vão ver que você foi demitido por ir pra cadeia – resmungou Luan irritado. Por que ele estava daquele jeito? Eu quase havia sido comido e estava calmo, na medida do possível.

Will engoliu seco, por dentro ele tremia como todos os outros. Demorou um pouco até que Luan chegou ao prédio de vinte e um andares a beira da lagoa da Pampulha, um dos cartões postais da cidade mineira. Uma enorme lagoa que cortava inúmeros quarteirões, cercada por grandes mansões e prédios muito luxuosos.

Nós pegamos o elevador que nos deixou na cobertura, o andar era exclusivo, apenas havia o enorme apartamento, com uma varanda enorme, uma vista maravilhosa e uma piscina em forma de oito. Nunca havia estado em um apartamento tão luxuoso, todos os moveis eram feitos por encomenda, sofás e poltronas de couro, televisores enormes, Luan era realmente muito rico.

– Nossa esse lugar é incrível – indagou Mayara pasma.

– Eu já imaginava que tua família tinha dinheiro, seu pai é dono da empresa Genesis, mas nunca poderia imaginar que tanto assim – indagou a Ludmila.

– Olha, acho melhor passarmos a noite aqui, o apartamento tem cinco quartos, acho que a Lud e a May por serem mulheres não vão se importar de ficar juntas – sugeriu Luan enquanto caminhava pela enorme sala – eu vou ligar pros meus pais e acho melhor que vocês também façam o mesmo, mas não se esqueçam de que ninguém deve saber onde estamos.

Passou-se uma hora, até que todos conseguimos pensar em desculpas plausíveis para nossos parentes, todos eram maiores de idade, mas exceto Luiz todos moravam com suas famílias e ainda deviam satisfações. Will gaguejou de mais, e acabou só preocupando seus pais mais, Luiz teve que tomar o telefone e inventar para os pais do garoto que eles tinham um projeto pra entregar na próxima aula e que eles passariam a noite fazendo, como se um trabalho de segunda semana de faculdade fosse tão difícil assim de ser feito.

***

Os carros de policia se amontoavam na portaria da faculdade, o reitor estava com os policiais na sala de segurança do prédio. A gravação feita pelas câmeras mostrava vários alunos fazendo diversas coisas avulsas pelo pilotis. Havia uma câmera posicionada bem em cima do nosso grupo, ela mostrou o momento em que o programa começou a rodar, o brilho na tela fora do comum e logo em seguida a energia caiu, alguns segundos depois voltou mostrando-me no chão e Greymon bem a frente do grupo.

– Como é possível esse monstro ter aparecido do nada? – perguntou um dos policiais olhando para a tela com os olhos arregalados – em questão de segundos ele estava em cima desses jovens.

– Seria possível que... – o reitor parou sua indagação antes que falasse mais do que devia.

– Você conseguiria identificar esses jovens senhor Babel? – perguntou um dos policiais.

– Sim acho que posso, tenho fotos de todos no banco de dados da faculdade – respondeu o homem careca – é questão de segurança mesmo.

Babel era um grande desenvolvedor de sistemas, se especializou na área desde cedo e participou de grandes projetos em sua época, quando ainda morava na Alemanha. Ao se mudar para o Brasil trabalhou em grandes empresas e agora na velhice cuidava do polo tecnológico da faculdade Platão. Ele tinha uma aparência bem simpática, cabelos brancos, algumas rugas e a enorme barriga eram suas principais características.

***

Algumas horas de perguntas mal resolvidas e indagações inúteis e todos resolvemos ir nos deitar, menos eu, não consegui largar o notebook. Luan e Lud, ficaram na varanda olhando para a vista perfeita que aquele lugar proporcionava, a noite estava linda. Haviam muito poucas nuvens, sendo uma capital não se viam muitas estrelas no céu, mas vários aviões que faziam um bom trabalho, um dos maiores aeroportos da cidade não era muito longe dali.

– Daqui algumas horas o nosso telefone deve começar a tocar – disse alto para que eles escutassem – eu aposto que a policia a essas alturas já deve estar com as fitas de segurança.

– O que vamos fazer? Fugir não da gente – Indagou Lud – tenho que voltar pra casa, tenho que terminar a faculdade.

– Eu sei, mas acho que enquanto não resolvermos o que fazer, e ver o que a policia vai nos dizer não temos outra alternativa – indagou Luan. Por algum motivo eu não queria concordar com Luan, mas ele estava certo.

– Acho que podemos estar exagerando – disse Luiz saindo da escuridão da sala, todas as luzes menos a da varanda estavam apagadas – mas a primeira coisa a se fazer é descobrir se esse Digimon saiu mesmo do note de Jonas.

– Eu concordo – respondi, estava louco pra testar aquilo novamente, sabia que podia ser perigoso, e que todos não inclusive eu estavam com medo, mas esse era o primeiro passo – pode ter sido só coincidência.

Coloquei o notebook no chão, todos se aproximaram, então sem duvidar dei o comando F5. A mesmas linhas de código, o mesmo feixe de luz azul, e a luz da varanda se apagou junto com as luzes dos prédios em volta.

Mas antes que o Digimon pudesse se materializar por completo dei o comando F7 parando o programa e as luzes voltaram a se ascender aos poucos. Nos olhamos ainda meio incrédulos, era informação de mais pra um dia só, aquilo estava no meu notebook aquele tempo todo. Linhas de código não se materializam, era loucura.

– Sem duvida, toda vez que o Digimon aparece às luzes se apagam, então isso quer dizer que ele pode estar usando a energia para se materializar no nosso plano físico – indagou Luan – eu li uma pesquisa sobre fusão quântica feita na empresa do meu pai que dizia algo bastante interessante sobre energia e transporte quântico, mas tudo me pareceu ficção cientifica.

– A empresa do seu pai não é uma empresa de informática? – perguntou Luiz.

– Não só, meu pai trabalha com pesquisas nos campos da física, biologia, linguagem e da robótica também – respondeu o garoto.

– Energia, não seria de se duvidar, afinal, todas as vezes que esse Digimon apareceu ficou sem luz – disse Lud.

– Lembra aquele vídeo que vimos dos estados unidos, Megadramon certo? – indagou Luan.

– Sim, sem luz... isso explicaria também porque não houve ocorrência nenhuma em cidades menores, ou mesmo no campo – disse Lud sorrindo.

– Do que vocês estão falando? – perguntou Luiz.

– Nos vimos um vídeo de uma aparição de Digimon hoje, e no vídeo a luz também acaba, e na verdade, desde o ocorrido no bar eu andei pesquisando aparições de monstros – nos contou Lud — encontrei algumas aparições de monstros que se encaixam no perfil de Digimons em varias cidades do mundo, mas nunca nada no campo ou cidades pequenas, isso pode significar que Digimons aparecem apenas onde há grande quantidade de energia.

– Pera ai, me deixa só confirmar uma coisa – disse Luan entrando no apartamento.

– Eu achei que ninguém tivesse acreditado em mim – indaguei empolgado e agora mais cansado, eu não estava me sentindo assim antes – ninguém falou nada.

– Você acha que ninguém andou pesquisando sozinho? Eu fiquei louca, não era questão de acreditar, todos nos estávamos lá aquele dia do bar, todos nos vimos aquele monstro, Metalgreymon. – exclamou Lud. Ela não havia dito a ninguém, mas passou varias noites pesquisando sobre aquilo, tentando entender de onde aquela criatura havia vindo, tudo estava muito maluco.

– Eu não pesquisei nada – disse Luiz fazendo os dois olharam surpresos pra ele.

No instante seguinte Luan voltou com seu notebook branco na mão e colocou sobre seu colo, cheguei então mais perto para ver o que ele estava tramando e fui acompanhado pelos outros.

– Olhem aqui, eu invadi o sistema da empresa de energia e cruzei as informações do Google maps – nos o olhamos pasmos, desde quando ele era um hacker tão bom? — busquei no banco de dados os últimos registros de queda de energia e olha só o que eu encontrei – mostrava Luan.

Todos o olhamos assustados, ele tinha sido muito rápido. No cruzamento de informação feito por Luan mostrava o mapa da cidade de belo horizonte com varias linhas azuis que representavam as linhas de energia. De acordo com os dados, a cerca de cinco minutos atrás havia acontecido um distúrbio de energia na região da Pampulha, e cerca de cinco horas antes havia ocorrido uma queda de energia no Barro Preto, o bairro onde se localizava a faculdade.

Mostrava também outros distúrbios bem parecidos com o que aconteceu na Pampulha em alguns pontos da cidade, um mesmo acontecendo naquele momento em um bairro vizinho.

– Distúrbios de energia? Estranho, não esta registrado como queda de energia como o que aconteceu na faculdade. – disse Luan.

– Deve ter haver com o tempo de duração – disse tentando entender, achar alguma explicação – eu vi uma reportagem uma vez que dizia que a vários pequenos pico de energia durante o dia, acho que são comum pequenas quedas.

– Mas e esse distúrbio aqui? – indagou Luiz apontando para a tela. Era em um bairro vizinho, a variação de energia crescia exponencialmente.

– O que você esta achando que é? – perguntou Ludmila já imaginando a resposta.

– Digimon – gritei. Assim que o distúrbio de energia se transformou em uma queda eu tive de alguma forma certeza, ou talvez fosse apenas esperança – esse bairro é aqui do lado, eu tenho que ir lá.

– E o que você pretende fazer? Usar o Greymon? – perguntou Luiz me olhando serio.

– Sim, ele pode até querer me comer, mas de uma coisa eu tenho certeza, os instintos de luta de um Digimon são muito maiores do que a vontade de atacar um humano – respondi firme, não tinha tanta certeza assim, mas eu precisava fazer aquilo, me sentia um pouco tonto, mas eu precisava ver o Greymon em ação.

– Nem sabemos se isso é mesmo um Digimon – retrucou Lud.

– Eu preciso saber se estamos certos – disse saindo correndo pelo apartamento, ninguém ia me segurar.

– Olha, eu vou com ele. – disse Luiz vindo atrás de mim.

Eu estava fechando a porta do elevador quando Luiz segurou a mesma e entrou. Ele apenas me cumprimentou com a cabeça dando a entender que ele estava do meu lado, e alguns segundos depois já estávamos no estacionamento.

Luiz jogou seu capacete e subiu na sua moto, assim que o portão da garagem abriu ele arrancou, e eu quase caí, estava segurando o notebook com uma das mãos e, além disso, não estava acostumado a andar naquilo, desconforto, medo e tontura, era o que estava sentindo.

***

Uma mulher de cabelos negros estava sentada em uma poltrona com um notebook na mão, na tela do micro estavam coordenadas que mostravam Belo Horizonte, mais especificamente o bairro em que a luz acabara.

– Mais um, esse não é dos grandes – disse a mulher assim que um ponto amarelo apareceu na tela.

Seu telefone tocou, era o agente Monteiro.

– Senhora, temos um problema, acabei de desembarcar em Belo Horizonte, pelos dados do meu Palmtop a outro Digimon se materializando, nos não temos aparelhagem montada para para-lo – disse Monteiro calmo.

– Eu tenho a pequena impressão de que o numero cinco resolvera isso pra nós Monteiro – respondeu friamente a mulher.

– Não seria mais prudente elimina-lo antes que ele fique forte de mais pra isso? Não somos capacitados para um Kyuukyokutai.

Um Digimon Kyuukyokutai é um Digimon no estagio de evolução correta mais avançado, ainda sim podendo alcançar níveis diferentes de evolução como o Jogress, Brust mode, Falldown mode, Crimson Mode e o Overdrive mode que superam esse passo evolutivo.

– Não questione meu comando – respondeu Maristela desligando o telefone.

Ela parecia calma, apenas tomou um gole de wisk e continuou a observar os dados de seu notebook, um leve sorriso se acendeu no rosto da mulher. No estado vizinho Pedro Monteiro pensava.

– Essa mulher me assusta, mas eu não posso deixar de ver – Enquanto entrava em um taxi.

***

Luiz cortou algumas ruas, e talvez pelas horas que já estavam avançadas estavam pouco movimentadas, logo ele já estava em ruas sem iluminação e passava por prédios apagados — estamos próximos – gritou Luiz. O farol da moto iluminava a certa distancia, eu sentia um frio na barriga.

Um urro ecoou pelos prédios, varias pessoas correram para as janelas assustadas procurando de onde viera aquilo. Luiz freou a moto bruscamente logo em seguida.

– È melhor seguirmos a pé – indagou Luiz enquanto as luzes começavam a se acender novamente.

– Ué, as luzes voltaram, isso significa que perdemos a viagem o Digimon já se foi – disse tirando o capacete, fiquei frustrado por alguns segundos, meu impulso só podia dar nisso.

Assim que a frase terminou nós vimos um raio de luz vermelho indo em direção a um prédio explodindo uma parede, uma nuvens de poeira e destroços se formou no lugar depois do grande estrondo.

– O que era aquilo? – gritou Luiz. O prédio estava a cerca de vinte metros do ponto onde nos estávamos, senti meus joelhos tremendo. Eu imaginava que Digimons fossem diferentes, cada segundo que passava perto de um percebia que eram mais destrutivos e perigosos do o desenho mostrava. As pessoas começaram a descer do prédio desesperadas, gritos dominaram a área.

Luiz e eu avistamos um clarão vermelho, para a surpresa dos dois nós vimos um enorme gorila de pelos cinza, seus pés e rosto eram pretos como seu peito, e no lugar de uma de suas mãos ele tinha algo que muito se parecia com um canhão, e em seus olhos havia um brilho vermelho.

– Merda — disse me abaixando – eu acho que já vi esse, Gorimon, mas esse Digimon é pacifico, não consigo entender porque ele esta atacando as pessoas.

– Não sei o que você sabe sobre Digimons, mas esse dai não é nada pacifico, na verdade ele esta me parecendo muito feroz. Jonas, não sei bem o que anda passando pela sua cabeça, mas realmente acho que nada do que você viu no anime é real – indagou Luiz se escondendo atrás de um carro.

As pessoas corriam como baratas tontas, Gorimon andava lentamente pelo meio da rua, o seu canhão esta pronto para mais um tiro.

Saquei o notebook, o programa já estava preparado. Eu suspirei e pedi que funcionasse da maneira que eu esperava, eu não podia acreditar que Digimons eram maus. Corri para o meio da rua logo depois de fazer um sinal para Luiz, o comando já havia sido dado, quando o pulso de energia começou a ser emitido e as luzes a se apagar eu já havia colocado o micro de tela virada para Gorimon.

As luzes se apagaram por completo, o desespero das pessoas era muito maior agora, raios vindos dos postes se união em um ponto. Um carro de um desavisado começou a virar a esquina alguns metros acima, e por azar o farol do carro parou em Gorimon, o motorista deu ré, mas antes que pudesse escapar Gorimon acertou seu carro, estilhaços voaram depois de uma enorme explosão.

Tentei correu até o carro, mas Luiz me impediu segurando-me firme pelo braço — ele já esta morto, você quer morrer também? – me perguntou o garoto com raiva na voz, no que eu tinha metido à gente?

Logo Greymon estava materializado, correntes elétricas corriam por seu corpo podendo ser vistas por qualquer um. O Digimon primeiro avistou Gorimon que logo começou a correr em sua direção.

O Digimon gorila pulou estendendo seu braço para trás, e no segundo seguinte ele havia acertado um murro na cara de Greymon que foi ao chão com o impacto se arrastando por uns três metros.

Greymon se levantou meio atordoado, balançou a enorme cabeça e depois de sua boca uma luz vermelho amarelada começou a ser emitida — Mega Chama – eu exclamei, tinha visto aquele nome no meio das linhas de comando.

Uma bola de fogo enorme foi em direção ao Digimon gorila que se defendeu usando os dois braços, cruzando-os na frente de seu corpo. Seus pelos dos braços saíram bastante chamuscados, mas isso não foi o suficiente para para-lo.

– O Greymon só esta preocupado com o Digimon – indagou Luiz sorrindo de empolgação – não acredito que você estava certo.

Eu não o respondi, nem eu mesmo acreditava que ia funcionar a essas alturas. Peguei o notebook e na tela estavam cadeias de códigos, mas para a minha surpresa eu notei que alguns códigos estavam incompletos, ou com funções inabilitadas.

Greymon estava mordendo o braço de Gorimon que se esforçava bravamente para soltar, mas a mandíbula poderosa do Digimon dinossauro era realmente impressionante.

Gorimon posicionou seu canhão de baixo da cara de Greymon e já se preparava para atirar quando percebi a situação e gritei – solte Greymon, solte – minha visão ficou turva por alguns momentos e eu perdi o foco do que estava acontecendo.

O Digimon dinossauro correu o olho para trás e soltou a mordida um segundo antes de Gorimon atirar, mas não rápido o bastante para desviar do soco que foi desferido por Gorila.

Greymon fez um movimento com calda e girando seu corpo, uma centelha de luz se ascendeu na ponta da mesma, mas nada aconteceu. A calda acertou a cara de Gorimon o fazendo ir para a esquerda com a força do golpe.

Mega Chama novamente, a luz em sua boca foi aumentando e logo em seguida uma rajada de chamadas trepidaram de lá.

No mesmo instante que as luzes voltavam completamente aos postes dois carros paravam, um taxi e um captiva. As portas dos automóveis se abriram juntas.

Uma onde de calor maciça foi ao encontro de Gorimon que ao mesmo tempo lançara seu ataque, mas ele não havia tido tempo para prepara-lo então o Digimon gorila foi engolido pelas chamas e a explosão ocorreu instantaneamente.

Dados brilhantes se misturavam as chamas marcando assim a primeira vitorio do Digimon dinossauro, era lindo e ao mesmo tempo assustador, o poder daquele dinossauro era incrível.

– Ele não é um Digimon comum – disse Pedro se escondendo atrás de uma arvore. O taxista dera ré assim que o homem desceu, o taxista acelerou o máximo que pode, fugindo daquele lugar.

Ludmila, Luan, Mayara e Will correram até Luiz. Eu caminhava agora em direção a Greymon que estava parado olhando para as chamas — não – gritou Mayara desesperada.

Nem se quer olhei para trás, Greymon se virou e fixou os olhos em mim, eu podia sentir algo diferente no meu corpo, uma espécie de energia, uma ligação com aquele monstro. A troca de olharem não deve ter durado mais que dois segundos, antes que eu começasse a falar.

– Eu sei que você pode me entender, quando eu te chamei você parou seu ataque – eu queria acreditar, fui me aproximando o máximo que pude, não queria pensar no que podia me acontecer – eu quero sua ajuda.

Greymon abaixou seu rosto a menos de um metro de mim, pude sentir sua respiração, era algo realmente grandioso, real.

Estendi a mão e toquei no rosto do Digimon dinossauro e então ele se transformou em dados que passaram pelo meu corpo e voltaram ao notebook. Mayara havia dado o comando para que o programa parasse de rodar, não tive forças nem coragem de brigar, estava maravilhado.