Decode
3 Capitulo 2 -Infâmia
Notas iniciais
O despertador tocava, e mais parecia que eu tinha levado uma surra. Levantei-me da cama meio atordoado, meu joelho estava machucado e uma das minhas calças preferidas tinha “ido embora” na noite passada.
Eu havia colocado o despertador apenas por segurança, não estava trabalhando e estudava apenas a noite, não precisava me preocupar com horários, mas se passasse das treze horas na cama eu não veria o dia passar e eu odiava isso.
Logo voltei para o quarto e peguei o notebook, fui tentar achar os estrazidos causados pelos tombos, mas para minha enorme alegria não havia nenhum arranhão se quer. Eu cliquei em iniciar e desta vez ele demorou mais para ligar do que o normal, na tela uma mensagem apareceu.
“Sistema danificado – iniciar reparos de segurança ou iniciar o Windows normalmente?”
Na maioria das vezes quando isso acontece o mais recomendado é iniciar os reparos e foi isso que fiz. Uma serie de códigos de segurança e muitos outros que eu já havia visto antes apareceram na tela. Após alguns minutos esperando o computador foi para o desktop me deixando aliviado.
– Ufa – suspirei – só o que me faltava agora era ter que fazer reparos nessa merda.
Depois de alguns segundos aliviado por não ter tido nenhum problema com a maquina me lembrei de tudo o que havia acontecido na noite passada. Mas antes que meus devaneios me levassem muito longe eu percebi um arquivo diferente do lado do ícone do Meu Computador na área de trabalho.
– O que é isso aqui? – me perguntei alto – dois cliques e nada de abrir? Esse arquivo esta criptografado – resmunguei.
Eu nunca havia mexido com arquivos de criptografia. Sempre quando um arquivo estava criptografado significava que havia merda lá dentro, assim eu pensava. Na maioria das vezes eram simplesmente códigos de programas protegidos, mas algumas vezes eram vírus com cadeias de códigos mutantes.
Vírus com cadeias de códigos mutantes são muito mais fortes do que os que se pega no dia a dia de seu computador, eles tem muita mais capacidade de destruição na sua maquina, e muitas das vezes o único jeito de salvar o processador é formatando o computador.
Mas como aquele arquivo havia aparecido no meu computador? Eu não havia baixado nada e mais ninguém tinha mexido nele. Não me contive, há muito tempo atrás havia baixado um programa de uma grande especialista Inglesa em criptografia chamada Susan Strathmore, ela desde pequena se mostrava impressionante no que fazia e com ajuda de uma grande empresa americana criava programas de encriptação de arquivos.
Esse programa em especifico não era muito impressionante, ele consistia em um sistema de força bruta. O que é esse sistema de força bruta? Nada além de um sistema que testa todas as possibilidades alfa numéricas possíveis, uma por uma até achar à correta.
Eu pediria a Deus se acreditasse nele que não fosse um vírus e então arrastei o arquivo até o programa, e “a magia” começou. Eu sabia que podia demorar mais de um mês pra conseguir descriptografar aquele arquivo, a senha poderia ter mais de 800kbytes de caracteres, mais de 400.000 linhas de códigos a serem decifrados. Logo eu saberia o que estava por trás daquele arquivo.
***
Luan chegava ao escritório do pai em seu apartamento. Uma enorme sala, com paredes recobertas por livros variados. Luan havia batido na porta e seu pai dado ordem para ele entrar, para o Senhor Alves isso era uma questão mínima de respeito.
– Como estão indo os primeiros dias de faculdade? – perguntou o pai do garoto. O Senhor Alves tinha por volta de quarenta e cinco anos, ele tinha a pele pálida e cabelos castanhos, seus olhos verdes mostravam toda sua dureza e imponência.
– Ainda não vi nada que me surpreendesse na verdade – respondeu Luan. Mas por um segundo se lembrou do programa que eu havia criado e sentiu uma ponta de inveja, e em seguida do monstro. Mas por mais que ele tivesse vontade de contar a seu pai, ele sabia que ele não acreditaria.
Um leve sorriso escapou do homem — sabíamos que seria assim. Espero tê-lo na empresa em pouco tempo, já pode se retirar – terminou de dizer sem olhar para o filho, voltando a encarrar a pilha de papel que cobriu sua mesa de madeira.
***
Uma semana havia se passado. O grupo agora seguia a rotina do segundo modelo do curso, conseguimos conversar e começar a criar vínculos, eu já gostava muito daquele pessoal. Will entrou no elevador correndo segundos antes da porta se fechar, mas não rápido o suficiente para que a mesma o acerta-se uma bordoada.
O garoto bufava. Ele estava muito apressado porque demorou a perceber que Mayara e eu também estávamos lá também – Boa noite pessoal – disse Will ajeitando seus óculos.
– Oi apavorado, achei que estaria na biblioteca nesse horário como sempre faz – disse Mayara segurando o riso, eu apenas respondi o cumprimento com a cabeça.
Logo nos já estávamos no sétimo andar. A faculdade dividia seus cursos e disciplinas por andares, o sétimo, o oitavo e o nono eram exclusivos para sistema de informação.
– Eu só acho que não podia ter sido um devaneio coletivo se o chão naquela avenida foi destruído, tive que passar lá em frente hoje – comentou Mayara enquanto caminhávamos para a sala – eu não sei o que era aquilo, mas sinceramente não quero voltar a ver nunca mais.
– Quisera fosse simples assim. Tenho um pequeno palpite de que você ainda vai gostar muito de um certo amarelinho – disse Will com um sorriso idiota. Ele estava suando muito, realmente não estava normal.
– Eu já disse a vocês, e to repetindo a semana inteira, era um Digimon – Respondi com indignação na voz. O que tinha dado no Will?
O garoto parou e nos olhou sobre os óculos.
– O que foi? – perguntou May assustada com as reações do garoto.
– Nada – respondeu ele parado – ham, acho que... bom, já encontro com vocês – terminou de dizer antes de seguir correndo para as escadas. Eu e May nos olhamos, ele estava realmente muito mais estranho que o normal.
Chegando à sala de aula e nos dirigíramos logo para o fundo onde Ludmila, Luan e Luiz já estavam. Depois de alguns cumprimentos percebemos que o professor de programação estruturada já havia começado com suas explicações.
Nessa primeira semana o professor passou a base de como se programa, ensinando os comando mais básicos “If” e “Else”.
{“If condição1 então;
Açao1;
Else ;
If condição2 então;
Ação2;”
}
(If) Se a condição1 for verdadeira ela seguiria pra o passo açao1,(Else) se não ele passaria pela condição2 e receberia a açao2.
Se o tempo (Condição) estiver bom eu irei sair (Ação1), se não, caso o tempo esteja ruim (Condiçao2) eu ficarei (Ação2) em casa.
È mais ou menos desta forma que funciona a programação de computadores. Por fim acabamos não prestando muita atenção nessas explicações, até por que já tínhamos uma boa noção de programação. Aquela aula era mais para os calouros que não sabiam nada daquilo.
Luan e Ludmila já trabalhavam na área. Fiquei sabendo que o pai de Luan era um grande programador e tinha uma empresa com mais de trezentos funcionários chamada Genesis onde Luan cresceu.
Ludmila trabalhava em uma empresa que prestava assistência técnica a Genesis. Mayara fez um técnico em programação na linguagem C# assim como Luiz.
Eu nunca tinha feito curso algum, mas modéstia parte mostrava um talento desde novo com computadores e aprendi a programar sozinho. Eu não tinha muitos conhecimentos técnicos, mas apesar de ser o mais novo do grupo eu era o que mostrava mais interesse e o que conseguia pegar a matéria mais facilmente.
Talento já era o que Luan tinha, dentre todos ali ele era o melhor programador, ele cresceu envolto em códigos e só estava ali pelo diploma.
E em relação a Will, que agora já havia aparecido na sala com outras roupas, preferi não saber por que, era o nerd do grupo, aquele que estava sempre afundado em livros. Ele era muito melhor em conceitos do que na pratica.
No meio de mais uma conversa em relação ao suposto Digimon que havia aparecido, esse era o principal assunto nosso, no meu notebook subiu uma tela que começou a emitir um som bem alto, atraindo a atenção de todos na sala. Minha cara foi ao chão, só passo vergonha.
– O que isso velho? – perguntou Ludmila enquanto eu apertava algumas teclas tentando acabar com o barulho.
– Não sei, pera, é meu arquivo de criptografia, nem me lembrava mais dele – respondi enquanto abriu o arquivo – meu computador ta muito pesado, a memoria dele esta cheia? – indaguei indo ver o que tinha no arquivo.
Era um PDF simples, uma forma de documento de texto. Cliquei para abri-lo, mas o computador demorou bastante para fazê-lo, aparentemente havia uma quantidade de dados muito grande lá dentro.
Assim que abri percebi que era algum tipo de algoritmo, não um que já houvesse visto antes, eu podia reconhecer apenas pela forma como as letras e caracteres eram dispostos. Esse código era feito em uma linguagem de computador muito diferente e mais pesada do que todas as que eu já havia visto.
Ludmila e Luan vieram até mim e sentaram ao meu lado, quase em cima de mim pra ser sincero — O que você ta fazendo Jonas? – perguntou Ludmila curiosa.
– Eu achei esse arquivo no meu computador, a principio ele estava criptografado, mas já resolvi isso. Bom, só consegui abri-lo agora e olha só o que tem nele – disse sem entender muita coisa, apontando para a tela – deve ser spam, não sei como baixei isso.
– Isso não é spam Jonas, isso é Delphi uma das primeiras linguagens de programação usadas para a criação de programas de computadores – disse Luan com um ar serio como sempre – muito me estranha te ver com isso. Essa linguagem esta fora de uso a anos, ela foi criada nos anos cinquenta, assim que perceberam que programar em códigos binários seria impossível.
– Códigos binários? – perguntou Luiz se levantando da cadeira e puxando Will e Mayara – do que vocês estão falando?
– Não é nada, o Jonas achou um arquivo em Delphi no computador dele – Disse Ludmila apontando para a tela.
– Delphi? Alguém ainda programa nisso? – perguntou Luiz.
O professor percebeu o alvoroço e logo dispersou o grupo, voltando todos para seus lugares e continuando com sua explicação monótona.
Eu fiquei muito curioso, nunca tinha visto nenhum código em Delphi nem me lembrava dessa linguagem. Como já foi dito antes, eu estava trabalhando em um tradutor de linguagens de programação, como eu nem sabia que Delphi existia até então eu não havia inserido informações para que o programa pudesse traduzir para C#, uma linguagem muito mais pratica e fácil de rodar.
Como era de se esperar de mim, desisti da aula de programação, e comecei uma busca pela internet por todas as informações que eu precisaria para que a tradução pudesse ser feita. No começo foi muito difícil, como essa linguagem não era mais usada não havia muitos sites com tutoriais de como usa-la. Mas por sorte encontrei uma pagina de historia de computação, que contava a origem dos computadores em detalhes e muitas outras informações como correção de bugs nos anos sessenta, algoritmos de classificação e sobre as tentativas falhas na criação inteligência artificial.
Uma lista enorme de comandos e funções foi inserida no banco de dados do programa do meu programa. Eu ainda não havia dado nome a ele, mas pretendia ser o projeto da minha vida. A aula terminou e eu ainda estava nos últimos ajustes, era hora do intervalo e todos saíram menos Mayara e Luiz que ficaram curiosos e queriam saber qual era a função do algoritmo descriptografado.
Não demorou mais de quinze minutos até que eu terminasse. Não esperei e logo importei os dados para o programa para o processo de tradução — eu to aqui só por isso, espero que valha a pena – resmungou Mayara.
– Eu não tenho dinheiro por isso não fui para o pilotis – disse Luiz soltando uma gargalhada em seguida.
Eu não os respondi, apenas continuei olhando fixamente para a tela. Demorou alguns minutos até aparecer à mensagem que eu havia criado:
“Tradução completa com sucesso!”
O código foi aberto no programa visual Studio, que é o programa usado literalmente para se fazer programas. Logo quando o arquivo abriu Mayara já resmungou. Haviam varias linhas sublinhadas de vermelho, isso significava que o código estava errado e não rodaria.
– Essa merda não vai rodar – disse socando a mesa – esperei uma semana atoa.
– Mas você disse que nem lembrava que tinha colocado esse arquivo pra descriptografar, como você pode ter ficado esperando? – indagou Luiz curioso.
– A Luiz, sei não, a intenção é o que vale – respondi revoltado – e outra, isso ficou no meu subconsciente, trabalhando maquiavelicamente, essa é a única explicação da minha raiva, isso não é de Deus velho.
– E outra, o código não vai rodar porque não esta completo, olha aqui por exemplo, esta faltando à chave pra fechar a linha – disse Luiz tomando o notebook das minhas mãos e inserindo os colchetes que faltavam em alguns lugares – o código esta cheio de pequenas falhas, se você trabalhar nele acho que em duas horas ele estaria rodando.
– Serio? – exclamei tomando o notebook de volta – to vendo que não vou prestar atenção na aula de redes de hoje.
– Eu perdi meu tempo, to com fome e agora o intervalo já ta acabando – resmungou outra vez Mayara.
***
Luan, Ludmila e Will estavam sentados em uma das mesas do pilotis, comendo alguns salgados que compraram na lanchonete da faculdade. O pilotis era uma varando enorme, cheia de mesas e cadeiras dispostas a todo lado, onde vários alunos se encontravam.
– Pra quem eu contaria? Eu não sou idiota, ninguém acreditaria – disse Will tirando seu notebook da mochila.
– Eu pirei com aquilo daquele dia, coisas assim não acontecem, monstros não existem – indagou Luan. Ludmila apenas os olhou, estava de boca cheia e não podia dizer nada por educação.
– Mas eu andei pesquisando olhem aqui – disse Will virando o notebook para eles. Na tela mostrava imagens de Digimons, em específico de um Metalgreymon – eu não sei vocês, mas eu tenho quase certeza que o que eu vi naquela noite foi isso, é claro que enorme, azul, escamoso e assustador.
– Isso é só um desenho, mas realmente eu concordo, eu olhei bem praquilo e serio, é mais ou menos isso ai mesmo – disse Lud.
– E não acabou, eu pesquisei vídeos na internet sobre aparições de monstros, e eu encontrei filmagens dos últimos oito meses de câmeras de celulares, de câmeras de carros e de segurança pelo mundo. Algumas me chamaram muito a atenção.
O garoto suspirou — tem um aqui e quero que vocês vejam – ele clicou em um link que estava em sua barra de favoritos e um site chamado OVINI apareceu. Um daqueles sites de ufologia. Ele clicou no primeiro vídeo e ele começou a rodar.
Era a câmera de segurança de um supermercado nos Estados Unidos. Mostrava um estacionamento, primeiro alguns carros saindo, alguns segundo de silencio e quietude, dois adolescentes e uma garotinha loira passaram por lá, a garotinha segurava a mão do mais alto. Logo depois as luzes começaram a piscar, a câmera se desligou por alguns segundos e logo depois voltou. Estava tudo escuro, então a câmera automaticamente ativou o modo noturno.
Em preto e branco uma criatura enorme amassando todos os carros apareceu, nos braços tinha algo como duas pinças de aço negro, da mesma cor que a mascara que usava no rosto, assas negras e ao invés de pernas ele tinha apenas uma calda escamosa, algo mais parecido com um corpo de uma sereia, mas ao invés da calda de peixe algo que se parecia mais com o corpo de uma cobra. Alguns segundo olhando para o alto e então a criatura levantou voou.
Will voltou um pouco à imagem e então a parou em uma parte que focalizava bem a criatura — Não foi isso que vimos com certeza – indagou Luan – não acho que a gente deva ficar acreditando nessas coisas, isso só esta enchendo de mais a cabeça de vocês.
– Espera, Espera, Pronto, olhem – Will havia aberto o Google imagens e nele mostrava a foto de um Digimon. Era exatamente idêntico ao monstro da filmagem, seu nome era Megadramon.
– Meus Deus, é idêntico ao da filmagem – Gritou Lud chamando a atenção de todos da faculdade. Will abriu uma janela do lado da outra, mostrando lado a lado o desenho com a filmagem.
– Acho que não resta duvida – Disse Will ajeitando os ósculos – são Digimons não são?
Mayara já chegou pegando os salgados – to morrendo de fome, essa merda desse programa desse menino ta faltando pedaços de código.
– Ei não fala assim, não é uma merda – disse já puxando uma cadeira – só não sei pra que serve ainda.
– Se não serve pra nada não é uma merda – disse Luiz que ficou sem cadeira pra se sentar – é só inútil.
– Seu programa de tradução de linguagem funcionou? – perguntou Luan surpreso, franzindo as sobrancelhas.
– Ué eu disse que funcionava – indaguei levantando um dedo — nossa, ninguém acredita nas minhas capacidades – ironizei rindo.
– Ta certo, então coloca pra rodar – indagou Luan.
Eu olhei para o grupo meio receoso, não havia testado ainda, se desse falha seria muito frustrante. Eu estalei os dedos então coloquei o programa para compilar.
– Eu disse pra ele que ele demoraria duas horas pra concertar a linha de código – resmungou Luiz – mas nunca vi ninguém analisar um código tão rápido.
Assim que apertei a tecla F5 que dava o comando de compilação, linhas de códigos começaram a descer na minha tela. Um 0arulho de códigos sendo analisados começou a ser emitido, era como se o computador estivesse “chorando”, assim pelo menos May descreveu a cena mais tarde.
– Esse código é inútil, no mínimo ferrou com o seu computador – resmungo Luan que estava começando a me irritar.
Mal encerrando a frase as luzes do prédio se apagaram, e consecutivamente as luzes de todos os prédios ao redor, e a cada segundo mais prédios ao longe se apagavam.
Mayara gritou assustada e varias outras pessoas que estavam no Pilotis se assustaram. Logo os códigos que apareciam na tela do meu notebook tomaram forma 3D, eu estava no meio da luz, então um raio de energia azul meu jogou a alguns metros junto da cadeira que estava sentado. Os dados começaram a se agrupar no ar.
Luan e os outros se levantaram o mais rápido que puderam e ficaram a alguns metros do computador.
Os dados já criavam formas reconhecíveis, raios tremeluziam sobre mim. Era outro dinossauro, não tão grande como Metalgreymon, mas seguia a mesma linha de traços corporais. O enorme dinossauro azul usava uma mascara de ferro que reluzia na escuridão, na ponta de sua calda havia algo como um machado e por todo seu comprimento haviam escamas azuis misturadas às laranjas que detalhavam seu corpo.
O enorme monstro rugiu, fazendo todos se desesperarem e correrem. Eu continuava no chão, a alguns centímetros do pé da criatura, e olhava fixamente para ela.
– Greymon – disse em um suspiro, sabia que de alguma forma devia ser, era assustador e ao mesmo tempo emocionante. Por dentro senti um misto estranho de felicidade e medo.
O dinossauro deu um passo na direção de meus amigos que começaram a correr na mesma hora, mas eles estavam no sexto andar do prédio da universidade, e a única saída era a que estava atrás do monstro.
Depois de outro rugido ele começou a caminhar, quebrando todas as mesas que estavam na sua frente. Eu me levantei e fiquei parado, imóvel, eu não podia acreditar no que estava acontecendo, mas gargalhava por dentro se quer saber.
– O código? O código? – era a única coisa que estava em minha mente agora.
Varias pessoas gritavam e corriam encurraladas, algumas conseguiram dar a volta, mas outras ficaram sem saber para onde ir. Luiz segurou a mão de Ludmila e a puxou passando pelo lado de Greymon quase sendo abocanhando por ele, mas Luan, Will, Mayara e outras pessoas ficaram sem saída.
Assim que Luiz chegou perto do Notebook, eu gritei – Greymon — o dinossauro parou e Luiz e Lud me olharam pasmos.
– Greymon — Gritei novamente. Desta vez o Dinossauro se virou e começou a correr em minha direção, parando a centímetros de mim. Eu tremia, meu coração batia a mil, Greymon me olhava fixamente. Ele me cheirou, saliva pingou em mim, eu pensei que iria enfartar, antes que ele urrasse e meu corpo inteiro tremesse.
No segundo seguinte Ludmila deu o comando F7 para que o programa parasse de rodar, os dados de Greymon saíram de foco e voltaram para o Notebook. Eram como pontos de luz de varias cores entrando pela tela da maquina.
As luzes voltaram a se ascender, primeiro a do prédio da faculdade e logo em seguida de todos os prédios ao redor.
Eu me sentei no chão e pus as mãos na cabeça, Mayara chorava descontrolada e Ludmila abraçou Luiz, Will e Luan não disseram nem fizeram nada. Quanto às outras pessoas, elas ficaram desorientadas, não sabiam se choravam, se corriam, mas notava-se em todos um enorme desespero.
Mal sabíamos nós que aquilo apenas seria o começo da maior aventura das nossas vidas.
***
– Um Digimon com os mesmos traços de energia daquele outro da semana passada apareceu. Pelos dados provavelmente é o mesmo. A cidade de Belo Horizonte esta oficialmente na lista das cidades ameaçadas – disse um homem moreno pelo telefone de dentro de seu carro prata. Em seu colo havia um notebook que iluminava o rosto do agente.
– Atitudes drásticas terão que ser tomadas, mande uma equipe para lá imediatamente, quero uma sede instalada lá em três dias – respondeu com autoridade uma mulher de cabelos longos e pretos – segredos como esse não devem ser relevados entendeu Monteiro?
– Sim senhora general Lacerda – respondeu o homem em um tom firme – já me adiantei. Pegarei o voou em quinze minutos para lá e já há uma equipe sendo encaminhada, mas pelo material que recolhemos esse pode entrar na lista Ômega, ele apareceu como um Kazentai e voltou a ser um Seijukuki.
– Eu percebi isso, os alvos 1, 2, 3 e 4 já estão sendo monitorados, fique a vontade para usar o método que for necessário, este será o numero 5, não precisamos de mais problemas e Monteiro, não quero mais ninguém pagando de herói.
A chamada foi encerrada. A mulher olhava pela janela do seu prédio a cidade do Rio de Janeiro, uma vista linda a noite com todas aquelas luzes acessas e a orla da praia de Ipanema abaixo.
– Guardiões – disse ela – em meio a um suspiro.
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