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20 Capitulo 18 - Morte


Notas iniciais
Talvez eu não seja muito bom com dramas, o Jon esta ferrado na faculdade e não pode me ajudar então esta ai, espero realmente que gostem. Um capitulo relativamente pequeno, mas diria que ele teve o que tinha que ter.

Isaac Asimov disse uma vez: “Não acredito em vida após a morte, por isso não preciso passar toda minha vida temendo o inferno, ou temendo o céu mais ainda. Quaisquer que sejam as torturas do inferno, penso que a chatice do céu seria ainda pior.”

Essa era minha citação favorita, o pensamento que creio que mais me definia. Religião não é um assunto para discussão, cada um acredita no que acredita e ponto, mas em meio a tantas coisas impossíveis que vem acontecendo, uma manha dessas que se passaram acordei com o pensamento de que talvez, repito, talvez tudo que é de mentira fosse real.

Enquanto estávamos no carro o sangue de Babel encharcava o banco, uma mancha vermelha havia se espalhado pelas roupas de Luiz e por grande parte do banco. Quando finalmente chegamos à faculdade Luiz e eu tivéssemos que carregar Babel até a nossa base, talvez pelo desespero nem mesmo cheguei a sentir o peso de Babel, Luiz abriu a passagem e em vários momentos quase derrubamos o velho escada abaixo.

Levamos ele para a enfermaria e então demos conta de que nenhum de nós sabia fazer a retirada de uma bala, não havia ninguém mais lá, os outros pareciam ter saído, Luiz se sentou no chão e colocou as mãos sobre a cabeça, murmurando qualquer coisa que era possível distinguir, Babel ainda estava desacordado.

_Você precisa fazer alguma coisa – gritei para Sofia, que correu em direção aos armários mexendo bruscamente em vidros, lendo rótulos.

_Pressionem a ferida – gritou ela ainda procurando fosse o que fosse. Corri até Babel que estava com o rosto suado, o virei de bruços e puxei sua blusa social amarrotada e ensanguentada revelando o pequeno, mas mortal furo de bala em suas costas.

Sofia veio até nós com uma seringa na mão, ela puxou as calças do velho e aplicou a injeção nas nadegas do homem, sua camisa subiu pela forma do puxão de Sofia, mostrando as marcas nas costas de Babel, o que fizeram com ele no Rad? ele foi torturado – o que é isso? – perguntei nervoso, meus olhos estavam cheios de lagrimas, ver Babel ali estirado daquele jeito, sabendo que eu não poderia fazer nada para salva-lo, agora eu podia ver as marcas roxas nos pulsos do velho, minhas roupas sujas de sangue, Luiz em choque, minhas mãos tremiam na ferida, eu mal conseguia pressionar.

_Anestesia – disse ela voltando para os armários, ela começou a mexer nos frascos com tanta pressa que alguns caíram no processo, mas depois de ela abrir a porta do segundo armário ela parou, e se ajoelhou de costas para mim no chão, em frente ao armário que estava.

Eu então percebi – você não sabe como ajuda-lo não é? – perguntei a ela já sabendo a resposta – temos que leva-lo a um hospital – gritei, mais uma vez naquele dia, as lagrimas escorreram no meu rosto – TEMOS QUE SALVA-LO – berrei com tanta força que minha garganta doeu – VAMOS, ME AJUDE A LEVA-LO PARA UM HOSPITAL – as lagrimas pareciam um rio no meu rosto.

_A cidade esta sendo evacuada, não há hospitais, eles foram os primeiros a serem desativados, todos os pacientes já foram transferidos – disse Sofia baixinho, sem olhar pra trás.

O ar pareceu ficar mais difícil de respirar, comecei a respirar mais rápido, minhas mãos tremiam e eu queria morrer, eu não pedi nada daquilo, minha tia, Babel, mais quem ia morrer por minha culpa? Eu sai correndo da ala medica e fui em direção à saída. Subi as escadas correndo, continuei correndo até sair do prédio da faculdade, e continuei correndo, tropeçando e chorando, corri por ruas vazias até não ter mais folego e cair no chão em meio à escuridão chorando.

Gritei por todos os Deuses que conhecia, gritei por todas as pessoas que eu conhecia, gritei porque queria morrer, gritei porque estava ali sozinho e gritei por sabia que nada poderia traze-los de volta, continuei ali deitado, berrando no vazio, porque tudo o que eu queria era esquecer tudo e fugir dessa vida, desse mundo e das escolhas que eu fiz.

Soquei o chão e gritei, mordi o lábio por dentro e senti o gosto de sangue na minha boca. O sabor me fez ver Babel todo sujo de sangue e então meu estomago se revirou, virei de lado e vomitei. Lagrimas e mais lagrimas. A angustia me fazia sentir que iria explodir e era exatamente isso que eu queria.

***

Os outros não demoraram muito para chegar à base, minutos depois na verdade, Mailbirdramon foi desmaterializada na porta do prédio de vinte e um andares da faculdade, Urielmon estava esticado no chão, imóvel, Shoutmon agarrou um dos braços do Digimon anjo e o puxou para dentro.

Assim que chegaram à entrada da base perceberam que ela estava aberta, coisa que combinamos que hipótese alguma faríamos, Will, Luan e Pedro desceram correndo as escadas pedindo que Weverton ficasse com as garotas lá em cima, assim que chegaram à sala de computação viram as gotas de sangue no chão.

Pedro puxou a arma e manteve em frente ao corpo, andando bem devagar encostado na parede enquanto seguia no corredor em direção à sala principal, Luan e Will os seguiram furtivamente, assim que chegaram na sala viram a porta da ala medica aberta, Pedro fez sinal para que os dois o seguissem e foi em direção à porta. O agente assim que olhou para dentro da sala pelo buraco entre aberto da porta viu Luiz sentado com a roupa suja de sangue e deu um salto para dentro da sala.

_O que aconteceu – disse ele se ajoelhando na frente de Luiz e segurando os braços do garoto que estava cruzados.

Will exclamou – Meus Deus esse é Babel? – perguntou ele incrédulo enquanto corria para a mesa onde Babel estava virado de costas, uma poça de sangue havia se formado abaixo dele, o homem estava completamente imóvel.

Luan ficou parado na porta sem dizer nada, foi quando Pedro finalmente percebeu a presença de Sofia na sala, Monteiro correu até ela e a ajudou a levantar, a mochila dela ainda estava nas costas, seu rosto estava todo molhado e seus olhos inchados – O que houve aqui? – Perguntou Pedro.

Sofia demorou um pouco pra responder – eu estava tentando ajudar – disse ela baixinho se engasgando com o choro – Maristela nos caçou – continuou ela – e atirou em Babel.

Monteiro correu até Babel e colocou dois dedos em seu pescoço, ele pensou em dizer o obvio, mas percebeu que todos ali na sala já sabiam disso, Will estava ajudando Luiz a se levantar, enquanto Sofia estava lá parada, olhando pra ele.

Monteiro ligou o ar condicionado e puxou todos para fora da sala trancando a porta, May e Lud desceram as escadas junto com Shoutmon que havia deixado Urielmon caído no meio da sala de informática.

Lud gritou e correu até Luiz querendo saber por que ele estava todo sujo de sangue, May gritou procurando por mim, mas manteve-se sem chorar – o que aconteceu aqui? – perguntou ela, e quando viu Sofia gritou – E O QUE ELA FAZ AQUI?

Luiz levantou a cabeça e disse – Ela nos ajudou a fugir do Rad, era tudo uma armadilha, a tia do Jonas e Babel – disse ele olhando para porta ala suja com uma marca de sangue – mortos – disse ele agora desabando em lagrimas.

May correu até a porta da ala medica, Will tentou impedi-la, mas ela o empurrou, assim que a menina abriu a porta ela suspirou alto cobrindo a boca com uma das mãos, Will agarrou a cintura dela e a arrastou para fora fechando a porta atrás dele.

Lud estava com os olhos arregalados – onde esta Jonas? – perguntou ela.

_Saiu correndo – disse Sofia.

_Ele esta lá em cima – disse Luan – a porta estava aberta obviamente por isso.

_Temos que ir atrás dele – disse Will a Weverton, os dois saíram correndo com Shoutmon atrás deles.

Pedro colocou as mãos sobre a cabeça tentando colocar seus pensamentos em ordem, May ajudou Luiz a ir até o banheiro para tomar um banho, Sofia e Lud estavam sem reação e Luan pegou seu notebook e começou a procurar os dados de Leomon.

_Temos que fazer alguma coisa com Urielmon, não podemos deixa-lo estirado na sala de computação – Disse Pedro a Luan que não respondeu, continuou mexendo no notebook – Luan – tentou chamar a atenção do garoto, mas sem sucesso – Luan – disse ele encostando a mão no ombro dele.

Luan deu um soco na mão de Pedro assim que ele o encostou, o garoto jogou o notebook em cima do sofá e gritou – Qual é o seu problema cara? – perguntou Luan com o um tom de voz alterado – qual é o seu problema desertor? Você acha que vai mandar aqui também? – perguntava Luan agora aos gritos.

Pedro perdeu a paciência e empurrou Luan com os dois braços, o garoto perdeu o equilíbrio e foi para no chão – o que foi você psicopata? Qual é o seu problema garoto? Vai tentar me enforcar como fez com a May? Vai tentar me dar outro tiro? – disse Monteiro olhando Luan de cima.

_Que historia é essa de tiro? – perguntou Lud preocupada – gente, que historia é essa? – perguntou novamente a garota.

Pedro percebeu que havia falado de mais e resolver mudar de assunto – Nada, foi mal, eu estou nervoso, pega aqui minha mão Luan – disse Pedro estendendo a mão para tentar ajudar o garoto a se levantar.

Mas Luan deu um tapa na mão de Pedro e gritou – é isso mesmo que você ouviu Ludmila, e eu estou cansado de ouvir sua voz irritante ou os choros daquela garoto irritante, e to cansado de cada um de vocês – gritou Luan se levantando do chão e tentando desamarrotar suas roupas – eu quero que vocês se fodam, em minha opinião deveria ser o Jonas naquela maca morto – Gritou Luan indo pro quarto e batendo a porta.

_O que o Luan disse? – perguntou Mayara saindo do banheiro como uma bala indo em direção a porta do quarto, mas Lud a impediu.

_Ele esta nervoso – disse a garota.

Mayara bufou e então Lud convidou ela e a Sofia a cozinha para que as duas pudessem tomar uma agua, Pedro foi até a sala de computação tentar arrastar Urielmon que estava desacordado no chão para a sala.

Mas alguns segundos depois apareceu Luan, andando com passos firmes, com a mochila de faculdade dele nas costas e uma arma Rad na mão – pra onde você vai – perguntou Pedro a Luan enquanto o garoto alcançava as escadas de saída.

_Fazer com que vocês se arrependam – disse Luan apontando a arma pra Pedro – e você vai ser o primeiro – disse o garoto acertando um tiro de energia em Monteiro que foi arremessado na parede.

Mas Luan não parou ai, ele continuou atirando, atirou na tela da parede fazendo a mesma explodir em faíscas, ele atirou nos computares e nas mesas, destruindo a sala inteira, assim que a fumaça chegou ao teto os spinklers foram ativados, molhando toda a base.

Sofia chegou à sala de computação em um instante, mas Luan não estava mais lá, Pedro estava atirado no chão com as roupas todas as queimadas e a parte do seu peito chamuscado, Lud e May chegaram gritando – O que aconteceu? – perguntou Lud a Sofia, os spinklers então pararam.

O cabelo da garota estava todo colado ao rosto – onde esta Luan – perguntou Sofia olhando para a porta da Base aberta novamente. Lud e May apenas se entreolharam.

***

Enquanto isso eu estava sendo testado, bom, a essas alturas já era noite, eu me arrastei para a beira de uma calçada e fiquei ali sentado, eu não queria voltar para a Base e ver Babel lá, estirado naquela maca fria, perder ele e minha tia no mesmo dia era coisa de mais para aceitar.

E se a hora fosse minha, e se eu tivesse que escolher entre a minha vida e a das pessoas que eu gosto, qual seria a resposta que eu iria escolher? O que eu faria se a hora realmente chegasse?

Quando você passa muito tempo falando consigo próprio você perde um pouco da noção, e acaba confundindo o som da sua voz com seus pensamentos, mas isso com certeza não acontece ao contrario. Como eu não conhecia aquela voz eu não poderia reconhece-la, mas daquele momento em dia em nunca mais me esqueceria da sonoridade dela.

_Eu pude sentir a sua dor e a sua raiva de muito longe meu pequeno Guardião – disse o Digimon negro com cabeça de bode e chifres, duas vezes maior que eu e com uma aura diabólica.

Eu me levantei em um pulo e comecei a caminha de costas pra ele, o som da voz dele me fez tremer, o cheio que começou a exalar dele era horrível, era como se ele estivesse morto há dias, pensei em como um digivice seria útil naquela hora.

_Não precisa temer o que não conhece criança – disse ele me fazendo para e o encara-lo – eu sei o que você mais quer, sei que quer parar de sentir essa dor, sei que quer esquecer esse mundo em que você vive.

_Você não sabe nada sobre mim – gritei me virando me preparando pra correr.

Ele riu suavemente, o tom da voz dele era assustador, tão grave que as janelas de vidro sobre nos trepidavam quando ele falava – sei que quer ficar com Greymon, sei que acredita no digimundo e sei também que o que você mais anseia agora é deixar essa vida pra trás.

Eu olhei pra ele e me perguntando se deveria ouvi-lo, ele era o mais racional de todos os digimons que eu já havia conhecido até então, ele não gruía nem muito menos parecia selvagem, isso me deixou em duvida.

_E se eu te dissesse que tudo isso é possível? – me perguntou ele parecendo cordial, havia algo nele além sua voz apesar de grossa, e de seu cheiro horrível, que o fazia ficar interessante, talvez me deixava tentado a ouvi-lo.

Eu balancei a cabeça tentando me concentrar mais parecia mais difícil a cada formulação de pensamento – do que você esta falando – perguntei finalmente.

_Tudo o que te contaram é mentira garoto – disse ele se abaixando, e mesmo ele abaixado ele ainda sim era maior que eu – eu posso te contar a verdade, e como dizem no céu, Lucemon que me perdoe, a verdade o libertara.

Ele aproximou seu rosto do meu, eu pude sentir seu hálito nojento, meu estomago revirou então minha mente clareou um pouco – você é um mentiroso – senti a necessidade de dizer isso, não sei de onde veio, mas foi à primeira coisa que consegui dizer, comecei a me afastar depressa daquele monstro.

E enquanto eu corria pude ouvi-lo dizer de longe – Apesar do que todos pensam, demônios não precisam mentir – disse ele desaparecendo na escuridão.

Comecei a correr de volta a faculdade, mas assim que cheguei à avenida principal vi Shoutmon destruindo um Digimon, não consegui ver qual era antes de ser transformado em dados, mas com certeza não era nenhum Devimon nem tão pouco Boogueymon, ao lado dele estavam Weverton e Will.

Corri até eles que estavam com caras péssimas – o que aconteceu com você? Você esta bem? – perguntou Weverton.

_Estou – respondi, mas Weverton me deu o olhar que ele sempre me dava quando sabia que eu estava mentindo. Enquanto voltamos pra base naquela noite eu fiquei olhando em volta, procurando voltar a ver aquele Digimon novamente, mas eu sabia que mais cedo ou mais tarde eu voltaria a vê-lo.

Notas finais
Eu ja sabia que iria matar Babel desde que citei o nome dele na sala de aula no primeiro capitulo, fiquei pensando em uma morte com honra a historia inteira, mas no final das contas ele morreu sozinho em cima de uma mesa fria. Ele serviu ao papel dele, se ele continuasse na historia, ele seria um grande problema, ele morreu porque sabia de mais.