Notas iniciais
Obrigado por estar acompanhando, boa leitura!

Tem alguém cutucando o meu ombro. Eu apenas ignoro e forço meus olhos a se manter fechados para continuar o meu sono. Nada mais acontece e sinto que o meu silêncio expressa que não é minha hora de acordar, relaxando os músculos e me ajeitando no lençol para me proteger das rajadas de vento frio que passam por mim. Ouço uma risada e sinto no rosto alguém dar umas batidas, não tão fortes a ponto de me machucar, mas com certa pressão para mostrar que eu preciso me levantar, e abro os meus olhos para descobrir quem está me impedindo de dormir.

Eu esqueci totalmente. André tinha dormido na minha casa, comigo, na minha cama, e agora estava de pé na minha frente me avisando que minha mãe nos chamou para tomar café.

Eu teria reclamado e respondido “me deixe em paz” do mesmo jeito como faço com meus pais, quando me lembram de algum compromisso que chegarei atrasado se não me apressar, e quase arremessei o meu travesseiro nele, mas a minha raiva se transformou em alívio ao olhar para seus olhos castanhos e o sorriso com os dentes tão brancos semelhantes a quem usa prótese de porcelana. O cabelo preto bagunçado, a roupa um pouco amarrotada, e o braço estendido me incentivando a lutar contra a minha preguiça.

— Vamos logo, eu não tenho o dia todo. — André me provoca.

Eu estico a minha mão e a força dele me faz dar um salto para fora da cama, consigo me equilibrar e por pouco não escorrego no piso a ponto de cair com a cara no chão.

— Caramba Dan, você tá mais acordado que nunca! — Ele está rindo descontroladamente, e vira para o lado com vergonha.

— Ainda estou com sono e…

André aponta para baixo e naquela hora eu entendo porque está rindo tanto. Meu corpo todo congela, meus braços e pernas ficam estáticos, e sem reação apenas me calo em busca de uma desculpa para disfarçar o mau entendido.

— Relaxa, cara, quem nunca acordou de pau duro? E caralho, agora entendo porque as minas ficam doidas por você!

Entro na brincadeira para quebrar o gelo, afinal, ele não tinha me estranhado.

— Nem te conto o sonho que eu acabei de ter, mas você deve ter sacado, né? — Estou rindo de nervoso, imaginando as cenas mais tristes, nojentas, que farão aquele volume desaparecer rapidamente.

— Qual é, vai ter vergonha de mim agora? — André morde o lábio e depois dá um tapa nas minhas bolas — Você tá comigo e não com seus pais.

Dou um passo para trás. Aquele pegada provocou um arrepio pela minha espinha, por dentro estou com tesão, desejando que ele faça de novo. Quero que André agarre o meu saco com vontade e suba a mão até o meu pau. São tantos desejos que tenho de esvaziar a cabeça antes daquela excitação voltar, disfarçando o meu constrangimento reagindo aquilo como apenas uma zoação entre amigos.

— Não tenho vergonha de você, seu viado. A gente vai ou não tomar café?

— Tá bom, seu apressadinho, meus pais estão me esperando em casa e tenho que vazar logo. — André faz um careta e está coçando a cintura por cima da bermuda.

— Que foi? Tá de ressaca? Eu falei pra você não beber tanto.

— Não é isso, cala a sua boca.

— Você tomou pelo menos umas oito garrafas de… — Antes de terminar o meu sermão, ele corta a minha fala para me mostrar:

— Olha aqui essa porra. — André abaixa a cueca e revela que a cintura e abaixo das coxas a pele está com listras avermelhadas por causa da costura da cueca que ficou muito apertada. O pau dele balança e engulo em seco, então imito a cara que ele está fazendo de dor por aquilo ter irritado a sua pele. André está olhando para baixo e sinalizando para aquela região, então não sabe que fiquei alguns segundos olhando diretamente para o pau dele, até que ele volta a se cobrir.

— Caralho, mano. — Fecho a boca para engolir a saliva que tinha se acumulado na boca — Foi mal não ter vestido você com aquela sua cueca cheia de merda — Dessa vez, sou eu quem está gargalhando e deixando ele constrangido.

— Vai se fuder. — Apesar do palavrão, estamos rindo, e André sai na frente e para na porta evitando ser encarado. — Você vem ou não?

— Vamos, antes que eu morra de fome. — Enquanto ele está parado de braços cruzados na porta, caminho até ele e dou um tapa em sua bunda. Sem falar mais nada, deixo ele para trás indo em direção a cozinha.

O que ele não sabe, é que a minha fome não é só de comida.

Notas finais
Deixe o seu feedback para tornar essa história ainda melhor :)