Debaixo Do Pôr Do Sol
13 Capítulo 13
Notas iniciais
A Valentina está surpreendendo a todos, não é?
Oh menininha decidida :D
Vamos mais um pouco passear por sua cabeça e seus sentimentos.
Acordo com um delicioso cheiro de café. Abro os olhos e encontro o rosto lindo e quadrado do meu peão.
- Bom dia Valentina. – Seu rosto tem um pequeno sorriso, mas seus olhos estão preocupados.
- Bom dia... — Digo Baixinho. Meu coração ainda está apertado.
Ele fica me olhando, tirando os fios de cabelo bagunçados em meu rosto. Solta um suspiro e beija minha testa.
- Venha tomar café. Preparei a mesa na sua biblioteca.
- E meus pais? – Pergunto de olhos arregalados.
- Eu disse que vim te ver e que não está bem. Eles também estão preocupados e me ajudaram com o café da manhã.
Ual. Esse tipo de liberdade eu nunca havia pensado em ter. Levantei aos poucos, tomei um banho rápido e fui para meu canto de pensar.
- A mesa está linda peão. – Meu sorriso aumenta e o dele também, em consequência.
Ele senta na cadeira e me coloca em seu colo. Comemos juntos e rindo, esquecendo um pouco todo o drama. Troco-me e pego sua mão para sair do quarto.
Chegamos à cozinha onde encontro meus pais com sorrisos bobos nos rostos.
- Bom dia pai, mãe. Estou indo trabalhar. E, obrigada pelo café da manhã.
- É bom ver você sorrir filha. – Diz meu pai.
- Bom mesmo é saber que tem alguém que cura seu mau humor tão rápido! – Diz minha mãe, rindo feito uma hiena.
- Obrigado pela confiança de vocês em deixarem-me cuida dela. – Marcos fala passando a mão em meu rosto. Fico vermelha.
- Chega desse show “A vida de Valentina”. Preciso trabalhar. – Vou saindo e puxando o peão pela mão.
Quando chego ao trabalho, logo recebo uma ligação de Miguel.
- Bom dia Valentina.
- Bom dia Miguel.
- Sua voz está melhor. Acho que acertei nos chocolates.
- Sim, você acertou mesmo. Não vou sair com você, mas está totalmente autorizado a ser meu amigo.
- Hum, já é um começo. Seu amigo aqui pode levá-la para almoçar?
- Não! – Respondo divertida.
- Como não? – Sua voz é cheia de decepção.
- Simples: você almoça em restaurantes muito caros, os quais eu não tenho condições de ficar rachando a conta. E não quero você pagando meu almoço todo dia.
- Ok. Vamos ao SEU restaurante então.
- Você iria?
- Por você, sim.
- Não vamos então.
- Mas que droga! Por que?
- Por que você tá muito mi mi mi comigo. Vamos fazer assim: sexta-feira nós almoçaremos juntos, ok?
- Fazer o que...
A semana passa rápida e mais tranquila do que imaginava. Meu coração acalmou um pouco com a constante presença de Marcos em casa. No trabalho, Miguel está sempre mandando um e-mail ou ligando, mas mantendo o combinado de amizade. Ele é realmente agradável. Almoçamos na sexta-feira conforme combinado, mas no restaurante que ele escolheu e pagou.
Estou sentada no shopping em uma cafeteria tomando um imenso capuccino cheio de chocolate e lendo um livro que acabei de comprar. Estava precisando de um tempo só meu. Apesar de aos sábados normalmente eu ver a Polly, hoje resolvi cuidar de mim. Estou quase levantando quando uma mão aperta meu ombro.
- Por favor, fique. Precisamos conversar.
Olho e vejo todo aquele cabelo loiro platinado que assombrou minha semana. Merda.
- Tudo bem. Sente-se. – Convidei, apontando a cadeira à minha frente.
- Vou ser bem rápida. O Marcos é casado comigo.
- Eu sei. – Responde devagar.
- Eu estou grávida dele.
- Eu também sei.
- Ele vai voltar comigo para criarmos nosso bebê. – Ela fala com autoridade.
- Aí você já está falando besteira. – Digo num tom irônico.
- Por que você diz isso? – Ela pergunta alterada.
- Nós conversamos Janaína. Eu sei que estão se separando, seu que está grávida e sei que ele disse que iriam voltar quando ficou sabendo. Porém tudo isso foi antes de nos envolvermos. Vamos ficar juntos, ele vai ser um pai dedicado para essa criança e lhe ajudar no que for necessário. Mas a separação continua meu bem.
A branquela ficou realmente vermelha de raiva. Tomou uma respiração e destilou seu veneno.
- Querida, há quanto tempo estão juntos? Um mês? – Penso comigo “só duas semanas... se ela soubesse...”. – Tenho uma vida de quatro anos de casamento com ele, mais um e meio de namoro. Não foi nada sem importância, como o casinho de vocês. No fundo você sabe que no fim ele vai optar pela família dele. Facilite as coisas – ela disse já levantando – e suma de nossas vidas.
Fiquei sentada, calada e pensando. São só duas semanas meu Deus. O que eu faço? É justo meter-me no meio de uma família que está crescendo? É justo cobrar dele uma atenção que deveria estar sendo de sua mulher grávida? Mesmo com pouco tempo, já percebi o quanto ele importa-se com a moral e os bons costumes. É um homem de criação antiga e enraizada. Estou tão perdida...
Pego minhas coisas e corro para meu carro. Eu sei quem são as melhores pessoas para me ajudar, meus amigos mais antigos e sábios: meus pais.
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