Debaixo Do Pôr Do Sol
14 Capítulo 14
Notas iniciais
Meninas lindas, eu racho de rir com os comentários de vocês! Um melhor que o outro!!!!!!!!
Você são lindas e loucas e eu amooooooo!!!!
– Mãeeeeeeeeeee! Mãeeeeeeeeeeeee! Cadê você? – entro em casa gritando.
Ela aparece na sala, enxugando as mãos em um guardanapo.
– O que foi Valentina? Pelo amor de Deus!
– Preciso falar com você. E com papai. Onde ele está?
– Nas cocheiras, mas...
– Vou buscá-lo! Não saia daí! – Eu grito já saindo em direção às cocheiras.
Corro até lá e chego meio sem fôlego.
– Paaaaaaaaaaaaaaaaaai!!!
Abaixo e apoio as mãos nos joelhos, retomando a respiração.
– Que isso menina? – Ele corre até mim e me apoia.
– Eu... – Respiro.- Preciso... – Puxo o ar de novo. – Falar com você. – Fico em pé e o pego pela mão, arrastando. Estou de cabeça baixa e respirando forte pela corrida quando encontro um peito sob uma camisa xadrez. Ele pega meu rosto com as mãos.
– Você está bem menina? – Marcos pergunta com olhar preocupado.
– Mais ou menos peão. Mas não posso falar com você.
Dou a volta nele e arrasto meu pai até em casa.
– O que está acontecendo? – Pergunta meu pai assim que o empurro no sofá. Minha mãe senta ao seu lado e faz cara de quem também está esperando uma resposta.
– Bom, eu preciso da ajuda de vocês numa questão. Não pensem como pais, apenas usem o que sabem da vida e todo esse blá blá blá para me aconselhar, tá?
Ambos fazem que “sim” com a cabeça. Vou até a cozinha e volto com um copo de água gigante. Tomo e começo a andar de um lado para o outro.
– Outro dia essa semana, acho que segunda-feira, cheguei à casa do Marcos e tinha uma mulher lá que se apresentou como sua esposa. – Minha mãe arregalou os olhos e meu pai só abaixou a cabeça. Percebi que ele já sabia da história, ou pelo menos parte dela. – Eu não quis julgá-lo, então esperei até o dia seguinte quando conversamos. Ele me contou que ela é sua ex-mulher. Estão em processo de separação. E... Ela está grávida. – Minha mãe soltou um “O quê?!” gigante e meu pai colocou a mão em sua boca para impedi-la de continuar. – Ele disse que quando descobriu, disse a ela que voltariam e criariam o filho juntos, mas aí me conheceu e tudo mudou.
Fui até uma poltrona, sentei e os encarei.
– Ele pediu que não o deixe por causa do filho. Que vai fazer tudo o que um pai deve fazer, mas que me quer ao seu lado. Mas, eu tenho esse direito? E a Janaína, sua mulher? É justo eu estragar sua felicidade? – Apoiei os cotovelos nos joelhos e coloquei as mãos sobre o rosto. – Eu não sei o que fazer. – Minha voz saiu só como um sussurro e senti minhas mãos molharem. Eu comecei a chorar.
Minha mãe ajoelhou em minha frente e pegou meu rosto.
– Filha, primeiro de tudo eu preciso falar duas coisas: Estou imensamente orgulhosa pelo seu caráter. Outra mulher nem pensaria no mal que estaria fazendo a essa moça grávida. E também estou orgulhosa do Marcos que não mentiu pra você, nem tentou diminuir a gravidade das coisas. Isso mostra como ele é maduro.
– Vali, — Começou meu pai. – eu já sabia de todo o drama da separação e estava esperando ele te contar. Faz pouco tempo que estão juntos e acho que foi por isso que ele ainda não havia aberto o jogo contigo. Ele é inseguro com relação a você. Ele me disse isso. Disse que o mesmo que o encanta o espanta. Esse seu jeito independente e autossuficiente o deixa maravilhado, mas também o deixa morrendo de medo de você correr e não voltar mais. Eu imagino o medo que ele está agora de você sumir.
– Eu sei de tudo isso. Mas o que eu faço? Eu me sinto tão egoísta o querendo para mim. – Minha voz sai grossa como de um travesti. Toda vez que choro é assim.
– Não seja tola filha! Ele ama você. Se você o deixar ele realmente vai voltar para a ex-mulher. Mas ele jamais será completamente feliz, pois não a ama.
– Filha, conte tudo isso a ele. Abra seu coração. Você não tem que decidir isso sozinha. Toda relação pra existir, precisa de mais de uma única pessoa.
– Eu não sei. E como ficarão as coisas depois que essa criança nascer? E se ela ameaçar não deixar ele conviver com o filho por minha causa?
– Existem bons advogados Valentina. Isso se resolve. – Disse meu pai, levantando e vindo me abraçar. Deixei-me cair num choro doloroso. O choro que segurei durante toda a semana. O desespero e o medo.
Quando acalmei um pouco, minha mãe fez um chá e ficamos os três conversando durante um tempo. Dormi parte da tarde, sentindo-me novamente atropelada por um trem emocional.
Acordei e já estava começando a baixar o sol. O Pôr do Sol aqui na fazenda é maravilhoso. Sentei no chão na minha varanda e assisti o baile de cores do céu: o azul escurecendo, com imensas faixas rosa e alaranjadas. Em meio às cores surgiu uma sombra tão familiar, igual à que vi quando mudei para cá. Um grande cavalo com um homem, de imenso chapéu, em cima. Mas dessa vez ele virou de frente para mim, reconhecendo-me mesmo de tão longe. Acenou tocando a aba do chapéu e retribui com um pequeno aceno, com a cabeça de lado. Meus olhos encheram de lágrimas novamente. A sombra mudou seu rumo e começou a vir em minha direção. Lágrimas escorriam pelas minhas bochechas. Sua forma foi ficando cada vez mais nítida com a aproximação, até que pude ver ele todo. As coxas imensas esticadas na calça jeans. O peito forte o suficiente e escondido sob a camisa xadrez. Seu rosto forte, com a barba rasa, sobrancelhas grossas e boca carnuda. Sua feição preocupada. O imenso chapéu fazendo uma sombra sensual. Suas mãos fortes e o antebraço tonificado pela força de segurar as rédeas de Leão. Ele parou em minha frente. A perfeita versão selvagem dos meus príncipes em contos de fada. Ele esticou a mão, me chamando. Sem pensar eu fui. Ele me colocou sentada de lado no lombo de Leão, em sua frente. Com minha cabeça em seu peito e minhas pernas sobre a sua. Cavalgamos durante em bom tempo. Senti-me em casa. Senti que ali sempre foi o meu lugar. Não preciso ser forte, linda, diferente. Simplesmente posso ser eu mesma.
Chegamos à mangueira de nossa primeira cavalgada e logo o cheiro doce invadiu os meus sentidos. Olho para ele e sorrio, recebendo um sorriso lindo de volta. Ele desce e me pega no colo, até me colocar em pé no chão. Puxa-me até a mangueira que sentamos embaixo. A visão do Pôr do Sol daqui é ainda mais perfeita, mesmo que esteja bem no fim. Menos de dez minutos depois, já estamos envoltos pela escuridão.
– Precisamos conversar. – Falei baixo.
– Eu sei menina. – Ele respondeu, afagando meus cabelos.
– Não acho certo ficar com você peão... – Enfiei meu rosto em seu peito, me escondendo.
Ele suspirou profundamente e respondeu.
– Eu sei que pensa assim.
– Eu não sei o que fazer. – Minha voz saiu tremida, presa na garganta pela vontade de voltar a chorar.
– Olhe pra mim Valentina.
Ergo o rosto e encontro aquele olhar que me tira a razão. Seus olhos ônix estão mais claros que o normal, com alguns risquinhos marrons no meio.
– Você chorou peão?
Ele fez que sim com a cabeça.
– E você também menina. Seus olhos estão claros. – Ele disse passando o dedo por minha sobrancelha.
– Os seus também mudam de cor.
– Mudam?
– Estão mais claros, com um tom marrom.
Ele me puxa e me beija profundamente. Devagar. Explorando cada pedaço de minha boca.
– Valentina, eu sei que se acha egoísta por estar ficando entre mim e Janaína. Já pensei que também estou agindo errado a deixando completamente por você. Mas não consigo mais ficar sem você menina. Mesmo que você me deixe, eu não voltarei para ela. Não consigo. Estou rezando com toda a minha força para que você me aceite e enfrente tudo isso comigo.
– Mas Marcos, ela merece ter sua atenção, seu carinho.
– Ela terá, mas como um amigo e pai de nosso filho. Não posso oferecer nada mais para ela.
– Eu não sei...
– Vamos tentar. Por favor.
Sinto seu coração acelerado por baixo da camisa. Seus olhos estão urgentes e cheios de medo. Ele é tudo que eu sempre disse que não queria num homem, e tudo o que me faz completa hoje. Toda a minha racionalidade e praticidade somem quando o assunto é ele. É tudo tão rápido. Eu o amo. Sei que amo. Eu sinto. Eu nunca quis me casar e agora quero ele para mim para sempre. Meu coração dói com o medo e a incerteza dele me abandonar. Num impulso totalmente verdadeiro, sento em seu colo de frente ao seu rosto, pego-o com as duas mão e mergulhada nos olhos mais intensos eu solto:
– Casa comigo peão?
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