Notas iniciais
Oi minhas lindezas! Prometo que agora vou até o fim tá. Amo vcs!

Passamos dez dias mágicos no Rio. Tenho até medo de tão perfeito que tudo está. Estou passando por uma fonoaudióloga que está me ajudando a voltar a falar normalmente. Minha voz ainda sai muito baixa e rouca, mas é o suficiente. É bem feio na verdade, principalmente ao acordar... Pareço mais um Carlão do que uma Valentina! Todos os dias sou zoada por isso.

Quando voltamos para casa tudo está muito diferente de quando eu parti. As fichas caem. A louca da Janaína realmente tentou me matar. Pela prisão em flagrante ela vai ficar muito tempo presa – tomara que para sempre. Sua mãe, Dona Orlanda, está ao lado de Marcos e o ajuda muito com o bebê. Depois de tudo isso, Marcos recebeu a guarda definitiva do pequeno Caio. Ele é uma graça. Tão fofo e feliz. Um bebezinho muito sorridente. Apegar-me a ele foi tão fácil quanto comer chocolate. E parece que o inverso também é assim. Marcos voltou a morar na fazenda. Miguel e Polly é o casal mais louco e engraçado que já conheci. O jeito doce de Miguel leva Pollyanna de um jeito encantador. Meus pais estão radiantes! Tornaram-se verdadeiros avós tortos de Caio. Dona Orlanda está morando com Marcos e se afeiçoou muito à minha mãe. Minha mãe diz que é como ter uma irmã. Descubro que perdi o semestre na faculdade, mas isso nem me abala. Nós marcamos o casamento para o mais rápido possível e isso significou um mês. Será tudo bem pequeno. Menos de 100 pessoas conosco. Tudo aqui na fazenda, numa mistura de campo e modernidade. Marcos está fazendo questão de bancar tudo.

Estou indo até a casa de Pollyanna de onde iremos até uma loja de vestidos de noivas. Na realidade eu nem acredito que finalmente vou me casar com meu homem. O juiz deu facilmente o divórcio para Marcos. Ele fez tanto por mim em toda essa história que resolvi nos dar um presente. Meu pai está me ajudando. Espero de todo o coração que ele goste.

Algum tempo depois estamos na loja e descubro que minha dama de honra é uma chata.

– Pelo amor de Deus Valentina! Um vestido pior que o outro!

– Pollyanna, deixe de ser chata. Nós já conversamos sobre como quero meu casamento.

– É por isso mesmo que digo que nenhum deles vai combinar com o estilo country!

– Mas que droga Polly!

Depois de mil vestidos e uma vendedora muito aborrecida saímos da loja.

– Me dá essa chave! – Grita Pollyanna, arrancando a chave do meu carro de minha mão.

– Ei sua louca!

– Entra e cala a boca.

– Você tá de TPM Pollyanna? Se for isso devia ter me avisado antes de sairmos. Iríamos outro dia.

– Eu já te mandei calar a boca Valentina.

Ela dirige feito uma doida pela cidade. Chegamos até um prédio chique e retro ao mesmo tempo. Leio na frente “Ateliê Mon Amour por Jaquie Selenir”. Olho incrédula para ela.

– Pollyanna, o que nós estamos fazendo em frente ao ateliê de um estilista?

Ela sorri imensamente e pega minha mão.

– Vali, não faça essa cara! Eu pensei em mil presentes que gostaria de te dar de casamento, mas estava impossível! Como sua dama de honra, eu procurei por estilistas que conseguissem projetar o tipo de vestido dos seus sonhos. Achei Jaquie. Ele é ótimo e adorou o estilo do casamento! Mandou-me alguns esboços e eu realmente fiquei encantada. Deixe eu fazer isso por você amiga! Ele fará nossos vestidos. Estaremos lindas!

Seus olhos estão marejados e seu nariz vermelho. Eu, muito idiota, já estou até soluçando de chorar! Tem como não amar essa menina? Eu a abraço. Saímos juntas e felizes do carro. Paro por um momento e olho para ela.

– Criatura, se você tinha tudo isso arranjado, por que me deixou ir até a loja de vestidos?

– Ah Vali, que graça teria não te deixar louca antes de te deixar feliz? — Antes que eu a xingue ela tampa minha boca com a mão e me arrasta para o prédio.

Conhecer Jaquie é maravilhoso! Ele é tão lindo, diferente, encantador e criativo! Chega a me deixar confusa!

– Minha linda noiva campestre! – Ele bate palmas e dá pulinhos. Parece um daqueles estilistas doidos de filmes.

– Oh Meu Deus Jaquie! Estes desenhos são maravilhosos! – Eu fico de boca aberta quando vejo os esboços.

– Bem, estes são só para começarmos com as ideias. Vamos sentar e bater um papo. Sinto que será fácil chegarmos a um acordo.

Conversamos por três horas e finalmente o desenho do meu vestido de noiva sai. É tão perfeito! Também fazemos o de dama de honra de Polly que fica demais também!

Vou para casa imensamente feliz. Será tudo lindo. Logo que chego na porta escuto risadinhas e meu coração aquece. Entro e tem um bando de babões na sala. Meu pai está com Caio no colo, ao lado de minha mãe que faz palhaçadas. Dona Orlanda olha e ri da cozinha, onde faz bolinhos de chuva. Hum, que cheiro divino! Caio me vê e se estica todo pra mim, soltando grunhidos. Ele está com quase 5 meses e é tão esperto!

– Venha aqui coisinha gordinha! — Eu o pego e ele se enfia em meu cabelo. Eu não sei explicar o que sinto por essa criança. É muito maior do que já senti por qualquer um. É uma imensa vontade de dar cuidado, conforto e amor. Tanto amor. Eu não consigo dizer em voz alta que ele é meu filho, pois a mãe dele está aí, viva. Mas eu o sinto tão meu. Procuro manter-me afastada. Não quero magoar Dona Orlanda, mas às vezes, quando percebo, já estou na casa de Marcos com ela e Caio. Ela nunca, jamais, demonstrou que eu estava fazendo algo errado ou inconveniente, mas tenho medo.

A bagunça na sala é geral. Logo estamos todos sentados no tapete da sala, comendo bolinhos e rindo. Meu gordinho começa a ficar com sono e na verdade eu também. É sábado e podemos aproveitar a tarde toda. Levo ele para o quarto comigo onde jogo um colchão de casal no chão e nos deitamos. Acordo algum tempo depois com meu corpo em alerta. Não me mexo, pois o gordinho está dormindo de bruços sobre a minha barriga, com meus seios de travesseiro. Ele acordou com cólicas e só dormiu assim. Olho para a porta e vejo um lindo homem parado observando. Ele sorri e se abaixa, deitando ao meu lado, de lado, apoiado sobre o cotovelo.

– É a cena mais linda que já vi na vida. – Ele sussurra e percebo seus olhos marejados. Meu gordinho se remexe e eu o arrumo no colchão, deitando-me de lado, com ele em meus braços. Percebo que também tenho lágrimas em meu rosto, mas sorrio imensamente. Marcos me abraça por trás e deito em seu braço. Ele tira as botas com os pés, tira o cinto e deita conosco. Pela primeira vez eu entendo a emoção de como é ter a minha família, e entendo que essa já é a minha família. Penso no meu presente para o meu peão e sinto meu coração se encher. Ele vai amar, eu sei.