Debaixo Do Pôr Do Sol
27 Capítulo 27
Notas iniciais
Os dias passam voando. Todos os preparativos para o casamento tomaram tanto tempo! Estou tão perdida e nervosa. É assim com todo mundo no dia anterior ao casamento? Ando de um lado para o outro do quarto relembrando e ligando para todo mundo que fará o evento. Foi tudo em tão pouco tempo... E já é amanhã!
– Filha? Filha! – Minha mãe entra em meu quarto. – Pare de se preocupar desse jeito. Está tudo pronto. Você deveria estar se cuidando. – Ela toma o telefone da minha mão.
– Ai mãe, e se der tudo errado amanhã? – Eu sento na cama e coloco as mãos no rosto. – Eu fiz tudo tão correndo!
– Hum, é normal esse tipo de pânico na véspera do casamento filha. Mas olhe, eu fiz tudo contigo. Fique tranquila. Eu vou fazer tudo ser perfeito! Agora vá para a sala relaxar e ficar um pouco com o Caio.
– Cadê o papai?
– Ele sumiu. Vocês vivem sumindo esses dias... – Ela diz, unindo as sobrancelhas.
– Bom, tenho salão mais tarde, não se preocupe. Eu irei. Porém, para amanhã, eles virão me arrumar aqui tá.
– Tudo bem filha, mas agora vá fazer alguma coisa ao invés de pensar besteiras.
Passo pela sala e vejo meu gordinho esparramado no chão com a avó. Ao me ver, ele solta seus gritinhos.
– Minha filha, você poderia ficar um pouco com ele? Preciso arrumar algumas coisas para o Marcos para amanhã. – Diz Dona Orlanda. – Logo os familiares dele estarão chegando.
– Tudo bem, pode ir tranquila. Nós vamos dar uma volta.
Pego o gordinho, coloco no carrinho e saio passear. Tudo na fazenda me acalma, e pensar que eu não queria vir. Como as coisas mudam. Ao longe avisto meu peão treinando um cavalo novo. Concentrado. Sério. Delicioso... Chego mais perto e tiro uma toalha que trouxe no carrinho. Estico embaixo de uma árvore e sento com Caio. O peão está tão concentrado que não nos vê.
– Olha lá menininho, seu pai fazendo o que ama. – Caio olha para Marcos por um tempo, sem se mover. Aponta para o cavalo e aponta meus joelhos. Logo entendo o que ele quer. Estico as pernas com ele montado e começamos a brincar de cavalinho. Suas gargalhadas invadem a campina. Quando olho, o peão está parado nos observando e sorrindo.
– Parece que tem alguém te dando uma canseira minha menina. — Ele grita.
– Essa canseira é ótima peão. – Respondo rindo. Ele volta para seu trabalho e eu divirto-me com o pequeno por mais tempo. Voltamos para casa dele para almoçar.
– Bem, eu vou para casa. Mais tarde tenho algumas coisas marcadas. – Eu digo já saindo da casa dele.
– Mais tarde que horas? — Ele pergunta, correndo em minha direção.
– Daqui umas duas horas mais ou menos.
– Hum... – Ele agarra minha mão me arrastando com ele. Dá uma olhadinha para Dona Orlanda que sorri, pega o bebê e sai da casa. Um arrepio atravessa meu corpo.
Antes mesmo de chegarmos no quarto, ele me joga contra a parede, pegando-me num beijo quente.
– Esse casamento está tirando muito você de mim menina. – Ele diz com os lábios nos meus.
Eu não digo nada e o puxo de volta. Realmente com toda a correria do casamento, quase não ficamos juntos. Ainda mais com Caio por perto. Ele me pega no colo e me leva para o quarto. Não falamos nada. Com uma necessidade absurda, cada um tira a própria roupa e nos atracamos no meio do colchão. Beijo seu rosto, pescoço, peito, sentindo seu cheiro e matando a saudade. Ele passa as mãos por cada centímetro da minha pele, com o rosto enfiado em meu cabelo. Passamos um tempo assim, reconhecendo-nos. Ele pega meu rosto em suas mãos.
– Amanhã você será finalmente minha. – E eu mergulho na gravidade da sua voz, no ônix dos seus olhos. Seu fogo me queima, como se derretesse minha alma. A alma que há muito ele tomou pra si. Ele me beija devagar e molhado. Sentindo meu sabor. Provando. Sentado em seus calcanhares e comigo em seu colo, ele me ergue e entra em mim. Assim grudados. Olho no olho. As respirações se fundindo. Estremeço e ele sorri de canto. Perverso. Transamos devagar e forte. Intenso. Com minhas unhas cravadas em seus ombros. Seus braços fortes me envolvendo, me movendo e me marcando até não aguentarmos mais.
O resto da tarde passa e meu humor é outro. Nada que uma boa foda não resolva! Se eu soubesse, tinha agarrado o peão mais cedo.
Depois de unhas e depilação feitas – mulher sofre – e jantar para conhecer a família de Marcos, vou cedo para a cama. O casamento será de manhã e acordarei cedinho para me arrumar. Quando estou quase dormindo, escuto uma batida na porta. Oh Deus, será que a noiva não pode dormir? Levanto e a abro. Encontro Sônia, mãe de Marcos, em pé.
– Posso trocar duas palavrinhas contigo? – Fico confusa, mas faço que sim com a cabeça e abro mais a porta para ela entrar. Ela me pareceu ser uma mulher firme e doce ao mesmo tempo.
– Valentina, eu só queria vir aqui dizer muito obrigada. Durante todo o tempo que Marcos veio para cá, eu me preocupei. Ele sempre foi muito sério. Não se apegava a ninguém. E essa mulher com quem ele casou eu achei que o faria feliz. Quanto mais o tempo passava, mais infeliz ele ficava. Vir para o casamento foi como acalmar meu coração, pois há muitos anos meu filho não sorria tão abertamente para mim.
– Eu nem sei o que dizer Sônia.
– Nem precisa minha filha. Eu vejo a sua alma através da alegria do meu filho. Isso é muito mais do que qualquer palavra. E vejo sua índole pelos olhinhos do meu neto. Não poderia estar mais feliz da mulher que meu filho finalmente encontrou.
Eu não digo nada e a abraço. Só então percebo como estava preocupada em não ter a aprovação deles. Eu não os conheci antes e estava com medo de acharem que era outra louca. Ela beija meus cabelos.
– Vá dormir agora que amanhã teremos um lindo dia.
– Obrigada por vir aqui Sônia. Foi muito importante para mim.
– Eu sei. – Ela sorri gentilmente.
Fale com o autor