Debaixo Do Mesmo Teto

9 Would you choose water over wine, hold the wheel and drive?


Notas iniciais
Hey, galera! Tudo bom? Aqui vai mais um capítulo! Ah e vocês estão ouvindo as músicas na playlist da fic no Spotify? Ainda não??? Então vai nesse link (https://open.spotify.com/user/22oo2ycublodrzblv2et4l6vq/playlist/7fy6qkproOUW4unD6IbIce) e aproveita, todas as músicas estão lá e na ordem dos capítulos! Sugestão de música: Drive - Incubus Aproveitem!! ♥

Desde pequena, era bastante claro para os pais de Savannah que a garotinha seria uma grande pesquisadora. A curiosidade que tinha, o cuidado com seus "objetos de estudo" — geralmente fotografias antigas ou peças de porcelana de Susan guardadas no porão -, as perguntas que fazia a si mesma, tudo indicava que, quando crescesse, seria pesquisadora, qualquer que fosse a área a qual ela quisesse se dedicar.

Numa de suas "expedições", a pequena Sav se enfiou no armário do pai, assim que ele saiu para o trabalho. Ele, antes disso, dera um beijo de despedida em Susan, que trabalhava na cozinha, e um beijinho na testa da filha, sentada à mesa, terminando seu café. John era a pessoa que mais a encorajava as "pesquisas" de Savannah. Despediu-se dizendo:

— Quero meu relatório no fim do dia, viu, mocinha? Aproveite e traga coisas novas para o papai, tá? — a garotinha balançava a cabeça, concordando e sorrindo de boca cheia.

— John, pare de instigar essa menina! — Susan o repreendeu — Daqui a pouco, ela sairá por aí, vai sumir na rua e eu vou ter um troço! — O homem sorriu, e saiu pela porta da garagem gritando "eu te amo também!" para a esposa na cozinha.

Assim que terminou o café, Savannah deixou sua mãe arrumando a cozinha e foi rumo ao quarto de seus pais, pronta para uma nova exploração. “Meu destino de hoje? O armário do papai.” Pensou, anotando mentalmente seu roteiro. Ela já tentara explorar o lugar outras vezes, mas sua mãe sempre chegava e não deixava que ela o fizesse. Dessa vez, a garota estava segura de que havia louça o suficiente para que a mãe não a encontrasse ali. Para uma menininha de 4 anos, Savannah tinha um raciocínio bastante avançado.

Assim que chegou ao armário, a garotinha sentiu um arrepio percorrer seu corpo. Ela sempre sentia isso antes de explorar um lugar novo. Mas, dessa vez, ela o sentiu mais intenso, como se essa fossa a “expedição de sua vida”. Antes de entrar, conferiu se sua mãe não estava na porta do quarto e então seguiu até o armário. Fechou os olhinhos e respirou fundo antes de abrir a porta de carvalho.

Quando o fez, abriu os olhos e se deparou com todas as coisas de seu pai muito bem organizadas e com aquele cheirinho particular do homem que ela mais amava nesse mundo. Ela sorriu e suspirou, mexendo em tudo com um cuidado enorme para que sua mãe não percebesse que esteve ali. Todas as camisas “sérias” – era como Savannah chamava as camisas sociais –, calças, sapatos, tudo estava ali. Tudo ali era seu pai. Foi entrando no armário, dada facilidade que tinha devido ao seu tamanho, e, no fundo do armário, encontrou algo curioso. Um moletom vermelho meio surrado, com um grande H bordado em linha branca. A garotinha automaticamente se apegou àquela peça de roupa e, escondido, levou para seu quarto, esperando até que seu pai chegasse para que ela descobrisse o que significava “O Grande H”.

— Minha filha, o que aconteceu? Pra quê essa correria? – Susan questionava a garota. Ela voltara para a casa correndo novamente, assim que se despediu de Peter, dizendo que ligava mais tarde. O garoto nada entendeu, mas estava tão feliz com seus próprios resultados que se permitiu não “neurotizar” junto com Savannah.

— Onde estão as chaves do carro, mãe? Preciso ir para casa – ela respondeu secamente, procurando no molho de chaves, pendurado ao lado da porta que passara há pouco.

— Para quê, Savannah? E essa correspondência na sua mão? – a moça nem percebeu que ainda segurava o que tinha pegado na caixa de correio. Jogou em cima da mesa assim que achou o que procurava.

— Nada, mãe – disse, dando um beijo no topo da mulher sentada à mesa do café, outro na bochecha de seu novo padrasto, pegou uma torrada e saiu. Saber se suas cartas também chegaram era a única coisa que interessava a ela agora.

***

Andrew ainda estava em seu quarto depois de ter passado o telefone para Savannah. Mesmo sabendo que Peter era o namorado dela e tudo mais, não conseguia não se sentir ressentido depois do que acontecera na noite anterior. Beijar Savannah foi melhor do que ele sempre imaginou. Sentir o corpo dela embaixo do seu, sabendo que apenas aquela toalha e sua própria roupa os separavam, rendeu sonhos maravilhosos naquela noite. Ele continuou sonhando acordado assim que viu a garota usando apenas sua camiseta e um short (curtíssimo, aliás), encostada na soleira da porta da cozinha, observando-o cozinhar. Era horrível admitir, mas ele não conseguia parar de pensar em como seria maravilhoso ver aquela cena todos os dias, o sol batendo em sua pele dourada, o cabelo bagunçado, o mesmo sorrisinho bobo que ele vira. Ela era mais do que ele sempre sonhara. E quanto mais ele pensava nisso, mais encrencado percebia que estava.

Então, o rapaz ouviu toda a correria da garota e levantou-se, indo até a janela, para ver aonde Savannah ia com tanta pressa. Foi tão ávida à caixa do correio que parecia que sua vida dependia daquilo. Assim que checou tudo, ele percebeu, mesmo de longe, um ar desanimado nela. Viu-a desligar o telefone e voltar correndo para casa. Enquanto Andrew descia as escadas, ouviu o carro acelerar e partir. Chegou à cozinha e viu Susan e seu pai com a mesma expressão de confusão dele.

— Você sabe o que deu nela, meu querido? – a mãe de Savannah perguntou enquanto ele se sentava à mesa que ele mesmo montara mais cedo. Susan era tão doce no seu jeito de falar que Andrew se sentia cada vez mais confortável com a ideia de tê-la como mãe. Sim, mãe, ela era boa demais para ser uma madrasta.

— Não sei, mãe, ela estava no telefone com o Peter, começou a gritar e... – Ele percebeu que Susan tinha lágrimas nos olhos, mas sorria como se tivesse acabado de ganhar um presente que quisesse muito – Tá tudo bem com você, Susan? Por que você tá chorando? Eu falei algo errado? – Olhou para o seu pai e percebeu a mesma expressão.

— Você a chamou de mãe, Andrew – Mike disse por Susan.

— Ah, nem percebi quando disse – ele sorriu, sem graça – Se te incomodar, Susan, eu não falo mais, foi sem querer mesmo. – A mulher riu e, limpando as lágrimas, foi até o garoto e o abraçou.

— Pode me chamar de mãe sempre, Andy, eu fico muito feliz de saber que você me considera dessa forma! – o rapaz realmente não sabia o que fazer. Ele não era de trocar muitos carinhos físicos com o pai, exceto em aniversários ou no Natal, então aquele abraço inesperado o assustou por um momento. Mas o calor materno que irradiava de Susan era tudo o que Andrew sempre quis, e ele devolveu o abraço.

Nesse momento, percebeu que algumas das correspondências na mesa continham seu nome no envelope. Assim que deixou os braços de Susan, concentrou-se no que ele percebeu ser a resposta de seu futuro.

— As cartas chegaram – ele disse, meio abismado. Susan e Mike se entreolharam e riram.

— Sim, meu pequeno – disse Susan – Vamos, abra!

Andrew tremia. E isso só piorou depois que ele abriu a primeira carta, vinda de Stanford.

Notas finais
Curtiu? Comente e recomende! E se estiverem com um tempinho, publiquei uma one shot do filme "The First Time" inspirada numa música do Ed Sheeran. O link é https://fanfiction.com.br/historia/703089/Friends/ e eu espero que gostem! Se não viu o filme, assista e depois leia, hahahahaha Até o próximo capítulo! ♥