Debaixo Do Mesmo Teto

25 So why don't we go somewhere only we know?


Notas iniciais
Minha nossa senhora da bicicletinha!!! Vocês são demais! Já chegamos a 120 comentários e 106 ACOMPANHAMENTOS!!!! EU TÔ MORTA COM FAROFA, AJUDA DEEEEUS! Sério, muito obrigada por estarem aí, acompanhando, comentando, enfim, lendo e (imagino que) gostando. Estou escrevendo por vocês e pra vocês! O B R I G A D A ♥ E O GRANDE DIA CHEEEGOUUU! Estão preparados? Espero que sim! Estou bem empolgada e quero muito saber o que acharam. Não esqueçam de me dizer nos comentários! Sugestão de música: Somewhere Only We Know - Lilly Allen Aproveitem!! ♥

O grande dia havia chegado. Os convidados chegavam aos poucos, todos bem vestidos, mas ainda despojados; afinal de contas, era um casamento na praia, saltos e sapatos fechados não eram tão bem vindos. Susan e Mike haviam decidido por casar à beira do mar não porque havia sido ali o primeiro encontro ou a primeira vez que se viram, mas sim pelo o que a praia significava para os dois: liberdade. Sim, eles viam o amor que sentiam um pelo outro como algo que os libertava de suas próprias amarras, que levava embora, assim como as ondas do mar, antigas amarguras e coisas ruins. Que trazia consigo as coisas boas que viveram até ali e tudo o que se propunham a compartilhar dali em diante.

***

Susan não podia estar mais empolgada e Mike mais nervoso. Passaram o dia anterior ocupados com os preparativos e como tudo seria montado na praia. Savannah e Andrew acharam engraçada a decisão e, secretamente, discutiram que esse seria o tipo de coisa que um casal jovem faria. Mas naquela manhã, quando Savannah descera para o café, ainda extasiada com o que ouvira de Andrew, encontrou sua mãe saltitante na cozinha e resolveu sanar sua curiosidade.

— Uau, para uma senhora de 42 anos, você está bem animadinha hein, mãe? – Savannah disse, enquanto sentava-se à mesa para tomar café. Susan bufou.

— Em primeiro lugar, Savannah, bom dia para você também. – a mãe da garota dizia, enquanto terminava de colocar o pão na mesa, num tom irritado – E em segundo lugar, senhora é a sua avózinha. Sou muito nova para ser chamada de senhora, menina!

Savannah ria.

— Lógico, mãe. Casando na praia com o Mike, com direito a lua de mel, você está bem jovem mesmo! Na verdade, você está me dando ideias para o meu casamento!

Susan acabou se rendendo e começou a rir ao se sentar ao lado da filha.

— Sabe, Sav, quando somos jovens, queremos viver tudo o que podemos, o mais rápido que podemos e da maneira mais perfeita possível. Mas tanto eu quanto Mike temos feridas tão profundas que percebemos que um amor livre é o único amor do qual precisamos… — seus olhos enchiam de lágrimas, mas Susan não abandonara o sorriso – Algo que seja único, talvez até rápido demais, mas que nos permita deixar para trás tudo o que sofremos todos esses anos para que possamos ser felizes. Felizes juntos.

Savannah mal conseguia respirar. Ela sorria, mas lágrimas teimosas desciam, como as de Susan. Como aquela garotinha que morava dentro dela podia crer no que via? Sua mãe abandonando o luto de uma vez por todas, se permitindo ir atrás da felicidade que ela tanto merecia. Savannah a abraçou apertado.

— Você não sabe o quanto eu desejei ver você feliz novamente. E você não imagina o quanto eu estou feliz de ver que você conseguiu. – a garota disse, soltando da mãe – E eu não sei quantos anos vou levar agradecendo o Mike por ter feito isso por você, por nós.

— Ah, minha querida, ele é um homem maravilhoso! – Susan sorria ainda mais – E eu sou verdadeiramente feliz com ele. Jamais vou esquecer seu pai, Savannah, eu o amei muito e ele me deu a coisa mais importante da minha vida… Você. Mas é bom estar livre para ser feliz novamente.

Ambas sorriam mais e o choro ia embora, mas Savannah precisava fazer uma última coisa antes do grande momento. Saiu correndo da cozinha, deixando Susan confusa para trás e indo em direção ao quarto da mãe e de Mike. Abrindo a porta, encontrou seu padastro já acordado, vendo algum jogo de futebol que Sav não conseguiu identificar. Ele ficou surpreso ao ver a garota na porta.

— Oi, Savannah, já acordada?

— É, estava falando com a minha mãe… — ela disse, entrando no quarto e sentando do lado oposto de Mike – Ansioso para o grande momento? É daqui algumas horas…

— Ansioso? – ele se ajeitou na cama e sorriu para a garota – Ansioso é pouco… Sabe que eu não ficava tão nervoso desde o dia em que Andrew nasceu? E olha que foi uma loucura, ele veio antes da hora e eu tive que correr com a Cassandra para o hospital, foi um susto e tanto. Mas agora estou aqui, prestes a me casar com a sua mãe, e estou tão… Nervoso. Me sinto com 18 anos novamente, esperando para levar minha namorada ao baile de formatura.

Os dois riram.

— Baile de formatura?

— Sim, eu e Cassandra éramos muito irresponsáveis na época de escola. – Mike tinha um sorriso triste ao contar a história – Começamos a namorar muito cedo e ela acabou engravidando antes da hora. No entanto, ao invés de ficarmos assustados ou coisa assim, ficamos empolgados demais com a ideia de formar uma família assim que saíssemos do colégio. Pela época que descobrimos a gravidez, sabíamos que ele chegaria perto do dia da formatura.

— Você quer dizer que o Andrew nasceu no dia da formatura de vocês? – Savannah estava boquiaberta.

— Sim – Mike riu – Cassandra estava linda em seu vestido de grávida, como ela mesma nomeou, e de repente, ela estava com a saia toda molhada da bolsa que estourou. Eu fiquei maluco! – ele estava tão empolgado com a história que Savannah se sentou na cama com ele para ouvir – Estava feliz e nervoso. Estávamos no meio da pista de dança quando aconteceu e minha única reação foi pegá-la no colo e sair correndo para o carro. Cheguei no hospital tão rápido que nem sei. E enquanto Cassandra entrava na sala de parto, eu andava de um lado para o outro, roendo as unhas até não ter mais o que roer.

— E você ficou lá sozinho? – Savannah sorria, adorando a história.

— Não por muito tempo. Logo, meus pais estavam lá e, não muito tempo depois, nossos amigos da escola também. Quando o médico surgiu, dizendo que era um menino, eu comecei a gritar “Andrew nasceu, Andrew nasceu!” e todos comemoraram na sala de espera comigo, como se o 49ers(*) tivessem ganhado o Super Bowl daquele ano. – os dois riram – Os médicos ficaram furiosos conosco.

— Mas era uma chegada e tanto, não? – Savannah disse – Assim como hoje vai ser um dia e tanto. Eu só queria te agradecer, Mike!

— Agradecer? – ele olhou confuso para a garota.

— Sim, agradecer por fazer minha mãe tão feliz, por ser alguém tão maravilhoso para ela. Achei que nunca mais veria minha mãe tão feliz e estava errada, você me fez estar errada e eu não poderia estar mais feliz por isso! – os olhos da garota estavam marejados enquanto falava – Obrigada, Mike! Eu nunca serei capaz de agradecer o suficiente, mas obrigada! Você é o melhor padrasto do mundo! – concluiu, abraçando Mike. Ele a abraçou forte, emocionado e sem palavras.

As emoções daquele dia estavam só começando.

***

Às cinco da tarde, Michael Henry Owen estava no pequeno altar montado de frente para o mar, longe o suficiente para que a maré não atingisse. Todos os convidados estavam de costas para ele, olhando atentamente para o final da passarela de areia e flores que levava até ele e o juiz de paz. Ele podia sentir suas mãos suando e seu corpo inteiro tremendo, mas quando Susan apareceu naquele corredor, nada mais importava. Ela era a visão de tudo o que ele mais queria naquele momento, tudo que ele mais amava. E ela estava linda, num vestido que o lembrava uma princesa… Melhor, uma rainha. Susan era a sua rainha.

Do outro lado, Susan sentia suas lágrimas caindo e agradeceu mentalmente à filha que surgiu de última hora com um fixador de maquiagem, dizendo que “uma camada à mais não poderia fazer mal”. Tudo o que fizeram na praia estava lindo, só os melhores amigos estavam presentes e ela sabia que logo Andrew e Savannah entrariam com as alianças. Mas nada disso estava no seu foco. Era Mike que importava. Ela só tinha olhos para ele, que estava lindo em seu terno, com os pés descalços assim como ela estava. Sentia a areia quente e olhava para Mike. Ela não poderia estar mais em casa.

Notas finais
(*) Time de futebol americano que joga na divisão nacional dos Estados Unidos, campeão no ano em que o Andrew nasceu. Curtiram??? Me contem loogooo, hahaha Até a próxima! ♥