Debaixo Do Mesmo Teto
13 All these lights, they can't blind me, with your love, nobody can drag me down
Notas iniciais
Mesmo com tudo o que estava acontecendo, Savannah, como boa namorada, estava presente no jogo do time de vôlei da escola naquela quarta à noite, onde Huntington Beach High estava disputando a semifinal do campeonato estadual da Califórnia do Sul. Peter vinha se tornando a estrela da equipe e, para desgosto de Sav, o centro das atenções das garotas da escola.
— Então quer dizer que você ainda não está falando com a sua mãe? – Natalie, melhor amiga de Savannah, sentou-se ao lado da garota na arquibancada, antes do jogo de Peter começar. – Quer dizer, já fazem quase dois meses, não é? – disse, entregando o cachorro-quente da amiga e dando uma bela mordida no seu.
— Sim, o clima lá em casa está péssimo. Quer dizer, nem estou em casa, estamos morando na casa do Mike. – Savannah suspirou – E eu tenho que ficar esbarrando com aquele... Garoto idiota. E, se não bastasse isso, sinto Peter cada vez mais distante.
Bem nesse momento, ela viu Andrew entrar em quadra.
— Ué, o que ele está fazendo lá? – Savannah indagou.
— Ah, o James se machucou no jogo passado e Andrew acabou entrando no lugar dele. – Natalie explicou, enquanto procurava pelo namorado pela arquibancada – Você viu o Arthur passando por aqui?
— Não, não vi – Savannah respondeu inconscientemente. Seus olhos estavam focados no moreno em quadra.
Ele acenava para a torcida, que gritava seu nome. Quando seus olhares se cruzaram, ele deu o seu clássico sorriso torto e piscou para Savannah. Ela quis morrer de ódio. "Argh! O que eu fiz de errado, Deus? O que eu fiz pra merecer um castigo desse tamanho?” ela pensou “E ele não podia ser mais feio e menos gostoso, só pra eu odiá-lo mais um pouquinho?”.
O pensamento foi afastado pela visão de Peter em quadra. Savannah tentava se concentrar nele, sorriu e acenou para o namorado, que retribuiu jogando um beijo. Sav podia ver Tiffany e seu bando olhando torto para ela, enquanto ela continuava a sorrir para elas. Deu de ombros e sentou-se novamente. A sua “ex-melhor-amiga-atual-inimiga” morria de ódio pelo fato de Savannah, além de ter se tornado a garota mais bonita do colégio (“posto” que anteriormente era de Tiffany), transformou Peter de um nerd desajeitado em um dos caras mais desejados de Irvine. A verdade é que Tiffany odiava Savannah só pelo fato da garota existir.
— Essa garota não te supera mesmo, Sav – Natalie ria, ao lado da amiga.
— Não é? Ela não consegue entender que eu sou linda, rica, fina, gostosa e tenho um namorado que é quase um deus. Fazer o quê? – Jogou os cabelos, como Tiffany faz irritantemente, e deu de ombros, caindo na gargalhada logo em seguida. – Como se eu ligasse pra isso tudo...
As duas conversavam durante o jogo, principalmente porque Arthur, namorado de Natalie, não pode ir ao jogo por problemas na família e a garota explicava o que vinha acontecendo. Mas isso foi se reduzindo ao silêncio, devido ao barulho do ginásio e da ansiedade das duas com o jogo, isso porque não demorou muito para o jogo ficar eletrizante. Huntington Beach vencia por 2 sets a 0 de Redondo Union. A torcida estava impossível, inflamando todos os jogadores no banco na hora do intervalo. Peter e Andrew já eram chamados de heróis na arquibancada.
— Peter, preciso de você na defesa – Andrew disse, sentado ao lado do jogador – Você foi o único capaz de parar o ataque daquele grandalhão.
— O camisa 11? Eu sei. Mas o que faremos no ataque?
— Você confia em mim? – Andrew olhou nos olhos de Peter, procurando por uma afirmação.
— Não exatamente... Mas se isso garantir nossa vaga na final, pode apostar que sim.
— Então eu te vejo na final, parceiro – bateu nas costas de Peter e voltou à quadra.
A combinação dos dois deu certo. Trouxeram mais confiança ao time com Peter defendendo quase todas as bolas e Andrew acertando todos os ataques. O time ia vencendo o terceiro set, mas não facilmente. O time adversário continuava vivo do outro lado da quadra, o que não facilitava a vida de Andrew e Peter. A torcida estava em chamas, gritando o nome dos dois tão alto que era possível sentir a vibração das vozes no ginásio do colégio. De onde estava, Savannah podia ver Tiffany perto da quadra, acenando e gritando o nome de Peter. A garota sentiu o sangue ferver e subir à cabeça.
— Segura a onda, Savie, você sabe que ela está fazendo isso de propósito, não é? – Natalie trouxe a amiga de volta à realidade.
— Eu sei, Nat, mas essa garota... Argh! Como eu a odeio!
— Então jogue ela pra cima do Andrew. – Natalie deu de ombros
— O QUÊ? – Savannah a encarou, sem acreditar nas palavras da amiga – VOCÊ QUER QUE EU O JOGUE PRA CIMA DESSA COBRA?
— Mas não é o que ela quer? Tomar algo seu? Melhor o Andrew que é tipo seu “irmão” do que o seu namorado...
— Se fosse só “irmão” era fácil e você sabe disso. – Savannah fechou os olhos, lembrando-se da primeira noite em que dormiu na casa de Mike.
— Pensei que vocês só tivessem ficado uma vez...
— Sim, foi só uma vez, mas mesmo assim... Não quero ter que encontrar essa víbora em casa. – Savannah tentava se concentrar no jogo e evitar sentir os arrepios que sempre sentia quando se lembrava do ocorrido de semanas atrás.
— Você ainda fica balançada quando se trata dele, não é? – Natalie riu – Está na sua cara que ainda sente algo por ele.
— Não, não, não. Eu amo, AMO o Peter! Não gosto desse nojento de jeito nenhum! – Savannah suspirou, frustrada. Sabia que estava mentindo para si mesma.
— Tudo bem, então, mas você vai ter que dar o braço a torcer quando ele vencer esse jogo.
O comentário fez Savannah se voltar de verdade para o jogo. Estava 24x22 para a escola deles e Andrew foi para o saque. Ele se concentrava na bola quando olhou para ela, ainda com o corpo abaixado e quicando a bola. Só retornou para o jogo quando ouviu o apito do juiz, autorizando o saque. Os oito segundos que ele tinha para executar o movimento pareceram uma eternidade para Savannah. Só quando viu – e todos os outros viram – a bola cair na quadra da equipe adversária é que ela voltou a respirar.
Todos explodiram em comemoração. A escola estava na final do campeonato. E os responsáveis por essa virada foram Andrew e Peter, ambos que saíram de quadra na direção da garota que não saía de suas mentes: Savannah. De uma forma ou de outra, ela sempre esteve lá, sempre apoiou os sonhos de Peter, sempre foi o motivo para Andrew querer ser o melhor que podia. Ela era a referência e, por causa dela, ninguém poderia derrubar aqueles dois.
Os dois riram quando chegaram juntos do lado da garota. A essa altura, Natalie já tinha encontrado Arthur e sumira das vistas da amiga. “Mas que bela companhia eu fui arranjar...” pensou. Andrew e Peter se cumprimentaram e se voltaram para Savannah, que se viu abraçada pelos dois. E por mais que negasse, naquele momento ela estava completa.
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