Debaixo Do Mesmo Teto
14 Are you aware of what you make me feel, baby?
Notas iniciais
A festa pulsava na casa de Victor, um dos integrantes do time de vôlei. Todos apareceram e o lugar parecia não ter mais espaço para um grampo de cabelo. Música alta, muitas gargalhadas, bebidas e os quartos cheios de casais garantiam o sucesso de uma clássica festa de comemoração de vitória da equipe da escola.
Savannah, no entanto, não conseguia entrar no clima da festa. Não com todo o assédio em cima de Peter. Eles haviam chegado juntos à festa, mas ela não o via desde a entrada. Sentada em um sofá qualquer, a garota se contentava com a seu copo de alguma bebida que não conseguia identificar o que era. Ela divagava sobre o que estava acontecendo no seu relacionamento. “Por que ele está tão distante? Ele jamais faria isso comigo antes” ela pensava “Parece que estou o perdendo e não sei o porquê...”
Ao seu redor, todos riam e pareciam se divertir muito. Seu espírito deprimido não parecia se encaixar com tanta alegria.
— Não está se divertindo, maninha? – Andrew simplesmente apareceu sentado ao lado de Savannah, que deu um pulo e ficou de pé.
— Tenho certeza que você quer me matar do coração, garoto! – Ela mal conseguia respirar, enquanto Andrew ria da reação dela – Tá se divertindo, bonitinho? Tá legal para você? Vamos ver se melhora agora.
Ignorando tudo à sua volta, Savannah virou seu copo de bebida na cabeça de Andrew. Ela só queria descontar o que sentia nele, mesmo que ele não fosse o culpado daquilo. O garoto, que antes gargalhava, está de cara fechada para a garota à sua frente. Ele se aproximou dela, ficando a poucos centímetros de seu rosto. Estava uma bagunça tão grande na casa que ninguém percebeu quando Andrew pegou-a pelo braço e levou-a ao andar de cima.
— O que você está fazendo, seu ridículo? – ela questionava enquanto ele a puxava escada acima — Para, isso tá me machucando, Andrew!
— Precisamos ter uma conversa, Savannah, e é agora.
Ele abriu a porta do primeiro quarto que encontrou e entrou, ainda puxando Savannah pelo braço. Assim que entraram, ele a soltou no escuro.
— Por que você faz isso, Savannah? – ele começou, encostando a cabeça na parede. Savannah via a silhueta dele, devido à luz da lua que entrava pela janela – Eu tenho sido legal com você, tentado melhorar a sua autoestima, tenho segurado a barra em casa, tentando não piorar o que já está ruim e quando eu tento fazer com que você melhore essa cara emburrada, é assim que você me retribui?
— Eu não posso fazer nada se você simplesmente aparece nos piores momentos... – ela cruzou os braços, em uma posição defensiva.
— E será que você é incapaz de ver que alguém está tentando te ajudar? Tentando fazer as coisas ficarem melhores pra você? – ele suspirou e se voltou para a garota – As últimas semanas têm sido um inferno naquela casa e eu sei disso. Você percebeu que eu nem implico com você mais? Eu fico tirando onda, tentando te conquistar pra você se sentir bem, mas você retruca com patada atrás de patada!
Savannah engoliu em seco. Ela notara a mudança de comportamento dele nos últimos tempos. Mais atencioso, menos implicante, Andrew tinha agido como um bom filho tanto para Mike quanto para Susan, e como um bom irmão para Savannah. Às vezes, mais que irmão. Ela tentava negar, mas ele realmente havia melhorado seu comportamento. Ela se sentia frágil com aquilo tudo.
— Me desculpa, tá? – Ela sentou-se na cama vazia, um milagre em uma festa como aquela – É só que tem sido difícil demais lidar com isso tudo. Você sabe o quanto minha mãe está distante, as nossas conversas, que eu tanto amava, nem existem mais e eu me sinto péssima. O fato de tudo estar acabando, inclusive meu relacionamento com Peter só piora essa sensação. E eu sei que nós já conversamos sobre isso, mas foi por sua causa que eu percebi que eu e Peter… Eu e… Nós estamos perto do fim. – Lágrimas brotavam dos olhos de Savannah
Andrew sentou-se ao lado de Savannah.
— Você e o Peter estão terminando mesmo?
— Não exatamente – ela suspirou – Mas como você disse aquele dia, o ensino médio está. Ele vai para Stanford e eu para Harvard, teríamos que atravessar o país para nos vermos sempre. E ele tem estado cada vez mais distante. Mal nos vimos nos últimos dias e fazia tempo que ele não me abraçava como ele o fez mais cedo, depois do jogo. Eu sinto que estou o perdendo a cada hora que passa.
Ele olhou para as mãos da garota e não conseguiu evitar o impulso de segurá-las.
— Olha, eu sei que eu disse para você deixa as coisas rolarem. Mas não tem outros jeitos? Telefone, Skype, mensagem... Sabe, não é difícil manter um relacionamento à distância hoje em dia, e vocês ainda podem se ver nas férias... – Andrew se sentia um babaca tentando salvar o relacionamento da garota que sempre amou com outro cara. Mesmo que ele esperasse, bem lá no fundo, que isso acontecesse, vê-la ali, mal com aquilo tudo, foi mais forte e o fez deixar de lado o que sentia por ela.
— Não sei... Eu não sei se funcionaria. São só quatro anos, eu sei, mas muito pode mudar nesse tempo. Quantas outras garotas ele pode conhecer? Ele pode se envolver com várias, Andrew, e eu nunca vou saber... – O choro de Savannah ficou mais alto. Andrew mais uma vez não conseguiu conter seus impulsos e abraçou-a. Ela enterrou a cabeça no ombro dele, permitindo-se liberar todos aqueles sentimentos que a sufocavam.
— Calma, Sav, vai dar certo. Eu sei que o Peter te ama e...
Nesse momento, um casal entrou rindo no quarto. A garota beijava o pescoço do rapaz, que tentava pará-la, mas se divertia com a situação.
— Tiffany, para com isso, eu não posso... – o rapaz ria quando a garota o beijou.
Savannah levantou a cabeça imediatamente, reconhecendo aquela voz.
— Peter?
Fale com o autor