Death Note: Ω

5 Capítulo IV: Visita (Mio)


08h23 — 22 de junho de 2026

Escritório de Mio, Residência Kujō, Okazaki — Kyoto

Mio

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Shinigami.

Sion largou o livro no colo de Mio e andou lentamente até a porta. Antes de abri-la, olhou uma última vez para ela, que ainda encarava o vazio, virada para o laptop.

Ele correu a porta de madeira.

O Shinigami era bem alto. Magro, alongado, de pele pálida, trajando mantos negros rasgados. O rosto lembrava uma máscara mortuária: imóvel, inexpressivo, com olhos fundos e claros. Atrás da cabeça, uma auréola quebrada se abria, torta e inútil. Das costas saíam formas finas e irregulares, como asas arruinadas, constituídas de ossos expostos.

Sion deixou o queixo cair ao encarar a figura. Fechou a boca, engoliu seco e ficou trêmulo.

— M-Mio?

Ela respirou fundo e lentamente virou a cadeira. Quando o viu, sentiu um calafrio. Todos os seus poros se arrepiaram.

O Shinigami encarou primeiro Sion, depois Mio.

— Shinigami... — disse Mio, fechando os olhos para recuperar a calma.

— Humanos.

A voz dele era baixa, quase educada.

Sion deu um passo para trás.

— Dois nomes. Já era hora.

— Sh-Shinigami? — disse Sion, ainda trêmulo.

— É... — respondeu ele. — Deus da Morte.

Sion recuou outro passo, mas a perna de apoio fraquejou, e ele caiu sobre o carpete.

— Mio Kujō. Sion Kujō.

— Como sabe nossos nomes? — perguntou Sion.

— Eu posso vê-los... acima de suas cabeças.

O Shinigami os observou. Eles não conseguiam parar de olhá-lo.

Silêncio.

— Senhor — disse Mio, calma. — Seu nome é Nodus?

O Shinigami a encarou. Refletiu.

— Sim. Eu me chamo Nodus. Assim como está na contracapa do meu livro.

— Seu livro? — perguntou Sion.

— O meu Livro da Morte. Que está em sua posse.

— Mi... devolve o livro dele.

Mio não se moveu.

— Não precisam devolvê-lo agora, se não quiserem... Mas, se não o quiserem mais, peço que o devolvam a mim. Por favor, não o estraguem.

— Não vou. Cuidarei do seu livro.

Sion olhou para ela, sem entendê-la. Ela manteve os olhos em Nodus. Sion voltou a encará-lo.

— Pelo que entendo, o entusiasmo de sua irmã pressupõe que ela pretende usar o livro. E você?

Sion percorreu com o olhar a vestimenta de Nodus. Depois observou suas asas. Por fim, voltou à sua face.

Um relâmpago clareou o ambiente por um instante.

— Vai me punir se eu usá-lo?

Nodus permaneceu em silêncio enquanto pensava na pergunta.

— Não.

Breve pausa.

— O que acontecerá comigo depois que eu morrer?

Nodus refletiu antes de responder.

— O mesmo que acontecerá a todo mundo. Todos os humanos são iguais na morte.

Sion pensou.

— Então a regra do paraíso e inferno é falsa?

Nodus, outra vez, refletiu antes de responder.

— Não. Essa regra me foi sugerida por outro Shinigami. Já que todos os humanos vão para o mesmo lugar, ela não deixa de ser verdadeira. Mas serve para desencorajá-los a usar o livro.

Mio olhou para o livro, pensativa.

— Então... para onde vamos? — perguntou Sion.

Nodus não respondeu de imediato.

— Saberão quando o momento vier.

Outra vez, Sion engoliu seco.

— Foi você que apareceu na TV Sakura segurando o papel do leilão? — perguntou Mio.

— Não. Aquele foi o Shinigami de Minoru Takada, o mesmo de Kira, ou Light Yagami. O mesmo Shinigami que me sugeriu a regra do pós-morte. E, por favor, não me chame de senhor.

— Desculpe.

— Tudo bem.

Ela pensou em algo.

— Então, de acordo com a última regra do livro, Minoru Takada morreu ao vendê-lo?

— O dele era um caderno. Mas, sim, ele morreu.

Ela continuou o raciocínio.

— Então por que o presidente dos Estados Unidos não morreu?

Nodus pensou.

— Você tem um palpite?

Mio sorriu discretamente, com o canto dos lábios.

— Ele rejeitou a posse do caderno. Então o Shinigami ficou com ele. Assim, ele não morreria. Nesse caso, a afirmação dele de que está em posse do poder de Kira é falsa. Pura pose.

Nodus a fitou.

— Está correto. O caderno ficou em posse de Ryuk, o Shinigami.

Mio pensou.

— Então presumo que essa regra tenha sido criada por causa de Minoru Takada, e não antes dele. A menos que ele fosse altruísta a ponto de sacrificar a própria vida para enriquecer parte da população japonesa.

Nodus olhou para o livro.

— Exatamente. A regra foi criada por causa dele.

Sion se levantou, andou até Mio e pegou o livro. Depois sentou-se no chão para ler todas as regras.

Nodus o acompanhou com o olhar.

— Há mais alguma regra que não está escrita? — perguntou Sion.

Nodus fixou os olhos nele.

— Há também um acordo.

Sion levantou o rosto do livro. Mio encarou o Shinigami.

— Que acordo? — perguntou ela.

Nodus olhou para ela, depois para Sion.

— Olhos de Shinigami. Ao possuí-los, vocês serão capazes de enxergar o nome de qualquer pessoa e o tempo de vida de qualquer humano. Da mesma forma que eu vejo os seus.

— E o que damos em troca? — perguntou Sion.

— Em troca, o humano que fizer o acordo deverá consentir em dar metade do tempo de vida que lhe resta ao Shinigami. Ou seja, viverá menos. Uma vez feito, o acordo não pode ser desfeito.

Nodus fez uma breve pausa e os observou.

— Essa oferta agrada algum de vocês?

Outro relâmpago. Pouco depois, um trovão estremeceu a janela do escritório de Mio.

Sion olhou para a irmã. Ela não retribuiu o olhar; manteve os olhos em Nodus.

Sion voltou a ler as regras do livro.