Ele consegue sentir um tipo de fenda por baixo do couro da bolsa, e percebe que é elástico então um objeto como um caderno pode passar por ali sem rasgar. Cuidadosamente ele retira o caderno, e fica o encarando. De fato era muito parecido com o que tinha. “ É isso? O que faço agora? A troca?” Pensava consigo mesmo.

– Olá. – Ele escutou alguém falar atrás dele. Virando a cabeça aos poucos, ele pôde se deparar com uma figura estranha. – Me chamo Moriko, e você?

_________________________________________________________________________________________________________________

Ele não conseguia falar nada — Por que você está aí congelado me olhando? Responda a minha pergunta. – Moriko disse ainda encarando o garoto que estava pálido.

– O-O-Oliv-ver. – Disse ele tremendo. – Você é a shinigami desse caderno?

– Sim, e o que você pretende fazer com ele?

– Eu não pretendo te contar. – Disse ele tirando a atenção da shinigami, era difícil, mas ele tinha que se concentrar em sua tarefa.

– Por que não? – Ela aproximou-se dele.

– Ora, se você é a shinigami da Misa...

– Eu não sou a shinigami da Misa, eu não sou a shinigami de ninguém, está pensando o que? Que sou um bicho de estimação?! Pra ser propriedade de alguém? – Ela interrompeu-o com uma expressão brava.

– Mas você é amiga dela não é? – Ele perguntou curioso.

– Não, na verdade, eu achava que você era amigo dela.

– Eu gosto dela, mas estou fazendo meu trabalho, por favor, não me interrompa. – Ele então se levanta, vai ao quarto, pega o caderno falso na sua mochila, e começa a copiar os nomes contidos no verdadeiro, para que assim, seja uma cópia convincente.

– O que você pretende fazer? – Insistiu a shinigami ao perceber o que o garoto tinha pego.

– Eu já disse, não interessa. – Ele respondeu concentrado em sua tarefa.

– Você está pretendendo prejudicar Misa de alguma forma? Não que eu me importe. – Perguntou ela.

– Eu ainda não sei o que faria, então cale-se e deixe-me trabalhar. – Ele disse, a shinigami estava começando a irrita-lo.

– O que lhe garante que eu não contarei a Misa? – Ela perguntou em tom de desafio.

– Você é comprável Moriko? – Perguntou ele dessa vez tirando a concentração do seu trabalho para encarar a shinigami.

– Como assim? Eu não sou um objeto.

– Ora, você aceita suborno?

– Só se você me der um saco de balas de cereja.

– Como você é barata.

– Se você quiser pode me dar mais, eu aceito.

– Enfim, você poderia me deixar só, eu agradeceria. Amanhã eu lhe darei a sua recompensa. Aliás, fique aqui, quero que você me tire algumas dúvidas...

_____________________________________________________________________________

Eram 8:30 da manhã, Misa levanta-se.

– Que mais um dia comece. – Ela deduziu que Oliver já estava acordado. – Oliver? – Ela começou a chama-lo. – Nossa, será que ele não acordou?

Ela vai até o quarto dele e bate a porta. Vendo que não havia resposta. Ela entra. Ela percebe que Moriko estava junto a cabeceira da cama.

– O que você está fazendo aí Moriko? – Disse Misa em um tom baixo para não acorda-lo. – Saia já de perto dele. Não faça nenhum mal a ele, ouviu? Saia, saia, saia já daqui. – Disse ela um pouco brava.

Moriko retira-se com um sorriso irônico no rosto. Deixando Misa um pouco preocupada.

– Oliver? – Diz missa chacoalhando o garoto insistentemente.

– Ahm? O que? O que.. – Ele acordou assustado.

– Nossa, você gostou mesmo da cama não foi? Dormiu demais hoje. – Disse ela sorrindo.

“Na verdade eu não dormi. Obrigado por se preocupar comigo”. Pensava ele. – É que, eu fiquei a madrugada toda estudando.

– Tudo bem, agora vá se arrumar.

Ele levanta-se e vai ao banheiro. Enquanto Misa apronta o seu café.

Alguns minutos depois, eles já estavam prontos pra ir, descem as escadas, vão até o carro e seguem para o seu destino.

________________________________________________________

Chegando na escola, Oliver desce do carro relutantemente, como sempre, e pôde um ouvir "Divirta-se" vindo de Misa, Fazendo-o revirar os olhos. Ele caminha até a entrada, e olha para trás, e observa o carro ir embora. Aquele seria um longo dia, mais longo do que de costume, pensava ele.

_____________________________________________________________________________

Enquanto isso os membros da força-tarefa chegam ao QG, após uma noite cansativa ajudando a polícia japonesa a resolver algum um crime de alta periculosidade.

Mogi jogou-se em uma poltrona — Ontem foi um dia bastante cansativo, e só de pensar que ainda temos que lidar com o Caso Kira... E você ainda tem um casamento em algumas semanas!- Disse olhando pra Matsuda. — Falando nisto, como estão as coisas?

–As coisas estão ótimas, a Sayu é maravilhosa em tudo o que faz, nosso casamento será perfeito, mesmo com tantas coisas acontecendo ela me deixa calmo. E como está o relacionamento pessoal de vocês? Ultimamente estamos trabalhando tanto que às vezes penso que vocês não tem tempo para namorar.

– Não acham que tem coisas mais importantes para discutirmos do que nossos relacionamentos pessoais? — Arisu interrompeu-os. — Como, por exemplo, o caso Kira, sabe, ficamos um dia inteiro fora, nem o Hora da justiça nós assistimos. Precisamos nos atualizar.

– Arisu, da forma com que você falou parece que eu não sou realmente importante para você.

Ela suspira alto. — Lá vem você de novo, parecendo uma mulherzinha, acho que você, aliás, vocês, se esqueceram que estamos no trabalho, e nós trabalhamos na força-tarefa japonesa. E como membros da força-tarefa japonesa temos muitas responsabilidades, e acabar com Kira definitivamente é a prioridade aqui. Agora, qual será o nosso próximo passo?

–Realmente você tem razão Arisu, temos que focar no trabalho para que depois possamos nos preocupar com nossas vidas pessoais. Faremos o que você disse, assistiremos o hora da justiça agora para que possamos nos atualizar das coisas e depois descansaremos um pouco.

_____________________________________________________________________________

Enquanto os membros da força-tarefa discutiam, Misa chegava em casa. Ela deita-se no sofá, e de repente tem a súbita sensação de que está se esquecendo de alguma coisa. — Será que tem alguma coisa agendada pra essa semana? — Diz ela pra si mesma. Ela levanta-se para ir até sua bolsa, a fim de pegar sua agenda. Então, ela nota algo estranho, havia um brinco fora da bolsa, e o mais curioso era que um estava no chão, enquanto o outro estava dentro da bolsa. — Ok, Alguém definitivamente mexeu na minha bolsa. — Ela pega-o e vai até Moriko que está sentada em uma poltrona segurando um grande pacote com balas dentro. — Moriko você mexeu na minha bolsa? E a propósito, onde você conseguiu essas balas? — Pergunta Misa arqueando uma sobrancelha.

–Primeiro não me acuse sem provas, segundo não lhe interessa como eu as consegui , você não tem me dado balas com tanta frequência então tive que arrumar um jeito de obtê-las.

– Nossa! Não precisa ser rude, quer dizer, é só que algumas coisas estranhas aconteceram. Enfim, Agora eu me lembro o que eu tenho que fazer, eu tenho que escrever o nome dos bandidos divulgados ontem pelo programa, a presença de Oliver me impediu de usar o caderno.

Misa então tira o caderno da bolsa e escreve os nomes dos criminosos que foram divulgados á noite passada no Hora da Justiça.

Depois de ter escrito os nomes, ela deita no sofá e fica assistindo TV, não tinha nada para fazer além de buscar Oliver na escola. Horas se passaram, e faltava menos de uma hora para ir busca-lo quando de repente seu celular toca. — Alô quem fala?

– Misa aqui é o Near, não precisa ir buscar o Oliver hoje, está bem?

–Tudo bem, mas quem vai busca-lo?

– Eu mesmo. Estou saindo de casa agora, não se preocupe.

Ela estranhou um pouco isso, mas concordou -Está bem, obrigada por avisar Near.

_____________________________________________________________________________

Oliver havia largado mais cedo hoje, uma professora passou mal e teve que ir pra casa, por alguma coincidência do destino ou por pura sorte mesmo, parece que tudo estava agindo para que ele executasse o seu plano. Todas as crianças estavam ligando para os seus pais menos ele, este se dirigiu ao pátio para pensar no que ia fazer.

Hideki estava dando aulas para a sua turma, acompanhado de Ryuk que estava comendo maçãs escondido. Ele estava caminhando pela sala, uma mania dele, dar aula enquanto anda. Quando olha de relance pela janela, ele vê algo que o interessa, algo que o faz querer aproximar-se. Ele vê Oliver a tirar da bolsa o seu tabuleiro de Go, e começar a monta-lo sobre uma das mesinhas do pátio.

“Então você pretende jogar hoje?” Disse Hideki pra si mesmo. “Muito bem então, não vou atrasar nossa partida, dessa vez será diferente, vamos jogar por mais tempo”.

– Turma, nosso assunto já está finalizado por hoje. Acho que já podem ir pra casa. – Hideki disse alto. Fazendo as crianças comemorarem, e arrumar suas coisas, algumas já estavam a correr rapidamente com medo de que o rigoroso professor mudasse de ideia.

Oliver está sentado no pátio do colégio, hoje ele tinha levado o seu jogo preferido, sabia que se Hideki ve-lo com o Go com certeza iria falar com ele, e estava certo, assim que terminou de montar o tabuleiro, a figura alta do professor de estudos sociais se aproxima dele.

– Quer que eu seja o seu adversário? – Perguntou Hideki já sentando no banco oposto ao menino. Oliver tira os olhos do tabuleiro e encara-o, assentindo com a cabeça. — Tudo bem, você começa.

– Eu tenho treinado, apenas avisando. – Disse Oliver com um sorriso.

– Ótimo, sei que essa partida não será fácil então.

Dez minutos se passam, ambos estavam concentrados no jogo. Quando de repente, Na vez de Oliver. Ele se interrompe, e olha para Hideki.

– Eu tenho algo para falar. – Disse Oliver olhando para os lados.

– Você quer desistir? Tudo bem, eu entendo, é difícil alguém superar o meu Q.I. – Disse Hideki irônico.

– Não é isso! – Ele olha para os lados certificando-se de que não havia mais ninguém lá. E joga um caderno negro sobre o tabuleiro, fazendo as peças se espalharem, e algumas caindo no chão.

– O que é isso? – Perguntou Hideki com uma sobrancelha arqueada. Será que Oliver era um portador, mas isso é impossível, Hideki consegue ver o nome e o tempo de vida dele, como pode ele ser um portador?

– É o meu Death Note. E se os meus cálculos estiverem certos, você também tem um. – Disse ele.

– Misa pediu para que você fizesse isso? — Era óbvio que ele estava blefando, não tinha como Oliver ser um portador.

– Do que você está falando?

– Você não pode ser o portador desse caderno. – Disse Hideki confuso.

– Como sabe disso?

Hideki levanta as duas sobrancelhas. Será que esse era o plano dele o tempo todo? Obter uma confissão dele? Ele estava com algum tipo de gravador? O que está acontecendo. — Eu sei por que eu sei. – Ele decidiu não contar sobre o acordo.

– A verdade é que eu não sou o portador deste caderno, Misa é a dona. Mas ela não é minha babá, bem, não nesses termos, ela só me protege.

– Lhe protege de que? – Perguntou Hideki arqueando uma sobrancelha.

– Ela pode ter o caderno, mas sou quem o uso. – Ele aproximou-se de Hideki e falou baixinho. – Eu sou Kira.