Death Note - Phoenix
17 Adeus
Hideki arregala os olhos, e olha para o lado, onde estava Ryuk. E Ignorando totalmente o fato de que Oliver pode achar que ele é louco, começa a conversar com o shinigami. – Isso é p-p-possív-vel Ryuk? – Perguntou ele nervoso.
– Sim, é possível. – Respondeu o shinigami indeferente.
– Honestamente Ryuk, eu vou tirar um dia só para ouvir todas as regras.
– E eu não pretendo dize-las.
– Então é verdade? – Disse Oliver com um brilho nos olhos. — Você tem mesmo um Death Note? E agora está conversando com o shinigami não? – Hideki não conseguiu pronunciar uma palavra, como ele sabia daquilo tudo? — Sabe, isso é irônico, quer dizer, você usa o seu death note para matar crianças, e eu utilizo o meu para matar adultos criminosos como você.
– Eu não sou um criminoso. – Hideki protestou ofendido. — Você de todas as crianças deveria me entender. Quando eu era uma criança, eu era diferente das outras , assim como você. Eu era o mais inteligente da minha sala e as outras crianças não gostavam da minha presença, eles me batiam e me diziam coisas ruins. Até mesmo em casa eu recebia punições dos meus pais caso eu não tivesse um desempenho perfeito em tudo o que eu fizesse. Você sabe por que minha antiga escola fechou Oliver?
– Não, não sou daqui. – Respondeu ele.
– Eu estava no banheiro do colégio, recebendo socos e pontapés dos meus colegas. Quando de repente, o alerta do incêndio tocou, aparentemente, houve um problema com a fiação elétrica, no desespero, os meus agressores deram-me um último soco, porém com mais intensidade fazendo com que eu atingisse a quina da pia com a minha cabeça e desmaiado. Mesmo com os alunos evacuando o prédio, eles me deixaram lá. – Hideki afasta algumas mechas de seu cabelo e mostra uma cicatriz. – Essa é uma das marcas deixadas em mim.
– E como você sobreviveu?
– Os bombeiros chegaram a tempo de me tirar de lá, eu estava sangrando muito e só recobrei a consciência quando estava no hospital. A escola foi demolida e foi a partir desse dia que eu me tornei uma pessoa vingativa, e o ódio só cresceu com o tempo. Quando eu encontrei o Death Note, eu jurei me vingar daqueles que me fizeram sofrer na infância e acabar com crianças como eles.
– Matar crianças que você não sabe se são inocentes ou não para proteger outras, não te torna um herói, só faz de você mais repugnante que os seus colegas de escola. Você sabe que elas não podem se defender, e se utiliza disso para machuca-las.
Hideki abaixa a cabeça em decepção. – Eu achei que você iria me entender. – De fato aquilo mexeu com Hideki, de certa forma, ele se via em Oliver, e pensava que ele poderia ser o sucessor do seu “trabalho”.
– Eu entendo o seu sofrimento e seu desejo de vingança, mas você não pode sair por aí matando crianças sem motivo algum. – Oliver disse em um tom um pouco confortante. — Ao contrário de você, eu mato criminosos que fizeram mal a sociedade, não simplesmente porque eu não vou com a cara de alguém, não apenas por sede de vingança, mas por justiça, isso é o que me faz ser diferente de você. Você é egoísta e faz as pessoas sofrerem. Enquanto eu penso no bem da sociedade.
– Eu também faço um bem pra sociedade, porque se essas crianças crescerem, elas vão virar aqueles que você assassina agora.
– Não há como você prever o futuro, não pode afirmar isso com tanta certeza. No final, não é justificativa para as mortes que você comete. E você sabe disso. Mas o que está feito, está feito. Não há como voltar atrás.
– Não adianta Oliver, você não me entende.- Hideki bateu seu punho com força sobre o tabuleiro. — e eu acho que nunca encontrarei alguém que me entenda, talvez eu realmente seja louco. – Ele abaixou a cabeça e ficou olhando pro chão, Oliver estava começando a incomoda-lo com as suas palavras, ele não entendia porque estava sendo tratado daquele jeito.
– Posso te pedir uma coisa Hideki?
– Claro.
– Posso ver o seu shinigami? — Hideki assente e então joga um fragmento de papel sobre o tabuleiro. Sem hesitar, Oliver encosta os seus dedos no mesmo, e olha pra frente, levantando as sobrancelhas em susto. — Você é mais assustador que Moriko...
– Isso foi um elogio? – Respondeu o shinigami a afirmação do garoto.
– Está mais para uma observação.
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Near estaciona o carro em frente ao prédio da Escola, e a analisa com os olhos. “É uma escola grande”.
– Não acredito que você nos obrigou a vir, só pra buscar esse pirralho. – Comentou Halle, ela estava acompanhada de Anthony que também estava bufando de impaciência.
– Deixem os seus celulares ligados. Se a suspeita que eu tenho for confirmada eu precisarei de vocês.
Ele sai do carro, e segue em direção ao prédio. É recebido pelo porteiro. Explica-lhe a que veio, e este lhe responde que as crianças esperam os responsáveis no pátio. Então ele segue em direção ao pátio. Aproximando-se do local, ele tem a sua suspeita confirmada. Flutuando perto de um homem alto lá estava — Ryuk... – Murmurou ele. Ele retira o seu telefone do bolso, e rapidamente digita um número, enquanto caminha apressadamente.
–Alô? – Respondeu Halle.
– Só me escuta, venham pra cá agora, posso estar correndo um risco muito grande agora, por favor, venham logo. – Ele desliga.
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Hideki estava com a sua cabeça baixa, pensativo, ele estava em dúvida se Oliver era realmente merecedor de receber o Death Note dele. De repente, alguém o faz levantar os olhos. Um rapaz familiar caminhava apressadamente, em direção a eles.
– O! – O garoto virou-se. – Eu vim lhe buscar.
“Onde eu o vi?” Pensava Hideki. “Vamos Hideki, lembre-se, eu o vi em algum lugar, mas onde?”
– Adeus, Hideki. – Oliver despediu-se sorrindo enquanto guardava as peças e o tabuleiro do Go.
– Espere. Por que Misa não veio? Você conhece esse homem?
– Sim, ele é meu amigo.
“É claro! O enterro daquele agente!” Então, Hideki percebe que Near olha rapidamente para atrás, onde estava... Ryuk! E este, estava a gargalhar atrás dele.
– Preciso ir. – Hideki levanta-se bruscamente, e sai do pátio em passos apressados, não olhando pra trás.
Ao chegar na porta principal, um casal se aproxima dele.
– Boa tarde, você poderia nos dar uma informação. – Disse o homem.
– Desculpe, estou atrasado. – Ele desviou deles, e continuou a caminhar em direção ao grande portão de entrada, faltava pouco para ele sair dali. Ao dar um breve olhar pra trás, ele pôde perceber que Near estava o seguindo.
Near fez um sinal com os olhos para os outros dois que o havia abordado, e estes começaram a persegui-lo. Hideki apressou os passos, mas em vão, ele foi facilmente alcançado pelos outros.
– Katashi Hideki, você está preso pelo assassinato de centenas de crianças. – Disse a agente. Ele olha para Oliver, que estava olhando para baixo, como se não quisesse presenciar aquela cena. Então, percebe que não havia mais escolhas.
Ele olha para o lado a procura do Shinigami, e esse estava o observando perto o suficiente para escutar o que ele falava- Ryuk... – Hideki chamou-o.
– Vai mesmo falar comigo na frente de todas essas pessoas? – Perguntou Ryuk ironicamente enquanto se aproximava deles.
Hideki deu uma risada fraca. – Mate-me. – Disse o professor fazendo os agentes se espantarem e pararem de empurra-lo até o carro.
– Tudo bem então. O caderno está no lugar de sempre?
– Sim.
– Adeus, Hideki.
Near começa a seguir o shinigami.
– Agora vocês vão tentar me prender por fazer o meu trabalho, poupe-me. – Ryuk começa a voar mais rápido, e mais alto, eliminando totalmente as chances de alguém segui-lo.
– Nos veremos de novo. – Murmurou Near enquanto observava a figura negra afastando-se.
Os membros da SPK ficaram um pouco confusos com o que acabara de acontecer e levaram Hideki mesmo assim, afinal aquilo pode ter sido um blefe. Assim que chegam no Q.G, Hideki chama a atenção de todos pondo a mão no peito e fechando os olhos, dando um grito abafado, e então morre.
– É, não era um blefe. – Disse Near que estava ao seu lado.
– O que iremos fazer com o corpo? – Perguntou Halle.
– Iremos encaminhar para a polícia japonesa, isso não é de nosso interesse, já perdemos tempo demais aqui, o verdadeiro Kira ainda está a solta.
Alguns momentos depois, um toque de celular desconhecido por Near sai de seus bolsos, fazendo-o levar um susto. Ele percebe que não era o seu celular, mas sim o de Hideki, ele havia sido revistado antes de entrar no carro.
Ele encara a tela do celular por alguns segundos, e logo depois abre um sorriso irônico. No visor estava a mensagem “Está sentindo minha falta?”, mas o mais interessante, era a remetente... Misa Amane.
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