Death Note: Ω

12 Capítulo VII: Sopa (Sion)


11h47 — 1º de agosto de 2026

Sala de Jantar, Residência Kujō, Okazaki — Kyoto

Sion

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Na sala de jantar, próximo ao horário de almoço, seis laptops estavam dispostos sobre a mesa, um para cada cadeira. Nenhum deles era o de uso pessoal de Mio.

Sion veio do corredor carregando o Liber Mortis, aberto em uma das páginas de regras, enquanto tentava se guiar até uma cadeira e ler ao mesmo tempo.

Um cheiro agradável de comida vinha da cozinha, no outro cômodo.

Sion sentou-se na ponta da mesa, mas evitou até mesmo esbarrar no laptop diante dele. Afastou um pouco a cadeira e encostou-se. Olhou para o lado, vendo o acesso à cozinha, e avistou Mio ocupada. Nodus a observava cozinhar.

— Mi? — chamou Sion.

Ela bateu uma colher de pau duas vezes na borda da panela, onde preparava uma sopa de legumes, depois a largou na pia e secou o vapor das mãos em um pano.

— Hm? — respondeu ela, aparecendo no vão da porta.

— Nenhum desses são os de descarte, né?

Ela raciocinou.

— Não. As carcaças já foram. E as peças menores estão no tatame. Cuidado com os pés.

Ele não disse mais nada. Apenas voltou os olhos às regras.

— Por quê? — perguntou ela.

Ele deixou o queixo cair levemente, pensando no que dizer.

— Eu queria pesquisar uma coisa.

— Sobre?

Ela voltou aos afazeres, dando-lhe apenas atenção pela voz.

— Alvos. Um para cada cidade da transmissão.

— Não! — Ela respondeu de imediato, quase em um grito. — Eu pesquiso e você decide. Mas tá... eu acho. Parece uma boa.

— E se você quer brincar com o L, seria interessante eles escreverem algo antes... Sei lá, "L, me ajuda".

Ela voltou ao vão da porta.

— E depois o quê? Eles simplesmente infartam? — Fez uma expressão de julgamento, considerando a ideia tola. — Não.

A expressão de Sion foi nítida; ele se sentiu bobo.

— Com licença... — Nodus se fez presente pela voz, embora estivesse ali o tempo todo.

Ambos olharam para ele.

— Não quero induzi-los a nada, mas... já faz um bom tempo que não escrevem um nome.

Sion deixou escapar um leve riso, concordando.

— Isso porque a Mio quer que o L a note antes.

Mio deixou o peso da cabeça cair, fitando Sion. Revirou os olhos. Então se explicou:

— É importante que L responda. Ele desafiou Kira, então provavelmente desafiaria a gente. Até mesmo o silêncio dele seria valioso, porque funciona como omissão estratégica.

Nodus perguntou:

— Se o silêncio dele é valioso, por que não se satisfaz com a falta de resposta?

— Porque a falta de resposta é um silêncio dúbio. Abre muitas interpretações. Eu tenho certeza de que ele viu o vídeo, mas quero saber o que ele sabe. Mesmo que ele esconda cartas, ainda jogaria com alguma. Sabendo seu jogo, eu teria menos variáveis para o que está na manga dele.

Nodus a encarou. Sua face inexpressiva não ajudava, mas ele transpareceu compreensão: acenou com a cabeça. Ainda acrescentou:

— E presumo que transmitir mais algo sem antes ter obtido sua resposta seja algo muito arriscado.

— Isso — afirmou Mio. — Portanto, embora eu tenha pesquisado as reações públicas online, ainda acho que devemos esperar antes de escrever nomes.

Ela olhou para Sion.

— A sua ideia é boa. Eu havia cogitado exatamente isso, mas achei que o caminho oposto seria mais adequado. Pelo menos, por agora.

— Mas, Mio... caçar criminosos fora dos fóruns é pedir para ser rastreado — alertou Sion.

— Eu sei disso — ela avançou o corpo de imediato, mas sem dar um passo.

Depois, Mio voltou à posição anterior. Respirou. Soltou o ar.

— Mas, com tanta comoção, há milhares de pessoas fazendo justamente isso. Ainda somos uma bolha d’água no mar — concluiu ela.

Sion pensou pelo ângulo imposto por ela. Nodus não parava de observá-la.

— Mas ok, Sion. A gente faz do seu jeito. Cinco nomes, um para cada cidade da transmissão. Quando eu tiver alguns, eu te mostro. Você escolhe.

Ele deu um sorriso sincero e sutil, com o canto dos lábios.

Nodus ouviu um som vindo do fogão. A sopa havia começado a borbulhar mais forte.

Mio percebeu após um momento de introspecção e correu até o fogo, baixando-o. Mexeu uma última vez com a colher de pau. Coletou um pouco. Relutou, mas levou à boca. Sentiu o gosto da refeição nos lábios. Virou o restante da colher na pia e a largou ali mesmo. Aguardou um momento e desligou o fogo.

Mio andou até o vão da porta, escorando-se. Fez questão de que Sion a ouvisse, mas falou com Nodus:

— Nodus.

Ele não respondeu com palavras, mas com o olhar.

— Por que você nos escolheu para ficar com o livro?

Sion tirou os olhos das regras e os voltou ao Shinigami.

Ele a encarou por um breve período.

— O que a faz pensar que eu os escolhi?

— Você é muito sério para aleatoriedades — disse Mio, cruzando os braços.

Nodus manteve o olhar nela.

— Observei vocês por algum tempo.

Mio não se moveu. Sion manteve a cabeça voltada a ele.

— Muitos humanos pegariam o livro por ganância. Alguns por medo. Outros por tédio... — disse ele. — Vocês não.

Nodus inclinou a cabeça para baixo, ainda fitando Mio.

— Você perguntaria como ele funciona.

Depois, Nodus olhou para Sion.

— E você, o que significa.

Sion baixou a cabeça, refletindo. Mio ainda manteve o olhar no Shinigami.

— Eu não preciso escrever nomes por um bom tempo, por isso confiei o meu próprio livro a vocês. Neste momento, eu não tenho nenhum. Por isso pedi para cuidarem bem dele.

— O que você espera da gente? — perguntou Sion.

Nodus virou o rosto para ele.

— Que o usem direito... — disse Nodus. — Que não apenas matem.

Sion ainda lhe deu uma breve encarada, depois voltou os olhos ao livro. Mio, mesmo de braços cruzados, relaxou a musculatura.