Notas iniciais
Boa leitura!

One For All…

Uma energia pulsante envolvia Izuku Midoriya, enquanto suas veias brilham, já muito aparentes devido a sua pele pálida. Foi quando ele saltou, o punho cerrado, em direção ao homem de terno e máscara de abóbora.

Full Crowling!

O lugar não era muito propício a um combate corpo-a-corpo — pouco iluminado, a grama já muito alta, e o inimigo possuía vantagem de conhecer a região. Foi por isso que ele riu, por trás daquela máscara risonha — o que Deku não percebeu antes de tentar acertá-lo de cima à baixo.

5% Detroit Smash!!!

E o impacto do soco não pôde ser ouvido.

— Eu estou aqui!

Dentro da fábrica, cujas janelas proporcionavam fracos respingos de luar, All Might surgia, a voz calorosa e imponente, aliviando a alma dos quatro reféns que estavam amarrados á metros do chão.

 —  Eu estou aqui — repetiu — vamos, os libertem!

—  Você sabe que não é assim que funciona — uma voz ecoou por todo o recinto, e nem mesmo o Herói n°1 pôde identificar de onde ela veio — ajoelhe-se e se renda.

Ele não poderia recuar. Se relutasse, colocaria em risco aquelas pessoas, mas se fizesse o que lhe pediam, toda a segurança que havia construído para elas iria diluir-se. Lhe restou continuar o diálogo.

—  Ninguém vai se machucar. Apareça! Vamos resolver isso da melhor…

Antes que pudesse completar a frase, viajou pelo ar o som da corda se rompendo, enquanto os gritos desesperados dos reféns pendentes iam de encontro ao chão. All Might se precipitou de pronto, e impulsionado pela forte musculatura de suas pernas, saltou em direção aos corpos em queda livre.

Antes que pudesse alcança-los, seu corpo desapareceu na escuridão.

A fábrica abandonada e completamente afastada da cidade era o cenário perfeito. Um grupo de vilões requisitava a presença de All Might, tendo como preço a vida de quatro estudantes inocentes. Qualquer aproximação, segundo eles, custaria essas vidas — o que fez com que a opinião pública ansiasse para que o Símbolo da Paz aparecesse e resolvesse as coisas, sem a presença de outros heróis, que poderiam ativar o gatilho dos sequestradores.

Não foi o que aconteceu, muito embora o Herói n°1 quisesse aparecer sozinho. A teimosia os alunos da U.A prevaleceu, e o Símbolo da Paz foi seguido.

Minutos depois de All Might ter entrado, de dentro da fábrica saiu o homem de máscara — uma abóbora com um sorriso esculpido. Seu terno, com manchas de poeira e respingos de sangue, e a gravata, mal-colocada, quase que brilhava, escarlate.

Um ruído análogo a um chiado começou a ser escutado pouco a pouco. Este ruído crescia, tornava-se amplo, e de dentro dele uma voz fúnebre e desdenhosa se fez presente. Era um som pendular, que assombrava os tímpanos dos heróis e aspirantes. Um riso de vilão.

 —  Já chega de brincar. Sei que todos vocês estão aí — e num estalar de dedos, os heróis sentiram algo parecido com cipós chicotearem suas costas. A evasão foi certa, mas num piscar de olhos todos estavam dentro do campo de visão do homem mascarado.

Que merda foi essa, pensou Bakugo, mas, nem conseguiu se concentrar quando viu Deku avançando em direção ao vilão.

Também não soube reagir quando viu que um portal tinha sido aberto entre ambos os corpos, e engolido completamente o aspirante a herói.

 —  Isso não pode ser real — Todoroki Shoto exclamou, os olhos perplexos — onde está All Might?!

E foi surpreendido, novamente, quando Bakugo foi impulsionado por uma explosão em direção ao homem mascarado. Sua praga, ríspida e violenta, rasgava o ar enquanto se aproximava do vilão — não obstante, Shoto interveio, se colocando entre os dois através de um caminho de gelo pelo qual o garoto deslizava.

Não foi o suficiente. Os dois garotos chocaram-se, aterrissando em lugares diferentes. E antes que soubessem que o vilão continuava a gargalhar, desapareceram na terra, da mesma forma que Deku.

 —  Quais são os limites do poder desse desgraçado?! —  Os motores nas panturrilhas de Iida berraram, e lutando contra o vento com todo o êxito, ziguezagueou na direção do vilão, desviando dos portais.

O herói motorizado se imaginou acertando, com um chute, a mandíbula do vilão risonho, e sua redenção. Contudo, o que aconteceu foi o extremo oposto: Tenya Iida sentiu o chão chocar-se com seu queixo violentamente, e seus joelhos estavam constritos em um cipó. Procurando com os olhos a origem daquilo, viu um homem pálido, de roupas puídas, e uma máscara não menos rudimentar.

 — Obrigado, Straw — disse o abóbora, dentre risos — dessa vez foi quase.

O aspirante a herói, caído na terra suja e humilhante, sentiu seu corpo ser engolido por um portal viscoso e lancinante, enquanto praguejava. Seus gritos foram pouco a pouco abafados, e logo nada mais se pôde ouvir.

Vermelho. Preto. Vermelho. Preto. Vermelho. Vermelho, vermelho, vermelho — a lâmina curva, fina e ampla desferia uma parábola e a carne pela qual trespassava explodia em tons escarlates. Um grito. Maka Albarn ofegava e saltava para trás num movimento acrobático, deixando a criatura corpulenta e abjeta agonizando de dor, com um imenso e brilhante corte nas costas.

 —  E agora — disse, entre intervalos de respiração — vai nos dizer onde está a bruxa?

 —  Vá a merda, pirralha!

E a garota avançou novamente contra o ser, cujo rosto era uma caveira e as mãos eram como garfos, mas o corpo era uma massa de músculos. Um kishin.

 —  Então você será purgado!

 —  Maka! — Nesse instante, a artesã sentiu sua foice ficar mais pesada; estava relutando. Foi a oportunidade perfeita para a criatura revidar, empurrando a garota contra a parede num movimento de ombros digno de um jogador de futebol americano. Mesmo cambaleante, o kishin moveu-se velozmente para longe dali, deixando um rastro de sangue. Começou a escalar o prédio, enquanto Maka lutava contra sua foice, permitindo que o monstro escapasse.

 —  Vamos atrás dele! — Mas logo sua arma começou a brilhar, perdendo a forma, transformando-se num garoto de cabelos brancos, que no momento fitava o canto escuro do beco.

 —  Soul! Vamos, ele vai escapar! — A garota, em vão, agarrava pela blusa o braço do rapaz, que se livrou de suas mãos num movimento brusco.

 —  Tem alguém ali — disparou — você não percebeu, mas algo brilhou enquanto lutávamos. E tem alguma coisa… respirando ali. Não consegue ver?

 —  Mas, o kishin…

Ignorando-a completamente, começou a andar em direção ao local indicado. Viu que tinha razão. Tinha alguém ali. Moveu seu corpo com cuidado para mais longe do fundo do beco, revelando-o com detalhes.

 —  Se seguíssemos o kishin, deixaríamos essa pessoa aqui. É isso que você queria?

Maka pensou em dizer algo, mas logo se calou, contrariada. Ruborizou, instantes antes de perceber a pessoa ali deitada, inconsciente: tinha cabelos volumosos, bagunçados, e usava um traje verde que lhes era completamente excêntrico.

 —  Nunca vi nada parecido — Soul sorriu, sarcástico — o cara deve ter tido uma noite de farra, numa festa fantasia. Acho que perdemos nosso tempo.

 —  Não! Eu… eu nunca vi essa pessoa por aqui… isso é muito estranho.

 —  Não temos muito o que fazer. Merda. Meu estômago ronca. Devíamos ter ido atrás do ‘bicho’ mesmo.

 —  Não se arrependa, agora. Já que estamos aqui, vamos avisar o Shinigami-sama — ainda com um pouco de rancor, a garota procurava por alguma superfície espelhada — veja se ele não está ferido.

Soul verificou se no corpo do rapaz não haviam manchas de sangue, ferimentos graves, hematomas. Tinha alguns arranhões, sim, mas percebeu que ele tinha músculos definidos demais para sua idade, e muitas cicatrizes. Era um guerreiro? Um artesão? Uma arma?

Naquele instante, Maka usava seu hálito para criar uma mancha na superfície de uma janela, de forma que pudesse escrever o número do espelho de Shinigami-sama. Mas antes que pudesse terminar de discar, ouviu o chamado de Soul. Ela se precipitou, e ambos perceberam que o rapaz estava acordando.

Pela primeira vez, ouviram sua voz fraca. E eram apenas duas palavras desprovidas de sentido:

 —  All… Might…

Notas finais
O que acharam desse começo? Muitas coisas esperam nossos heróis. De ambos os mundos. Em breve chega o próximo capítulo. Arrivederci!