Death Game
10 A mansão dos mortos
Os cinco então obedeceram. Gordon estava comendo um pacote de bolacha, Baxter estava cuidando de seus ferimentos com uma planta roxa, Harrison estava louco para bater em alguém, e depois do que tinha acontecido o maior alvo era Scott. Esse por sua vez estava tentando arranjar uma conversa com Alice que apenas o ignorava
— Hey Baxter – Disse Palmer se aproximando – O que está fazendo?
— Eu estou usando essa Helofarina para cicatrizar meus ferimentos, elas são plantas medicinais apropriadas para cortes como esses, é uma raridade achá-las, fiquei surpreso por encontrá-las logo aqui.
Palmer esboçou um sorriso.
“Esse garoto é mais inteligente do que eu pensava, conhecer uma planta como a Helofarina precisa de muito estudo.
Depois de seguirem por uma estrada de terra, chegaram a uma mansão gigantesca que estava caindo aos pedaços.
— Muito bem, a prova é o seguinte, dentro dessa mansão, há quatro chaves escondidas. Vocês entrarão lá, todos ao mesmo tempo e terão que achar as chaves para sair, pois as portas estarão todas trancadas. Se não acharem, ficarão trancados lá para sempre e serão desclassificados. A mansão não tem janelas, e mesmo que não pareça, ela é feita de um material inquebrável, por isso nem tentem escapar sem achar as chaves. Quando as acharem se encaminhem para o primeiro andar, pois lá é onde ficam as portas de saída. Simples não? – Disse Palmer
— Espera ai, você disse que tem quatro chaves escondidas, mas nós somos cinco pessoas... – Disse Baxter
— Por isso mesmo, um de vocês ficará preso para sempre lá dentro. – Disse Palmer
— Lá dentro tem comida? – Perguntou Gordon
— Não – Respondeu Palmer
— Olha aqui seu bosta, ninguém vai me prender em uma casinha de boneca pro resto da vida, entendeu? Se não eu mato a sua família. – Ameaçou Harrison
Palmer o ignorou.
— Certo, então podem agora entrar na mansão, a prova começou.
Então os cinco se encaminharam para a porta e entraram.
— Alden – Chamou Palmer
Então seu servo saiu de trás das árvores e disse:
— Chamou?
— Os zumbis já estão preparados? – Perguntou Palmer
— Sim, senhor – Respondeu Alden
Palmer sorriu
Os cinco participantes estavam reunidos na entrada da mansão, ela era mal iluminada e todos os seus cômodos estavam quebrados.
— Parece uma casa mal assombrada – Disse Alice tremendo
— Cala a boca, vocês são um bando de medrosos, eu vou achar aquela chave e sair dessa casa velha enquanto vocês morrem, seus idiotas – Disse Harrison entrando sozinho em um longo corredor e desaparecendo no meio da escuridão.
— Odeio esse cara – Disse Scott
— Eu vou procurar comida, estou com fome – Disse Gordon subindo um lance de escadas quebradas.
— E eu vou procurar a chave, não pretendo morrer aqui – Disse Baxter pegando um corredor oposto ao que Harrison tinha pegado.
— Ele está certo, é melhor eu me apressar – Disse Alice entrando em uma sala escura.
— Espere senhorita Alice, eu vou junto com você – Disse Scott a seguindo.
Gordon estava passando por um salão que era forrado por um tapete bege todo empoeirado. Até que ele avistou ao fundo a cozinha.
— Legal, a comida me espera. – Disse Gordon apressando o passo.
Quando ele chegou foi direto para uma dispensa bem grande que ficava logo na entrada. Quando ele abriu, havia lá dentro uma menina morta toda ensangüentada. Gordon gelou. Ele fechou a dispensa e disparou para fora da cozinha gritando:
— Socorro
Ele chegou no salão com o tapete bege e resolveu se esconder atrás de um sofá velho. Ficou muito tempo lá enquanto tremia, não acreditava no que tinha visto, por um momento ele pensou em sair de lá e procurar outra cozinha, mas depois de relutar resolveu voltar lá, afinal ela estava morta e não poderia fazer nada com ele.
Ele atravessou o salão devagar e atento, suas pernas estavam tremendo, quando chegou novamente na cozinha, seu corpo paralisou, a menina não estava mais dentro da dispensa. Quando ele virou o seu olhar para uma mesa que ficava no fundo da cozinha, ela estava lá comendo algo que ele não pode identificar.
— Você quer um pouco também? – Disse a menina.
Ela mostrou o prato e dentro dele havia olhos, narizes e línguas de humanos. Gordon disparou. Ele correu tão rápido que nem viu por onde estava passando e quando chegou a uma escadaria, tropeçou e rolou ela abaixo.
Baxter estava andando por um corredor longo e escuro. Quando chegou no final, havia apenas uma porta para entrar e nela estava escrito: “Não entre” Por um momento ele pensou em dar meia volta e procurar em outro lugar. Mas a sala era bem escondida e tinha uma placa estranha, era muito provável que tivesse alguma coisa importante lá dentro. Ele esticou sua mão lentamente, estava com medo, a mansão já tinha se mostrado bem estranha. Ele abriu. A sala estava totalmente escura, ele caminhou devagar até que chegou em uma estante, ficou procurando algo para iluminar o lugar mas não achou nada. Ele passou a mão mais uma vez pela estante, ela estava toda empoeirada, até que na ponta dela achou uma luminária. Então ele a ligou. Seu corpo congelou. Havia fotos de pessoas mortas coladas na parede, algumas delas mostravam espíritos, outras pessoas decapitadas. Baxter começou a analisar uma por uma. Em uma das fotos tinha um cara morto sentado exatamente onde ele estava. A sala apareceria novamente em mais oito fotos, todas com pessoas com os olhos arrancados e os pulsos cortados.
— Fotos de pessoas mortas... o que está acontecendo aqui? – Disse Baxter
Então ele ouviu um forte estrondo as suas costas. Quando se virou não tinha nada lá.
— Nós não estamos sozinhos – Disse Baxter
Então ele disparou pelo corredor, seu coração batia forte, suas pernas tremiam com violência. Quando ele estava chegando no fim do corredor ouviu gritos de alguém pedindo socorro. Ele pensou ver pessoas penduradas nos lustres quebrados. Então ele fechou os olhos, não fazia a mínima questão de ver assombrações, até que ele bate em alguma coisa grande e cai. Quando abriu os olhos, lá estava Gordon tremendo de medo e gritando.
— Gordon, o que aconteceu? – Disse Baxter
— Fan... fan...fantasma... – Gaguejou Gordon
Baxter se levantou.
— Como eu suspeitava, essa casa está cheia de assombrações – Disse Baxter limpando seus óculos.
— O... que... va... vamos fazer? – Perguntou Gordon
— Eu não sei – Disse Baxter – Primeiramente, vamos sair desse corredor.
Scott e Alice estavam passando por uma sala com um chão de mármore. Alice se abaixou e analisou o que havia de baixo do sofá, depois se virou e olhou de baixo de uma estante.
— Não tem nada aqui – Disse Alice se virando para Scott
Ele por sua vez estava procurando dentro de algumas gavetas, mas sem sucesso.
— Aqui também não tem nada – Disse Scott
— Vamos procurar em outro lugar – Disse Alice saindo da sala e entrando em um longo corredor, então Scott a seguiu.
Os dois estavam em silencio, até que uma voz ecoa pelo corredor:
“Eu vou matar você”
— Disse alguma coisa Scott? – Perguntou Alice
— Não disse nada, por quê? – Perguntou Scott
— Uma voz... – Disse Alice
“Vou te trancar aqui para sempre”
Alice congelou.
— Não está ouvindo isso Scott? – Perguntou Alice
— Ouvindo o que?
“Fim da linha”
O coração de Scott pulou.
— Eu ouvi – Ele disse – Quem está ai?
“Chegou a hora da diversão”
Alice se abraçou com Scott, ela estava tremendo muito, sua pele estava gelada.
— Vamos senhorita Alice – Disse Scott, ele a puxou pelo braço e disparou até o fim do corredor, mas quando chegou lá, havia uma pessoa. Ela estava sangrando, metade de sua cabeça tinha sido arrancada por alguém. Seu corpo estava em uma posição estranha, seus braços passavam por trás de suas costas, e suas pernas chegavam até sua nuca.
Os dois arregalaram os olhos. Eles permaneceram imóveis por um tempo. A pessoa começou a se aproximar. Seu corpo exalava cheiro de carnificina.
— VAMOS – Gritou Scott carregando Alice no colo e entrando em uma porta que ficava ali perto.
Ele não pensou em olhar para trás, continuou correndo. Depois que se distanciaram bastante, Scott parou em um quarto estranho e sentou um uma cama que ficava ali. Alice parecia em coma, ela não demonstrava sentimentos.
— Senhorita Alice, acorde vamos – Disse Scott
Alice saltou de seu colo. Ela parecia ter acordado de um pesadelo, estava ofegante.
— O que aconteceu? A voz... a pessoa... – Disse Alice tremula.
— Já acabou... não se preocupe eu estou aqui – Disse Scott se aproveitando do momento
— VOCÊ ACHA QUE EU VOU FICAR CALMA SÓ POR QUE VOCE ESTÁ AQUI? – Gritou Alice o socando.
— Que força — Disse Scott estatelado no chão
— Vamos logo, precisamos achar aquelas chaves o mais rápido possível e sair daqui. – Disse Alice indo em direção a porta.
— Vamos lá – Disse Scott a seguindo.
Enquanto isso Harrison estava passando por uma sala cheia de objetos de vidro sobre várias estantes. Ele começou a examinar o local.
“Que droga, cadê aquela maldita chave...”
Ele derrubou três estantes com um soco só.
— Maldição, eu não acredito que entrei nesse jogo idiota, ter que ficar procurando uma chave que nem existe, ele está nos fazendo de trouxa...
Uma canção tocada por um piano ecoou pela sala. Era uma canção triste e lenta, e era tocada com uma incrível perfeição.
— Quem ta ai? – Perguntou Harrison
Ele seguiu o som até um salão gigantesco que ficava ali perto. No centro dele ficava o piano.
— Hey quem ta tocando essa porcaria de música? Toca pior que a minha vó. – Disse Harrison se encaminhando para o piano
Quando chegou lá, não havia ninguém, ele estava tocando sozinho.
— Que merda é essa? – Disse Harrison
Então ele começou a socar o piano, o deixando em pedaços.
— E ai pianinho não vai continuar a tocar agora? – Perguntou Harrison
A pouca luz que tinha local se apagou. Harrison começou a ouvir passos que se tornavam cada vez mais fortes.
A luz se acendeu novamente.
Havia uma criatura parada na frente de Harrison, ela tinha um corpo cheio de cicatrizes, seu rosto estava dominado por sangue, sua boca borbulhava.
Harrison arregalou os olhos.
— Você quebrou o meu piano. – Disse a criatura com uma voz rouca – Vou ter que te matar.
— Ma...matar? – Disse Harrison
— O que houve? Está com medo de mim? — Perguntou a criatura
— EU COM MEDO DE VOCE? – Gritou Harrison
Ele começou a socar a criatura sem parar, depois a chutou para longe, quando ela estava estirada no chão ele jogou várias partes do piano nela, então se aproximou e arrancou sua cabeça e a jogou longe.
— Você acha que eu vou ter medo de um merdinha como você? – Disse Harrison
Ele observou a criatura caída no chão e concluiu:
— Uma casa com monstros? Isso ta ficando legal.
Então ele saiu do salão e entrou em um pequeno corredor.
— Essa casa está repleta de corredores e salas – Disse Harrison
Logo ele chegou ao fim do corredor, ali parecia um lugar inexplorado, estava cheio de teias de aranhas e baratas apostavam corrida no chão. Na parede havia uma porta enferrujada, Harrison a abriu, era um elevador.
Depois de se afastarem do corredor, Baxter e Gordon pararam em uma sala estranha, ela tinha uma mesa de sinuca, uma de tênis de mesa e uns três fliperamas desligados. Aquela parecia ser a sala de jogos. Eles observaram o lugar por alguns minutos, depois Baxter voltou a falar.
- Muito bem, me conte tudo o que aconteceu.
Os próximos dez minutos se passaram com Gordon explicando detalhadamente sua aventura. Quando acabou de ouvir, Baxter se pôs impressionado.
- Fantasmas, aparições. Essa prova acabou se tornando mais do que aparentava ser.
O silencio reinou por alguns momentos. Baxter estava confuso. Ele passou o olhar por Gordon e percebeu várias marcas em seu braço.
- O que aconteceu com o seu braço Gordon? Ele está todo roxo.
- Ah isso não é nada. Quando eu estava correndo do fantasma eu acabei caindo de uma daquelas escadas gigantes, mas já estou bem. – Disse Gordon com um sorriso no rosto.
O silencio reinou novamente. Baxter estava tentando entender o que se passava naquela casa. Então Gordon voltou a falar.
- Sabe Baxter... eu andei pensando, o Palmer disse que tem quatro chaves, e que uma pessoa não poderia sair, mas se for no nosso caso que estamos juntos, uma chave seria o bastante para nós dois sairmos. Será que ele não pensou nisso?
Baxter estampou um sorriso discreto.
- Eu também já pensei nisso. Isso é um teste. Palmer quer ver até onde nossa união vai. Ele quer saber da nossa intimidade, saber quem são amigos e inimigos. Essa prova não passa de um teste de amizade... e coragem.
As últimas palavras fizeram Gordon tremer. Sua pouca coragem já tinha ido embora há muito tempo. Houve um terceiro momento de silencio total, que logo foi irrompido pela barriga de Gordon anunciando que ele estava com fome.
- Preciso comer, não como a vinte minutos acho que bati meu recorde.
- Não temos tempo para isso, vamos achar logo essa chave e dar o fora daqui, antes que as coisas se compliquem ainda mais.
Quando Baxter se preparava para andar, um forte barulho ecoou pelos corredores. Os dois se entreolharam. O barulho se repetiu. Os fliperamas ligaram sozinhos. Gordon tremia. Na tela do fliperama não apareceu nenhum jogo. Era uma imagem. Baxter pensou já ter a visto em algum lugar. Era uma sala escura, com uma estante desgastada. A imagem se aproximou da parede e lá tinham várias fotos com pessoas mortas. Baxter pulou. Era aquela sala que ele estava a pouco. A imagem disparou pela porta em direção ao corredor gigante, estava em uma velocidade incrível. Quando chegou ao fim virou na mesma direção que Baxter e Gordon tinham virado.
- Corre... – Gaguejou Baxter
- O que é isso? – Perguntou Gordon
- CORRE AGORA – Gritou Baxter puxando Gordon pelo braço.
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