Death Game
11 Mortes e sobreviventes
Os dois correram por muito tempo. Passaram por uma sala com um balcão cheio de bebidas que provavelmente já tinham vencido há anos, passaram por um corredor cheio de móveis e por fim pararam em uma sala mal iluminada que não tinha absolutamente nada, nenhum objeto.
- Explica logo o que ta acontecendo, por que estamos correndo? – Perguntou Gordon ofegante.
Baxter examinou a sala minuciosamente e então disse.
- Tinha alguém nos seguindo...
- Nos seguindo? Quem?
Baxter não respondeu. Ele estava paralisado olhando para o fundo da sala. Ele tremia. Gordon rapidamente olhou para ver o que era e lá estava o fliperama, a imagem que ele mostrava era das costas de Baxter e Gordon.
- Acabou... – Gaguejou Baxter
Gordon se virou. Uma figura totalmente deformada estava parada a porta. Gordon soltou um grito estridente. A criatura saltou rapidamente até ele e o puxou pelo pescoço para fora da sala. Baxter não viu nada. Ele estava sem reação. Apenas ouviu o grito de Gordon se tornar cada vez mais baixo até desaparecer.
- Pegaram... o Gordon... –Disse Baxter trêmulo.
Ele permaneceu parado por muito tempo. Nunca esteve em uma situação tão complicada quanto aquela. Aparentemente o seu único amigo no jogo tinha sido levado por monstros e com certeza eles viriam para buscá-lo também. Mas ele não podia desistir, precisava vencer o jogo. Então se recompôs. E caminhou lentamente para fora da sala.
Alice e Scott entraram em uma sala com mais de dez portas.
- Certo, por qual porta nós vamos? – Perguntou Alice que ainda tremia um pouco dês da aparição do fantasma.
- Meu instinto diz que atrás dessa porta há uma chave. – Disse Scott apontando para uma porta colorida e com uns desenhos de umas flores.
- Vamos arriscar então. – Disse Alice avançando.
Scott passou na frente dela e abriu a porta para ela entrar.
- Um cavaleiro nunca deixaria uma dama encostar em lugares empoeirados como esse.
- Tanto faz – Disse Alice adentrando a porta.
Lá havia um corredor estreito iluminado por tochas. Depois de Scott fechar a porta e alcançar Alice, os dois começaram a andar.
À medida que os dois percorriam a extensão do corredor, um cheiro de mofo começava a se tornar cada vez mais predominante. E isso começou a incomodar Alice.
- Esse lugar fede muito, não poderiam esconder a chave em um lugar mais cheiroso?
- Não se preocupe senhorita Alice, quando eu achar as chaves eu as colocarei em algum lugar perfumado como um campo cheio de rosas. – Disse Scott em um tom poético.
- Para de se preocupar com poesias e vamos achar as chaves. — Disse Alice irritada.
- Sim senhora – Disse Scott determinado.
Nesse mesmo momento, eles começaram a ouvir passos.
- O que é isso? – Disse Alice voltando a se esconder atrás de Scott.
- Eu não sei, quem está ai?
Os passos foram ficando cada vez mais fortes. Automaticamente Alice se agarrou em Scott.
- Eu queria agradecer a minha família por me fazer crescer tão saudável e bonito, ao meu chefe por me dar dinheiro o suficiente para que eu pudesse sobreviver até hoje, ao Palmer por ter criado esse jogo, e para várias pessoas que agora eu não lembro o nome. Sem vocês eu não poderia estar vivendo esse momento tão romântico ao lado dessa princesa.
- CALA A BOCAAAAAA – Gritou Alice dando um soco na cabeça de Scott e arremessando-o contra a parede. – Se concentra em vencer esse monstro fedorento.
A criatura que observava a luta realmente fedia muito. Ela estava armada com uma corrente prateada na mão e seu corpo estava coberto de tatuagens.
- Volte para a porta senhorita Alice, e espere lá até eu voltar, não vai demorar até eu acabar com ele. – Disse Scott se levantando.
- Tem certeza que consegue? – Perguntou Alice demonstrando um pequeno grau de preocupação.
- Quando estou lutando por alguém eu consigo tudo.
A criatura avançou sobre Alice com a corrente em punho, mas foi parada por um chute de Scott, no qual arremessou a criatura longe.
Alice virou de costas e disse.
- Tome cuidado. – Depois disso disparou em direção a porta.
Scott estampou um sorriso no rosto. E disse com confiança.
- Vem seu monstro fedorento, eu vou acabar com a sua raça.
A criatura levantou e deu vários golpes com a corrente, mas Scott desviou de todos. Depois disso, ele avançou e acertou um soco em cheio na barriga da criatura.
Enquanto isso Alice corria desesperada pelo corredor, seu coração estava disparado. Quando avistou a porta, hesitou em abri-la, poderia muito bem haver um monstro atrás da porta esperando para seqüestrá-la. Depois de alguns segundos de reflexão, ela finalmente a abriu. Não havia nenhuma criatura ali, mas mesmo assim Alice ficou em alerta para qualquer coisa suspeita no local. Ela sentou ao lado de uma pequena estante, e ficou contemplando as dez portas, enquanto esperava Scott. Mas pouco tempo depois, ela avistou uma coisa escrita em uma das portas, e isso chamou sua atenção. Ela levantou devagar, suas pernas ainda tremiam. Depois de alcançar a porta ela leu o bilhete estampado com letras bem pequenas:
“A chave se encontra aqui”
No primeiro momento ficou óbvio na cabeça dela que aquilo era uma armadilha, mas depois de olhar ao seu redor, chegou a conclusão de que não tinha nada a perder, a casa era grande, haviam ali vários monstros, não existia nenhuma pista sobre a localização da chave. Hesitante, Alice ergueu sua mão sobre a maçaneta gelada e abriu a porta, nesse mesmo momento ela sentiu um calafrio. Mas lá dentro não havia nada, só uma pequena mesa, e em cima dela estava lá a tão sonhada chave. Alice pulou de alegria.
“Então aqui está você. Aquele bilhete afinal não leva pra nenhuma armadilha, que coisa boa.” Pensou Alice se virando já com a chave na mão. Mas para a sua surpresa, a porta estava fechada.
“Alguém fechou a porta? Estranho.”
Ela esticou a mão e balançou a maçaneta várias vezes, a porta estava trancada. Alice entrou em desespero.
- Socorro, me trancaram, Scott me ajuda.
Mas ninguém respondeu.
“Droga, como eu caí em um truque tão estúpido.”
Ela bateu na porta com toda a força, mas de nada adiantou.
- SOCORROO, SCOTT, SOCORROO, ALGUEM.
Por um momento veio a sua cabeça que nunca mais iria sair dali. Ela se derramou em choro enquanto batia na porta com toda a sua força.
Nesse mesmo momento Harrison adentrava o elevador enferrujado.
- Nossa, uma casa velha como essa tem um elevador, isso é incrível.
Ele olhou o painel e notou que a casa tinha 13 andares. Então ele ordenou para que fossem para o último andar, mas a máquina nem se mexeu.
- Que porcaria, isso ta quebrado, merda de elevador. – Disse Harrison chutando as paredes totalmente frágeis e velhas. – Quando eu encontrar aquele Palmer de novo eu vou encher ele de porrada, vou fazer ele engolir um urso polar, aquele jegue maldito.
Enquanto se lamentava por não ter encontrado a chave ele notou que havia uma protuberância em certa parte do tapete. Rapidamente ele se abaixou e foi ver o que era. Para sua surpresa, lá estava a chave.
- Finalmente achei você sua praga, agora vou sair dessa porcaria de lugar e depois ganhar logo meus 5 milhões.
Harrison pegou a chave e saiu do elevador.
- Certo preciso ir pro primeiro andar. – Ele olhou em volta não viu nenhuma escada para levá-lo até lá. – E agora como eu chego lá? Merda de falta de sinalização.
Ele então escolheu um corredor e começou a andar. Depois de cerca de dez minutos andando de lá prá cá em vários corredores, ele achou uma escada, rapidamente ele a desceu e encontrou mais um corredor, mas esse era pequeno e terminava em uma pequena porta. Ele foi até lá e a abriu. Harrison saiu numa sala com dez portas.
- Que droga de sala é essa? Será que uma dessas portas leva pra saída?
Na mesma hora alguém gritou com uma voz estridente e rouca:
- Socorro, alguém... alguém me ajude.
Harrison arregalou os olhos.
- Quem está ai? – Perguntou ele.
- Scott é você? – Disse Alice por trás da porta.
- Sua mãe que é o Scott, sua vadia.
Ele derrubou a porta com apenas um soco.
- Harrison, o que faz aqui?
- Não te interessa sua vaquinha, me fala pra onde é a saída.
- Eu não faço a mínima idéia – Disse Alice se levantando e guardando a chave no bolso.
- Você é uma imprestável mesmo. – Disse Harrison pegando a cabeça de Alice e apertando-a.
“Droga, cadê o Scott numa hora dessas?”
Alice começou a sentir sua cabeça latejar, quando num último suspiro levantou a perna e deu um chute com toda a força no estômago de Harrison, que caiu no chão.
- Sua... vadiazinha de mercado... vou...te..ma..tar. – Disse Harrison caído.
- Ok, mas vai ficar pra próxima. – Disse Alice. Ela chutou Harrison pra dentro da sala na qual ela ficou presa, e colocou uma estante que ficava ali para segurar a porta já escancarada. – Agora, você vai demorar um pouco para sair.
Agora que estava com a chave na mão, Alice começou a pensar.
“Certo, eu poderia ficar aqui esperando o Scott sair para irmos juntos, mas não dá tempo, pode aparecer alguém e me matar antes disso, espero que você entenda Scott.”
Com isso, Alice disparou pela casa em busca da saída. Ela correu desesperadamente pelo corredor que levava a escadaria, depois de tanto tempo ali, ela já conhecia alguns caminhos. Depois de chegar a escada ela desceu rapidamente, o pânico transbordava em seu corpo, a coisa que tinha mais chances de aparecer na sua frente é um monstro sedento por sangue pronto para arrancar suas vísceras e isso a deixava em desespero, Scott não estava mais ali para ajudá-la, tinha que se virar sozinha. Depois de descer as escadas ela entrou em uma sala esquisita com uma mesa de janta no centro, sobre ela vários pratos e velas, prontas para receber um jantar elegante. Alice gelou. Nesse mesmo momento ela ouviu uma voz sussurrando alguma coisa.
- Quem... Está ai – Perguntou Alice tremendo.
No mesmo momento apareceram seis criaturas vestidas por um terno e se sentaram em seis cadeiras que foram colocadas em volta da mesa. Alice não disse nada, ela apenas ficou observando em estado de choque. Mas nenhuma das criaturas fez nada com ela, elas pegaram talheres que estavam ao lado dos pratos e ficaram imóveis. Alice esperou para ver o que ia acontecer, mas ninguém se mexeu.
“É melhor eu fugir, depressa.”
Quando Alice começou a correr, uma das criaturas virou e disse com uma voz rouca:
- Quer ser nosso jantar?
Alice começou a gritar. As criaturas se levantaram rapidamente e foram atrás da participante indefesa. Alice disparou com toda a sua velocidade para fora da sala e pegou um corredor que terminava em uma escada. Logo que chegou no primeiro degrau, ela olhou para trás. As criaturas estavam paradas no meio do corredor com os talheres em punho.
“O que eles vão fazer?”
Imediatamente as criaturas começaram a atacar os talheres em Alice.
— Droga – Alice desceu rapidamente a escada.
Quando chegou no fim ela viu uma pequena porta escrita “Saída”
“LEGAL, ACHEI A SAÍDA!” Pensou Alice explodindo de alegria.
Ela pegou a chave e a colocou na fechadura, nesse mesmo momento as criaturas começaram a descer as escadas.
“Droga vai logo”
As criaturas estavam quase no fim da escada.
A chave começou a girar.
As criaturas se atiraram em Alice com facas na mão.
A porta abriu. Alice se atirou para fora da casa. Uma faca pegou seu braço de raspão, depois as criaturas se estatelaram no chão e Alice fechou a porta ofegante.
- Acabou...
- Muito bem – Disse Palmer alegre enquanto se aproximava dela. – Quem diria que você seria a primeira a sair, pelo que vejo foi muito difícil lá dentro.
- Lá dentro é o inferno... – Disse Alice se recompondo.
Enquanto isso Scott não demonstrava tanta dificuldade em bater na criatura. Ela tentava inúmeras vezes acertá-lo com a corrente, mas ele desviava sem dificuldade e revidava com um certeiro soco.
- Esperava bem mais de você – Disse Scott
A criatura deu uma risada macabra e saltou em cima de Scott derrubando-o no chão. Ele por sua vez encheu a criatura de socos, mas ela resistiu e colocou a corrente em seu pescoço. Os olhos da criatura eram vermelhos e medonhos e sua baba caía no nariz de Scott.
- Parabéns, conseguiu me imobilizar, mas não é o bastante.
Ele prensou a cabeça da criatura com os dois pés. Ela soltou um grito de dor e caiu para trás. Scott tirou a corrente de seu pescoço e a jogou longe.
- Você precisa de mais para me vencer. – Disse o participante convencido.
A criatura ainda atordoada se atirou em Scott agarrando-o com os dois braços, este por sua vez começou a se balançar tentando se livrar da criatura.
- Porcaria, isso é tudo que consegue fazer, se agarrar em mim?
Scott começou a se bater na parede tentando ferir a criatura, mas ela resistia.
- To começando a ficar irritado com você.
Scott começou a fazer uma força incondicional com os braços, até que arrancou fora os dois braços da criatura que começou a gritar desesperada.
- Você é bem frágil. Agora fique aqui que vou ver se a chave está nesse corredor.
Scott andou rapidamente até o fim do corredor e lá viu um buraco que parecia ser bem fundo.
- Um buraco? Onde será que ele dá? Será que a chave ta lá dentro?
De repente ele ouviu passos. Quando olhou para trás viu a criatura já de pé bem a sua frente.
- Uau, ainda consegue se levantar?
A criatura imediatamente saltou em uma investida em Scott, que não teve tempo de reação. A cabeça da criatura acertou em cheio em seu peito, fazendo os dois caírem no buraco.
O buraco era fundo, muito fundo. Quando Scott caiu, desmaiou por vários minutos.
- Droga, maldita criatura me pegou de surpresa. – Disse Scott se levantando
Ele olhou em sua volta. Estava em um lugar escuro e pequeno, lá tinham várias caixas embaladas, e o chão tinha muita poeira.
- Será que isso é um sótão? Talvez a chave esteja aqui.
Ele começou a procurar em todos os cantos, quando por coincidência percebeu que o corpo da criatura não estava em nenhum lugar.
- Aquele monstro deve ter escapado.
Nesse exato momento um chute por trás o acertou nas costas. Quando se virou lá estava a criatura de pé em cima de uma das caixas.
- Você ainda não desistiu
Scott avançou para acertá-la com um soco, mas ela por sua vez pulou para trás do participante e o passou uma rasteira derrubando-o no chão. Depois disso a criatura sentou em cima dele prensando-o contra o chão.
- De novo tentando me segurar, você não tem outro truque?
A criatura começou a bater na cabeça de Scott usando as pernas.
“Droga, ta doendo, preciso fazer alguma coisa.”
Enquanto pensava Scott viu algo brilhante ao lado de uma das caixas.
Ele usou todas as suas forças e conseguiu esticar a mão e pegar o objeto. Seu coração pulou.
-ACHEEEEI, FINALMENTE TE ACHEI. – Ele gritou enquanto apertava a chave com força. – Agora eu e a senhorita Alice podemos sair daqui.
A criatura não parecia entender muita coisa então continuou batendo na cabeça de Scott agora com mais força.
- Não estou mais pra brincadeira monstrinho.
Scott pegou a chave e a enfiou na perna da criatura que saltou pra trás se retorcendo de dor.
Ele arrancou a chave da perna da criatura e se levantou.
- Foi bom passar o tempo com você.
Scott arrancou a cabeça da criatura com um chute poderoso.
- Agora preciso voltar pro corredor, a senhorita Alice vai ficar feliz. Mas não posso voltar por esse buraco, preciso achar outro caminho.
Scott deu meia volta e encontrou uma porta no fundo da sala. Então rapidamente ele saiu de lá. Do lado de fora não havia nada, apenas porta escrita “Saída”
- Será que aqui é a saída? Tive uma idéia, se for, eu saio e entro por outra porta para resgatar a Alice, por que por aqui não tem mais como voltar.
Scott colocou a chave na fechadura e a abriu. Quando saiu viu ao fundo Alice e Palmer.
- SENHORITA ALICEEEE.
Alice olhou assustada.
- Scott, você conseguiu.
Scott correu até ela e a abraçou com força. Alice aceitou, afinal estava preocupada com ele.
- Como a senhorita saiu de lá? – Perguntou Scott confuso
- É uma longa história
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