Notas iniciais
Espero que gostem!
Capítulo dedicado à Tsuki Hikari, que ressurgiu com seus reviews para me fazer feliz *o*
Espero que gostem!
Beijos!!!!
♥

Abri os olhos e suspirei. Mais um dia. Mais um dia tentando fazer de conta que não ouvia os murmúrios alheios. Fazendo de conta que todos aqueles comentários não me atingiam, não me magoavam e não me machucavam.

Mais um dia para erguer a cabeça e tentar dizer para mim mesma que era preciso ignorar as imitações de contrações que eu via de esguelha ao passar pelos corredores da escola. Mais um dia para fingir que não vi aquelas garotas colocando a bola de vôlei dentro da camiseta.

Mais um dia de sofrimento, com certeza.

Respirei fundo e olhei para o lado, ciente que veria Nathaniel dormindo. Eu sempre levantava primeiro que ele, pois o emprego que ele arrumara era a noite. Então Nath dormia a manhã inteira e ia para o colégio de tarde, à noite ele ficava até meia noite mais ou menos, trabalhando como garçom em uma lanchonete perto de casa.

Claro que eu continuava trabalhando. À tarde eu ia direto para a rua “Liverpool”, trabalhar na lanchonete. E, tenho que dizer, a convivência com a Marianne estava cada vez mais insuportável. Ela sempre dava um jeito de me fazer ficar mais tempo que o expediente, só para me fazer ouvir o que fez de “maravilhoso” com o Nathaniel. Puta da vida? Marianne? IMAGINA!

Olhei para o lado e vi a cama vazia. Franzi o cenho e levantei devagar.

Passei a mão no rosto, reprimindo uma vontade imensa de voltar correndo para a cama, e saí do quarto. Mal dei três passos e vi uma sombra passar pela sala. Fui até lá e olhei de um lado até o outro.

Não havia ninguém.

Cocei a cabeça – morrendo de sono – e girei nos calcanhares. Entrei na cozinha e senti meu coração parar na boca. Uma figura enorme, com um manto preto, estava parada na cozinha. O capuz cobria-lhe o rosto, e sua cabeça estava abaixada.

Meu coração estava disparado.

A figura levantou a cabeça e eu gritei a plenos pulmões quando vi o rosto todo vermelho.

— AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH! – Gritei, apavorada.

— Calma! – Ele pediu, descobrindo os dedos e colocando-os em meus braços. Eram gelados e fez meus pelos da nuca se arrepiarem.

Desvencilhei-me dele e fui para trás.

— Dee... Calma! – Nathaniel pediu novamente, tirando o manto e sorrindo. – É... Eu acho que foi demais, ter colocado meus dedos no gelo. Mas era para dar um toque à mais!

Não respondi, estava tentando controlar meu coração.

— Dee...? – Ele chamou, parecendo preocupado.

— Porque fez isso? – Murmurei, sentindo meus batimentos voltarem ao normal lentamente.

— Não sabe que dia é hoje? – Ele perguntou. – Sexta feira treze!

— Mesmo? – Perguntei, olhando para ele com as sobrancelhas juntas.

— Mesmo. – Ele sorriu. – Tá tudo bem?

— Não! – Respondi, colocando a mão direita no coração. – Eu to grávida, são seis horas da manhã, acabei de levantar, morrendo de sono, preocupada com as provas... E VOCÊ AINDA ME VEM DAR SUSTO? – Perguntei, fazendo-o corar.

— Desculpa, meu amor. – Ele sorriu, beijando minha bochecha. – Não faço mais isso.

— Uhun. – Revirei os olhos. – Agora dá licença que eu necessito tomar meu café da manhã.

Sexta feira treze. Que ótimo.

Já contei que esse é meu dia de azar?

— E não se preocupa não, gatinha manhosa. – Ele disse, aparecendo na cozinha novamente. – Essa história de azar, é só superstição. Nada disso é real.

~♥~

— Olha só! A gravidinha chegou... – Ouvi Sarah falar bem alto, seguida de um coro de risadas.

Ignorei e segui caminhando até meu armário. Estava destrancando a fechadura quando a negra apareceu e derrubou meus livros no chão.

— Oh, me desculpa. – Ela disse, colocando a mão na boca, fingindo espanto. – Será que você consegue pegar? Ou o bebê não deixa...?

Respirei fundo e não respondi. Não valia a pena.

Fiquei de joelhos – ok, não estava com aquela barriga enorme, mas já dava para perceber uma saliência – e comecei a empilhar os livros e cadernos novamente nos braços.

Estava – com muita dificuldade – subindo de novo, quando Sarah fingiu tropeçar em algo e me empurrou, fazendo a tonta aqui cair no chão de bunda, com papéis espalhados ao meu redor.

A chefe das líderes de torcida se abaixou e pegou alguns papéis que estavam grampeados.

— Olha só... O trabalho de física... Muito obrigada, garota Phelps. – Ela sorriu, enquanto pisava no resto dos papéis e saía de lá rebolando.

Vários estudantes passavam por mim. Alguns riam, outros fingiam não me ver, outros até pararam para me olhar e comentar um pouco. Vi ainda um calouro que tirou foto com seu celular.

Mas nenhum deles teve o bom senso de me ajudar.

Ajudar? Para que? Essa palavra existe no vocabulário deles...?

Fiquei de joelhos novamente e peguei os papéis lentamente. Ouvi o sinal bater. Continuei pegando as coisas calmamente. Se eu me estressasse e ficasse com raiva, iria ser muito pior.

— Quer ajuda? – Uma voz chegou até mim. Meu coração deu um pulo e eu olhei para o rosto da pessoa sem entender.

— De você? – Perguntei, fazendo cara feia. – Não.

— D, eu... – Brendon começou a falar e pegar um caderno do chão, mas eu agarrei o objeto de sua mão e puxei, pegando tudo rapidamente e ficando em pé o mais rápido que conseguia.

— Não tem que se explicar. – Falei. – Nem quero que se explique. Não quero nada vindo de você. – Vociferei, fechando o armário com força.

— Mas você está esperando um filho de mim... – Ele disse, vindo atrás de mim.

— Brendon, não temos mais nada. Ok? – Virei abruptamente, quase colidindo com o moreno. – Acabou. Não sou qualquer uma. Principalmente uma dessas gurias que vem atrás de você se estalar seus dedos. Acabou. Fim. Game over. Tchau!

Virei as costas e recomecei a andar, mas ele pegou em meu braço e me obrigou a encará-lo.

— Vai negar que está esperando um filho meu? – Ele perguntou, me fazendo fechar a cara.

— Não. Estou mesmo esperando um filho seu. – Falei cinicamente. – Mas não quero você perto dele. Não vou deixar você se aproximar, porque essa criança vai ter um pai muito melhor que um canalha como você.

Virei as costas e decidi que não olharia para trás dessa vez.

Ouvi um “Mesmo? Acredita que ele vai ser um pai melhor que eu?”, que me fez dar risada.

— Não acredito. – Gritei, fazendo eco no corredor agora vazio. – Tenho certeza.

~♥~

— Credo. Que cara é essa? – Ela perguntou, sorrindo sarcasticamente.

— Não enche, Marianne. – Resmunguei, jogando a bolsa da escola embaixo do balcão e pegando o avental no quartinho.

— A onça tá brava hoje? – Ela perguntou, pegando o pedido que Ulisses (o cozinheiro dançarino) entregava a ela.

Não respondi. Amarrei o avental e observei a morena ir atender dois caras.

Ela sorria exageradamente e parecia até intimidar os clientes.

Depois de pedirem, ela falou algo para eles e um dos caras começou a rir. Vi a morena corar violentamente e sair de lá revirando os olhos.

— Gays. – Ela murmurou, chegando perto de mim. – Odeio quando vêm aqui.

Revirei os olhos e sorri.

— Delilah, vem cá. – Virei o rosto e vi Joshua na ponta da escada que dava para seu apartamento.

— Que foi? – Perguntei, indo para perto dele e sentindo aquele cheiro repulsivo de mostarda estragada misturado com cebola, alho e aquele salgadinho de queijo que cheira à chulé. Tudo isso junto não é uma boa combinação.

Ele subiu – com bastante dificuldade – alguns degraus e se virou para me encarar com aqueles olhinhos de miçanga.

— A lanchonete vai ser fechada. – Ele disse, sem rodeios.

— Por quê? – Perguntei, pasma. – Como assim?

— Porque estamos falindo, não temos mais tantos clientes... E Marianne está tratando de assustar a maioria dos clientes. – Ele disse, aparentemente, sem emoção nenhuma.

Fiquei em silêncio. Pensando.

— Isso quer dizer que... – Falei, sabendo a resposta de imediato.

— Você e Ulisses serão despedidos, obviamente. – Ele deu de ombros, balançando aquelas gorduras nojentas que ele chama de pele.

— Marianne sabe disso? – Perguntei.

— Não. Se você puder falar...

Dei as costas à Josh e fui até o balcão.

— Arranjou problemas, santinha? – Ela perguntou, apoiando os cotovelos no balcão.

— Nós duas. – Respondi. – Quero dizer... Nós três.

Ela arqueou uma sobrancelha.

— Como assim, princesa?

— Acho melhor parar de falar assim comigo. – Avisei, tirando o avental. – Tive um dia ruim, acordei com o Nathaniel me dando o maior susto, fui piada na escola e agora recebo essa informação... Melhor não mexer comigo. Se não estivesse nessas condições, provavelmente estaria de TPM.

— Ui, a gata tá nervosa. – Ela zombou.

Taquei o avental sujo na cara dela e peguei minha mochila.

— A gata tá nervosa sim, e sabe por quê? A lanchonete tá fechando, ou falindo, como queira, eu to desempregada, grávida, com um monte de conta pra pagar, com um monte de gente idiota pra aturar, um monte de prova para fazer e sem saber quem é meu pai. Motivo o suficiente para ficar nervosa? – Perguntei, respirando com dificuldade. Ela olhou para mim assustada. – Agora com licença, sexta feira treze não é o meu dia de sorte e eu quero que ele termine o quanto antes possível.

Saí da lanchonete pisando duro.

Andei até em casa – sim, sou louca – e abri a porta com força.

— Opa! Calma aí, Hulk. – Nathaniel disse. Estava com o uniforme da lanchonete, arrumando sua maleta, quando eu entrei. – Delilah...? Que foi?

Respirei fundo e deixei uma lágrima escorrer por minha bochecha.

Senti seus braços ao meu redor.

Contei-lhe tudo. Desde Sarah e Brendon, até Marianne e Joshua.

Ele era um bom ouvinte. Balançava a cabeça para que eu continuasse e ouviu tudo antes de falar algo.

— Nós vamos superar tudo isso. – Ele disse, me abraçando forte. – Eu prometo.

— Você promete muitas coisas. – Sorri.

— É porque eu sei que vamos conseguir. – Ele respondeu. – Eu te amo.

— Eu também te amo. – Respondi, enterrando meu rosto em sua camisa social.

— Dee...

— Hn?

— Tenho uma coisa para te contar... – Ele corou, enquanto eu secava as lágrimas e olhava para ele sem entender.

— O que?

— Minha família quer te conhecer...

Notas finais
x3